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Olga do céu

            Amanheceu domingo dia de São Francisco. Por aqui, a notícia. No céu, a chegada. Irmã Olga de Sá completava o poema e se integrava ao Eterno.

            Era um início de fevereiro e fazia calor. Eu estava sentado em uma das cadeiras do tradicional seminário dos salesianos, em Lorena. Queria ser padre. Queria ser ponte entre o humano e o Sagrado. Era menino ainda, e ela entrou. Uma freira iria nos ensinar Introdução à Filosofia. Olhou um a um e iniciou sua viagem pelos filósofos da liberdade. Nunca me esqueci desse início. Eu copiava com medo de que a palavra se perdesse, de que o esquecimento roubasse um saber tão novo e  iluminador. O ano foi me apaixonando e eu, ainda hoje, abraço os filósofos que ela me apresentou.

            Era talvez setembro, e eu estava triste. Um jovem com o seu martelar interno. Tudo era construção e desconstrução. Possibilidade e medo. Segurança ou voo. E foi ela, a que antes havia me apaixonado no saber, que cuidava de mim, na psicologia dos sentimentos. Foram tardes de cultivos. Enquanto descansava em uma poltrona quase divã, via a exuberância dos ipês amarelos que explicavam que a vida prosseguia. E, então, parti do interior em busca das inseguranças da imensa cidade. 

            Era novembro e fazia calor. E um frio havia se apossado de mim. Estava sentado em uma escada, na universidade que tinha escolhido para prosseguir. Olhava para janelas de um dia que terminava e sofria o medo de não dar certo. Um professor havia rabiscado meus sonhos. E eu tinha medo de não conseguir prosseguir. E, então, ela passou andando com seus livros e sua paz. E nos vimos. E eu me despedacei em palavras desconectadas. Ela estendeu a mão e todo o resto para que caminhássemos juntos. E, assim, eu prossegui.

            Não poucas vezes, sentávamos-nos para viver o dia. E a palavra ganhava significado. Foi me orientando, enquanto eu crescia, palmilhando sabedorias na minha inquietude. 

            Era ela uma mulher de vasto conhecimento. E, também, do silêncio dos que se alimentam de oração. Quando a via na capela olhando para o alto e para dentro, eu compreendia. A sabedoria transcende o humano. A ponte com os homens é mais sólida, quando as bases nascem de uma crença de humanidade que nos relembra o essencial. 

            Ela ouvia minha certezas e se certificava de que era insegurança. Uma ou outra pergunta já me desconcertava. Então, fui sendo simples. Lia os meus textos e comentava dizeres sinceros. E me ajudava a celebrar a autenticidade. Foi ela um punhado de Deus na minha vida. De um Deus inteiro que ultrapassa tudo o que se pensa saber. Tola arrogância humana tão sem luz, tão sem razão. 

            Íamos juntos ao teatro celebrar a arte, víamos os filmes e suas narrativas de encantamentos, alimentávamo-nos em jantares que rasgavam as noites e traziam o sabor do saber. 

            E, então, ela completou o poema. 

            Viveu para a educação e para a serenização das almas. Viveu para falar de Tereza D’Avila e Clarice Lispector, de Agostinho de Hipona e de Goethe, da Bíblia e do Grande Sertão, como ensina Adelia. Viveu para a sua congregação, as filhas de Maria Auxiliadora, as mulheres missionárias de amor profundo pela razão e pelos afetos, como queria Dom Bosco.

            Viver é uma despedida. Todos os dias, dos dias nos despedimos. Todas as horas, das horas nos despedimos. E um dia, então, chega. Um dia em que nem o dia nem a hora escapam de nós. Entregamo-nos inteiros ao Amor que é maior do que o tempo e do que o espaço. 

            No espaço da minha vida, ela estará sempre, como gratidão, como entendimento de que bebi dos seus poemas para poetizar também. E, um dia, nos reencontraremos. Não sei se por lá os Ipês amarelos florescem apenas na primavera ou se será eternamente primavera. Ou se nem de primavera precisaremos. Não sei se haverá abraços nem prosas. O que sei é o que o mistério é um véu que só descortino quando escrevo nos dias a simplicidade. Mesmo assim, parcialmente. Não nos foi dado conhecer o que vem depois do ventre. Nem quando aqui chegamos nem ao daqui nos despedirmos. 

            Amanheceu domingo dia de São Francisco, e Olga já sorri o sorriso que nunca termina…

Publicado dia 11 de outubro de 2020, no jornal O Dia (RJ). 

É quase natal

Estou um pouco perdido no tempo, mas sei que é quase natal. Há movimentos que rasgam a rotina dos dias. Eles gostam de nos dar o que não temos. Ao menos, no natal. 

