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A chave de nossas lembranças

Gosto de conversar com as pessoas. Gosto muito.

Preocupo-me com um tempo em que pessoas gastam parte significativa da vida com máquinas e se esquecem do significado de “gastar tempo” com outras pessoas. Olhos fitos no celular. Mensagens. Redes sociais. Jogos. Avidez pelo mundo virtual. E quase nenhuma palavra com quem está ao lado.

Gosto de conversar com as pessoas. Repito. E gosto de ouvir suas histórias. Momentos, partidas, encontros. Lágrimas de nossas dores. Paixão. Dores de um amor não correspondido. Cicatrização. E, de novo, a esperança. E, de novo, a dor. Temos a chave de nossas lembranças e o poder de revisitá-las. O tempo passa e permanece dentro de nós.

Lembro-me de minha infância, de minha pequena cidade e das famílias sentadas na calçada em dias quentes. Não havia ar-condicionado, não havia internet, a televisão não ocupava nosso tempo. A violência não nos frequentava. Na praça, sempre havia música. Íamos à missa e, na saída, conversávamos sem pressa.

Presentes? No natal e no aniversário. Hoje, os quartos dos filhos são repletos deles, sem nenhum valor afetivo. Têm todo tipo de computador. Mas há ausência de pais contadores de histórias, de conversas reais, de pessoas que “gastem tempo” com pessoas.

Se não compreendermos a importância da simplicidade na convivência cotidiana, as lembranças de nossos filhos estarão recheadas de jogos virtuais e de um mundo que, embora fascinante, não tem a essencialidade do contato real.

Não sou contra o avanço tecnológico e confesso ser admirador desse universo. Uso as mídias sociais para propagar minhas crenças e aprender com os amigos que frequentam meu “quintal tecnológico”. Mas não abro mão do meu quintal real. De falar e ouvir.

Se os fogões a lenha, que faziam com que o preparo de nosso alimento desse um significado especial ao nosso tempo, não existem mais, existamos nós, presentes na vida e na lembrança futura dos nossos. Gosto de conversar com as pessoas.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 6/6/2014 

 

Gabriel Chalita participa do 16º Salão FNLIJ para crianças e jovens

O professor Gabriel Chalita conversou com educadores e estudantes no 16º Salão FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil), no Rio de Janeiro. Em meio a histórias e à frequente interação com as crianças, Chalita ressaltou a importância da leitura para uma formação escolar sólida e para a vida: “É preciso recuperar o valor da contação de histórias. Dos encontros, como este em que estamos.” E, dirigindo-se aos educadores presentes, completou: “Acerta quem permanece com os bons sentimentos de uma criança. Que a inocência não nos abandone.” 

O salão FNLIJ do livro para crianças e jovens já se tornou parte do calendário cultural do Rio de Janeiro. Esse projeto proporciona um importante diálogo entre escritores, ilustradores, professores e crianças para promover a educação e incentivar a leitura no Brasil. Além de bate-papos, o Salão do Livro disponibiliza bibliotecas, promove um seminário e uma premiação aos melhores livros do ano, de acordo com o júri da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. 

Fonte: assessoria de imprensa (5/6/2014)

A semeadura e a colheita

Estou no Líbano participando do 1º Encontro “Lebanese Diaspora Energy”, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores. Uma troca de experiências entre diversos países com descendentes libaneses. O Brasil é o maior deles. Depois, vêm EUA, Canadá e Austrália. 

Há muitas questões sendo debatidas, mas o que me chamou a atenção, mais uma vez, foi a preocupação que todos têm com a educação. Falamos sobre a semeadura e a colheita. Não se colhe o que não se planta. A educação é o plantio. A colheita é o mundo que teremos.

