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A cidade, o cidadão

São Paulo é uma cidade apaixonante. São Paulo é uma cidade pulsante. São Paulo é vida. Vida que não para. 24 horas por dia. Tantas palavras já foram ditas por essa cidade. Tantos amores. Tantos temores. Poemas, traços e canções. Mario de Andrade já a tratou como “Paulicéia Desvairada”. Caetano a cantou em suas esquinas, “De um sonho de cidade à dura realidade”. Adoniram falou dos bairros e das partidas. E do trem. Do último trem. Da cidade, a grande locomotiva. Paulo Bomfim, nosso príncipe,  já a poetizou sem economias. A vibrante cidade carece, entretanto, de cidadãos que dela cuidem.

As críticas aos órgãos públicos, aos gestores de todos os níveis andam na moda. Mas é preciso ir além. E chegar à necessária crítica ao cidadão. Pontos viciados de lixo, pichações, córregos abarrotados de objetos de despejo, rotinas inadequadas, nascidas da ausência da consciência cidadã. Há, ainda, aqueles que despejam o que incomoda pela janela do carro. Seja a casca de uma fruta ou um pedaço de salgado. Uma lata de refrigerante ou um papel de bala. E então? O pensamento errático de que o meu lixo não faz diferença atrapalha o dia a dia da cidade.

Atrapalha, também, o que buzina, o que para em fila dupla, o que não respeita a faixa de pedestre, o que não cuida do que é comum. Do banheiro no metrô à poltrona do ônibus. Da carteira da escola aos espaços das praças. A cidade é de todos. E se, por um lado, a crítica correta ajuda os administradores; por outro, é preciso um senso coletivo de cuidado, de divisão de responsabilidades, de somas de amor.

Uma megalópole como São Paulo só consegue respirar se todos os seus habitantes, sem exceção, fizerem cada um a sua parte. Todos, em coletividade, fazendo valer a sua condição cidadã. E amar sua cidade é o que de mais nobre seu morador pode fazer por ela. Grande parte dos nossos problemas seria resolvida se tivéssemos um comportamento reto, generoso, ético, cidadão.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 15/04/2016

São Paulo do amanhã

Há diversas definições para o ato de educar. Gosto da que reverencia o professor como o que atua na garantia do direito ao futuro, da construção dos amanhãs. Tenho visitado as escolas de São Paulo e presenciado a ação digna de mulheres e homens que cuidam de nossas crianças. Tenho ouvido sugestões de diretores, professores, funcionários, pais e alunos sobre o que fazer para que nossas escolas sejam melhores. São eles os que têm as melhores observações, porque vivem o dia a dia da sala de aula. Sabem que há muito a ser celebrado e que há muito a ser conquistado. 

A experiência do ouvir é enriquecedora. Fico atento aos detalhes, porque nos meus dois ofícios, de professor e de escritor, alimento-me desses instantes. E fico feliz quando vejo crianças sugerindo, opinando, exercendo a cidadania, enfim, e seus professores orgulhosos disso. Ouvi de um aluno que, na alimentação escolar, é melhor quando eles se servem, porque podem colocar a quantidade de comida que querem e, assim, não há sobras nem desperdícios. Uma menina acrescentou que essa era, também, uma forma de aprender a escolher umas coisas e deixar outras para trás. A professora abriu um sorriso e não se conteve: aplaudiu o texto correto dessa pequena cidadã. Cotidiano de mestres e aprendizes que, nessa cidade imensa, preparam a São Paulo do amanhã. Deixar de cuidar dessas crianças é negar a elas o direito de serem protagonistas de suas histórias e de terem a autonomia das ações acertadas, do futuro planejado. 

Ser professor é viver essas experiências, professando a certeza de que fazemos a diferença nos degraus cotidianos do conhecimento e nos encontros com vidas em construção. E construímo-nos porque aprendemos todos os dias. É isso que nos garante o sabor do saber, a alegria de ver que escolhemos a profissão certa e que, a ela, dedicamos nossa vida. Somos protagonistas dos tempos que virão, porque cuidamos do hoje. É a esperança o alimento que escolhemos. Talvez porque, um dia, um professor também nos aplaudiu, reconhecendo os talentos que nasciam de nossas singelas conquistas.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 13/02/2015

 

 

São Paulo em palavra, em poesia

“Alguma coisa acontece no meu coração” (Sampa, Caetano Veloso)

Adoniran Barbosa, “dá licença de contá” a sua São Paulo. A nossa São Paulo. A cidade que há 461 anos, numa colina entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, nasceu para ensinar. Antes de ser cidade, São Paulo foi escola. E continua sendo. Não sobrevivemos ilesos aos seus paradoxos, tão cristalizados e dolorosos. Crescemos com eles. São José de Anchieta versificou as marcas de algumas de nossas injustiças em seu nascedouro. As mesmas que, tanto tempo depois, sobrevivem nos livros e nas ruas de Ferréz e seu Capão Redondo, “Capão pecado”.