Não. Não posso ser injusto. Sou bem tratado aqui. E sempre há alguém para preencher o que nos falta. Falta em mim a memória necessária para contar quem vem. Esqueço nomes e me confundo em perguntas, cujas respostas já me foram tantas vezes dadas. Coleciono alguns medos antigos e outros que foram chegando e se aninhando em mim. Tenho medo de chuva. E não tinha. Tenho medo da noite. E da noite gostava, quando saía acompanhado ou quando buscava, nos dias de alma fria, algum aconchego. Tenho medo das quedas. Que bobagem! Caí tantas vezes e me limpei e prossegui. Mas hoje é diferente. A memória me falta e, então, não posso explicar. Tenho um filho, apenas. Devia ter tido mais. Ou não. Não sei. O que mora no ontem, no ontem mora, e já não podemos mudar. 

Na casa do meu passado, vivia uma mulher linda e um filho cheio de tudo. E dias felizes. Como tive pouco, porque meus pais pouco tinham para me dar, dei em exageros ao meu filho. Bastava um desejo, e eu estava ali para resolver. Na minha infância, era um brinquedo de natal, apenas. Na dele, era uma vastidão de embrulhos para serem abertos e desprezados. Nada o satisfazia. Queria mais. E assim eu atendia. Minha mulher dizia que eu o educava mal. Mas era meu único filho. Eu queria que nada faltasse. Eu queria que ele fosse o mais feliz dos homens. Eu queria tanto. E ele queria tão pouco, foi o que me disse em uma das últimas vezes que esteve por aqui. Não me lembro de tudo. Lembro que ele pediu que eu parasse de pedir que ligassem. Que nada estava me faltando. E se foi, sem beijos. Eu o beijava tanto. Dizia dele aos meus, que era meu orgulho, que era meu príncipe, que era o melhor nisso e naquilo. E ele se fez homem. E tem seus filhos. Dois. Que também nunca vêm. Eu tenho as fotos. 

Tive doenças que me fizeram incapaz de controlar a mim mesmo. Foi quando ele decidiu que era melhor eu viver aqui. Eu concordei. Estava frágil demais para comandar o dia. Assinei o que ele me pediu. Era melhor que ele administrasse tudo. Tudo o que eu construí com anos de entrega. Fui da escassez ao exagero. Da casa simples dos primeiros anos de amor com minha mulher a uma mansão cheia de tudo para que meu filho fosse feliz. Entendia nada de felicidade naquele tempo. Viajou para longe de mim o menino que eduquei com erros. Aprendi rasgado que não se deve dizer “sim” aos luxos desnecessários. Sementes não jorram de mãos enluvadas. É preciso o calo dos plantadores para que os jardins floresçam dignidade. Sem esforço, não há flor nem fruto, nem beleza nem alimento. 

Meu filho é um homem que gosta de dar ordens. E que me culpa por pecados que ele decidiu. A mãe morreu pouco antes das minhas recentes fragilidades. Não sei quanto tempo faz, exatamente. Nem sei se tudo o que eu digo é como realmente foi. Sei que tenho saudade. 

Ontem, um jovem que nos visita e a quem sempre eu pergunto o nome, me perguntou sobre um presente de natal. Eu respondi, “Meu filho!”. Ele tocou as minhas mãos e sorriu com os olhos. “Que meu filho venha me ver, que meu filho me dê um beijo, que meu filho diga que me ama”. O jovem nada disse. Decerto vai ligar para o meu filho. Decerto, se meu filho vier, será para me repreender. De certo, eu não sei nada. Só sei que não vivo na casa dos meus sonhos. Nem na mansão nem na pequena casa dos inícios onde minha mulher e eu sentávamos no chão e montávamos uma desequilibrada árvore cheia de simplicidades para o natal, e um presépio de papel “alguma coisa”, não lembro o nome. E fazíamos amor no chão. Jovens que éramos. 

Meu filho não viveu essas delícias. Talvez eu seja o culpado. No seu tempo, era tudo arranjado para que nada faltasse. Faltou uma canção desafinada, faltou um bolo um pouco queimado, faltou um brinquedo só. Eu não sei. Sobre os erros, só se sabe depois. Difícil escolha a de viver. Quem foi que inventou a liberdade? De acúmulos em acúmulos, fui percebendo o que falta. Nesses tempos de despedidas, as lembranças que me preenchem não são de coisas, são de pessoas, são de momentos, são de sabores. Que sabor tem uma vida sem amor? Por que minha mulher ficou doente e se foi? Se ao menos estivéssemos juntos, esse canto em que me sento seria encantado. E faríamos amor novamente. Nem que fosse com os olhos. 

Estou um pouco perdido em mim. Tenho esquecimentos e lembranças. Que se revezam. O que permanece sempre é a saudade, acho que já disse isso. Se eu pudesse voltar, eu não impediria as frutas de amadurecerem sozinhas. De correrem os riscos necessários. De caírem e permanecerem intactas ou com algum arranhão, por que não? 

Quem sabe meu filho leia os meus pensamentos e me perdoe os erros e venha me ver no natal. Sempre acreditei em milagre. 

