Estúpidas escolhas

Não conheço Walter Palmer, o dentista que ficou famoso por postar fotos nas redes sociais com os animais que conseguiu matar. Não o conheço e não gostaria de conhecê-lo. Não costumo escrever artigos criticando pessoas. Há muitos que fazem isso. Prefiro percorrer outros caminhos. Mas, no meu caminho, surgiu esse senhor. Li com decepção as reportagens que mostram o perfil desse homem que ganha dinheiro arrumando dentes e gasta dinheiro desarrumando vidas. Cecil foi morto sem razão alguma. Um leão famoso na África. Conhecido. Querido. Poderia ser outro leão não tão famoso. Poderia ser um elefante. O dentista também queria caçar um elefante e exibi-lo, morto, para os seus amigos nas redes sociais. Quem são os amigos de Walter? Não há ninguém que o ajude a recobrar o juízo e fazer escolhas menos estúpidas? Ele já foi multado por caçar um urso e processado por assédio sexual. Mente confusa. 

Repito. Não gosto de escrever criticando pessoas até porque só sabemos delas pelo que se noticiou e nem sempre as notícias são verdadeiras. E Walter não é o único caçador de leões e de outros animais de grande porte. Há muitos milionários que fazem isso. Que pagam para entrar em uma fazenda na África e matar pelo prazer de se sentir viril, talvez. Alguns dirão que é cultural. Querem cultura? Por que não uma peça de teatro, uma ópera, um livro, uma exposição? Outros dirão que caçam por esporte. Querem esporte? Por que não uma corrida, um jogo de futebol ou de basquete ou de tênis?

A ausência de compaixão com os animais se reflete na relação que temos com os seres humanos. Ou temos sensibilidade ou não temos. Com pessoas e animais. Gostei muito da cena do filme que retrata a rainha Elizabeth espantando um lindo alce fêmea que corria o risco de ser morto por caçadores britânicos. Ainda sonho com tempos em que os animais sejam tratados de outra maneira e que as nossas diversões não destruam ninguém.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 11/09/2015

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