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Educação sexual em aula

Nas aulas de geografia, os alunos ficam sabendo dos casos de Aids em todos os países do mundo. Na aula de matemática, são abordados índices, como o de gravidez ou de doenças sexualmente transmissíveis. Desse jeito, estudantes da rede estadual de Poá e Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, estão tendo “aulas” de educação sexual, simultaneamente de acordo com os programas Saúde e Prevenção, preparado pelo Ministério da Saúde, e o Prevenção Também se Ensina, do Governo estadual. Nas duas cidades, os números de gravidez na adolescência vêm caindo.

O programa federal também prevê a distribuição de preservativos e é ministrado para alunos de 13 a 18 anos de 455 escolas do estado de São Paulo, nas cidades de Campinas, Catanduva, Itaquaquecetuba, Jundiaí, Limeira, São José do Rio Preto, São Paulo, São Vicente e Vargem Grande Paulista. Em outros estados, 170 escolas já adotaram o projeto. O Governo do estado, por sua vez, colocou educação sexual no currículo de 6 mil escolas que atendem a quase quatro milhões de alunos.

Com os programas, os educadores têm buscado despertar o debate sobre gravidez na adolescência, abuso de drogas (inclusive o álcool e o tabaco), uso do preservativo, dentre outros assuntos. “O que se busca é qualificar o processo de tomada de decisão pelos adolescentes a favor de um estilo de vida saudável e prazeroso”, afirmou Luiz Vieira Pita Neto, coordenador dos dois programas nas cidades de Poá e Itaquaquecetuba.

“A base do trabalho federal e estadual é a mesma: tirar as dúvidas dos alunos e orientar a respeito do perigo de não se cuidar. Tratamos também do lado psicológico e social do aluno para não banalizar o assunto”, contou Pita.

Sexo antes dos 15 anos

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em novembro de 2004 reafirma a importância da educação sexual. O levantamento mostrou que 74% da população brasileira entre 15 e 24 anos já fez sexo e 36% começaram a atividade sexual antes dos 15 anos. E 16% já tiveram mais de 10 parceiros na vida. “Esse número é alarmante e mostra que os costumes mudaram. Ele confirmou nosso projeto, que condiz com a necessidade de incluir o assunto sexo na sala de aula”, afirmou Ricardo Pio Marins, diretor-adjunto do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde.

Outro dado da pesquisa: entre jovens de 15 e 24 anos, 57% disseram ter usado preservativo na última relação sexual. E 74% desse número usou com parceiro eventual. “A porcentagem foi a maior de todas as faixas etárias”, disse Marins.

Confiança dos pais

Os pais são peças importantes dos dois projetos. “Muitas vezes a maior resistência é dos pais. Seja pela religião ou mesmo por achar que falando de sexo a escola está incentivando o aluno a praticá-lo. Por isso, antes de começarmos o ano letivo fazemos uma reunião com todos para explicar o nosso objetivo”, diz a coordenadora Cláudia Cristina Maria dos Santos, de 30 anos, da Escola Estadual Ercília Algarve, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

Não constranger o aluno também é uma preocupação do professor. “Nas minhas aulas peço para cada um colocar sua dúvida no papel e não obrigo ninguém a se identificar. Ajuda no debate e acaba a inibição do aluno e possíveis gozações dos colegas”, disse o professor de biologia, Rogério Soares Cordeiro, de 35 anos, que dá aula para alunos de 15 a 18 anos.

Na escola Ercília Algarve, explicações sobre educação sexual são incluídas em todas as disciplinas, não só nas aulas de ciências e biologia. Como os casos de Aids no mundo que são discutidos nas aulas de geografia e gravidez e doenças sexualmente transmissíveis em matemática. “Fica muito mais fácil do aluno entender, pois associa o assunto com outras áreas de interesse”, afirmou o professor de Geografia, Celso Faria da Silva, de 42 anos.

Programas são aplicados em conjunto em 5 unidades

Nos municípios de Itaquaquecetuba e Poá, na Grande São Paulo, cinco escolas aplicam os programas de educação sexual dos governos estadual e federal. Enquanto 63 escolas aplicam apenas o programa do Governo do estado. Números significativos de queda no índice de adolescentes grávidas foram registrados na região, de 2001 a 2003, em 20 escolas que fazem parte do projeto Prevenção Também se Ensina. Em 2001, foram registrados 180 casos; em 2002, esse número caiu para 157; em 2003, chegou a 126. “Isso é resultado que nosso trabalho faz diferença”, conclui Luiz Vieira Pita Neto, coordenador dos dois programas.

Com 23% das adolescentes grávidas, Itaquaquecetuba registra índice acima do considerado aceitável no estado, que é de 21%. Poá, no entanto, registrou 19% em 2004. A Aids também é preocupante em Itaquaquecetuba, pois é a terceira cidade com maior número de casos na Grande São Paulo.