Publicado dia 22 de dezembro, no jornal O Dia (RJ). 

Comi a saudade

Nenhum dos meus amigos viveu a guerra. Eu vivi. Era um menino pobre de um país pobre de tanta dor. Minha terra chorava dia e noite. Mães atormentadas por sirenes com medo de mais um enterro. Os enterros se sucediam. As lágrimas desciam montanhas abaixo, sonhando germinar um novo tempo. Eu era um menino que ganhava algumas moedas vendendo doces ou limpando cabelo em uma barbearia. Moedas que não eram suficientes para comprar o sanduíche de que eu mais gostava. Minha mãe e meus quatro irmãos estavam na mesma situação. Nas calçadas da penúria, no caminhar em busca de paz. 

Calçada era onde me sentava do outro lado da rua para ver os que tinham dinheiro comprarem e comerem o sanduíche de Falafel. Um vazio me abria naquele corpo tão menino. Reclamar? Como? Minha mãe era muitas para lidar com a sobrevivência de tantos. 

Em uma viagem de saudades e acenos, viemos para o Brasil. 

Os inícios, por aqui, também foram duros. De pedra em pedra, fui construindo minha história. Sem nunca abandonar as minhas raízes. Fiz família. Mulher e filhas que preenchem os meus mais lindos instantes. 

E, um dia, voltei ao Líbano e à rua do sanduíche de Falafel e ao tempo que, dentro de mim, trazia lembranças. 

Era outro o vendedor, era outra a paisagem. O sol queimava o dia e eu aquecia o meu coração comprando cinco sanduíches de Falafel. Sem muita explicação, quis sentar na calçada e comer um a um. Eu estava comendo a saudade. Eu estava comendo a gratidão de ter sobrevivido, de ter viajado, de ter plantado em terras de paz. As lágrimas iam despencando, não de medo das sirenes ou das mortes de quem perdíamos. Eram lágrimas da emoção do curso da vida. Das tantas dores passageiras. Das cicatrizes com as quais aprendemos a conviver. 

Conto aos meus amigos que me ouvem com poesia. As privações podem nos empoeirar de tantas maneiras. E podem nos impedir de prosseguir. Não foi o que aconteceu comigo. O que tenho de mais precioso não é o dinheiro para comprar os cinco sanduíches. O que tenho de mais precioso são os sentimentos que foram regados por tantas pessoas que fui aprendendo a amar. 

E, se pensam que conhecem da grande felicidade, esperem o nascimento dos netos. Meus netos são como milagres que brotaram de um Cedro do Líbano que teve a grandeza de nunca desistir de acreditar. 

Quando os abraço, relembro o menino que fui e agradeço a Deus por ter chegado até aqui. 

Publicado dia 05  de janeiro, no jornal O Dia 

Seja bem-vindo, 2020!

As horas estão inquietas. E, com elas, nossas sensações de que o tempo vai escapulindo. O ano já se despede. Já se tornou partida, enquanto o outro está à espreita, observando desejos e propósitos. Há lágrimas que se misturam a uma certeza de que vai melhorar. De que é preciso melhorar. 

Eu vivo nesse quinhão da história e dele me alimento. 
Olho o que se foi e encontro razões para agradecer. E também para resmungar comigo mesmo. Deixei escapulir dias de alegria em troca de preocupações desnecessárias. Deixei de compreender a efemeridade das coisas e, por isso, me permiti a tristeza. Esqueci de cultivar os amigos por medo de suas ausências. E assim fui me ausentando de pessoas que me colorem a alma com a tinta do amor. 

Vivi decepções. E não foi privilégio meu. Há tantos que se perdem no ano. Mas que não podem traçar a régua das nossas crenças. Creio no ser humano como complemento meu no existir. Creio como quem crê que laços não se desmancham por decretos de outros. Quero entrar no ano novo de mãos dadas. Comigo e com os que não se importam com os tantos defeitos de que ainda não pude renunciar. 

Reconheço os amigos por detalhes que aprendi a reparar. Se olham nos olhos, se escutam as dores, se sorriem com sinceridade, se se dão bem com o silêncio. 
E, então, eu vou me entregando. E revelando, pouco a pouco, os textos que escrevi preenchendo as lacunas do mundo. Do meu mundo. Ou do mundo que se alarga, quando dou autorização para que outros possam entrar. 

Os outros anos e este que se encerra foram me ensinando a ser mais cuidadoso. Não sou das brigas. Não gosto dos gritos que exigem reparação, mesmo quando sinto que tenho razão. A razão me convence a partir e a aprender com os erros dos outros e com o meus próprios. 

Errei muito neste ano que se despede. E, certamente, errarei no que ainda nem nasceu. Mas também acertei na convicção de que não desistirei de cultivar os afetos, de me entregar ao amor, de chorar nas despedidas, e de receber descalço os que quiserem caminhar comigo. 