Conversei com algumas crianças libanesas. Inglês perfeito. Estudam em escolas de tempo integral. Estudam, além de árabe, inglês e francês. Em escolas públicas. Perguntei sobre o salário e a formação dos professores. A resposta foi imediata: “Professor merece respeito; não somos nada sem os professores”. Os canadenses têm educação de excelente qualidade. Também os australianos. Os EUA estão em plena reforma de currículo. Querem que a educação básica tenha a mesma qualidade que suas importantes universidades.

E o Brasil? Não podemos dizer que nada foi feito. Hoje, temos quase todas as crianças dentro da escola. Mas pecamos pela qualidade. O professor está longe de ter a valorização que merece. Se entrevistarmos os alunos de ensino médio, poucos dirão que querem ser professores. O salário nada atrativo e as condições de trabalho afugentam quem teria aptidão para o magistério. Que pena! Ser professor é liderar o processo de construção do futuro, é abrir as janelas dos horizontes a serem descortinados pelos protagonistas em formação. É preciso redescobrir esses talentos. 

Além disso, estamos longe de termos as nossas escolas em tempo integral. Nossas crianças deixam de aprender, não por ausência de inteligência, mas de oportunidade.

Volto ao plantio e à colheita. Se plantarmos descaso, abandono, injustiça, colheremos apatia, violência, incompetência.

A árvore símbolo do Líbano é o cedro. Dizem que uma de suas principais qualidades é crescer primeiro na raiz para se preparar para as adversidades que virão.

A educação, na família e na escola, é a nossa raiz, a fortaleza que nos fará resistentes e grandes. Preparados para protagonizar a nossa história.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 30/5/2014 

 

Freinet: Fonte de inspiração para ser professor

“Se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos aprendizes.” 
Célestin Freinet

A Pedagogia Freinet está centrada em quatro grandes princípios: afetividade, comunicação/documentação, autonomia e cooperação. Em sua obra destacamos a afetividade como exercício que desenvolve a capacidade de um sujeito em se deixar afetar pelo outro, a comunicação dialógica integrando conhecimentos e relações, autonomia e cooperação que se complementam entre si para a construção do ser social.

Em tempos de mudanças, o grande desafio do contexto em sala de aula é conceber e vivenciar experiências educativas que contemplem esses princípios, articulando a criação de vínculos afetivos ao desenvolvimento do ser humano.

É fundamental pensar que a educação não se faz apenas com a perspectiva das questões materiais. Excelência na educação se faz quando o foco está nos processos de humanização. A partir do instante em que se passa a pensar a escola como um espaço de relações de humanização dos direitos, nós nos encontramos com o pensar de Freinet “a educação não é uma fórmula de escola, mas sim uma obra de vida”.

Escola viva pautada na comunicação, autonomia e cooperação garante que o humano se torne cada vez mais humano, pois materializa uma concepção de educação transformadora. Para que exista uma educação que transforme, é preciso uma educação que humanize, que traga a afetividade como foco, “a cultura humana será, então a flor esplêndida, promessa segura do fruto generoso que amadurecerá amanhã”. (Freinet)

O ser professor implica em vivenciar as múltiplas relações entre as pessoas, os conceitos, o contexto em que se vive, os vários objetos culturais e as formas de percepção de mundo.

O desafio deste tempo presente é perceber que os significativos avanços tecnológicos estabelecem relações virtuais que estão isolando as pessoas, portanto é imprescindível construir espaços presenciais de relações humanas, onde esteja presente o toque, a percepção do outro, o sentido que a vida tem, o respeito às perspectivas: ética, estética e política.

A ética está relacionada a tudo que é voltado à solidariedade, à compreensão humana, à troca, ao respeito ao outro. A estética a todo processo criativo, com o exercício da ludicidade, das relações voltadas para o encantamento, para o belo; uma beleza que não seja estereótipo da superficialidade, mas a beleza do exercício de olhar para o mundo com os olhos de quem quer enxergar, enxergar várias formas, de arte, de expressão. E a política? É a dimensão da cidadania, da participação, do exercício efetivo dos direitos. Acreditamos que uma educação de excelência deve contemplar essas dimensões em sua profundidade, sem esquecer que não se faz excelência sem as relações presenciais.