Alunos

A vergonha foi o motivo mais apontado por alunos da escola Ercília Argarves, em Itaquaquecetuba, como barreira para falar de sexo com os pais e professores. Por isso, alguns alunos foram escolhidos para intermediar o contato entre os estudantes. “Eu mesmo tinha muita vergonha quando a minha mãe queria me orientar. Ia logo mudando de assunto. Desde a 8ª série, quando comecei a ter aulas sobre sexo aqui na escola, percebi o quanto seria importante saber para explicar aos outros. E foi isso que eu fiz”, conta Ivanildo Júnior da Silva, de 16 anos, hoje estudante do segundo ano do ensino médio.

A procura dos colegas de classe é grande, ainda mais na hora de pegar o preservativo. “Muitos preferem retirar com a gente do que na diretoria. Se sentem mais à vontade”, conta Naiara de Jesus Fernandes, de 15 anos, também estudante do segundo ano.

Meninas

Outra curiosidade é que as meninas também preocupam-se em ter o preservativo. “Não só os meninos pegam com a gente, pelo contrário. A gente percebe que as meninas estão preocupadas com o próprio corpo. E isso é muito legal”, afirma Lorrayne Suelen Compre,de 16 anos.

Os alunos vivenciam aquilo que aprendem na sala de aula e aplicam no dia a dia. Ciro José Dias, de 16 anos, aluno do segundo ano do ensino médio é um deles. “Comigo ninguém transa sem camisinha. E se a pessoa quiser saber porque, eu explico”. E não é só ele que pensa assim. “É necessário gostar do próprio corpo, se amar, porque engravidar não é o único problema. A grande preocupação é pegar uma doença. É isso que todo adolescente precisa pensar”, afirma Luana Farias Barreto, de 16 anos.

Uma preocupação comum entre as meninas é o dia seguinte. “Eu não tenho vários parceiros, pois acho que sexo não é assim. Eu me preocupo com o depois”, diz Naiara. Sua colega Luana pensa da mesma maneira. “É importante os meninos saberem que a maioria das meninas pensa no sexo como algo especial”.

Pita Neto, coordenador dos programas estadual e federal de educação sexual, nas cidades de Poá e Itaquaquecetuba, diz que a preocupação com o bem-estar do jovem e a não banalização do ato sexual são trabalhados constantemente com os alunos.

Pita Neto explica que o preservativo é apenas um complemento do trabalho e é entregue depois de o jovem ser muito bem orientado. “Aproveitamos para mostrar, principalmente para o menino, que mais do que se sentir homem é necessário respeitar a companheira, que na maioria das vezes tem um sonho atrás do ato sexual”.

Inscrições para Enem

As inscrições para a sétima edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) começam hoje e seguem até dia 15 de abril, para os 2,5 milhões de concluintes do ensino médio em todo o país. Os alunos de escola pública são isentos da taxa.

Os alunos do 3º ano do ensino médio devem fazer a inscrição na escola onde estudam. O Enem será aplicado, no dia 28 de agosto, em 727 municípios, nas 27 unidades da Federação.

Os estudantes que concluíram o ensino médio ou a educação de jovens e adultos em anos anteriores podem se inscrever para o Enem entre os dias 25 de abril e 6 de maio, nas agências dos Correios. A taxa de inscrição custa R$ 35, mas se o aluno apresentar declaração de carência estará isento.

Os egressos podem também fazer a inscrição pela internet, entre os dias 4 de abril e 6 de maio e pagar a taxa nos Correios. Informações pelo telefone gratuito do MEC (0800-616161).

Prova

Segundo o coordenador do Enem, Dorivan Ferreira, o MEC espera a inscrição dos 2,5 milhões de concluintes do ensino médio, além de 250 mil egressos. A prova, de 63 questões objetivas de múltipla escolha, será oferecida em 727 municípios escolhidos pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) mediante alguns critérios.

Entres esses critérios estão: municípios com mais de mil concluintes do ensino médio; municípios onde a Secretaria Estadual de Educação solicitar e que tenha, no mínimo, 500 concluintes; municípios com uma ou mais instituições de ensino superior (IES) que utilizam o Enem como critério de seleção no vestibular; municípios com IES inscritas no Prouni (Programa Universidade para Todos).

Ainda segundo o Inep, 460 IES usam a nota do Enem nos seus vestibulares. Destas, 54 são públicas. Outras 1.056 que aderiram ao Prouni (Programa Universidade Para Todos) são obrigadas a usar o Enem na seleção dos candidatos e cotistas.

Confirmação da inscrição

O Cartão de Confirmação de Inscrição do Enem, contendo o número de inscrição e o local onde o inscrito deverá se apresentar para a realização da prova, será enviado para as escolas, no caso das inscrições ali realizadas, ou para o endereço indicado nas respectivas fichas de inscrição, quando realizadas nas agências dos Correios ou via internet.