Com os pés no chão, olharei para o que vem pela frente. Se não conseguir ver, imaginarei. Sonhos movimentam gentes. E mudam mundos. Quero um mundo novo no novo ano. O meu e o de todo mundo. Quero me ausentar das confusões dos perversos e me sentar nas relvas simples para ouvir histórias. E aprender. 

Sempre gostei dos fazedores de história. Ninguém faz história sem prestar atenção. Ninguém muda o mundo sem prestar atenção. Quero me livrar dos desatentos. Por favor, não me entendam como um desprezador de gentes. Não é isso. É que o tempo é tão caprichoso que só nos permite escolher alguns acompanhantes. E foi ele mesmo, o tempo, que foi me ensinando a perceber que esses acompanhantes me ajudarão a conhecer a paisagem. E a me levantar quando necessário para nela interferir. E me convidarão a passear, sem pressa, pelos tempos que me fizeram ser quem sou, quem somos. E estarão comigo, em silêncio, ouvindo o sol se despedir. 
E a saber retirar a poesia do cheiro da chuva que beija a terra e que alimenta o que nem vemos. 

Quero voltar a conjugar o verbo agradecer. Conheci a gratidão, quando ainda vivia em um interior e via as lágrimas dos cultivadores da esperança dobrarem os joelhos e acenderem a fé. Procissões lindas. Orações de quem acredita. 

Será melhor. A vida será melhor depois dessa passagem. Os acúmulos de aprendizagens nos ajudarão a errar menos. E, se errarmos, que não seja um erro que traga dor a quem amamos ou a quem deveríamos amar. 

Troquemos de roupa, então. E nos perfumemos com a limpeza necessária de quem só quer fazer o bem. 
E preparemos uns dizeres novos para o ano novo que está nascendo. 

Seja bem-vindo, 2020, há muita gente esperando por você. 

Publicado dia 28 de dezembro, no jornal O Dia (RJ). 

A longa travessia

Será que alguém vai me ajudar? Nessas épocas, é gente demais atravessando. E o tempo é curto. Quando se vê, já fechou. E é preciso esperar. Esperar para que se abra novamente. 

Não faz muito tempo e eu conseguia atravessar sozinha. Ou acompanhada de quem sabia quem eu era. Os meus já se foram. E eu sobrevivi. Hoje, tenho pouca gente. Algumas velhas amigas que, também viúvas, vivem de aguardar. 

Há muitas coisas que já não mais faço. Meu andar é lento. É por isso que redobro os meus cuidados. Uma queda pode levar algum prazer que ainda ficou. Prazeres foram indo um a um. 

Um dia, acordei velha. Assim mesmo. Sempre fui vaidosa. Não sou dessas que admitem que o tempo decida a cor do cabelo. Sempre saí arrumada. Aprendi com minha mãe que aprendeu com a mãe dela. Pequenos apetrechos que destacam o que temos de melhor. Um brinco delicado, um colar que combine com o dia, uma maquiagem que não carregue, mas que alivie as horas. 

Um dia, percebi que os anos que em mim se acumulavam eram mais fortes do que qualquer batom ou pó ou base, ou seja lá o que eu usasse. As rugas que alguns dizem que nos enfeitam de sabedoria começaram a me incomodar. E não tem volta. É assim que é. Não é uma ferida que cicatriza, são os anos que vão se acumulando em saliências no meu próprio corpo. 

Olho as antigas fotografias e me pergunto por que tudo passou. Por que a travessia é longa e tão curta. A linda menina já se foi. Os elogios vão encontrando outras palavras. Deixei de ser bela para ser agradável ou simpática ou inteligente ou boa conselheira. Os olhos já não me olhavam como antes. 
Desejos foram se rarefazendo. E eu não compreendi. E confesso que desconfio de quem diz que compreende. 

É triste não se sentir desejada. Desde que enviuvei, não conheci outro calor. Até tentei. Mas, quando gostei, não gostaram; quando gostaram, não gostei. Por que é assim? Por que é tão difícil encaixar? 

Encaixotei as esperanças de viver uma outra história e resolvi sorver os afetos com amigas que, como eu, continuavam a travessia. E, agora, olho para esses movimentos todos. Há uma avenida a ser atravessada. E há tantos e não há ninguém capaz de perceber que eu preciso. 

Tenho um certo incômodo com as palavras. Elas sobram dentro de mim e se ausentam quando preciso dizer. Como é difícil gritar que preciso de ajuda, que preciso de amor, que preciso de que alguém me veja. Não. Eles não me veem. Estão pensando neles mesmos. Como vão me ver? Como vão perceber que preciso de alguém para essa travessia? Alguém que tenha a gentileza de pegar a minha mão e me fazer sentir amada. Nem que seja por esses poucos minutos que moram nessa longa travessia. Os barulhos estão aí para dificultar a compreensão. Com os barulhos, é mais difícil de se ver. 

