Artigos

Lições poéticas

“Não quero amar,/Não quero ser amado./Não quero combater,/Não quero ser soldado./– Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples”, ensina-nos o poeta Manuel Bandeira em seu poema “Belo belo”, publicado na obra Lira dos cinqüent’anos. A lição da singeleza, da beleza, contida na simplicidade. Por meio do discurso desse notável poeta, sentimo-nos propensos a refletir sobre a grandeza existente nas coisas singelas e sobre a forma como elas conduzem nossos corações e nossas mentes ao caminho do que é realmente importante para a existência humana.

Possibilitar essa visão apurada da vida contribui para o entendimento de que a felicidade é composta pelas ações e pelas sensações presentes nas coisas mais corriqueiras.

Esse aprendizado deve ser um dos primeiros objetivos da educação. Nas disciplinas do currículo regular, nas numerosas atividades que configuram o ano letivo das escolas – semanas culturais, passeios, projetos e estudos do meio –, é necessário que os educadores propiciem aos aprendizes a consciência do que é o bem, o bom e o belo. Até porque essa tríade, capaz de dotar o espírito e a mente humana do viço e da energia essenciais à edificação de ideais nobres, cria um círculo virtuoso fundamental à convivência social pacífica, ao desenvolvimento do caráter ético e ao fortalecimento de valores como honestidade, lealdade, respeito, solidariedade e senso de justiça.

Essas e tantas outras percepções provêm do aprendizado adquirido na família e das influências recebidas pelo meio. E é aí que entra o trabalho sensível dos educadores, cuja missão é ensinar os aprendizes a lerem as partituras da vida, equilibrando razão e emoção, competência técnica e amor.

Em seus versos irretocáveis, Manuel Bandeira sintetiza parte dos conceitos filosóficos descritos por Platão a respeito do belo, tanto em seu texto Fedro quanto em República. No primeiro, o filósofo nos diz: “(…) na beleza e no amor que ela suscita, o homem encontra o ponto de partida para a recordação ou a contemplação das substâncias ideais”. Já em República, Platão compara o bem ao Sol, que dá aos objetos não apenas a possibilidade de serem vistos, mas também a de serem gerados, de crescerem e de se nutrirem. O pensamento filosófico e a poesia não oferecem caminhos inequívocos para a felicidade. Melhor do que isso: apontam caminhos para que possamos ter o prazer de encontrá-la por nossos próprios esforços.

Assim deve ocorrer também com a educação, cujo compromisso maior precisa ser o de proporcionar escolhas, além de fornecer aos seres em formação os instrumentos básicos para suas jornadas pessoais. Mestres e aprendizes têm de compartilhar a fascinante aventura da troca e da descoberta, de modo que, juntos, ampliem a capacidade de olhar as paisagens da vida com os olhos de ver. Carlos Drummond de Andrade – outro mestre sagrado da poesia – já falava sobre isso em seu belíssimo poema “A flor e a náusea”, do livro A rosa do povo: “Uma flor nasceu na rua! (…)/Uma flor ainda desbotada/ilude a polícia, rompe o asfalto./Façam completo silêncio, paralisem os negócios,/garanto que uma flor nasceu. (…)/É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”

Essa visão privilegiada dos poetas e dos filósofos tem de estar no cerne das propostas educacionais. É preciso utilizar uma pedagogia que revele o bom, o bem e o belo em sua essência. No ensaio “Inquietudes na poesia de Drummond”, da obra Vários escritos, o professor Antonio Candido discorre sobre a “função redentora da poesia”.

No dia a dia das escolas, é necessário encontrar um tempo para resgatar os dizeres dos grandes visionários, para que possamos nos educar e educar os demais para olhar o asfalto e, ainda assim, enxergar a flor.

Fonte: revista Profissão Mestre (por Gabriel Chalita)

Educar para a suavidade e o respeito

Na Primeira Epístola de São Pedro, aprendemos que a caridade deve impulsionar todas as nossas ações: “Finalmente, tende todos um só coração e uma só alma, sentimentos de amor fraterno, de misericórdia, de humildade” (1 Ped 3, 8). Ensina-nos o apóstolo que o amor fraterno faz com que não corramos o risco de agir com espírito de ódio, de vingança. Evidentemente, quando nos fazem o bem, é mais fácil retribuir com o bem.

O difícil é cumprir este conceito: “Não pagueis mal com o mal, nem injúria com injúria” (1 Ped 3, 9a).

É comum ouvirmos a expressão “eu não levo desaforo para casa” ou, ainda, “bateu, levou”. E é assim que muitas pessoas agem. Há aquelas que esperam para se vingar depois e passam anos despendendo tempo e energia querendo destruir alguém. Vida desperdiçada. Há ainda aqueles que se destacam por divulgar maldades. E, em tempos de redes sociais, ficou ainda mais fácil desconstruir a imagem alheia. Há muitas mentiras que, de tão repetidas, vestem a roupagem de verdade.

