Ainda sobre a mulher

O dia 8 de março foi o Dia Internacional da Mulher. Comemorações e lamentações marcaram a data. Há muito a se comemorar. As mulheres estão ocupando espaços, estão conduzindo a nau das próprias vidas, estão decididas a não abraçar a subserviência sob nenhum argumento. Liderando organizações ou dialogando com maturidade dentro de casa. Celebrando a palavra respeito como um alimento saudável que fortalece as relações desde que se renove todos os dias. Mas há lamentações. Os machismos, os radicalismos, os vícios de uma postura de poder infame continuam a frequentar o público e o privado. 

 No público, há mais disfarces. Embora piadas que parecem ter a finalidade única do divertir continuem trazendo à tona a superioridade que alguns homens imaginam ter. Há necessidade de correções salariais, de cuidado contínuo das relações de trabalho. Diferenças não podem significar injustiça. No privado, a dor parece maior. Os índices da violência contra a mulher são assustadores. A violência doméstica não dá trégua. Não há justificativas para que um homem agrida sua mulher ou sua filha ou sua enteada ou sua irmã ou sua mãe ou quem quer que seja. Covardias que parecem não dar espaços ao respeito de que falamos. Há homens que tentam uma explicação. Frases toscas. “Tudo o que fiz foi por amor”. Por amor? Espancamento por amor? Humilhação por amor? Revisitemos os dicionários. Nas bibliotecas e na vida. Amor é campo de plantio celestial. O que floresce enfeita e perfuma a vida. Amor é chuva que ameniza a aridez dos dias e que antecipa o paraíso. Amor é encontro nos desencontros que, por alguma razão, somos levados a viver. Não. Definitivamente ninguém humilha por amor ou agride por amor ou destrói por amor.

Cuidemos dos valores essenciais para o viver e o conviver. Com o entendimento de que as diferenças nos melhoram. Quem sabe um dia compreendamos a tal antecipação do paraíso. Amar, respeitar, plantar e colher. Quem sabe um dia…

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 11/03/2016

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