Há diversas definições para o ato de educar. Gosto da que reverencia o professor como o que atua na garantia do direito ao futuro, da construção dos amanhãs. Tenho visitado as escolas de São Paulo e presenciado a ação digna de mulheres e homens que cuidam de nossas crianças. Tenho ouvido sugestões de diretores, professores, funcionários, pais e alunos sobre o que fazer para que nossas escolas sejam melhores. São eles os que têm as melhores observações, porque vivem o dia a dia da sala de aula. Sabem que há muito a ser celebrado e que há muito a ser conquistado.
A experiência do ouvir é enriquecedora. Fico atento aos detalhes, porque nos meus dois ofícios, de professor e de escritor, alimento-me desses instantes. E fico feliz quando vejo crianças sugerindo, opinando, exercendo a cidadania, enfim, e seus professores orgulhosos disso. Ouvi de um aluno que, na alimentação escolar, é melhor quando eles se servem, porque podem colocar a quantidade de comida que querem e, assim, não há sobras nem desperdícios. Uma menina acrescentou que essa era, também, uma forma de aprender a escolher umas coisas e deixar outras para trás. A professora abriu um sorriso e não se conteve: aplaudiu o texto correto dessa pequena cidadã. Cotidiano de mestres e aprendizes que, nessa cidade imensa, preparam a São Paulo do amanhã. Deixar de cuidar dessas crianças é negar a elas o direito de serem protagonistas de suas histórias e de terem a autonomia das ações acertadas, do futuro planejado.
Ser professor é viver essas experiências, professando a certeza de que fazemos a diferença nos degraus cotidianos do conhecimento e nos encontros com vidas em construção. E construímo-nos porque aprendemos todos os dias. É isso que nos garante o sabor do saber, a alegria de ver que escolhemos a profissão certa e que, a ela, dedicamos nossa vida. Somos protagonistas dos tempos que virão, porque cuidamos do hoje. É a esperança o alimento que escolhemos. Talvez porque, um dia, um professor também nos aplaudiu, reconhecendo os talentos que nasciam de nossas singelas conquistas.
Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 13/02/2015