Pedro nos exorta, também, no mesmo capítulo, sobre duas virtudes: suavidade e respeito.

Ser suave significa ser leve, ser silencioso quando necessário, ser compreensivo, ser cuidadoso. Gandhi que tanto fez pela paz, que não acreditava na violência, ensinou: “De modo suave, você pode sacudir o mundo”.

Suavidade remete a respeito. Quem é suave respeita a si mesmo e ao outro. Suavidade não é sinônimo de passividade ou ingenuidade. Ao contrário, ser suave significa agir corretamente. Sem ódio. Sem vingança. Com sabedoria. Pagar o mal com o mal é desperdiçar o valioso tempo da vida com pessoas ou coisas que não têm importância. A maldade acaba por corroer o maldoso, ele mesmo. Quem comete injustiças falando do irmão, quem age com maldade já sofre pela ausência da bondade. Age, dessa forma, talvez por ignorância, talvez por não ter sido educado adequadamente para o respeito.

Respeito! Como essa palavra é importante! Respeitar o espaço do outro, respeitar a história e as escolhas do outro, compreendendo que Deus nos fez únicos; portanto, não há pessoas iguais e é exatamente por isso que precisamos entender que as pessoas que amamos são diferentes de nós. Pais são diferentes dos filhos, irmãos são diferentes entre si, amigos também. Essas diferenças não significam, entretanto, que devamos nos furtar de exortar os nossos irmãos que trilham por caminhos errados. É nosso papel acolher, ajudar, orientar. Mas com respeito e suavidade.

Não se faz com que uma planta cresça mais rapidamente regando-a com água quente. Não se ensina um filho com espancamentos. Não se educa um aluno com berros. A autoridade com suavidade e respeito ganha mais significado.

E como se educa para esses valores? Com palavras, quando necessário; e com exemplos, sempre! Pais precisam dar bons exemplos aos filhos, não pagando o mal com o mal e não praticando o mal. Pais fofoqueiros, vingativos, cruéis vão ensinando esses antivalores aos filhos. Pais serenos, respeitosos, também. É nessa fraternidade que acreditamos, que alicerce um mundo em que, de fato, sejamos irmãos uns dos outros. Isso é um sonho? Não sei. Só sei que a leitura da palavra de Deus nos ensina a pensar e a agir assim. É esse o intento que deve nos unir. Que o bem vença.

Fonte: revista Canção Nova por Gabriel Chalita

Tempo de leitura

Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o.” Foi assim que a pequena personagem de um conto de Clarice Lispector traduziu sua felicidade clandestina diante do livro Reinações de Narizinho, que a filha do livreiro segurava. Aquele livro era o objeto de seu maior desejo: tê-lo nas mãos, lendo com vagar cada palavra, cada frase, cada página. Acostumados aos avanços da tecnologia que nos consome a cada segundo, conduzindo-nos por páginas e páginas virtuais de novidade, imaginar uma criança embevecida, sequiosa por ler um livro, parece-nos tão distante. O prazer de ler. Tão esquecido. Tão necessário. Tão desestimulado.

A menina, que esperou ansiosa, dias e dias, até conseguir o livro emprestado, tendo-o em sua posse, nos reconduz à delícia da leitura, à coragem do resgate dessa prática: “Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, […] fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade”.

Cenas como essa têm sido cada vez menos usuais e, segundo uma pesquisa realizada pelo norte-americano Nicholas Carr, o uso excessivo da tecnologia vem distanciando o homem da leitura. É um alerta seriíssimo à sociedade pós-moderna: a internet afeta o funcionamento do cérebro e a capacidade de raciocínio. Uma verdadeira fábrica de distraídos.

Formado em Literatura, Carr percebeu certa dificuldade de concentração durante a leitura de uma obra. Assombrou-se. Sua atividade preferida estava se tornando uma tarefa enfadonha e pouco prazerosa. Atinou que essa insuficiência de centralização do pensamento estava diretamente ligada ao tempo excessivo dedicado à internet.

A ligeireza da informação e a enormidade de estímulos da rede desviam nossa atenção o tempo todo, impedindo-nos de direcioná-la a uma única informação, imagem ou dado. Daí a superficialidade e a brevidade com que lidamos com as questões que envolvem o mundo e as gentes. Da mesma forma, e muito antes, alertou-nos Charles Chaplin, no filme O Grande Ditador: “Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.”

Essa situação impõe que pais e educadores orientem o tempo que os jovens passam diante de uma tela de computador. É urgente que se resgate o prazer pe­la leitura do texto impresso, muitas vezes contemplativa e individual. O grande desafio que se apresenta é o de buscar o equilíbrio entre “o novo e o velho”. Os caracteres e as palavras. A frialdade da tela e o calor dos sentimentos. O deletar e o acolher. A razão cibernética e a emoção aviventada. A rede e os laços humanos. A máquina e o homem.