O professor, ao se perceber como um ser reconhecido socialmente, consegue fazer  a ponte entre o significado de seu fazer e a função social que a escola exercita.

Ser professor é ser materializador de sonhos, ser professor é ser construtor de identidades humanas. Ser professor é entender que “a democracia de amanhã se prepara na democracia da escola”. (Freinet)

Portanto é preciso entender o professor como uma autoridade construtora de seres humanos humanizados. Nesse contexto histórico nunca se precisou tanto de um professor. Este precisa de um espaço de reflexão com seus grupos, com seus pares.

“Seria necessário lembrar aos pais e professores que um educador que já não tem gosto pelo trabalho é um escravo do ganha-pão e que um escravo não poderia preparar homens livres e ousados; que o professor não pode preparar alunos para construírem, amanhã, o mundo dos seus sonhos, se você não acreditar nessa vida; que não poderá mostrar-lhe o caminho se permanecer sentado, cansado e desanimado, na encruzilhada dos caminhos”. (Freinet)

Andando por esse país inteiro, o que identificamos a cada momento é que o professor quando chamado para desenvolver uma ação proativa, ele corresponde, ele tem desejos, e apresenta muitas iniciativas.

Cada vez que desenvolvemos com o professor essa competência ele vai construindo e reconstruindo o seu cotidiano, socializando e valorizando as suas experiências. Assim, olhamos para ele com o olhar de quem possui saberes próprios da docência e que esses saberes merecem ser compartilhados.

Temos muita esperança de que os professores deste país, frente a todas as adversidades, continuem constituindo espaços de construções relacionais. O professor precisa ser o centro que acredita nesse movimento dos aprendentes e ensinantes e dos ensinantes e aprendentes em ações dialógicas. Quanto mais se desenvolver essa prática, quanto mais espaço se der para essa discussão, mais poderemos construir coletivamente. Freinet era adepto das pedagogias ativas e colocava o trabalho como elemento central na organização das aprendizagens escolares. Sua pedagogia baseava-se na cooperação entre os alunos e os educadores, e os tempos e espaços escolares deveriam ser estabelecidos em função do interesse dos alunos.

“Esperamos dos professores, trabalhadores ativos, de iniciativas generosas; o cidadão cioso das suas liberdades, mas capazes de se disciplinar para servir cooperativamente as causas justas; os homens que saberão sair das fileiras e partir para a vanguarda, enfrentando temerariamente as dificuldades; os pioneiros que por vezes importunam, os monges e os religiosos, os exploradores e os robôs, os soldados e os burocratas, mas que avançam, progridem, constroem e criam”. Freinet

Frente aos pensares de Freinet diríamos que o professor é um mobilizador, é um articulador que trabalha com a perspectiva coletiva, constrói uma relação de compromisso ético com o seu grupo, compromisso de construção, compromisso de olhar para a totalidade, compromisso com a afetividade, comunicação, autonomia e cooperação.

A postura do professor é fundamentada em diferentes olhares: a) – olhar para a escola enquanto um movimento em que todos os participantes têm papel decisivo; b) – olhar da singularidade fundamental quando cruzado com o coletivo; c) – olhar para a relação da prática educativa e os discursos, esse alerta é muito importante, precisamos tomar cuidado com um discurso extremamente elaborado e uma prática empobrecida; d) – olhar estruturante, a forma de como são organizados os momentos de reflexão e os espaços nesta relação entre os seus pares; e) – olhar da ação junto às famílias, à comunidade, considerando que a família precisa ser parceira dos professores na construção dos olhares dos aprendizes; f) olhar do acreditar na perspectiva de superação e de transformação dos seres em processos de desenvolvimento humano. 