No caso do inscrito não receber o seu cartão até o dia 22 de agosto de 2005, deverá adotar um dos seguintes procedimentos para obter informações sobre o seu local de prova: consultar lista afixada no local onde realizou a inscrição; entrar em contato com o Programa Fala Brasil, pelo telefone 0800-616161; acessar a página de consulta do Inep na internet.

No caso do Cartão de Confirmação de Inscrição não especificar corretamente o registro das necessidades especiais indicadas na ficha de inscrição, o inscrito deverá entrar imediatamente em contato com o Inep para as providências necessárias, até o dia 22 de agosto de 2005.

Qualificação a professores

A coordenadora de Estudos e Normas Pedagógicas (Cenp), Sonia Maria Silva, da Secretaria Estadual de Educação, afirma que o professor precisa aceitar a inclusão e buscar formas de trabalhar as aulas com os alunos deficientes. “Não sentimos qualquer rejeição da rede, mas uma certa dificuldade de lidar com estes alunos”, diz. “A educação inclusiva é uma obrigação do Poder Público previsto no artigo 258 da Constituição Federal e no capítulo 5 da Lei de Diretrizes e Bases (LDB).”

Mas, segundo Sonia, a Secretaria Estadual tem o cuidado de fazer a inclusão de forma gradativa para não atrapalhar a aprendizagem do aluno deficiente. “As diretorias de ensino fazem um levantamento antes de fazer a inclusão.” Ela informou que o Estado tem oferecido capacitação para professores de classe especial e, em todas as capacitações da rede, o tema também é colocado em pauta. “O aluno com deficiência não atrapalha os outros porque o nosso princípio é o da sala com diversidade e heterogênea.”

A inclusão, na avaliação de Sonia, mostra que as crianças não têm preconceito e aceitam muito bem os colegas diferentes. “Também estamos colocando em execução o Plano de Acessibilidade ao Portador de Necessidades Especiais em nossas escolas e distribuindo material pedagógico.”

A técnica de laboratório Miriam Aparecida Bonatto, de 50 anos, disse que a filha Talita, de 16 anos, que tem Síndrome de Down, aprendeu a escrever em escola estadual. “Esta inclusão deu mais segurança a ela”, conta Miriam. “Gosto de pintar, desenhar e estudar”, revela Talita.

A consultora de vendas Sandra Maria Lara, de 48 anos, diz que o filho Felipe José Lara Pinto, de 15 anos, sempre freqüentou o ensino regular. Ele tem Síndrome de Down. “É o primeiro ano que está na classe comum e está adorando porque para ele tudo é normal.”

Aumento da inclusão

Polêmica e mitos cercam os pais e educadores sobre os rumos da educação inclusiva, que trata da integração de pessoas com deficiência ao sistema regular de ensino. Este movimento de inclusão ganhou terreno há cerca de dez anos, sendo que hoje o seu principal meio de ação é a Declaração de Salamanca (1994). Reflexo dessa iniciativa pode ser observado em Campinas, onde a inclusão de alunos com deficiência aumentou 80,9% entre os anos de 1999 e 2004 nas redes pública e privada de ensino, saltando de 1.469 para 2.658 matrículas.

Estes alunos deficientes representam 1,35% dos quase 197 mil estudantes matriculados na educação básica (creche, pré-escola e Ensino Fundamental) nas redes municipal, estadual e particular. Hoje, a rede municipal é a que atende o maior número de alunos com deficiência. Eles representam 4% dos estudantes da rede, segundo o secretário municipal de Educação, Hermano Tavares. “Há que se fazer um esforço para ampliar este atendimento”, reconhece.

Para Tavares, existe a suspeita de um descompasso entre o percentual da população com deficiência, que fica entre 7% e 10%, e o da população estudantil com deficiência, que é de 4% na rede municipal. A Secretaria de Educação de Campinas tem 130 professores especializados em educação especial, o que corresponde a 4% do corpo docente.

Foi na Declaração de Salamanca, que reforça idéias já expressas em muitos outros documentos internacionais, que inúmeros países, entre eles o Brasil, assinaram um compromisso de fazer da educação inclusiva uma realidade até 2010. Mas, será que a escola pública conta com infra-estrutura para realizar o atendimento? E o professor foi capacitado para lidar com as diferenças? A resposta é não, segundo Carlos Ramiro, de 56 anos, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

“Primeiro, falta infra-estrutura nas nossas salas de aula para o professor fazer o seu trabalho; segundo, as salas estão superlotadas, com até 50 alunos, e para trabalhar a inclusão é preciso ter, no máximo, 25; terceiro, é preciso haver a valorização do educador para que não precise fazer jornada dupla para complementar a renda; e quarto, é preciso investir na formação dele para que possa lidar com as diferenças”, observou Ramiro.

