O dia da paz

Ontem, foi o dia da paz. 

Essa dada foi instituída, em 1968, pelo Papa Paulo VI. O Dia Mundial da Paz. Por que precisamos de um dia da paz? Porque ainda estamos longe de compreender o seu significado e de viver a sua plenitude. Paz não é ausência de guerras, apenas. Paz é presença de amor. É crença e ação.

O papa Francisco propôs, em mensagem especialmente escrita para essa data, uma reflexão sobre os conflitos, sobre a perversidade e sua superação: “já não escravos, mas irmãos”.  

Perversidade. O que fazer para aplacar essa fúria que permite que irmão destrua irmão?

Ainda há escravidão. Ainda há exploração de toda ordem. Ainda há violência, opressão. Ainda não aprendemos a conviver com as diferenças. E o que dizer da miséria em um mundo rico ou do abandono em meio a tanta fartura? E os “invisíveis” que parecem filhos de outra espécie, porque preferimos não os enxergar. Estão sujos de ausências, carentes de quem lhes estenda a mão para um novo caminhar.

A paz é atitude de boa vontade. É compreensão de que somos atores de um espetáculo, sem ensaios, que se encadeia dia a dia, podendo descortinar a tragédia ou a comédia. Depende de nós. A dor ou o riso. As mãos que agridem ou as que acolhem. Os pés que nos levam para longe ou os que servem para nos aproximar. 

Sem pretensões de mudar o mundo, mudemos o mundo em que vivemos, a nossa aldeia, como diria Pessoa. O rio de sua aldeia, os próximos da nossa aldeia. Pessoas que me veem e que eu deveria vê-las também. 

Paz é presença de amor. É crença e ação. Repito. Quando temos os valores corretos, é mais fácil agir corretamente. Basta não nos acomodarmos. Paz no nosso silêncio e paz no necessário ruído de nosso agir. Que o que vemos nos comova e que a comoção nos mova para cuidar. Do próximo. Esse é um bom começo para que o dia da paz não seja apenas o dia de ontem. 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 02/01/2015

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