Uma reflexão sobre os caminhos que podem dividir esse curso é capaz de despertar e de redefinir os objetos de interesse dos alunos. A cena de um educador rodeado por aprendizes curiosos e encantados – lendo e interpretando, prazerosamente, uma história e conduzindo suas mentes imaginativas à magia do universo literário – precisa ser reavivada. Há valores, sentimentos, laços humanos, vidas reais, afetos em jogo. E há tempo para isso. Tempo de revalorizar práticas do passado, reinventando-as no presente, para moldar o futuro.

A felicidade clandestina precisa ser revelada. A mesma felicidade descoberta pela pequena garota, ao receber o livro desejado: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Fonte: Revista Profissão Mestre por Gabriel Chalita

A grandeza e a miséria do ser humano

Dois fatos recentes, veiculados na mídia, remetem-nos a uma reflexão sobre a dualidade humana. Sobre as misérias e as grandezas do ser humano. Pascal, filósofo francês racionalista do século XVII, afirmava que o homem é um ser paradoxal, é um complexo de bem e de mal e cujas ações ora geram desprezo, ora geram respeitabilidade, apreço. Ítalo Calvino, escritor realista da literatura italiana, apresentou-nos, alegoricamente, sua curiosa personagem Visconde de Medardo, na obra O visconde partido ao meio.

A história, aparentemente simples, narra a trajetória de Medardo, um homem que, após levar um tiro de canhão, dividiu-se em dois: uma metade completamente boa e outra absolutamente má. A primeira, por onde passava, semeava amor, bondade, grandeza de caráter. A outra, por sua vez, espargia a guerra, a discórdia, a miséria.

Enquanto um rapaz de 21 anos, Vítor Suarez Cunha, é covardemente espancado por proteger um morador de rua dos ataques brutais de outros jovens, na Ilha do Governador, no RJ; outro, o estudante universitário Henrique Ramos Vieira, também de 21 anos, vitimizado pela drogadição, esfaqueia pai e mãe, em Guarulhos, SP, fugindo à responsabilidade da própria vida. Duas histórias. Duas vidas. Duas faces de uma mesma condição: a condição de existir e conviver na sociedade. A justificativa para as atitudes desses dois rapazes, de futuros tão igualmente possíveis, mas de destinos tão distintos – agora – de responsabilidades está, certamente, relacionada às formas como cada um desses jovens foi acolhido e “preparado” para o enfrentamento da vida e de suas escolhas pessoais.

É na família, primeiramente, que somos formados. Os valores vivenciados, os exemplos de nossos pais, o alimento moral que nos é dado, diária e cuidadosamente, nos guiarão – em geral – ao exercício do bem, ao respeito ao próximo, ao prazer da liberdade, ao direcionamento correto de nossas vidas. No entanto, isso não basta. Há famílias que imaginam ter cumprido seu papel de amor e de dedicação integral aos seus filhos e que servem de palco a tragédias, como a do filho que matou os pais, provavelmente tomado pelo desespero e pela alteração de padrões impostos pelo uso da droga.

A escola, como um centro de luz, também é partícipe nessa formação. Educar para a vida. Aprender a ser e a conviver fazem parte do processo de ensino e aprendizagem. As políticas públicas voltadas à juventude precisam fazer a sua parte no acolhimento e na oferta de oportunidades a esses jovens. Jovens que se perdem, desperdiçam vidas, sacrificados pela ausência de regras, de limites, de chances de crescimento íntimo e social. A juventude é terreno fértil em que, lançadas, as boas sementes darão, indubitavelmente, bons frutos. Não há como os gestores se furtarem às suas responsabilidades na construção de um país digno, justo, correto para todos, ficando ausentes ao desolamento, à alienação.

O jovem necessita de um tema para viver, ensina-nos o príncipe dos poetas brasileiros, Paulo Bomfim. É essencial que haja caminhos bons e diversos, que lhes ofereçam apoio na construção de seus futuros e na superação de seus desafios.

A solução que Calvino dá ao leitor, ao final de sua quase fábula, sobre os extremos humanos, a mutilação de personalidades, as vidas fracionadas, está na coerência do equilíbrio, no desenvolvimento do coração, do espírito, da alma humana. É como a história do velho índio que dizia ter, dentro de si, dois cachorros – um bom e um mau –, mas que alimentava apenas o bom, minimizando a força do outro. Os alimentos desses jovens estão no seio familiar, na boa educação, no investimento público em esporte, lazer e cultura. Sem maniqueísmos nem julgamentos precipitados. Colhamos bons valores para que a bondade de Vítor se multiplique. Quanto a Henrique, triste escolha, desamor. “A neutralidade é impossível: é necessário apostar!”, orientava Pascal.