O sindicalista sofreu conseqüências da falta de infra-estrutura quando deu aula para três alunos cegos do Ensino Médio. “Eu pedia para uma professora passar as atividades deles em braile; existia e existe a falta de material pedagógico”, lembra. Mas, segundo ele, é de fundamental importância a inclusão destes alunos na rede regular. O coordenador do Sindicato dos Servidores Municipais de Campinas, Fábio Custódio, diz que a inclusão educacional é uma meta que merece investimento prioritário. “Ela já vem sendo perseguida na rede municipal de ensino”, afirma Custódio. “Porém, para chegar a uma situação mais ideal é necessário estrutura física e acompanhamento pedagógico adequado e o aumento de profissionais formados em educação especial, com investimento na formação”, afirma.

Parceria em São José

O prefeito de São José, Eduardo Cury (PSDB), anunciou que vai firmar um convênio com a Secretaria de Estado da Educação para reformar os prédios das escolas da rede estadual da cidade.

Ao todo, o município tem 86 estabelecimentos de ensino mantidos pelo Estado. No entanto, a estimativa é que 43 colégios, cujos imóveis estão em condições mais precárias, recebam os investimentos.

A reforma de escolas estaduais está prevista no plano de governo de Cury, que afirmou que as obras serão realizadas no decorrer dos quatro anos de sua administração.

O pacote de investimentos prevê melhorias nas redes elétrica e hidráulica, pintura, adaptação do prédio para deficientes físicos, troca de vidros em janelas, além da implantação de espaços com paisagismo.

”A prefeitura teve um grande avanço nas escolas municipais. Então achamos devemos colaborar com as escolas estaduais. O padrão da escola estadual está inferior em relação às municipais”, disse Cury.

Segundo ele, que não divulgou qual será o valor que a prefeitura vai investir, o governo do Estado tem um programa de reforma das escolas, mas precisa ser acelerado e melhorar o padrão.

”Os profissionais da educação do Estado têm o mesmo nível de formação dos municipais. São pessoas dedicadas. Mas temos muitos pais que querem mudar para a municipal só por causa do aspecto de limpeza e reforma”, disse.

Cury disse que já conversou informalmente sobre o assunto com o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), e com o secretário estadual de Educação, Gabriel Chalita.

”Nós vamos entrar com dinheiro e o Estado também. Não sabemos qual será a contrapartida da prefeitura. O valor fechado só teremos quando for feita a assinatura do contrato”, disse o prefeito.

A secretária de Educação de São José, Maria América de Almeida Teixeira, disse que a lista com as 43 escolas que mais precisam de reforma foi entregue pela Diretoria de Ensino da cidade.

”Não sabemos se conseguiremos reformar todas. Isso vai depender muito do orçamento, do custo da obra de cada escola. Mas a intenção é iniciar as reformas ainda neste ano”, disse Maria América.

Segundo ela, o objetivo da parceria com o Estado é fazer com que as escolas da rede estadual de ensino fiquem ’tão atraentes’ quanto os prédios escolares da rede municipal.

”Algumas escolas estaduais há muito tempo não passam por reformas e estão em condições precárias embora o Estado tenha um plano que contempla esses reparos”, disse a secretaria.

Para a dirigente de ensino da rede estadual de São José, Cleide Pião Ferraz, quando as reformas forem concluídas, os alunos ficarão mais motivados para estudar e preservar o patrimônio.

Família na escola

Era uma vez um sonho. O sonho de manter acesa a chama vibrante, intensa e colorida da infância. Era uma vez um sonho de um filósofo que foi parar à frente da Secretaria da Educação do mais forte estado brasileiro, São Paulo. E entre o caos e a impessoalidade da metrópole, Gabriel Chalita resolveu trabalhar focado na crença em uma educação baseada em valores, ética e amor -tudo isso de mãos dadas com a família de cada um dos alunos da rede pública de ensino.

Autor de 36 livros na área de Educação -entre eles Pedagogia do Amor, do qual foi retirada a frase que dá início a esta reportagem -, Chalita, 36 anos, tem se destacado por defender idéias que pregam o fortalecimento do vínculo entre professor e aluno, o ensino baseado em carinho, atenção e dedicação. Um reencontro com o papel de mestre exercido pelo professor antes que o mundo fosse engolido pela falta de tempo, pelo individualismo e pelo ensino massificado.

Nesta entrevista concedida à Revista Aprende Brasil, o secretário explica o que é educar com afeto e conta por que o Programa Escola da Família, que abriu as escolas da rede estadual de ensino para as famílias de São Paulo praticarem esportes, participarem de atividades culturais e cursos de capacitação profissional nos fins de semana, tornou-se um sucesso. Hoje, envolve mais de 5 mil escolas e já virou até bandeira da Unesco, que apóia a iniciativa e apresentou o Programa para diversos países, entre eles, Estados Unidos, Portugal,Chile, Argentina e Inglaterra.

RAB -Como o senhor avalia o Programa Escola da Família, desde sua criação, em agosto de 2003?

