Íntegra do discurso de Gabriel Chalita, candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, durante convenção do partido realizada na Praça da Sé, em 24 de junho.
São Paulo em primeiro lugar: essa é a nossa oração.
São Paulo em primeiro lugar: essa é a nossa comoção.
São Paulo em primeiro lugar: essa é a nossa decisão!
Decidimos fazer a nossa convenção na praça. Porque “a praça é do povo como o céu é do condor”, proclamava o poeta romântico Castro Alves.
Decidimos fazer a nossa convenção na Praça da Sé.
Há 458 anos, numa colina entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, a poucos metros daqui, foi erguida uma cabana de pau-a-pique. Nela, os jesuítas instalaram um seminário e uma escola. Antes de ser cidade, São Paulo foi escola.
Aqui, na Praça da Sé, em 1932, os paulistas mostraram sua valentia na revolução constitucionalista. Aqui, na Praça da Sé, em 1975, um culto ecumênico, pela morte do jornalista Vladmir Herzog, marcou o começo do fim da ditadura.
Aqui, na Praça da Sé, em 25 de janeiro de 1984, o povo, indignado e cheio de sonhos, exigiu “Diretas Já”.
“O poder é do povo”, bradaram peemedebistas históricos. Ulysses Guimarães nos ensinou a coragem. Tancredo Neves, a persistência. Teotônio Vilela, os brasis tantos e tão desiguais. Mário Covas, a dignidade. Franco Montoro, o humanismo.
Nesta praça, nas “Diretas Já”, o meu professor Montoro falou:
“Me perguntaram se aqui estão 300 ou 400 mil pessoas. Mas a resposta é outra: aqui estão presentes as esperanças de 130 milhões de brasileiros”.
Aqui estamos nós, lembrando nosso passado, construindo nosso futuro. O passado deste país e desta cidade com políticos dignos, decentes, comprometidos com o servir, com o fazer, ou melhor, com o fazer bem-feito.
José Pires do Rio, prefeito de 1926 a 1930, criou o Mercado Central e o parque do Ibirapuera.
Visionário, encomendou um plano para novas avenidas ao professor e engenheiro Prestes Maia, na época, um funcionário público municipal.
O prefeito Pires do Rio começou a retificação do Tietê e propôs a construção de barragens, antes de o rio dos bandeirantes chegar à cidade, e a abertura de piscinões a céu aberto, nas várzeas ainda desocupadas.
Luís de Anhaia Mello. Professor, urbanista. Um homem comprometido com a ética e a estética. Em seu conceito, o fim, o verdadeiro fim, a razão de ser da cidade tem de ser o bem-estar da população.
Fábio Prado governou de 1934 a 1938. Além de levar adiante os planos de Prestes Maia, rasgando avenidas como a Nove de Julho e a Rebouças, cuidou da Cultura. Foi seu Secretário da Cultura, o escritor Mário de Andrade… “São Paulo! comoção da minha vida!”
Mário, Tarsila, Anita, Oswald. Gênios que, em 22, na Semana de Arte Moderna, fizeram o mundo prestar atenção em São Paulo.
Prestes Maia, o prefeito do planejamento e da ação. O prefeito que transformou a cidade em um canteiro de obras. Terminou o Viaduto do Chá, a Avenida 9 de Julho e ergueu o Estádio do Pacaembu. Prolongou a Avenida São João e duplicou a Ipiranga e a São Luís. As mesmas que inspiraram a canção de Caetano… “alguma coisa acontece no meu coração”. Fez mais, abriu as avenidas Duque de Caxias, Liberdade, Vieira de Carvalho, Senador Queirós. Construiu os viadutos Jacareí, Dona Paulina, 9 de Julho e a Ponte das Bandeiras.
Faria Lima, prefeito que fez o primeiro plano diretor e que começou a construir o Metrô. Abriu as marginais Pinheiros e Tietê, a Avenida Sumaré, a Radial Leste, a 23 de maio e a Rubem Berta. Tudo isso em 4 anos.
Aliás, em menos de 3 anos, o professor e engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz deu à cidade a Lei do Zoneamento, o Código de Obras, a Lei de Áreas Verdes, o Código Tributário, a Lei do Silêncio, um novo plano diretor, a Emurb e a Prodam. Além de acelerar as obras da Linha Norte e Sul do metrô.
Por que esses prefeitos fizeram tanto em tão pouco tempo?
Porque eles tinham algo em comum: o amor por São Paulo. No olhar desses homens, só havia um projeto: “a cidade de São Paulo”.
A história tem muito a nos ensinar. E a primeira lição é esta: uma cidade da dimensão de São Paulo não precisa de um zelador ou de um gerente. Precisa de um estadista que tenha coragem e ousadia de enfrentar os reais problemas de São Paulo.
A São Paulo de ontem era uma jovem metrópole do café que se enfeitava, modernizando-se, para receber a industrialização. Hoje, ela é uma madura metrópole global. Desempenha papéis mundiais e precisa construir seu projeto para cumprir com essa função sem o aprofundamento das desigualdades sócio-espaciais.
