Educar para a suavidade e o respeito

Na Primeira Epístola de São Pedro, aprendemos que a caridade deve impulsionar todas as nossas ações: “Finalmente, tende todos um só coração e uma só alma, sentimentos de amor fraterno, de misericórdia, de humildade” (1 Ped 3, 8). Ensina-nos o apóstolo que o amor fraterno faz com que não corramos o risco de agir com espírito de ódio, de vingança. Evidentemente, quando nos fazem o bem, é mais fácil retribuir com o bem.

O difícil é cumprir este conceito: “Não pagueis mal com o mal, nem injúria com injúria” (1 Ped 3, 9a).

É comum ouvirmos a expressão “eu não levo desaforo para casa” ou, ainda, “bateu, levou”. E é assim que muitas pessoas agem. Há aquelas que esperam para se vingar depois e passam anos despendendo tempo e energia querendo destruir alguém. Vida desperdiçada. Há ainda aqueles que se destacam por divulgar maldades. E, em tempos de redes sociais, ficou ainda mais fácil desconstruir a imagem alheia. Há muitas mentiras que, de tão repetidas, vestem a roupagem de verdade.

Pedro nos exorta, também, no mesmo capítulo, sobre duas virtudes: suavidade e respeito.

Ser suave significa ser leve, ser silencioso quando necessário, ser compreensivo, ser cuidadoso. Gandhi que tanto fez pela paz, que não acreditava na violência, ensinou: “De modo suave, você pode sacudir o mundo”.

Suavidade remete a respeito. Quem é suave respeita a si mesmo e ao outro. Suavidade não é sinônimo de passividade ou ingenuidade. Ao contrário, ser suave significa agir corretamente. Sem ódio. Sem vingança. Com sabedoria. Pagar o mal com o mal é desperdiçar o valioso tempo da vida com pessoas ou coisas que não têm importância. A maldade acaba por corroer o maldoso, ele mesmo. Quem comete injustiças falando do irmão, quem age com maldade já sofre pela ausência da bondade. Age, dessa forma, talvez por ignorância, talvez por não ter sido educado adequadamente para o respeito.

Respeito! Como essa palavra é importante! Respeitar o espaço do outro, respeitar a história e as escolhas do outro, compreendendo que Deus nos fez únicos; portanto, não há pessoas iguais e é exatamente por isso que precisamos entender que as pessoas que amamos são diferentes de nós. Pais são diferentes dos filhos, irmãos são diferentes entre si, amigos também. Essas diferenças não significam, entretanto, que devamos nos furtar de exortar os nossos irmãos que trilham por caminhos errados. É nosso papel acolher, ajudar, orientar. Mas com respeito e suavidade.

Não se faz com que uma planta cresça mais rapidamente regando-a com água quente. Não se ensina um filho com espancamentos. Não se educa um aluno com berros. A autoridade com suavidade e respeito ganha mais significado.

E como se educa para esses valores? Com palavras, quando necessário; e com exemplos, sempre! Pais precisam dar bons exemplos aos filhos, não pagando o mal com o mal e não praticando o mal. Pais fofoqueiros, vingativos, cruéis vão ensinando esses antivalores aos filhos. Pais serenos, respeitosos, também. É nessa fraternidade que acreditamos, que alicerce um mundo em que, de fato, sejamos irmãos uns dos outros. Isso é um sonho? Não sei. Só sei que a leitura da palavra de Deus nos ensina a pensar e a agir assim. É esse o intento que deve nos unir. Que o bem vença.

Fonte: revista Canção Nova por Gabriel Chalita

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