Gabriel Chalita -Ele foi lançado para que pudéssemos trabalhar com um conceito fundamental em educação, o pertencimento. As pessoas têm que perceber que a escola pertence à comunidade. Quando quebram a escola, por exemplo, estão agredindo a si mesmas. O projeto educacional não se encerra na sala de aula, por isso é importante os pais estarem perto dos filhos. A educação de um aluno acontece no dia-a-dia, na relação que ele tem com o pai, a mãe, a igreja a que ele vai, os amigos… Quanto mais os pais estiverem em sintonia com a direção da escola e com os educadores, mais fácil vai ser o processo educativo dessas crianças. Há muitos indicadores de que um dos grandes fatores do sucesso escolar e profissional está ligado ao tipo de acompanhamento que os pais têm dos estudos do filho.

RAB -Como tem sido a participação dos pais?

Gabriel Chalita -Estamos muito satisfeitos. Iniciamos com 2 mil participações durante o primeiro fim de semana, em agosto de 2003. Esse número saltou para 7 milhões de participações no final daquele ano. Fechamos o ano de 2004 com 82 milhões de participantes. Isso mostra que os pais estão se acostumando a freqüentar a escola de seus filhos.

RAB -A que se deve esse sucesso?

Gabriel Chalita -Principalmente ao envolvimento dos educadores. Mas há outras razões. Nas regiões periféricas, não há espaços de lazer. Então, a escola passa a ser um lugar de convivência, o que acabou atraindo muita gente. Lá, as pessoas podem praticar esporte, participar de atividades culturais e de cursos de capacitação profissional. Outro aspecto interessante é que não há a obrigação de seguir uma proposta única. A escola desenvolve sua metodologia dentro de quatro grandes áreas: cultura, esporte, geração de renda e saúde.

Assim, multiplicam-se projetos de padarias artesanais, mães que aprendem a cozinhar ao lado dos filhos, aulas de informática, sessões de cinema. Nas regiões de praia, o Programa vai desenvolver aulas de surfe. Dessa forma, fazemos com que a escola seja um espaço acolhedor, envolvente.

RAB -Os professores participam das atividades de fim de semana?

Gabriel Chalita -Sim, mas como voluntários. A adesão tem sido ótima. Há professores de Matemática que vão dar aula de violão, professor de Português que vai dar aula de dança. Como a carga de trabalho do professor é “puxada”, compreendemos por que determinado professor não desenvolve uma atividade no fim de semana. Mas muitos têm participado, até mesmo por convite dos alunos.

RAB – Na opinião do senhor, qual o grande diferencial do Programa Escola da Família?

Gabriel Chalita -O primeiro é o fato de todas as 5 mil escolas da rede estadual abrirem suas portas no fim de semana. Não há nenhuma experiência similar no Brasil. A segunda diferença é o fato de contarmos com jovens universitários. O estado criou um programa que possibilita ao jovem cursar uma faculdade. Pagamos 50% da mensalidade e a universidade arca com o restante. Em contrapartida, o universitário ajuda a escola estadual a ser melhor, participando das atividades. Dessa forma, todos ganham.

A terceira questão é a liberdade de projetos. Trocamos experiências entre as escolas, para que cada uma diga o que está fazendo e por que está tendo sucesso. Assim, multiplicam-se os bons projetos pela rede.

Rab-Quais são as metas daqui para a frente?

Gabriel Chalita -Vamos passar de 25 mil para 30 mil bolsas de estudo para os universitários. Também começaremos a trabalhar com as escolas municipais. Sentimos que há uma demanda muito grande para que haja essa expansão. Alguns pensam que abrir a escola à comunidade pode fazer com que ela seja destruída. Mas é justamente o contrário.

RAB -A aproximação do professor com o aluno tem refletido na qualidade da aprendizagem?

Gabriel Chalita -Com certeza. Se você melhora a relação humana, você melhora a aprendizagem.

RAB -Isso é o que o senhor chama em seus livros de “educar com afeto”?

Gabriel Chalita -Sim. Acredito que só se consegue estabelecer uma relação de ensino-aprendizagem por meio da dimensão afetiva. Pode-se passar informação de muitas maneiras, mas, para educar, é preciso afeto. O aluno tem que se sentir valorizado. E isso acontece nos pequenos gestos. É o professor chamar o aluno pelo nome, olhar para ele, saber ouvi-lo e, acima de tudo, respeitar o que ele traz de conhecimento. Porque o aluno não é uma tábua rasa. Ele é detentor de conhecimentos e tem uma história que o professor deve levar em conta. Isso é afeto. Afeto não é lamber, é mostrar ao outro que ele é importante.

RAB -o que acontece quando o professor não consegue fazer isso?

