Os reis e o rei

A tradição da festa de reis é antiga. Há países, no Oriente, em que a troca de presentes se dá no dia de reis e não no natal, porque foi nesse dia que o Menino Jesus recebeu os presentes carregados de simbolismo: o ouro, o incenso e a mirra.
Quem eram esses reis?  Seus nomes eram Belchior, Baltazar e Gaspar. Vieram do Oriente. Dentro deles, havia sonhos. Não se sabe muito sobre os seus povos, os seus reinados, sabe-se que, guiados por uma estrela, perseguiam eles a esperança.
Esses reis do Oriente se encontraram com um outro rei, Herodes. Quem era esse rei? Fraco, medroso, cruel, perverso. Herodes, quando soube que os reis vieram adorar um Menino e que esse Menino não pertencia a sua família e que aquele desconhecido poderia colocar em risco o seu poder, resolveu matar o Menino.
Disse aos reis que, se encontrassem o Menino, lhes comunicassem porque também ele queria prestar sua homenagem. Eis outras características de Herodes: dissimulado, falso, mentiroso.

 Esse encontro é muito significativo. Ele se repete nos nossos dias. Esqueçamos a coroa. Falemos de pessoas.
Quantas são aquelas que vibram pela novidade de alguém que traz alguma boa nova, uma boa notícia? E quantas gostariam de eliminar aquela boa notícia porque não advém de seu poder, e temem que outros o roubem? Quantas têm a generosidade de vibrar pelo sucesso do outro e quantos se incomodam com isso? Quantos aplaudem e quantos buscam apequenar?

Esses sentimentos, os bons e os ruins, vivem com a gente. É melhor saber cultivar os que, de fato, nos elevam. O tempo é um bom juiz. O que diz a história sobre Herodes? A estrela que guiou aqueles reis ainda existe. Mora alto, não nas baixezas dos falsos poderes, mas na simplicidade, na generosidade de quem acredita que um Menino bom nasce todos os dias para nos lembrar de que ser bom ainda é o melhor reinado.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 08/01/2016

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