Fonte: site Brasil 247 por Gabriel Chalita

O crack e a soberania humana

Vive-se uma epidemia de crack. Isso é fato. A droga surgiu nos anos 1980, nos Estados Unidos. Ela entrou com força em nosso país nos anos 1990. Chegou sorrateira e, aos poucos, foi ganhando as proporções de uma epidemia. O preço reduzido e a imediata dependência foram alguns dos fatores que “popularizaram” essa praga.

Vimos, na última década, crescer o uso do crack nas áreas centrais da cidade de São Paulo. Um caos da miserabilidade humana. Liberdades individuais e coletivas foram devastadas pela droga.

A cracolândia é apenas um pequeno retrato dessa crise. Há vários outros espaços onde a ausência do poder público permite a proliferação daquilo que é ilegal, daquilo que é incorreto, daquilo que rouba a liberdade e a dignidade humana.

Um estudo recente da CNM (Confederação Nacional dos Municípios) revelou que o crack está presente em 91% das cidades brasileiras. Em todos os casos, o número de usuários está crescendo.

Houve muita polêmica em relação à ação do poder público na cracolândia. Vamos esquecer os eventuais culpados. O tema não deve se prestar a disputas ideológicas. Este é um momento de união e de busca de soluções.

A primeira ação deve ser preventiva. Temos que cuidar das nossas crianças e adolescentes para que eles possam compreender os danos à liberdade e à vida que essa e outras drogas acarretam.

Precisamos de educação e de saúde juntas. Esse é um papel da família, do Estado, da mídia, das igrejas, dos clubes de serviços, de toda a sociedade organizada.

Temos que coibir a ação dos traficantes. Temos que cuidar daqueles que, sem políticas de prevenção e sem orientação adequada, entraram nesse círculo vicioso.

A internação de um dependente químico não é simples. É preciso contar com a experiência de numerosas comunidades terapêuticas, que vêm conseguindo realizar um bom trabalho. O tratamento é penoso e exige uma ação generosa de respeito ao próximo, de amor fraterno e de auxílio efetivo a esses cidadãos (infelizmente, tratados como invisíveis) e às suas famílias.

Vimos, com pesar, o lamento das mães em busca dos seus filhos. Com igual pesar, vimos cenas trágicas de grávidas sem a liberdade de abandonar o vício e de crianças com o futuro esvaziado pela ausência de possibilidades.

Não podemos correr o risco de implementar políticas higienistas. Pessoas não são coisas. Expulsas de um lado, elas continuam a existir em outro, com os mesmos problemas. Se forem cuidadas, entretanto, elas podem construir a própria história. E é nisso que acreditamos.

Uma grande cidade é aquela que sabe cuidar dos grandes projetos que dão base ao progresso e à melhor qualidade de vida, mas é também aquela que não abandona os seus filhos.

Avancemos na construção de uma nova e forte aliança com a vida. Vamos nos unir na reconquista do direito de cada um de viver e de conviver em sociedade. Dignamente. Livremente. Somos responsáveis uns pelos outros.

Fonte: Folha de S.Paulo por Gabriel Chalita

2012 – o ano da honestidade

Os anos vão passando e novas promessas vão surgindo. É sempre assim. No início de um novo ano, as pessoas fazem propósitos. Brigar menos, estudar mais, começar um regime, praticar atividade física, estudar outro idioma, rezar mais etc. Quero sugerir um propósito: “Que 2012 seja o ano da honestidade.” Diz a profecia de Malaquias: “Acaso não é um só o Pai de todos nós? Acaso não fomos criados por um único Deus? Então, por que cada um de nós é desonesto com seu irmão, violando o pacto de nossos pais?” (Mal 2:10).

Esta é uma assertiva que deveria conduzir nossa vida cristã: somos irmãos. E, como irmãos, não podemos ser desonestos uns com os outros. Isso viola o pacto da nossa natureza social e viola o pacto da nossa irmandade, filhos de um mesmo Pai.

Ser desonesto é desrespeitar o nosso irmão. Falamos muito da honestidade na política. E reclamamos a sua ausência. E não sem razão. Há muitos que fazem da política um negócio próprio, mesquinho. Falamos de profissionais liberais e de empresários cuja insensibilidade assusta. São capazes de enganar, de trapacear, de iludir para levar vantagem. E, com isso, destroem o próprio irmão. Falamos de maridos que são desonestos com suas mulheres, e de mulheres que são desonestas com seus maridos. Uma relação de amor só tem sentido se fundamentada na verdade. Falamos de filhos que mentem para os pais, e de pais que enganam os próprios filhos. Falamos de amigos interesseiros que mentem sem nenhum constrangimento.

Insisto nesse “falamos” porque, aqui, também pode morar uma desonestidade. Passamos uma falsa impressão de que somos perfeitos e de que nos impressionamos com a imperfeição dos outros. E, na desonestidade com nós mesmos, usamos máscaras. Talvez, porque ainda não tenhamos sido descobertos nas nossas misérias humanas e, por isso, ousamos falar das misérias alheias.