Gabriel Chalita -O jovem se sente pequeno na sala de aula e tem problema de baixa auto-estima. E com baixa auto-estima, ninguém aprende. O professor deve ser como um maestro que rege os instrumentos, sabendo que cada um de seus alunos é diferente.Dessa forma, consegue desenvolver as três habilidades fundamentais: cognitiva (que é o conhecimento propriamente dito), social (que é essa relação interpessoal, a visão social de mundo e a cidadania) e afetiva (que é o emocional). Na dimensão afetiva, o aluno aprende a ser equilibrado. Isso pode ser desenvolvido com aulas de Educação Musical, Arte e Educação Física, que voltamos a oferecer na rede pública de ensino.

RAB -O professor tem receio de colocar a autoridade em risco ao lidar com a afetividade na sala de aula?

Gabriel Chalíta -A autoridade é algo que tem de ser conquistado. Quando ela é imposta, ela é efêmera. Se o aluno gostar do professor, ele vai respeitá-lo com a autoridade que ele tem, não com o autoritarismo. Na dimensão afetiva, não se perde a noção de autoridade. O professor não é um amiguinho do aluno. Ele é um referencial. O aluno tem que olhar para o professor e admirá-lo. Por isso, ele deve ser sempre correto. São pequenos gestos que mostram que o professor tem compromisso com a missão de educar.

RAB -Essa é uma forma de trabalhar valores em sala de aula?

Gabriel Chalita -Sim. Valores como a ética e a amizade são essenciais para a educação. Se o ensino é focado no conteúdo e no professor, ao invés de se trabalharem valores, leva-se o aluno a decorar uma quantidade excessiva de informações, o que o impede de se tornar uma boa pessoa e um profissional competente. Ele pode até esquecer fórmulas matemáticas e regras gramaticais, mas o exemplo do professor ele guarda para sempre.

RAB -Como é possível combater a violência em comunidades que já são extremamente violentas, como é o caso da periferia de São Paulo?

Gabriel Chalila -Com responsabilidade educacional é possível formar o aluno de maneira equilibrada. Se o professor evitar a agressividade, não aceitar provocações, vai ajudar o jovem a se desenvolver melhor. Com o Programa Escola da Família, tivemos uma queda fantástica nos índices de violência. Abrindo a escola no fim de semana, formando professores comprometidos, criando grupos musicais, culturais e esportivos, estamos combatendo a violência.

Aprenda mais…

Programa Escola da Família

www.educacao.sp.gov.br

Obras de referência

Pedagogia do Amor-A contribuição das histórias universais para a formação de valores das novas gerações (Editora Gente)

Educação

A solução está no afeto (Editora Gente)

Educação na alimentação

As escolas estaduais de São Paulo receberam, na semana passada, determinação para mudar ou substituir os produtos vendidos em suas cantinas. O objetivo é tornar a alimentação das crianças e adolescentes mais saudável. Na prática, com a nova regra, nada será proibido, mas o que será comercializado deve ter autorização da Associação de Pais e Mestres de cada instituição —pela lei, são essas as entidades responsáveis pela operação ou terceirização das cantinas.

Nutricionistas ouvidas pela Folha Online acharam a medida positiva, mas ressaltaram que mais importante do que mudar a oferta dos alimentos, o jovem precisa entender o porquê da substituição, qual é a importância de comer frutas em vez de fritura, por exemplo.

”Hoje em dia se inverteu o conceito de alimento. Quando se fala em comer verdura ou legume, logo se pensa na baixa caloria, na possibilidade de não engordar. Mas o objetivo da ingestão de frutas não é esse, mas sim o de nutrir o corpo, dar à célula o que ela precisa para funcionar bem. Não é uma questão de muita ou pouca caloria, mas de qualidade de nutrientes”, afirma a nutricionista clínica Denise Madi Carreiro, integrante do Conselho Regional de Nutricionistas de São Paulo (CRN 3).

Segundo ela, o fato de não se proibir a venda de itens como chocolates e balas, mas sim aumentar a oferta de produtos naturais, é um ponto positivo —os únicos produtos cuja comercialização é proibida sob qualquer circunstância dentro das escolas são cigarros, bebidas alcoólicas, remédios e produtos químico-farmacêuticos.

”Não adianta viver alienado. É só pôr o pé para fora da escola para o aluno encontrar todas as porcarias de sempre. O que precisa ser feito é uma educação alimentar. Ensinar que com verduras e legumes, o raciocínio fica mais rápido, o rendimento no futebol melhora, a força para correr aumenta. E isso precisa ocorrer com os alunos e com os pais deles”, diz Denise.

A mesma opinião é compartilhada por Vanderlí Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta ligada à Associação Paulista de Nutricionistas. “Não adiante proibir, porque tudo que é proibido gera uma maior expectativa de consumo e de transgressão. A medida mais eficiente é aliar a maior oferta de alimentos saudáveis à educação alimentar, para que eles mesmos [estudantes] se conscientizem de melhores escolhas”, diz.