À medida que o professor possibilita uma aprendizagem significativa, em que a cada espaço o aluno faça uma relação com o seu cotidiano, o professor se compromete não apenas com o aqui e o agora, mas com a comunidade, com a sociedade, com um olhar mais amplo. É nesse momento que o professor constrói, de fato, a possibilidade de uma geração que está aí, precisando tanto de referências para se constituir como um cidadão democrático.

A aprendizagem na escola é um passaporte imenso para poder entender e transformar tantas situações adversas que estamos vivenciando. Falar em educação de excelência é perceber que o foco de uma escola é o aprendiz. E o aprendiz não é apenas a criança, mas também o professor, as famílias, a comunidade.

A imersão na pedagogia Freinet possibilita tanto ao aprendiz refletir e identificar o que está fazendo com a sua vida como ao educador compreender qual o sentido que está dando para os projetos educativos vivenciados e como pode contribuir para romper com a alienação, porque “a Escola Moderna não é nem uma capela nem um clube mais ou menos restrito, mas, na realidade uma via que nos conduzirá àquilo que, todos juntos, construirmos.” (Freinet)

A relação de humanização desse momento histórico é talvez a maior contribuição que o educador tem a realizar para o exercício da cidadania, considerando que o conhecimento é para constituir o humano mais competente para ser feliz, para ter espaço na vida, para acreditar nas pessoas, para poder, de fato, ecologicamente, acreditar num universo que não destrua a si mesmo, que não fique apenas voltado a questões de controle, do exercício de exterioridade, mas que tenha essa noção de vida abundante, pulsante a cada segundo.

Nas reflexões de Freinet, encontramos o olhar de uma educação que não seja alicerçada em rótulos frívolos, uma educação inclusiva em sua essência, uma educação que traga para cada um o seu contexto para pensar a totalidade; um movimento profundamente responsável que revele implicações, mexendo com conceitos fundamentais de comunicação, de cooperação de autonomia e de afeto. É um movimento de quebrar cristalizações, de desconstruir conceitos autoritários, ainda historicamente existentes em nossa cultura porque conforme dizia Freinet,  “Nós nos habituamos todos de tal forma a comandar as crianças e a exigir delas uma obediência passiva que não pensamos na possibilidade de haver outra solução para a educação que não seja a fórmula autoritária”.  

Necessitamos entrar na essência das questões, debater com profundidade e percebermos o nosso ser nas relações que efetivamente construímos.

Concluindo, “o educador não é um forjador de cadeias, mas um semeador de alimento e de claridade” (Freinet). O Educador é um fundador de mundos.

Por Emilia Cipriano

Fonte: Direcional Educador

 

Ruth Guimarães, a caipira do mundo

Entre as exuberantes serras, do Mar e da Mantiqueira, conheci Ruth Guimarães. Em sua chácara, próxima ao rio Paraíba, na minha amada Cachoeira Paulista, bebi de sua consistente prosa. Ruth era assumidamente caipira. Mulher da terra. Contadora de causos. Contadeira de histórias, como sua mãe, como sua avó. Ouvinte paciente de compadres e comadres que frequentavam seu quintal.

Saudoso tempo em que, ainda menino, fitava-a, sentada à sua máquina de escrever, dando vida às palavras e aos personagens. A autora do genial “Água Funda” conhecia profundamente os mitos gregos e os clássicos russos, sem falar dos franceses. Traduziu Balzac e Dostoiévski. Conversava sobre Flaubert e sobre Guimarães Rosa. Exaltava Machado de Assis, dizendo que maior que ele não há. Era grata a Mario de Andrade, seu mestre, crítico ensinante de sua obra. E, no meio de tanta sabedoria, me ensinava que ser sábio é ser simples.

Lembro-me das tantas vezes em que eu, estudante de filosofia, ia conversar com ela sobre Agostinho ou Tomás de Aquino. Sobre Sartre ou Nietzsche. Eu, ávido, inquieto; ela, serena, mestra. Nessas narrativas, éramos interrompidos por um ou outro vizinho que pedia um pouco de açúcar ou de feijão, e ela, com a mesma placidez, os atendia.