Saudade dos silêncios acompanhados. Ah, o que é uma vida sem amor? O que é um prêmio sem um abraço do amado? O que é um dormir sem um desejar boa noite? O que é um acordar sem esperar alguém que diga que o dia vai ser lindo? Sempre gostei de cuidar e de me sentir cuidada. Meu marido não era um homem fácil. Mas quem é? As manias vão nos dificultando o conviver. As exigências vão nos afastando de quem pode nos amar. Desperdício é cultivar o que nos separa. Sempre há algo que nos diz que há razões para permanecer. Como foi difícil reaprender a dormir sem ele. Gostava quando ele me procurava. Quentura boa. Dias que se foram. 

Tenho medo de ser atropelada nesses dias que me restam. É por isso que fico parada. Sem ação. Sem coragem de dizer o que preciso. Não que não tenha alguma esperança. 

De repente surge uma música no barulho do dia. De repente, surge uma dança e, mesmo vagarosamente, eu me permito. Queria terminar os meus dias dançando. Ah, preciso confessar que o meu sonho de bailarina nunca foi realizado. Mas ainda estou viva. Quem sabe? 

Os olhos ainda não me faltam. Vejo bem. E parece que, do outro lado, vem alguém sorrindo pra mim. 

Apesar do barulho, o dia está lindo. Apesar do barulho, eu ainda ouço quem sou. 

Publicado dia 15 de dezembro, no jornal O Dia (RJ). 

Aniversário do meu pai

É mais um dia de aniversário. E ele não está. Já se foi há algum tempo. Meu pai não mora comigo, nem em casa nenhuma. Mora onde moram aqueles que esculpiram vidas com a própria vida. Era ele um cuidador de gentes. Se há moradas na casa do Pai, preparadas para quem amou, é lá que ele está. E é aqui, também. Em um turbilhão de recordações. De ditos que ainda ecoam dentro de mim. 

Sou carente, confesso. Abraço lembranças e fico em silêncio, pensando. Olho o passado, com alguma frequência, e cultivo a saudade sem melancolias. O tempo vai se esquecendo de que gostamos de permanecer e, quando vemos, não podemos mais ver. Não com os olhos. 

Vejo meu pai em mim em gestos que aprendi. Gostava, quando criança, de brincar com suas mãos. Grandes. Tenho eu mãos grandes, também. Gostava das histórias que ele me contava. Gostava de quando ele ria das palavras que eu inventava. Mas o que eu mais gostava era da forma com que ele tratava as pessoas. Meu pai era um homem bom. 

Exerceu ele, tantas vezes, o ofício de curar destinos, de espalhar belezas, de ouvir por amor. Quando ele morreu, eu sabia que não era a morte suficientemente forte para terminar um sentimento tão lindo. Quando ele morreu, abracei minha mãe como quem busca um poder de amaciar a dor. E choramos sem pressa. 

Hoje, acordei pensando nele. Mais uma vez. Na antiga loja que tínhamos, eu o observava observando as pessoas. Havia uma mulher que, invariavelmente, fazia perguntas e narrava histórias e nada comprava. E ele ouvia. Sem exigências práticas. Apenas ouvia. E compreendia que ela estava ali para aliviar a solidão. Um outro foi explicar sobre uma dívida não saldada, e ele, pacientemente, acalmou-o, explicando que esperaria. Quem faz isso? Quem compreende. 

Demorou meu pai a se casar. E, quando se casou, espalhou romantismos sem economias. Minha mãe, ainda hoje, recorda-se dos gestos daquele cavalheiro, daquele viajante que a viu em uma calçada e decidiu que era com ela que haveria de aquecer a vida. Não sei, se há, ou não, essa história de alma gêmea ou de amor único, só sei que, desde o início, eles se amaram. Nas diferenças. E, no encanto da unicidade, fizeram a viagem juntos. Até o dia da despedida. 

A casa da minha infância já esteve cheia de tristeza e já viveu pintada de alegria. Morreram irmãos meus. Morreram os pais dos meus pais. A morte nunca vem sem estranhamentos. Morreu uma Rosa que esteve sempre a cuidar de nós. É difícil nos acostumarmos às despedidas. Preferimos sempre as chegadas. Por isso há tanta festa quando alguém vem. Um filho vem. Um amor vem. 

Doce lembrança dos primeiros beijos em uma pessoa amada. Do aguardado reencontro. Minha mãe fala da timidez daquele tempo. Do namorar acompanhado. Do sonhar com que o dia cumpra o seu dever e o entardecer traga ele de volta. Mesmo que com os pais sentados juntos na sala de estar. Estavam ali desenhando um amanhã, com os olhos, com os sorrisos e com um desejo de permanência. 

