Gentileza gera gentileza

Já houve um poeta chamado Gentileza. Um poeta das ruas do Rio de Janeiro cuja história virou música de Gonzaguinha, Marisa Monte e de tantos outros artistas. Suas frases ficaram famosas. Gentileza era o mote do texto de sua vida.  Quando menino, ele trabalhava puxando uma carroça. Aprendeu a amansar os burros para o transporte de carga. Já nas ruas, como profeta Gentileza, dizia ele ser um “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”. 

Por que os “burros homens da cidade” não percebem que a vida com gentileza fica muito melhor? As pessoas se acotovelam por espaços, desrespeitando o outro. Enxergam pouco. Esforçam-se pouco quando o assunto é ceder a vez. Cenas cotidianas mostram estresse no trânsito, nos transportes públicos, nas calçadas, em pontos comerciais e até nas igrejas. Por que é tão difícil perceber que “gentileza gera gentileza”? Alguns podem responder que a vida é dura. Que Drummond tinha razão. Que há sempre uma pedra no meio do caminho. E que tal imaginarmos um caminho no meio da pedra? Um caminho de gentileza?

 Ainda é possível encontrar pessoas gentis. Elas são inspiradoras. Quando as encontramos, ficamos felizes. Porque nos tratam bem. Porque nos acolhem. Porque nos enxergam. Não seria inteligente fazer a mesma coisa, seguir o exemplo do profeta que andarilhava oferecendo palavras de bondade, de amor? Naturalmente, essas pessoas gentis se sentem bem por assim agirem. “Gentileza gera gentileza”. Em uma fila de banco ou em um banco na praça. Na entrada de um ônibus ou na saída de um show. No caixa da padaria ou na caixa de papelão em uma calçada que abriga alguém como o poeta Gentileza, andador das ruas. Aos pais, uma sugestão: “gentileza gera gentileza”. Aos professores, a mesma sugestão “gentileza gera gentileza” e também aos cidadãos todos, para que não se esqueçam de que “gentileza gera gentileza”. Como dizia o poeta gentil “Amor, palavra que liberta”. Não economizemos.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 26/02/2016

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