Ninguém está imune ao erro. É preciso, para ser honesto, abandonar a hipocrisia, a crítica fácil ao nosso irmão. Jesus nos ensina a amar em vez de julgar e, mais do que isso, a vivenciar o que “falamos”. Certa feita, referiu-se aos mestres da lei e aos fariseus dizendo: “Deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam”.

Amigos queridos, que, neste novo ano, possamos perseguir o caminho da honestidade. Que possamos olhar no espelho e reconhecer a nossa face. Que possamos amar mais do que julgar. Enfim, que enxerguemos o nosso irmão, não com a miopia de quem busca prazer em desconstruir o outro, mas com os olhos abertos, puros, de quem sabe viver a profecia de Malaquias e os ensinamentos de Cristo. Nascemos para viver como irmãos e para amar. Amemos, então. Feliz 2012!

Fonte: revista Canção Nova por Gabriel Chalita

Os valores da educação

Por Gabriel Chalita

A educação é o bem maior de uma sociedade. Quando os cidadãos são alfabetizados e o conhecimento, universalizado, um país desenvolvido e justo – em que a democracia seja, de fato, praticada por todos e para todos – faz-se possível. O valor da educação é inestimável; dizemos, assim, que sua importância é tamanha que se torna impossível medi-la. Entretanto, quando se fala em educação, há outra acepção do termo “valor” que não pode ser ignorada. Trata-se do valor medível, contável, que se traduz em investimentos financeiros na área.

De acordo com o Instituto de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o investimento público total em educação no Brasil cresceu de 4,7%, em 2000, para 5,7% do PIB em 2009. Espera-se cumprir a meta 20 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2011– 2020, que estipula 7% do PIB a ser investido nesse campo; é o mínimo aceitável em um país onde a educação tem se mostrado deficiente.

Do valor inestimável da educação aos valores orçamentários aplicados nos diferentes níveis de ensino, é preciso notar que, apesar de melhorias, há muito a ser feito. Os mesmos números do Inep apontam que, na educação infantil, de 2000 a 2009, não houve evolução nos investimentos – sempre correspondentes a 0,4% do PIB. Já os anos finais do ensino fundamental (de 5ª a 8ª séries) foram os que receberam mais recursos: de 1,2%, passaram a 1,8% do PIB. É necessário o estabelecimento de políticas que considerem a significância de todas as etapas educacionais, de modo a conquistar-se a excelência no ensino e o interesse dos brasileiros por uma formação completa e contínua. O próprio Anísio Teixeira revoltava-se ao saber, depois da análise de estatísticas, que muitos dos alunos matriculados na rede pública não conseguiam dar continuidade a seus estudos, ficando frustrados mentalmente e incapacitados para alcançarem um padrão de vida de simples decência humana”.

Sabemos que investir nos professores é fundamental para que se alcance o objetivo de formar cidadãos conscientes, tanto para a vida quanto para o mercado de trabalho. Aos docentes, formação continuada, planos de carreira, revisão de salários, incentivo à participação em debates e na tomada de decisões que envolvam a educação no País; quem é educador sabe que profissionais capacitados e satisfeitos transmitem com muito mais paixão e assertividade seus conhecimentos.

Merece nossa atenção, ainda, o conceito de escola de tempo integral, sonho alimentado, primeiramente, por Anísio Teixeira. Sua implantação na educação básica é a melhor solução para o desenvolvimento de crianças e de adolescentes. Ao passar mais tempo na escola, o aluno dedica-se com afinco aos estudos (e, por conseguinte, aprende melhor), socializa-se, pratica atividades lúdicas e esportivas, alimenta-se adequadamente, sente-se capaz e acolhido. Nesse processo, a participação dos pais ou dos responsáveis é essencial. Todos os envolvidos devem vislumbrar a escola como um espaço de luz, de pertencimento.

Quando valores financeiros são aplicados, de forma ética e planejada, no bem maior da sociedade, dá-se o valor – nesse caso, “reconhecimento, de um ponto de vista afetivo, da importância ou da necessidade (de algo ou alguém)”, como traz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa – devido a alunos, a professores e a todo o País. Como afirmou Paulo Freire, “se a educação não pode tudo, alguma coisa fundamental a educação pode”. Assim, valorizá-la é ajudar a edificar o Brasil pelo qual trabalhamos – e no qual, entre percalços e vitórias, acreditamos.

Obviedade das avaliações sobre educação

Por Gabriel Chalita

São diversos os instrumentos de avaliação que revelam o quanto nossos alunos estão deixando de aprender na escola. A divulgação recente dos resultados de um deles, o do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), por exemplo, detonou uma série de análises, de comparações estatísticas, de comentários. O quadro é de desolação. 