Nos aniversários do meu pai, havia muita movimentação. Minha mãe sempre gostou de festa. Inda mais da festa do seu amor. Era bonito de ver os dois sendo um. E cada um sendo o melhor que podia para que os dois fossem felizes. Ele ria do nervosismo dela. Ela brincava de dar ordens. Ele brincava de obedecer. E assim fui crescendo. 

Teve um ano que eu dei a ele um livro de presente. Sobre a sua história. Escrevi com o teclado dos sentimentos. E ele gostou. E ele chorou. E ele, novamente, leu e se viu. Dor a dor. Frio e flor. Estações que foram se sucedendo e concedendo a ele o dom de viver. 

No aniversário deste ano, só posso dar de presente sua presença em mim. Acordei triste, confesso. Mas confesso, também, que conheço a tristeza. E a cultivo como parte de quem sou. Ela me humaniza, me explica que eu preciso de colo. E que, se choro, é porque aprendi que a lágrima é uma delicadeza da alma para acalmar os meus sentimentos. 

Meu pai amado. Feliz aniversário. Não sei como é a festa na morada em que você vive. Só sei que você vive. Aí e em mim. E, fica tranquilo, daqui a pouco o choro vai embora, e eu volto ao que você me ensinou. Viver. Gostar de viver. 

Publicado dia 08 de dezembro, no jornal O Dia (RJ)

Eu e as chuvas

Estava no metrô. O metrô parou. Notícias de alagamento. Pararam as notícias. O metrô prosseguiu. O metrô parou.

Desci do metrô. As ruas viraram rios. Os rios impediam o ir e vir. Havia desconforto por todos os lados. Notícias falavam em deslizamentos e em mortes. Em árvores caídas e em luzes apagadas.

Lembrei que eu reclamei, alguns dias antes, da falta de chuva. Onde moro falta água. Sabe o que é viver sem água? Sabe o que é acordar de madrugada para ligar a bomba e tentar fazer a água da rua subir para a caixa d’água?

Pois é. Há alguns meses eu vivo isso. O banho é sempre muito rápido. Lavar a roupa é um problema. As louças, também. Não tenho dinheiro suficiente para comer na rua. Chego tarde do trabalho e preciso lavar coisas, entende?

Resolvi enfrentar a água e ir caminhando. Os medos vieram comigo. Um fio desencapado. Uma doença. Um troço qualquer caído. Mas precisava ir. O cansaço me avisava que eu precisava de um canto para o descanso. E fui. Outras pessoas foram também.

Fui pelas ruas lamacentas. Fui por necessidade.

Quando fui chegando perto de casa, a água foi se despedindo. Minha rua é um pouco mais alta. Quando entrei em casa, uma alegria veio me dizer que eu era um felizardo. Nada de alagamentos. Só as roupas no varal que precisariam de outro banho. Os galões que coletam água da chuva estavam repletos. Até a caixa d’água resolveu me surpreender.

Tomei o banho que quis. Quente. Sentei no sofá e, como costumo fazer, agradeci. Liguei o rádio baixinho, antes de dormir, e suspirei de tristezas ao ouvir as notícias.

Quantos também vencidos pelo cansaço resolveram voltar para casa e, quando em casa chegaram, casa não tinham mais. E ainda há os que perderam os seus para a enxurrada.

Não sei de quem é a culpa. Não sou estudado nessas coisas. Sei que os homens maltratam muito a natureza. Fazem o que não devem. E, um dia, ela reclama.

Amigos meus dizem que eu reclamo muito. Talvez eu precise melhorar. Todo mundo precisa melhorar. Hoje, não vou reclamar. Moro em um canto simples, mas aconchegante. Tenho onde dormir. Quase sempre tenho água. E nunca perco a esperança.

O que eu peço para as chuvas? Que venham mais equilibradas. Já há gente desequilibrada demais por aí.

Amanhã, preciso acordar cedo. Desligo o rádio e rezo pelos irmãos meus que não têm onde dormir.

Por: Gabriel Chalita (fonte: O Dia – RJ) | Data: 10/02/2018

Quem criou a lama?

Foi a pergunta que me fiz em meio a um turbilhão que se avolumou sobre tudo que eu podia avistar. Alguns voaram depois do aviso das vozes. Há sons na natureza que poucos conseguem compreender. Até porque não prestam atenção.

Outros, acostumados à liberdade, atingiram velocidades que superaram a lama. Quando cheguei, deram-me um nome. Deram-me um local seguro, um canil ao lado de onde entravam e saíam. Deram-me comida, água. Algum ensaio de carinho. Deram-me a possibilidade de conhecer algumas ruelas que ficavam próximas. Levavam-me, entretanto, amarrado. Tudo para minha segurança. Era assim que diziam. Para que eu não me perdesse.

Onde foi que se perderam?

Os desesperos diante da lama demonstram que se perderam. Que os humanos se perderam. E nós, com eles.