Segundo ela, a realidade é que hoje a alimentação das crianças e adolescentes baseia-se em alimentos prontos ou semiprontos, ou seja, massas com molhos enlatados, sopas de pacote, pizzas, hambúrgueres. “Tudo bem comer isso, mas os pais precisam pensar no saldo final. Ingerir mais legumes, verduras e frutas para compensar o que não alimenta bem”, explica Vanderlí.

A partir da qualidade da alimentação desde o período infantil, afirmam Vanderlí e Denise, é possível evitar o aumento das chamadas doenças crônicas, que a cada dia atingem mais pessoas no mundo. “O índice de doenças de excesso de colesterol, pressão alta, hipotiroidismo, obesidade e até artrite reumatóide vem crescendo de forma alarmante entre a população, inclusive entre as crianças. E isso pode ser combatido por meio da educação alimentar”, acredita Denise.

Rádio no recreio

Quinze minutos antes de o sinal bater, anunciando o intervalo em um dia quente de fevereiro na Escola Estadual Sapopemba, todos os alunos estão ansiosos para descansar, menos Nieverson Felício e Eliseu Henrique dos Santos, ambos de 17 anos. Os dois, responsáveis pela Rádio Sapopemba, que funciona durante o recreio para os 2.400 alunos da escola, sabem que não terão descanso durante esses 25 minutos.

São eles que conectam os fios, ligam as caixas de som e decidem a ordem das músicas, os recadinhos amorosos, comunicados e propagandas que embalam as conversas dos estudantes.

A estação só funciona dentro da instituição e começou no fim de 2002, como um projeto para fazer os alunos conhecerem novos ritmos. ‘Nossos alunos só queriam ouvir axé e pagode e nos sentimos no dever de mostrar que existem músicas diferentes’, comenta a professora Márcia Regina de Oliveira, coordenadora da escola. ‘Neste ano, trabalhamos as músicas em sala de aula e montamos um festival, em que os alunos tocavam e cantavam.’ Os shows foram um sucesso.

Depois, estudantes e professores resolveram utilizar o computador e as caixas de som que só eram ligados nas festas da escola para montar uma rádio. Começaram com apenas um aparelho de som instalado em um banheiro adaptado.

Hoje, a área ainda conserva os azulejos e torneiras do antigo banheiro de 3 metros por 1,5 metro, mas já tem uma mesa de 16 canais e dois microfones potentes, que não deixam ninguém parado na hora do recreio Para ajudar os seis alunos que comandam a mesa (divididos em quatro turnos), foi feita a parceria com uma escola de informática da região.

‘Como não entendemos nada de eletrônica, pedimos um técnico para auxiliar com a mesa e os cabos. Em troca, a escola de informática poderia anunciar na rádio’, diz Márcia. ‘O rapaz nos ensinou até a enrolar os fios. Ainda bem, porque senão tinha queimado tudo logo na primeira vez que liguei os equipamentos’, conta Eliseu. O estudante começou sua carreira radiofônica no início do ano passado e não quer abandonar tão cedo. ‘Quis participar porque ficava a tarde toda em casa, sem fazer nada. Só que precisava ter notas boas para entrar. Quase não consegui’, lembra o rapaz.

São duas as condições impostas por Márcia para participar da rádio: notas boas e disciplina. ‘É um modo de incentivar os garotos a se dedicarem aos estudos. A rádio tem também a proposta de prepará-los para o mundo do trabalho’, diz a professora.

COMUNICATIVOS

Eliseu se enquadrou nas regras e é quem comanda os microfones. ‘Eu era bem tímido no início. Depois, aprendi a ser mais comunicativo, mais solto, conheci várias pessoas e até passei a gostar de músicas para as quais não dava valor’, diz.

A lista de cantores que sempre aparecem na Rádio Sapopemba vai de Linkin Park a Bezerra da Silva, autor que os alunos descobriram recentemente. Eliseu acredita que a experiência tenha lhe ajudado a ser escolhido para o trabalho que tem hoje, na área de vendas.

Nieverson também aprendeu a ser mais comunicativo. Ele e Eliseu são conhecidos entre as salas de aula e precisam manter seus ouvintes cativos. ‘Gosto mais de ficar na mesa de som. E, se aparecer algum trabalho em uma rádio de verdade, eu não vou desperdiçar a oportunidade, né?

Orientação nas cantinas

Coxinhas, refrigerantes ou batatas fritas industrializadas. Vai ser muito difícil crianças e jovens terem acesso a esses alimentos gordurosos e industrializados nas cantinas escolares da rede estadual. A partir de agora, a recomendação aos concessionários das cantinas escolares é incentivar a oferta de produtos naturais e não-industrializados como forma de ampliar a saúde dos estudantes.

A Secretaria de Estado da Educação foi levada a essa decisão por resultados de uma pesquisa com pais de alunos, professores e funcionários — Associações de Pais e Mestres. O levantamento foi realizado em 2.825 escolas da rede entre os meses de janeiro e fevereiro. A pesquisa servirá para adequar as atividades das cantinas desde a qualidade e manipulação dos produtos oferecidos ao atendimento e limpeza do ambiente de cada espaço escolar.