Estamos errando. É óbvio. E errando consecutiva e insistentemente. Sem banalizar o cenário educacional, seja de São Paulo, seja do Brasil, é necessário que consideremos questões básicas e preliminares. Para que serve a avaliação? O que se faz com os resultados? O que esses resultados querem nos revelar? Professores, alunos, gestores e a sociedade tornam-se reféns de números, de gráficos, de listas. É urgente considerar as obviedades que os diversos instrumentos de avaliação comprovam. Observar os dados, refletir sobre as verdades, reorganizar os conceitos, reconduzir a prática educativa, identificar novos caminhos, compreender seu caráter diagnóstico e não classificatório. Sem punições, sem culpados, sem reféns.

Tomando por empréstimo de Eça de Queiroz o personagem Acácio, homem simples e ingênuo que dizia apenas o óbvio, vejamos: houve uma queda considerável no desempenho dos alunos – em especial nas séries concluintes de cada etapa –, nas disciplinas básicas de Matemática e Língua Portuguesa. Se os alunos não vão bem, a culpa é de quem? Do professor? Não nos cabe indicar culpados. Se o professor ensina e o aluno não aprende, há uma evidência de que o caminho percorrido não é suficiente.

Paulo Freire, em uma de suas viagens pela zona rural de Pernambuco, deu-se conta de que seu discurso apenas faria sentido àqueles camponeses se partisse do “aqui” e do “agora” de seus interlocutores, do “saber de experiência feito” trazido pelos educandos. Essa é a grande reflexão. Não há culpados; há um enorme distanciamento, isso, sim, entre o “aqui” do educador e o “lá” dos educandos. Os meios estão equivocados. A aproximação necessária deve assumir um caráter dialógico, que permita o encontro entre a problemática conduzida pelo líder – o professor – e os dois saberes, de modo a proporcionar o aprendizado de fato. Formação, orientação, apoio e reflexão: é disso que nossos docentes necessitam. Não de punição.

Os resultados indicam que o número de bônus concedido este ano despencou. Que professor não gostaria de receber um prêmio pelo seu trabalho? Mais uma evidência de que o docente está carente de informações que lhe possibilitem conduzir seus alunos ao aprendizado efetivo. Seu fazer pedagógico clama por orientação. É deseducativo cobrar de alguém um resultado que ele não sabe como alcançar. É preciso acolher as fragilidades, indicar novas possibilidades, provocar o pensar do educador. Formação, com educação.

Na tentativa de justificar o que parece não enxergar, as autoridades apontam a ausência e a rotatividade de professores como as grandes vilãs do resultado de falência. Oras, se não há aderência do educador nem quadro à disposição, é óbvio que há insatisfação e desinteresse pelo ofício. Ser professor não é ter uma profissão atrativa. Não há mais como manter a falácia de que se nasce professor. O educador se forma dia a dia, na prática da sala de aula, com formação constante e adequada. Na esperança do acerto, a partir da consciência do erro. Na reavaliação conjunta de seu fazer pedagógico. Em equipe, com respaldo acadêmico e político, com reconhecimento e parceria.

O professor é um profissional como tantos outros. Ensinar não é ato de caridade. É preciso reconhecer o educador pelo seu ofício em três lugares: na cabeça, no coração e no bolso.

Formação constante. Acolhimento profissional e humano. Remuneração justa e digna. Mais uma avaliação evidencia o quanto isso é importante. No entanto, não se deve ter um olhar míope e, sim, simplicidade, discernimento e desejo real de mudança para reconhecer o que anunciam, de fato, os resultados obtidos. Os números são os meios, não os fins. “A mudança não é trabalho exclusivo de alguns homens, mas dos homens que a escolhem”, dizia Freire. Mudar é difícil? Sim. Mas óbvio e urgente.

A atualidade de Anísio Teixeira

Por Gabriel Chalita

“Com efeito, todo o presente modo de pensar do homem é modo de pensar em termos de mudança. […] Tudo que fazemos se funda em hipóteses, sujeitas obviamente a mudanças. Tais mudanças decorrem de novos conhecimentos, os novos conhecimentos decorrem de novas experiências e tais novas experiências do fluxo ininterrupto de mudanças…” Eram essas as palavras manuscritas no documento que Anísio Teixeira carregava nos braços, quando a morte , subitamente, negou-lhe a continuidade da vida, em 1971.

Há muitos fatos que abrem as portas da história para receber o legado de Anísio Teixeira, mas esse conceito da dúvida, das novas experiências, da quebra de paradigmas precisa ser considerado. A educação é um processo que requer ousadia. Os acomodados pouco contribuem para ampliar as possibilidades e enxergar além.