Esta precisa ser a nossa missão: construir o novo projeto de São Paulo como cidade global. Governá-la com eficiência e probidade para que o patrimônio legado por esses prefeitos e pelo povo que construiu São Paulo, até aqui, não seja mais deteriorado. E que, além disso, com os pés no chão, tenha os olhos para o alto e carregue no coração um punhado de sonhos:
O sonho de uma cidade capaz de acolher seu povo e oferecer, a todos, serviços públicos à altura de sua riqueza.
O sonho de ver trabalhando juntos, por São Paulo, o governo federal, o governo do Estado e a Prefeitura. Fazer novas linhas de Metrô. Despoluir os nossos rios, nossos rios abandonados. Dar mais segurança. Construir moradias dignas a nossa gente. Basta de brigas entre partidos. Basta de estranhamentos. Urge pensar grande e fazer maior ainda.
O sonho de ver nossas crianças nas salas de aula em tempo integral, longe das drogas, preparando-se para a vida e para o mercado de trabalho. Com professores respeitados e valorizados. Não nos esqueçamos de que a educação é o caminho mais eficiente para dar aos ricos e aos pobres as mesmas condições de desenvolvimento.
O sonho de uma cidade com um sistema público de saúde que funcione 24 horas todos os dias, em todos os bairros, com atendimento humanizado.
O sonho com uma Prefeitura que não demore anos para aprovar projetos de construção. E onde alvarás e autorizações sejam concedidos a partir de regras objetivas, de modo transparente, sem favoritismo, sem propina, sem corrupção!
O sonho com uma cidade que valorize a criatividade de seu povo, a inovação, tão ou mais importante que a força das corporações que aqui vem fazer negócios e incrementar a economia.
O sonho com uma metrópole moderna que coloque a inteligência a serviço de seus cidadãos. A tecnologia, a economia verde, a gestão eficiente.
O sonho de valorizar o servidor público, que dedica sua vida ao bem do cidadão.
Estamos começando uma jornada. Não temos máquinas a nosso favor – e, se tivéssemos, não as usaríamos, porque isso é indecente, incorreto e criminoso. Aliás, máquinas públicas deveriam ser usadas para cuidar das pessoas e não para fins eleitoreiros. Não temos acordos espúrios.
Nossa aliança nasce das nossas convicções de que é possível, com humildade, vencer!
E vamos vencer! O povo vai vencer!
Agradeço a confiança, presidente Michel Temer. A sólida confiança de uma longa amizade. Desde os meus 19 anos, quando o ouvi professando sua crença na dignidade da pessoa humana e nas conquistas da constituição cidadã. Sua trajetória política é exemplo de competência e perseverança.
Agradeço a confiança, amigos do PSC – Partido Social Cristão, o primeiro que se uniu a nós nesta jornada. Acreditamos na família, acreditamos no respeito.
Agradeço ao PTC – Partido Trabalhista Cristão – e ao PSL – Partido Social Liberal. Juntos, somos muitos.
Agradeço às candidatas e aos candidatos a vereador. Desde as nossas primeiras conversas, decidimos que faríamos uma campanha limpa, baseada na verdade.
Hoje, a política corre o risco de desencantar a população, o que é uma lástima. As desonestidades, os conchavos, a mentira, o falso juramento, a demagogia. Como é triste ver a gestão pública encharcada de escândalos e de interesses estranhos! O prefeito deve ser um servidor e não alguém que se serve do cargo para atingir objetivos menores. Repito: nossa campanha, toda nossa campanha será baseada na verdade.
A praça é do povo, a Prefeitura é do povo, a política é do povo.
Sejamos verdadeiros!
A cidade mais rica da América Latina não pode mais tratar os seus filhos como “invisíveis”.
São 3 milhões de irmãos nossos, morando em favelas e em áreas irregulares. São milhares de crianças sem creches. São cidadãos enfrentando o trânsito e o transporte público de pouca qualidade.
São habitantes da rica cidade, sofrendo por uma saúde pública ineficiente e desumana.
Sem falar dos que padecem nas ruas e dos que são enxotados por um conceito higienista, preconceituoso.
É a cidade mais rica da América Latina, carente de líderes que tomem decisões, ao mesmo tempo, seguras e ousadas. Líderes que planejem e façam. Líderes que estejam presentes.
Os problemas são muitos, mas o problema não são os problemas. É a falta de ação diante deles.
São Paulo não precisa ser uma cidade suja, violenta e injusta. Estamos perdendo tempo com esses governos desgovernados.
Precisamos trabalhar pelas pessoas, com as pessoas.
Precisamos unir a nossa São Paulo.
A São Paulo da dona Maria, da Pedreira. Do seu Geraldo, motorista de táxi. Da Juliana, estudante. Do Pedro, funcionário público. Do Fábio, empresário. Do José, pedreiro. Do Júlio, gari. Da Tânia, arquiteta. Da Márcia, vendedora. Da Denise, médica. Do Jair, policial.