Os meus irmãos criados livres, livremente se foram. Já nós, que servimos para servir, ficamos juntos com a lama. Estão sacrificando as vacas, as mesmas que foram servas, para que não sofram. É isso o que dizem. Devem estar muito preocupados com o sofrimento das vacas e dos bois e dos frangos e de nós, cachorros.

Quem criou a lama?

A paisagem era bonita. Nos vários tons do dia. As montanhas altaneiras não se alteram, descansam soberanas emprestando seu verde. A água nasce limpa. Sem as sujeiras que vão nela depositando. Os rios têm o seu curso. Mudaram o curso. Mudaram novamente. Construíram barragens. Nos rios e nas pessoas.

Vejo o sofrimento nascido das perversidades. O mal mora nos humanos e, disfarçadamente, vai enchendo de lama o que pode. Pode muito.

Eles nos prendem para que possamos dar alguma coisa a eles. Eles se prendem em busca de alguma coisa que nem sabem. E dizem, na sua língua, ditos de ódio. Entre nós, não há ódio. Apenas queremos viver. Apenas nos defendemos. Apenas prosseguimos.

Entre eles, há uma busca de algo que chamam de poder. Uns sobre os outros. O tal dinheiro, o tal lucro, o tal domínio. Eles se matam por isso. E nos matam por prazer.

Por que nos domesticaram? Para nos prenderem quando a lama vem? Há lama por todos os lados. Morreram muitos. Continuarão morrendo. Não a morte que chega no dia que deve chegar. A morte de todos os dias. A morte matada. A morte dos sentimentos. A morte da sensibilidade. A morte da vida.

Eles estão mortos, mesmo quando estão vivos. Nós nos alegramos facilmente. Um alimento bom. Uma água pura. A pureza de um sopro qualquer. Eles, não. Acostumam a terem e, tendo, querem mais. E querendo, destroem outros quereres. E, quando não conseguem, odeiam.

Quem foi que inventou o ódio? E a perversidade?

Gosto do despedir do dia. Porque presto atenção. Gosto dos cheiros que vêm dos verdes. E até dos tons de frio. O calor me incomoda, Nem disso eles sabem. Arrastam-me em dias quentes e me queimam para passear. E de mim esquecem, quando há outros preenchimentos para um tempo sem comando.

Onde estão agora? Onde está o que guardaram? Para onde foram? Para onde irão? Quem são os outros que estão no comando deles?

A água limpa que estava por aqui se foi. Estou sozinho esperando que algo bom possa acontecer.

Por enquanto, ouço apenas a tristeza.

A desnecessária.

Por: Gabriel Chalita (fonte: O Dia – RJ) | Data: 03/02/2019

Fernanda Montenegro, essencial

Era uma noite de homenagens. Artistas se entreolhavam, aguardando o início do concorrido prêmio Cesgranrio de teatro.

O Copacabana Palace estava iluminado. Pessoas iluminam pessoas.

E eis que surge ela, Fernanda Montenegro. Os aplausos demonstravam o que já era sabido, é ela uma dama das artes, uma senhora da interpretação, uma condutora da dignidade. A música falava da atriz, o poema falava da história, cada ser humano é recheado de histórias. Os anos vão conferindo acordes à canção da vida.

Os apresentadores começaram a chamar os ganhadores. Cada artista, em sua fala, reverenciava a grande Fernanda Montenegro. Ela ouvia atenta, amiga das emoções, chorava sem disfarces. Os olhos firmes. As mãos dispostas aos aplausos. O sorriso emprestador de esperanças. Eu estava perto. É bom estar perto.

E chegou o momento da grande homenagem da noite. Sobe ela ao palco e recebe a mais alta homenagem de uma Fundação que se esmera em promover a educação e a cultura.

As pessoas silenciam as suas inquietudes para ouvir Fernanda. É a primeira homenagem que ela recebe no ano em que completa 90 anos de vida, 75 anos de carreira. Fala com decisão. A voz sobe até onde deve. O tom é de lembranças e de futuro. Mulheres e homens passaram em sua vida nos palcos, nas telas, nas esquinas. Frequentaram os seus sentimentos, beberam as suas dúvidas, brindaram os seus renascimentos. Cita alguns. Lembra Fernando, seu grande amor. Conta histórias divertidas, responde a perguntas que fazem por aí, e toca no grandioso ofício de representar vidas para vidas elevar. O teatro não vai morrer nunca, decide.

Entre aplausos e atenções, os artistas de todas as idades ficam em sinal de reverência a uma das maiores atrizes do mundo. A brasileira que concorreu ao Oscar pelo “Central do Brasil”, que ganhou o Emmy por “Doce Mãe”, a dama de Shakespeare ou de Nelson Rodrigues. A que poetizou Adélia e disse Simone de Beauvoir. A que fez rir, a que fez chorar. A que fez e faz pensar.