Anísio Teixeira marcou sua biografia com a luta renhida pela causa da educação, defendendo o processo democrático de um ensino para todos, permeado pelo intenso desejo de mudança. E a mudança é parceira inseparável da esperança. A mesma esperança espargida pelos ensinamentos do também grande educador, Paulo Freire: “Não posso continuar sendo humano se faço desaparecer em mim a esperança”. O ser humano é impelido pela esperança. Sempre. Historicamente. Atemporal. Daí a atualidade do pensamento de Anísio Teixeira, de Fernando de Azevedo, de Paulo Freire e de tantos outros incansáveis guerreiros na batalha pela educação transformadora, para todos.
Tiveram visão e não permitiram que o comodismo do laissez faire os acovardasse.

Notoriamente incomodado pelo caráter dual da educação que ora privilegia, ora desprivilegia, Anísio repudiava o elitismo e a pouca significância de uma educação, cujo currículo e estrutura remetiam a um distanciamento, cada vez mais acentuado, de sua principal finalidade: educar. Educar para a cidadania, intentando a formação de homens plenos e livres. E felizes. Não bastava a avaliação que aferia aprendizagem míope, focada em uma determinada cobrança arbitrária, mutável. Era preciso mais. Mais do que decorar – o que seria exigido por quem, por vezes, nem sabia “o quê” e “o porquê” exigir -, era intento do educador formar para a vida, para a convivência entre os diferentes. E diferentes, somos todos.

Nos seus setenta e um anos de vida, o educador caetitense empenhou-se na reconstrução da educação brasileira, fadada a perpetuar das desigualdades sociais. O maniqueísmo dos detentores de inteligência e dos outros precisava ser superado. E Anísio não teve dúvidas nem medo em fazê-lo. Inteligência não é privilégio de alguns. É potência – embora, às vezes, adormecida – de todos. Como político, ganhou reconhecimento nacional e internacional no pioneirismo de duas ousadas iniciativas, a Escola Nova e a Escola em Tempo Integral, respectivamente. Seu sonho era acordar os que adormeciam e mostrar que o Brasil precisava ser um país para todos.

A devoção persistente por uma educação que não fosse privilégio e a indignação apaixonada de Anísio são, para sempre, admiráveis. A luz de suas ideias ainda resplandece no caminho daqueles que acreditam no poder da educação como força motriz na transformação positiva de uma nação. Daqueles que se lançam, esperançosos, nos exercícios de ressignificação da educação. Educação não é privilégio. Privilégio é palavra que remete a um direito privado, particular e não democrático, como nos ensina sua etimologia. A educação é direito de todos. Foi esse seu tema na vida.

Passa o tempo. Mudam os cenários. Permanecem as dificuldades. O avanço, no campo educacional, a que nosso educador não assistiu, aconteceu. É inegável. Está universalizado o acesso, mas descuidada a qualidade. E descuidar da qualidade implica dar pouco a muitos. E era exatamente isso que Anísio repudiava. O amplo acesso à educação era parte de seu sonho de mudança, mas defendia uma escola voltada às necessidades, à realidade, à formação integral do aluno. Um currículo que contemplasse conteúdos de real significância no universo social e cultural, principalmente, dos menos favorecidos. Esse princípio tem igual validade nas escolas destinadas às classes sociais elevadas. Uma breve análise dos projetos pedagógicos que orientam nossas escolas, sejam públicas, sejam privadas, nos revela o quão distante estamos desse sonho. Sua luta é atual. A mudança que defendia aguarda para ser engendrada. A esperança de fortalecimento da escola pública como caminho primeiro para a edificação de uma nação é viva.

Esse ‘amigo das crianças’, como merecidamente o homenageou Jorge Amado, dedicando-lhe a obra Capitães de Areia, nos apresentou o desafio da escola em tempo integral, voltada ao atendimento de crianças do povo, com a fundação da primeira escola desse modelo no Brasil, a Escola Parque, em Salvador. As instalações contavam com espaços diferenciados como biblioteca, auditório, refeitório, hortas, ambulatório médico, salas para o ensino de artes, quadra esportiva, todos eles voltados para a formação cultural dos alunos.

Além das aulas de conteúdo básico, havia atividades complementares que iam dos trabalhos manuais a aulas de artes plásticas, muitas vezes conduzidas por artistas reconhecidos. Recrutou professores experientes e lhes deu todas as condições justas de trabalho e de execução plena do projeto. “Um funcionário para cada vinte alunos”, discursou seu idealizador na inauguração desse centro destinado a atender 4 mil alunos. A Escola Parque educava, formava, socializava, capacitava, humanizava. A escola de tempo integral era a vida de crianças e jovens que se reencantava por entre as sendas da educação. Era o sonho arquitetado por Anísio que se edificava. Era a escola transformada para e pelo aluno. A escola democratizada. O direito pela educação.

Em que momento, no entanto, o sonho se diluiu? O pioneirismo do projeto da Escola Parque, na América Latina, não se espalhou nem mesmo pelo Brasil. Inequivocamente de alto custo, o projeto de inclusão social pela educação foi esquecido.

