Paixão de Cristo

Hoje é sexta-feira. Sexta-feira Santa. O pregador do amor foi pregado na cruz. Foi humilhado, insultado, desprezado, traído. Deixou de amar? Não. Sua essência é o amor. Amando, venceu a morte e mudou a história.

Havia razões para que o condenassem? Mesmo que não houvesse, quem quer condenar inventa razões. Ele representava algum perigo? Nenhum, mas quem quer o poder espalha perigos e invade tempos serenos com dizeres incorretos. Jesus morreu. Assim estava escrito antes. Profetas falaram de sua vinda. Usaram a expressão “na plenitude dos tempos”. E Jesus veio. Caminhou entre pecadores. Caminhou, também, entre aqueles que não se achavam pecadores – esses eram os mais perigosos.

Falou de um reino diferente do reino que eles conheciam. “Meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que eles me prendessem”. Esteve diante de Pilatos. Pilatos teve medo do povo e, por isso, lavou as mãos. O povo já estava contaminado. Na cruz, Jesus ainda teve tempo de perdoar os que o ofenderam. “Eles não sabem o que fazem”. Ensinou a seus seguidores o valor do perdão, do perdão que liberta: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará…”.

Todas as vezes que revivo a semana santa, emociono-me. Desde a minha infância, tento compreender os que “não sabem o que fazem” e, por isso, optam pelo ódio. Aquele menino que foi educado por um carpinteiro e por uma mãe amorosa, que foi crescendo e vivendo a sua missão, que chamou os pescadores para que se dedicassem a cuidar de homens, aquele menino incomodou. Por quê? Por que a violência? Por que a ausência de compaixão? A celebração da morte de Jesus, a procissão do enterro, as cenas da paixão. É tudo muito tocante. Explicações racionais, não há. O melhor a fazer é saber que também eu sou pecador e aprender com Ele que, mesmo na cruz, não desistiu de amar.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 25/03/2016

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