Da Cleusa que cuida de milhares de jovens, da Lourdinha que cuida de crianças, da Cida que trabalha em movimentos em prol da moradia. Da Anita que, há 9 meses, espera para fazer um exame médico. Do João, viciado em crack, sem lugar para fazer um tratamento e ter uma segunda chance.
A São Paulo do Rogério, professor, e da Mariana, enfermeira. Do Juninho que não tem onde brincar, e do Paulo e do Alberto que trabalham com moda. A cidade do Pedro, que tem livrarias, e do Ronaldo, louco por esporte. A São Paulo do Paulo e da Nicete, apaixonados por teatro.
A São Paulo da Lygia, escritora, e do Paulo, motorista. Do Joaquim que tem padaria, da Antônia que tem salão de beleza, e da Carmen que canta na noite. A São Paulo do Renato, defensor do meio ambiente, e da Janete que cuida de animais abandonados.
A São Paulo da dona Ivete, do Campo Limpo, na sabedoria dos seus noventa anos. Da Didi, do conjunto José Bonifácio, que veio do nordeste e que sabe que esta cidade pode ser melhor.
A São Paulo do Criolo que compôs: “Não existe amor em São Paulo”. Existe, sim, poeta. Está escondido, mas existe.
A São Paulo do Adoniran que morava no Jaçanã.
A São Paulo do Bexiga e da Brasilândia. A São Paulo do Grajaú e de Pirituba. A São Paulo da Consolação e de São Miguel. A São Paulo da Penha e de Heliópolis. A São Paulo do centro. Deste centro belo e mal cuidado. Deste centro que nós vamos revitalizar. A São Paulo das mulheres e dos homens guerreiros que não esmorecem, que não fogem à luta. Há um milhão de pessoas que trabalham à noite em nossa cidade.
A São Paulo dos imigrantes e dos migrantes. Das mãos calejadas pelo trabalho e unidas pela fé.
A São Paulo das ONGs, exemplos de eficiência e de respeito pelas pessoas. GRAAC, AACD, APAE, Dom Bosco de Itaquera, Casa do Zezinho de Capão Redondo e tantas outras.
A São Paulo das grandes organizações, empresas. Nosso PIB é de mais de 400 bilhões. Estamos entre as 20 cidades mais ricas do mundo. Rica e mal cuidada.
Quero ser o prefeito da esperança. O prefeito da decência. O prefeito da coragem. O prefeito das ruas. Vamos fazer uma Prefeitura itinerante. Vamos fazer funcionar as subprefeituras.
Entusiasmo não nos falta. Nem companheiros. Vocês, amigas e amigos, são a nossa fortaleza.
A praça é do povo. A cidade é do povo. A esperança é do povo.
O Cardeal Emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, ao final do culto ecumênico, nesta praça, no alvorecer da democracia, orou:
“É hora de se unirem os que ainda querem olhar para os olhos do irmão e ainda querem ser dignos da luz que desvenda a falsidade. A esperança reside na solidariedade. Aquela sociedade que é capaz de sacrificar os egoísmos individuais no altar da pátria, no altar de um Estado, no altar de uma cidade”.
Sacrifiquemos os egoísmos e não as pessoas. Nas reuniões que fizemos, bairro a bairro, na preparação de nosso programa de governo, ouvi muito esta palavra: sacrifício. Mães que perderam seus filhos para a violência. Famílias que perderam seus tetos para as enchentes. Pacientes com dor, percorrendo o calvário da espera, com pouca esperança de atendimento. Não precisava ser assim. Não precisa ser assim.
O que há de melhor, na política, são as pessoas. É por você, que tem uma face, que tem um nome, que tem uma dor ou um sonho, que estamos aqui. É para melhorar o lugar, espaço do agir solidário, em que você mora, que estamos aqui. É o seu cotidiano que nos interessa. O resto não deveria fazer parte da política. Há um cumprimento africano que se traduz dizendo: “eu vejo você”.
Essa jornada não será fácil. E é por isso que estamos aqui. Com vocês.
Vamos combater o bom combate, como ensinou São Paulo, sem esmorecer. Vamos militar a favor da boa política, juntos, decididos.
Nossa grande aliança é com a população desta cidade.
Não é hora de promessas vãs. Os paulistanos cansaram de enganações. Estão fartos de metas e compromissos que duram poucos meses ou que nunca saem do papel. Por isso, o compromisso público que assumo, aqui e agora, perante todos vocês – é lutar por esta cidade, é lutar por nossa gente. Todos os dias, 365 dias por ano, de primeiro de janeiro de 2013 a primeiro de janeiro de 2017.
Quero terminar, começando. Comecemos.
São Paulo em primeiro lugar é você em primeiro lugar. Você é a razão de estarmos aqui. De lutarmos, de vencermos.
Que Deus nos abençoe.
Fonte: assessoria de imprensa