Os principais problemas identificados na pesquisa foram transformados em reivindicações (veja quadro). A partir delas, a secretaria publicou no último dia 24 uma portaria instituindo normas para o funcionamento das cantinas escolares. A portaria prevê produtos recomendados para consumo e define sanções para quem descumprir as recomendações.

A diretora da Escola Estadual Paulo Filgueiras Júnior, Mônica Ferreira Pinto, acha muito eficaz a portaria e afirma que, antes dela, a unidade já vendia, em sua cantina concessionária, somente salgados assados em substituição a frituras, bebidas lácteas e evitava a venda de balas, gomas de mascar e salgadinhos industrializados em pacotes.

‘‘Os nossos professores de Educação Física e Ciências vão abordar o assunto Nutrição durante as aulas, debatendo valores nutricionais, calorias, também como uma norma da secretaria’’, acrescenta.

Estudante do 4º ano do curso de Nutrição do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte) Thiago Pustiglione, que faz estágio na escola, acredita ser muito bom o início da educação alimentar para as crianças. ‘‘Nós vamos dar palestras para os pais, mas achamos mais fácil que comece por elas’’, opina.

Particulares

A venda de alimentos gordurosos, chicletes ou refrigerantes já é uma prática frequente na maioria das escolas particulares. Em novembro de 2002, a Câmara aprovou projeto de lei do então vereador Fausto Figueira (PT) que proibia venda de refrigerantes, guloseimas e salgados fritos nas escolas públicas e privadas de Santos.

A medida está sendo cumprida em duas escolas particulares visitadas por A Tribuna na manhã de ontem.

‘‘Uma nutricionista da escola solicitou que não vendêssemos nem frituras, nem refrigerantes. No começo os alunos reclamaram, mas já se acostumaram. Se eles tomam ou comem algo que não pode aqui dentro é porque trouxeram de casa’’, explica a proprietária de cantina que fica dentro do Liceu Santista, Maria Cristina Silva Menezes.

Os alunos da escola não aprovam muito a medida, mas ao mesmo tempo não têm muita escolha. ‘‘É bom para a minha saúde, mas ruim para a minha vontade’’, diz a estudante de 13 anos Laís Gonçalves, do Liceu Santista. Já João Matheus Freire Cavalcanti da Silva, de 14 anos, que sempre está de regime, afirma que a medida até ajuda. ‘‘Como eu tenho que evitar besteiras é até melhor’’.

Na cantina do Colégio Presidente Kennedy também funciona assim: crianças não consomem guloseimas. ‘‘Os alunos nem mesmo reclamam da ausência de alimentos como esses. É bom que os meninos acabam se acostumando e mudando os hábitos dos pais. Essa cultura precisa mudar aos poucos’’.

As escolas da rede municipal não têm cantinas concessionadas.

Reivindicações da pesquisa

1 – Promoção conjunta da direção da escola, professores e funcionários, de ações educativas e informativas sobre a importância da moderação no consumo de açúcares, gordura e sal.

2 – Estimular a substituição de refrigerantes por sucos, bebidas lácteas (achocolatados, vitaminas de frutas, por exemplo) ou à base de extratos ou fermentados (soja, leite).

3 – Substituição de frituras por salgados e doces assados.

4 – Evitar a venda de balas, gomas de mascar e salgadinhos industrializados em pacotes.

5 – Vender barras menores de chocolate (menos de 30 gramas) e com menos calorias.

Padarias no litoral

Doze escolas do Litoral Norte vão ganhar kits de padarias comunitárias do Fundo de Solidariedade do Estado. Unidades escolares dos quatro municípios da região foram contempladas com o programa desenvolvido pelo governo estadual.

Caraguatatuba é a cidade que ganhou mais kits —um total de cinco. São Sebastião vai ganhar quatro; Ubatuba, dois, e Ilhabela, um. Segundo a assessoria de imprensa do Fundo de Solidariedade, a região já tem 22 escolas dotadas com os kits de padarias artesanais.

As padarias vão ser implantadas nas escolas que já integram o programa Escola Família, desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação. São unidades de ensino que abrem as portas nos finais de semana para a prática de atividades culturais, esportivas e de lazer.

RENDA – As padarias artesanais fazem parte do programa de Capacitação, Geração de Empregos e Renda do Fundo de Solidariedade. O objetivo é capacitar pessoas para a produção de pães por processos caseiros.

O Fundo de Solidariedade informou que já foram distribuídos 6.500 kits em todo o Estado. Além das escolas, também recebem o material entidades sociais e núcleos de favelas.

Cada kit contém um forno inox, um botijão de gás, formas, uma batedeira, um liquidificador, balança e assadeiras.