Enquanto os olhares e as homenagens desfilavam para ela, Fernanda Montenegro foi além. Agradeceu primeiro. Mais um entre tantos. Agradeceu e o ofereceu a uma atriz que a inspirou a iniciar. “Dedico este prêmio a Bibi Ferreira. A grande dama das artes que o ano passado resolveu se retirar. Ela está aqui, entretanto, em nós, em nossa decisão de prosseguir”.

O gesto de Fernanda é coerente com a sua vida. Lembro-me de quando ela foi convidada para ser ministra da cultura. O poder é sedutor, é envolvente. Dizer “não” ao poder exige muita liberdade. E, livremente, ela agradeceu e reafirmou onde era o seu lugar: no palco. Entre dramas e canções. Entre força e força. É gigante quem decide gastar a vida dando vida a personagens e permitindo a quem vê, ver além.

Além das glórias daquela noite, Fernanda viu Bibi. E mostrou que a grandeza maior mora na humildade.

Saí dali com vontade de viver.

Por: Gabriel Chalita (fonte: O Dia – RJ) | Data: 27/01/2019

A bondade e os outros lados

Acabei de celebrar os meus 30 anos de padre.

Meu Deus!, o tempo faz o que quer. Vai escapulindo do seu jeito e, quando percebemos, já se foi. Eu era um jovem de 24 anos quando chorei de emoção ao saber que ali entregava a minha vida para celebrar o Amor todos os dias, para acolher os calvários tantos que chegariam até mim, para transformar ódio em bondade. Quantas cerimônias de despedidas presidi, quantos abraços acolhedores em vidas despedaçadas pelas partidas. Poderia desfilar histórias de mães que enterraram filhos, de mulheres que disseram “adeus” aos maridos, de inconsoladas separações. Estava eu ali, presente. O consolo vem da oração e do afeto. Há momentos em que o melhor é apenas estar. Palavras ditas apressadas não encontram o berço preparado para o nascedouro. A morte e a vida são as matérias-primas de um padre. A fé nos alimenta, e as obras do viver nos garantem autenticidade.

Desde que me lembro de algo desejar, lembro-me do desejo de ser padre. Era muito menino quando, coroinha, tocava os sinos nas celebrações. Gostava de ajudar nas cerimônias, sofria com as dores dos dias santos que antecediam a Páscoa. Adolescente, levava a comunhão aos doentes, ensinava nas catequeses, compartilhava os textos bíblicos. No seminário, ouvia as canções sagradas, antigas ou novas, que nos levavam a um lugar de elevação. A primeira missa, os primeiros afazeres de um padre. As dúvidas. A certeza.

E foi com esse recordar que acordei no dia dos festejos. Uma linda missa. Amigos de tantas paróquias por onde passei. Bispos, padres, pastores. Sempre dialoguei muito bem com outras religiões.

E no almoço, momento das conversas livres, um sentimento estranho foi tomando conta de mim. Vi amigos padres animados com a possibilidade de andarem armados, ouvi discursos preconceituosos, percebi atitudes pouco bondosas com os que são ou pensam diferentes.

Ao meu lado, um pastor mais velho parecia viver as mesmas preocupações. Ficamos em silêncio, ouvindo os desatinos: “Tem que matar mesmo, esses bandidos não têm conserto”. “Essa gente vem à Igreja pedir coisas, acha que é pronto-socorro”. E uma das últimas pérolas foi: “Detesto pobre”.

Uma tristeza foi me fazendo companhia. O velho pastor pegou na minha mão e disse, sem nada dizer, que era assim mesmo, que a nossa fé estava depositada em Deus e não nos homens, que foi isso que lemos nas Sagradas Escrituras e isso que aprendemos.

Depois da troca de olhares, me fortaleci e resolvi dizer que não me agradava o que diziam. Religião não é desligamento, é religação. Um padre mais jovem me interrompeu dizendo que a Igreja já apoiou a pena de morte muitas vezes. E eu expliquei que a Igreja erra e se desculpa pelos erros. Ele insistiu. Eu lembrei que a Igreja também torturou, também abusou de inocentes, também feriu as leis do amor.

Não houve brigas, mas terminei inquieto aquela refeição. Deitei para descansar, olhei para o crucifixo e agradeci. Jesus não teve preconceitos, amou indistintamente. Imagine, naquela época, abraçar um leproso, conversar com uma mulher pecadora, acolher um estrangeiro. É Nele que devo me inspirar.

Dormi e sonhei.

O sonho foi lindo. Voltei a ser criança e minha mãe, que já se foi, levou-me a um jardim de bondades. Havia uma placa e tudo. E as cores serviam para embelezar, e as diferenças para exibir criatividade, e o amor para lembrar a razão pela qual nascemos. Acordei sorrindo. A vida não é um sonho, mas sonhadores fazem toda a diferença. Ao lado da minha cama, alguns textos do Papa Francisco, o homem simples que fala da Casa Comum e do acolhimento.

Por: Gabriel Chalita (fonte: O Dia – RJ) | Data: 20/01/2018