Estou no Líbano participando do 1º Encontro “Lebanese Diaspora Energy”, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores. Uma troca de experiências entre diversos países com descendentes libaneses. O Brasil é o maior deles. Depois, vêm EUA, Canadá e Austrália.
Há muitas questões sendo debatidas, mas o que me chamou a atenção, mais uma vez, foi a preocupação que todos têm com a educação. Falamos sobre a semeadura e a colheita. Não se colhe o que não se planta. A educação é o plantio. A colheita é o mundo que teremos.
Conversei com algumas crianças libanesas. Inglês perfeito. Estudam em escolas de tempo integral. Estudam, além de árabe, inglês e francês. Em escolas públicas. Perguntei sobre o salário e a formação dos professores. A resposta foi imediata: “Professor merece respeito; não somos nada sem os professores”. Os canadenses têm educação de excelente qualidade. Também os australianos. Os EUA estão em plena reforma de currículo. Querem que a educação básica tenha a mesma qualidade que suas importantes universidades.
E o Brasil? Não podemos dizer que nada foi feito. Hoje, temos quase todas as crianças dentro da escola. Mas pecamos pela qualidade. O professor está longe de ter a valorização que merece. Se entrevistarmos os alunos de ensino médio, poucos dirão que querem ser professores. O salário nada atrativo e as condições de trabalho afugentam quem teria aptidão para o magistério. Que pena! Ser professor é liderar o processo de construção do futuro, é abrir as janelas dos horizontes a serem descortinados pelos protagonistas em formação. É preciso redescobrir esses talentos.
Além disso, estamos longe de termos as nossas escolas em tempo integral. Nossas crianças deixam de aprender, não por ausência de inteligência, mas de oportunidade.
Volto ao plantio e à colheita. Se plantarmos descaso, abandono, injustiça, colheremos apatia, violência, incompetência.
A árvore símbolo do Líbano é o cedro. Dizem que uma de suas principais qualidades é crescer primeiro na raiz para se preparar para as adversidades que virão.
A educação, na família e na escola, é a nossa raiz, a fortaleza que nos fará resistentes e grandes. Preparados para protagonizar a nossa história.
Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 30/5/2014