Ah! São Paulo que desperta paixões. De poesia e poeira. De rimas e desencontros. A “São, São Paulo”, de Tom Zé. A cidade que vem “morrendo a todo vapor” em abismos culturais, econômicos, sociais. Em abismos viscerais. Palco das “Diretas Já” e de tantos desalentos. Da Semana de Arte Moderna e das crianças abandonadas à sorte. Mário de Andrade, escritor que protagonizou o movimento modernista, declara, em diversos fragmentos de sua obra, seu fascínio pela “Pauliceia desvairada”. Cidade colcha de retalhos. Que desperta risos e lágrimas. “Arlequinal”. Mas, em seu “Prefácio Interessantíssimo”, Mário adverte-nos: “versos não se escrevem para leitura de olhos mudos”. Cada nuance de sua musa inspiradora, a cidade de São Paulo, é revelada no dito e no não-dito de sua obra. E sua poesia lapida nosso olhar. Nas ruas e nos livros.

Ah! São Paulo, comoção da vida de Mário de Andrade, comove também o príncipe dos poetas, Paulo Bomfim, que declara: “Pelo crime de seres boa, pelo pecado de tua grandeza, pela loucura de teu progresso, pela chama de tua história – eu te amo, São Paulo!”. Novamente, a dualidade. O sentimento dual é reiteradamente (e encantadoramente) declarado por escritores, músicos e por todos nós que descortinamos sua verdade. Moramos em São Paulo e ela mora dentro de nós. Como canta Tom Zé, “com todo defeito/ Te carrego no meu peito/ São, São Paulo/ Meu amor”.

Fomos forjados pelo sangue de trabalhadores que não temeram nem a garoa nem o futuro. Acolhemos imigrantes, como retrata Alcântara Machado em “Brás, Bexiga e Barra Funda”; e por vezes, nos distanciamos de nós mesmos. São Paulo, uma cidade que não rejeita ninguém. Nesse barro, fomos criados. Com trabalho e lirismo; acolhimento e coragem. Em São Paulo, encontramos os becos do Brasil e as marcas mais valiosas de Milão. A São Paulo que puxa o “r” para explicar o “porquê” de tudo fala também todas as línguas. Aqui, vive um mundo. Pelo caminho, encontram-se os contrastes que compõem o nosso mosaico cotidiano. As histórias que vivem rentes à nossa pele. Como a de Carolina Maria de Jesus. Ela era negra, pobre, mãe solteira, catadora de papel e foi muito discriminada até descobrirem sua palavra, sua confidência. Sua história de vida sai da extinta favela do Canindé, “o quarto de despejo da cidade,” e chega às bibliotecas e estantes de vários países no livro “Quartos de despejo”. Seu calvário, igual ao de tantos outros. 

As astúcias poéticas que permeiam a história de nossa cidade e que cantam os versos do nosso dia a dia são inúmeras. São mais de 10 milhões de histórias que pulsam com encantamento e dor. A São Paulo de Adoniran, São José de Anchieta, Ferréz, Tom Zé, Mário de Andrade, Paulo Bomfim, Alcântara Machado e Carolina Maria de Jesus é tão minha quanto sua. É dos paulistas e de todo o mundo. Parabéns, São Paulo. 461 anos da capital da esperança.

 

Livros e músicas

“Sampa”, de Caetano Veloso

“Saudosa maloca”, de Adoniran Barbosa

“São, São Paulo”, de Tom Zé

“Capão pecado”, de Ferréz

“Pauliceia Desvairada”, Mário de Andrade

“Insólita metrópole”, de Paulo Bomfim 

“Brás, Bexiga e Barra Funda”, de Alcântara Machado

“Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus

 

 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 25/01/2015

 

Gabriel Chalita toma posse como Secretário Municipal de Educação

Novo titular estará à frente de 2.800 escolas, 911 mil alunos e 84 mil servidores, sendo 60 mil professores.