Caipira, sim – mas cidadã do mundo. Ruth conhecia e enfrentava os temas mundiais. A autora de “Os Filhos do Medo” era uma destemida destruidora de preconceitos. Não tolerava a mesquinhez dos arrogantes, nem a arrogância dos mesquinhos.

Tive a honra de recebê-la em nossa Academia Paulista de Letras. Eu, seu aluno, abraçando a mestra. Que privilégio! Depois de tantos anos, sentava-me, novamente, ao seu lado e a ouvia. Ruth, serena, falava pouco. Mas, quando falava, era preciso ouvi-la. Ela tinha o que dizer. Saudade da sua presença. E, presente, ela continua. Em suas obras. Em seu jeito caipira de amar o mundo.

Por: Gabriel Chalita (jornal Vale Paraibano) | Data: 25/5/2014

Palestra magna de Gabriel Chalita no “Simpósio de Pesquisa Científica”

Ministrada pelo professor Gabriel Chalita, a palestra magna “Gestão do conhecimento”, do “Simpósio de Pesquisa Científica”, organizado pela FIPMOC – Faculdades Integradas Pitágoras –, em Montes Claros, contou com a presença de estudantes e professores da instituição e da região.

Além de orientações sobre como adquirir e melhor aproveitar o conhecimento almejado, Gabriel Chalita ressaltou a importância da formação escolar e da eterna busca pelo conhecimento: “A imaginação não nasce do acaso. É preciso base. É preciso fundamento. É preciso repertório. A criatividade ganha novos contornos quando são oferecidos caminhos.” Segundo Chalita, a busca pelo conhecimento e pelo sucesso permeia uma trajetória peculiar, em que “fracassos e sucesso, desafios e conquistas caminham lado a lado”.

A sétima edição do “Simpósio de Pesquisa Científica” conta ainda com outras palestras, minicursos e mesas redondas para proporcionar o encontro com o conhecimento.

Fonte: Assessoria de imprensa | 23/5/2014

É tempo de amizade

Somos produtos do meio. Isso não é novidade. Do idioma que falamos aos gostos culinários, passando por padrões éticos e estéticos, dependemos do aprendizado. Dependemos das influências que recebemos em casa, na escola, na rua, nas múltiplas formas de comunicação, virtuais ou pessoais.

Não somos máquinas. Isso também não é novidade. Chaplin nos ensinou que “Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido”.

A violência, de todas as maneiras, é o fracasso da convivência humana. As agressões ao outro roubam de mim o que tenho de melhor, minha capacidade de amar.  E, aí, entra a amizade. 

Em guarani, a palavra amigo é “chera’à” que significa, parte de mim. Fazer parte de alguém e permitir que esse alguém faça parte de nós é prova de desprendimento e de maturidade. Nos meios em que convivemos, infelizmente, proliferam-se vícios terríveis como a arrogância e a inveja. O arrogante faz um mal imenso a si mesmo e aos outros. Dono da verdade, é incapaz de se abrir à troca, à cumplicidade, aos encontros necessários entre pessoas e sentimentos. O invejoso sofre com o sucesso do outro e, perversamente, fica eufórico pelo seu fracasso. Tempos perdidos. Tempos violentos.

A amizade vai além das competições, vai além dos interesses. O amigo não é um meio, mas um fim. Não é um meio para se atingir alguma coisa, para se alcançar algum poder, mas um fim para experimentar o aroma agradável da generosidade. É desse perfume que carecemos.

Voltamos ao meio. Cuidar das relações humanas nos garante um direito ao futuro. Como colher paz, respeito, dignidade, se o plantio é de ódio, soberba, desonestidade? Pais, professores, líderes precisam refletir sobre o legado que deixarão. Sobre inteligência necessária e sobre “afeição e doçura” imprescindíveis para a construção de uma humanidade melhor. 

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 23/5/2014