A cidade, o cidadão

São Paulo é uma cidade apaixonante. São Paulo é uma cidade pulsante. São Paulo é vida. Vida que não para. 24 horas por dia. Tantas palavras já foram ditas por essa cidade. Tantos amores. Tantos temores. Poemas, traços e canções. Mario de Andrade já a tratou como “Paulicéia Desvairada”. Caetano a cantou em suas esquinas, “De um sonho de cidade à dura realidade”. Adoniram falou dos bairros e das partidas. E do trem. Do último trem. Da cidade, a grande locomotiva. Paulo Bomfim, nosso príncipe,  já a poetizou sem economias. A vibrante cidade carece, entretanto, de cidadãos que dela cuidem.

As críticas aos órgãos públicos, aos gestores de todos os níveis andam na moda. Mas é preciso ir além. E chegar à necessária crítica ao cidadão. Pontos viciados de lixo, pichações, córregos abarrotados de objetos de despejo, rotinas inadequadas, nascidas da ausência da consciência cidadã. Há, ainda, aqueles que despejam o que incomoda pela janela do carro. Seja a casca de uma fruta ou um pedaço de salgado. Uma lata de refrigerante ou um papel de bala. E então? O pensamento errático de que o meu lixo não faz diferença atrapalha o dia a dia da cidade.

Atrapalha, também, o que buzina, o que para em fila dupla, o que não respeita a faixa de pedestre, o que não cuida do que é comum. Do banheiro no metrô à poltrona do ônibus. Da carteira da escola aos espaços das praças. A cidade é de todos. E se, por um lado, a crítica correta ajuda os administradores; por outro, é preciso um senso coletivo de cuidado, de divisão de responsabilidades, de somas de amor.

Uma megalópole como São Paulo só consegue respirar se todos os seus habitantes, sem exceção, fizerem cada um a sua parte. Todos, em coletividade, fazendo valer a sua condição cidadã. E amar sua cidade é o que de mais nobre seu morador pode fazer por ela. Grande parte dos nossos problemas seria resolvida se tivéssemos um comportamento reto, generoso, ético, cidadão.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 15/04/2016

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