Aconteceu nesta quinta, 15, a solenidade de posse de Gabriel Chalita como titular da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. A cerimônia lotou o auditório da Prefeitura, localizado no Viaduto do Chá, região central da cidade.

Compuseram a mesa o Prefeito Fernando Haddad, a Vice-Prefeita, Nádia Campeão, o Secretário de Coordenação das Subprefeituras, Francisco Macena e o Presidente do Tribunal de Justiça, José Renato Nalini.

Também participaram da cerimônia a primeira-dama da Cidade de São Paulo, Ana Estela Haddad, o Diretor da Divisão de Orientação Técnico-Pegagógica (DOT-P) da Secretaria Municipal de Educação (SME), Fernando Almeida, a escritora Lygia Fagundes Telles, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, além de familiares e demais amigos do novo Secretário Municipal de Educação.

Por: Assessoria de Imprensa (Secretaria Municipal de Educação de São Paulo) | 15/01/2015

São José de Anchieta

Mais um santo. O que isso significa? Mais alguém para nos inspirar a fazer o correto, a viver uma vida digna, baseada no amor – valor maior do cristianismo.

Padre José de Anchieta, canonizado pelo papa Francisco, é um exemplo que merece ser mais conhecido. É um santo que marcou a cidade de São Paulo e o nosso país.

Espanhol, veio para o Brasil, aos 19 anos, para ser missionário no “novo mundo”. Esteve com padre Manuel da Nóbrega na celebração da missa que deu origem à fundação da cidade de São Paulo.

Ensinou os indígenas e aprendeu com eles. Escreveu a primeira gramática da língua tupi, consagrando o idioma dos nativos. Foi educador, literato, pregador, amigo fiel. Ao lado do padre Nóbrega, lutou pela paz entre os portugueses e os indígenas. Chegou a se entregar como refém vivendo durante meses entre os índios. Nessa ocasião, sem pena e sem papel, escreveu cerca de 5000 versos na areia – uma oração de louvor à Virgem Maria. Decorou um a um.

Tinha alma de poeta, usava seus versos para encantar e educar o povo indígena. Com amor. Com respeito. Defendia os índios dos exageros dos colonizadores. Ensinava-os de todas as formas para envolvê-los. Mestre de muitas artes, despertava nos índios a beleza da pintura, do teatro, da música, da poesia, da fé.

Gostava da natureza. Foi considerado um dos primeiros antropólogos e naturalistas do Brasil. E gostava, sobretudo, das pessoas. Iniciou, dentre tantas outras iniciativas de amor ao próximo, a construção da Santa Casa de Misericórdia, do Rio de Janeiro, preocupado com os doentes, principalmente os mais pobres. Percorria distâncias enormes para visitar os enfermos. Era esta a sua missão, amenizar a dor, o sofrimento, com uma palavra, um gesto de amor.

São José de Anchieta, “o apóstolo dos índios e do Brasil”, é um sinal de bondade, um exemplo para nos iluminar. Um obreiro do amor e da fé. Venerar um santo é inspirar-se em sua vida para ser melhor. Rezar, conversando com um santo, é pedir sua intercessão junto a Deus, Autor da Vida, Essência Primeira do Amor.

Mais um santo? Isso significa que, apesar das perversidades tantas a que assistimos, devemos continuar a ter esperanças e a fazer o bem. Esse é o caminho

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 4/4/2014

Uma nova chance

A lei existe para ser cumprida. Existe para que a justiça seja feita. E a justiça é o caminho para o bem-viver, para a pacificação das pessoas, para a felicidade – ensinava Aristóteles.

Quando alguém descumpre a lei, deve, segundo a própria lei, responder pelos seus atos. A pena mais grave é a prisão, pois no Brasil não há penas corporais nem pena de morte. Com a prisão, o cidadão perde parte de seus direitos. Como o de ir e vir. Mas não perde, ou não deveria perder, o elemento central de nossa lei maior, a Constituição Federal, que é a dignidade.

Recente relatório da Organização Não-Governamental Human Rights Watch, apontou problemas crônicos nas delegacias e nos presídios do Brasil. Temos, hoje, mais de 500 mil presos que vivem em situação degradante. Superlotação, falta de assistência médica, ausência de atividades educativas, culturais, entre outras. 

