O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa. Uma liturgia riquíssima nos ajuda a celebrar, a reviver, a reapreender com os fatos marcantes da vida de Jesus.

Jesus entra em Jerusalém e é saudado pelo povo. Foi uma comoção. Estavam ansiosos pela sua chegada. O profeta, pensavam alguns; o Filho de Deus, certificavam-se outros. “Hosana ao Filho de Davi” era o coro daquela gente que também acenava com ramos de oliveiras. Alguns jogavam as próprias vestes para que o Messias pudesse passar.

Jesus entra na cidade em um jumento. Há nesse gesto um sentido. Enquanto o cavalo simbolizava, para eles, o poder da guerra, o jumento simbolizava o poder da paz.Jesus chega na cidade como o “príncipe da paz”.

Mas por que aqueles homens o receberam com tanta festa? Por que tamanha euforia? Talvez porque carecessem de um líder, de um inspirador. Ou talvez pela fama que corria toda a região. Do homem bom que fazia milagres, que curava os doentes, que ensinava por meio de parábolas. A curiosidade era muita. O desejo de vê-lo entusiasmava a multidão. Como seria esse homem? O que Ele traria de tão especial?

E, então, a festa. E, então, os gritos eufóricos de que um príncipe ou um rei seriam merecedores.

O que houve com essa multidão que, alguns dias depois, mudou o grito? Estavam eufóricos também. Também faziam barulhos. Mas o som que se ouvia era outro: Crucifica-o! Crucifica-o!

Ora, mas não era o mesmo povo que O queria? Que desejava ouvir as suas histórias? Que aguardava para ser curado pelos seus milagres? O que houve?

Em tão pouco tempo, o “príncipe da paz” havia se transformado em um perigo para os que não compreendiam a sua mensagem. Ele era bom demais. Gostava demais das pessoas, inclusive daquelas de que ninguém gostava muito. Ele não tinha preconceitos. Ele trazia uma nova lei, um novo mandamento. Simples de entender. Difícil de viver. O mandamento do amor. O seu reino era o reino do amor e não o das intrigas, do ódio, do despejar de pedras.

E Jesus foi condenado. Deram ao povo a opção de libertá-lo, mas eles queriam sangue, queriam vê-lo carregando a cruz, caindo, tropeçando, chorando. Mas por que tanta perversidade? O que fez Jesus de tão grave? Nem sabiam dizer, mas foram convencidos pelos homens da lei e pelos líderes religiosos. Mas os homens da lei são capazes de inverter a verdade, de perseguir um inocente, de destruir a vida de alguém? E os líderes religiosos? Por que incitariam o povo para o ódio, para a histeria coletiva, para o desejo nada humano de pregar um homem na cruz.

Não se compadeceram ao verem as lágrimas de Maria, sua mãe? Já não viam mais. Os olhos estavam cegados pela mentira espalhada com sutileza e precisão. Era preciso acabar com o líder, com aquele que invertia a lógica dos poderosos. O menino de Nazaré, feito homem, poderia desconstruir os seus ricos castelos; então, o melhor era eliminá-lo.

É o início de mais uma Semana Santa. Tempo propício para a oração e para o aprendizado. Orar por tempos de paz. E aprender a discernir as vozes. Vozes de ódio serão sempre um perigo. É a paz que nos santifica, que nos une, que nos faz iniciar essa e outras semanas da nossa vida com a disposição para lembrar o maior acontecimento da história: Jesus, o Filho de Deus, a ponte que o Pai nos deu para que pudéssemos conhecer a Eternidade do Amor. Sobre isso, falaremos na semana que vem, na Páscoa, na Ressurreição. Uma santa Semana Santa.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 11/03/2016

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