É início de mais um ano.
As culturas diferentes propõem diferentes comemorações.
Celebramos rituais desejando ter um ano melhor. O ano velho já se foi. Agora, é o ano novo que nos desafia. É isso o que dizem.
Mas é bom olhar para trás e agradecer.
Permitam-me, neste primeiro domingo do ano, fazer alguns agradecimentos a vocês que me dão a honra de ler histórias e ideias que escrevo por aqui.
2015 foi um ano muito bom.
Agradeço o privilégio de escrever duas vezes por semana no Diário de São Paulo.
Agradeço a toda equipe do Jornal.
Agradeço a Rede Vida de Televisão pelo meu programa. É bom entrar na casa das pessoas e conversar com elas. E saber que, modestamente, podemos contribuir para que elas sejam mais felizes.
Nesse ano, lancei 5 novos livros, a coleção “Filosofia e Vida” para crianças.
Lancei o meu primeiro livro traduzido para o árabe, “Sócrates e Tomas More – correspondências imaginárias”.
Tive a honra de ser um dos escritores convidados para escrever uma carta a Deus na obra “CARTAS A DIOS DESDE AMÉRICA LATINA”, de CÁRITAS AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE.
Vivi a emoção de ter duas peças minhas em cartaz. Uma, no Rio de Janeiro, a adaptação de um conto meu chamado “O menino que queria ver o sol”, e a outra, em São Paulo, “O Semeador”, dirigido pelo competente Hudson Glauber e que teve as atuações impecáveis de Genézio de Barros e Thiago Mendonça.
Nesse ano, recebi o convite do prefeito Fernando Haddad para ser secretário da educação do Município de São Paulo. Cargo que já foi ocupado, além de outros grandes nomes, por Paulo Freire. Percorri a cidade ouvindo e aprendendo com os professores, dialogando com pais e alunos, trabalhando por uma educação melhor. Conseguimos quase 40 mil novas vagas de creches. O número é surpreendente. 40 mil crianças que estavam fora das escolas agora podem estudar. E não descansaremos enquanto não tivermos condições de cuidar de todas. Criamos programas significativos como o “Na mesma mesma” em que professores e alunos partilham juntos a refeição e o “Canta São Paulo” que traz a música para todas as escolas da rede municipal. Construímos juntos um currículo de tempo integral. Mais de 100 escolas (entre EMEFs e EMEIs ) serão de tempo integral neste novo ano. Há muito a se fazer para melhorar a educação, e o único caminho é um agir coletivo, democrático,.
Na Academia Paulista de Letras, conseguimos, com vários outros parceiros, criar o EMIL – Encontro Mundial de Invenção Literária, com mais de 200 horas de programação em 4 dias com 120 escritores de quatro continentes.
Agradeço aos amigos que partilharam comigo esses e outros projetos. Nada é possível se não caminharmos de mãos dadas. Para um programa ir ao ar, é preciso tanta gente. Para um livro ser feito, também. Para construirmos projetos, são reuniões e equipes e debates e sonhos se realizando.
Também tive dias difíceis nesse ano. Os perversos são incansáveis. Sofri mentiras que verdades já haviam enterrado. As injustiças são dolorosas. Mas estão aí. Não apenas comigo. Não sou melhor do que ninguém para passar ao largo dos maus. Eles existem, mas continuo acreditando na bondade como decisão de vida.
Nesse ano, tive também a honra de acompanhar o prefeito Fernando Haddad em um encontro com o papa Francisco. Pude estar ao lado dele, ouvi-lo falando sobre a “globalização da indiferença” e sobre a destruição de nossa casa comum. Bebi de sua simplicidade e sabedoria. Que homem bom!
Foi um ano de amizades boas, como todos os anos. Um ano em que, por causa da secretaria de educação, viajei menos para dar palestras. Mas as que pude dar foram gratificantes. O Brasil é incrivelmente fascinante. Que honra saber que as pessoas saem de casa para me ouvir falar. E quantas. E quanto carinho.
Perdi amigos queridos nesse ano. As ausências são sempre dolorosas. Amigos que deixaram o seu legado e partiram para a eternidade.
Aprendi muito com as gentes que me surpreendem no cotidiano. Gosto de observar as pessoas, de conviver com elas, de ouvir suas histórias e suas impressões sobre o mundo.
Agradecer é um valor do qual não podemos abrir mão. É bom olharmos para trás e compreendermos os caminhos necessários para chegarmos até aqui. E os caminhantes que nos fizeram companhia. E prosseguir.
Que nesse novo ano, continuemos juntos. Sofrendo. Sorrindo. Celebrando a vida. E preenchendo o tempo com o que dá, ao tempo, significado.
Para, quem sabe, dizermos como Clarice Lispector: “Não tenho tempo para mais nada, ser feliz me consome muito”.
Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 03/01/2016