Outro grave problema apontado é a barbárie da tortura. Espancamentos e mortes de presos são inadmissíveis. Essa crueldade não combina com a nossa legislação tampouco com a postura que os direitos internacionais vêm assumindo na defesa de um mundo que acredite na força dos acordos internacionais para exigir que os Estados respeitem suas próprias leis e os tratados dos quais são signatários.

Nossa legislação se preocupa com o processo de reeducação do detento, sua reinserção na sociedade e sua recuperação, de fato, para que possa ter uma nova chance. Assim prevê a lei. Por que não cumpri-la? Será que, com todo o dinheiro que se gasta com as penitenciárias, não nos falta competência e criatividade para desenvolver um novo sistema em que o preso cumpra a pena com dignidade? Que estude, trabalhe e não fique na ociosidade. E se prepare para viver novamente na sociedade.

É preciso um pacto entre os governos federal e estaduais para enfrentar, com coragem, a situação dos presídios no Brasil. Não dá para fingir que não há superlotação, que não há maus tratos, que não há tortura. Só se muda uma realidade quando se é capaz de enxergá-la. E, nesse caso, além do problema, enxergar quem errou como alguém que pode ter uma nova chance.

É assim que reza a constituição. É assim que determinam as leis. Basta cumprir.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 24/01/2014

Evento em São Paulo tem presença de Gabriel Chalita

O deputado Gabriel Chalita compareceu, na noite desta segunda-feira (27/5), à cerimônia que oficializou a criação da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo. Entre as autoridades presentes, estava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, homenageado pela comunidade negra paulistana. Foi ele quem criou a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, com status de ministério.

“A comunidade negra vem conquistando ótimos resultados na batalha contra o preconceito e a discriminação, mas ainda estamos muito distantes do ideal”, disse Chalita. “O papel da escola é educar de forma essencial, ressaltando a importância de conviver com as diferenças.”

Uma das prioridades da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial será a Lei Federal 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, nos ensinos fundamental e médio. Durante a cerimônia, foi anunciada a criação do grupo de trabalho Educação das Relações Étnico-Raciais, que atuará na elaboração da proposta de implementação, acompanhamento e monitoramento da norma.

A Lei 10.639/2003 também é debatida na Câmara Federal – pela Comissão de Educação, presidida por Chalita. Na semana passada, o colegiado promoveu uma audiência pública sobre o tema. Em 2005, o deputado, então secretário da Educação do Estado de São Paulo, foi homenageado com o Troféu Raça Negra, concedido, anualmente, pela Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sociocultural (Afrobras).

Fonte: assessoria de imprensa

Chalita participa de cerimônia do Programa Crack, É Possível Vencer

O deputado federal Gabriel Chalita prestigiou, na manhã desta sexta-feira (24/5), a cerimônia de adesão da cidade de São Paulo e de outros municípios paulistas ao Programa Crack, É Possível Vencer, do Ministério da Justiça. O evento foi realizado no auditório da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo, no Pátio do Colégio. Estiveram presentes o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e os prefeitos Fernando Haddad, de São Paulo, Luiz Marinho, de São Bernardo do Campo, Carlos Grana, de Santo André, e Donisete Braga, de Mauá, entre outras autoridades.

A iniciativa federal compreende o aumento da oferta de serviços de tratamento e de atenção aos dependentes e a seus familiares, o enfrentamento ao tráfico e às organizações criminosas e a promoção de ações de educação, de informação e de capacitação. As políticas são definidas e executadas por meio de uma articulação entre os governos federal, estadual e municipal. Com a assinatura do termo de adesão, a capital paulista, por exemplo, recebeu cinco bases móveis de videomonitoramento, para serem utilizadas pela Polícia Militar. Outras seis serão entregues até o fim do ano.

Para Chalita, uma ação eficiente contra o crack passa pelo combate ao tráfico, mas não se esgota aí. “Os governos e a sociedade têm a importante tarefa de tratar aqueles que já estão sob o domínio do vício, reintegrando-os ao convívio social”, afirmou. “A prevenção também é fundamental, e o caminho para isso é oferecer às pessoas acesso à educação plena, aos esportes e ao lazer, além de mais e melhores condições de trabalho”.

Fonte: assessoria de imprensa