“É custoso e caro por que são custosos e caros os objetivos a que visa. Não pode fazer educação barata – como não se pode fazer guerra barata. Sabemos que sem educação não há sobrevivência possível. […] O brasileiro não acredita que a escola eduque. E não acredita porque a escola, que possui até hoje, efetivamente não educou (…). Como acreditar em escolas? Tem razão o povo brasileiro. E para que não tenha razão seria preciso que construíssemos escolas”, provocava Anísio, em 1959, em resposta às críticas que recebia pelo alto investimento em seu projeto. Para ele, a escola deveria ser um local bonito, acolhedor, humano, solidário, com professores felizes e apaixonados pelo ofício de ensinar e por seus alunos.

Não há como passar pela história desse grande educador sem que brote, em cada um de nós, o desejo de mudança, a esperança de uma educação igualitária, humanizadora e integral.

Imaginem se tivéssemos dado continuidade ao sonho e ao trabalho de Anísio Teixeira. Imaginem se nossos políticos do passado tivessem se convencido de que a educação é o passaporte para a liberdade, para o exercício da cidadania. Imaginem, ainda, se as pessoas tivessem se unido para exigir que a escola, centro de luz, fosse o canteiro das obras vivas desta nação. Perdemos muito tempo. Mas é preciso ir além. Aprender com o passado desperdiçado para que o futuro seja real. Nada de discursos dissociados de responsabilidade e compromisso. Que o Brasil possa, depois de ter superado tantos outros desafios – somos um país melhor, hoje, uma potência econômica, tiramos milhões de cidadão da linha da pobreza – ser uma nação que não segregue, não abandone, não exclua nenhum de seus filhos. E essa política pública, cidadã e universal, chama-se educação. Aos mestres de ontem o respeito pela ousadia; aos de hoje, a cumplicidade pela resistência; e, aos de amanhã, a esperança de que construirão um país com todos e para todos.

Direito de ser criança

Por Gabriel Chalita

No mundo competitivo em que vivemos, as crianças são cobradas, o tempo todo. Há muita expectativa dos pais para que os filhos tenham sucesso. Há todo tipo de projeção: pais querendo que o filho seja um campeão no futebol ou na natação ou na moda. Quem sabe uma miss! Ou, ainda, nas agências de modelo infantil, ganhar dinheiro com a beleza. Ser um artista mirim de televisão. Há casos em que a mãe ou o pai ficam, de fila em fila, em testes de publicidade. E a criança é carregada, de um lado a outro, como um objeto. No quesito beleza, tem mãe que chega a pintar o cabelo ou a aplicar botox na filha de 7 ou 8 anos.

Em matéria de sucesso escolar, a cobrança segue a mesma neurose. Pais querem que os filhos sejam os primeiros em tudo. Querem que sejam melhores que os outros. É este o caminho do sucesso, julgam erroneamente. Criança tem que ser criança. Tem que brincar. Tem que ter sonhos. Tem que ter pausas.

Antigamente, era comum ver as crianças brincando no quintal, convivendo com animais, lambuzando-se na terra. Os pais ficavam nas calçadas, conversando, e as crianças brincando. Até a hora de dormir. Hoje em dia, o cenário é outro. O medo do fracasso dos filhos estabelece uma relação contínua de cobrança. Evidentemente, os pais querem o melhor para os filhos. Mas precisam tomar cuidado com os excessos.

Fico feliz quando vejo, nas Igrejas que frequento, pais com seus filhos. Algumas crianças mais quietas, outras andando de um lado a outro. Não importa. O que importa é a convivência em um espaço sagrado. E a oração. E o aprendizado correto com valores que permanecerão a vida toda.

Mês de outubro, além de ser o mês das crianças é também o mês do professor. Professam o amor aqueles que fazem da prática, em sala de aula, uma extensão dos valores de generosidade e competência. São, depois dos pais, as maiores referências para as crianças. Os professores precisam ser respeitados e precisam se fazer respeitar. É um ofício nobre, digno. Em nossa memória afetiva, certamente, moram muitos professores que nos conduziram pelas sendas do conhecimento e da ternura.

Que Nossa Senhora Aparecida, nossa intercessora junto ao Mediador, possa nos inspirar a viver uma vida de valores. A mulher escolhida para ser a mãe de Jesus é exemplo de simplicidade e de entrega ao projeto de Deus.

O projeto de Deus, para pais e filhos, não é uma disputa insana pelo primeiro lugar, mas um lugar pleno de amor para que as sementes possam crescer e enfeitar o jardim da existência.

Antes de querer que seu filho seja o primeiro, o campeão em alguma coisa na vida, queira que ele seja feliz. E que seja equilibrado. E que esteja longe de tudo o que rouba a vida em plenitude com que Deus nos presenteou. E, mais do que palavras, nunca se esqueça: são os exemplos que forjam o caráter e que preparam para uma vida equilibrada com respeito e muito amor.