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Chalita: ”o ministro é o grande articulador da Educação no país”

(Portal iG)

Assim que pisar em Brasília e tomar posse como deputado, Gabriel Chalita (PSB) atenderá a convite da presidenta Dilma Rousseff para tomar um café no Palácio do Planalto. Na montagem do governo, seu nome foi cotado para a pasta da Cultura.

Ele nega. Ex-secretário de Educação, essa área será seu foco de atuação na Câmara. Chalita tem acompanhado de perto os problemas da pasta e, nesta entrevista ao Poder Online, fez algumas sugestões ao ministro da Educação, Fernando Haddad.

O sr. é da área da educação. O que está achando da atuação do ministro Fernando Haddad?

O trabalho com a educação não depende só de um ministro, depende de uma série de ações conjuntas que o país tem que fazer em termos de educação. Eu espero que o Fernando Haddad consiga, a partir de agora, unir governadores e secretários estaduais de educação. Ele tem dito isso, inclusive: que é preciso um pacto pela educação. O ministro é o grande articulador da educação no país.

Como o sr., na Câmara, vai atuar nessa área?

Durante toda a minha campanha, eu disse que um dos meus primeiros projetos seria criar uma lei de responsabilidade educacional. E o ministro já mandou a lei. Fiquei até feliz de ele mesmo ter enviado uma lei de responsabilidade educacional. E eu vou fazer de tudo para emendar essa lei, para ajudar e para dar sugestões porque acho que isso é fundamental. Até hoje, cada prefeito faz o que quer em termos de educação, cada governador faz o que quer, e o ministro sozinho não melhora a educação. É preciso conseguir empolgar prefeitos e governadores para que todos trilhem o mesmo caminho na melhoria educacional. E há questões que são simples. A questão da valorização dos professores, por exemplo, é algo fundamental. Aliás, fiquei emocionado ao ouvir o discurso da presidenta em sua posse, no Congresso Nacional, quando ela falou textualmente dos professores. Não me lembrou de ter tido isso em nenhum outro discurso de presidente.

Como o sr. viu a atuação do ministro em relação aos problemas que aconteceram na Educação?

Acho que ele está tentando resolver esses problemas. À medida que ele troca o presidente do Inep, colocando alguém que tem experiência como reitora de universidade no Rio de Janeiro, ele não está negando que os problemas existem. E isso é fundamental para quem está no Ministério. É muito ruim quando um gestor público diz “magina, isso não existe, não está acontecendo”. Ele percebe que os problemas existem e está tentando solucionar esses problemas. Mas tem que solucionar. A ideia do Enem, por exemplo, é muito boa. Ela não pode se transformar em um outro vestibular. Não pode ser um Enem só por ano. É preciso tirar essa grande força do Enem, o aluno estudando um ano inteiro só para o Enem e aí acontece algum problema. A solução seria ter, por exemplo, três versões do Enem durante o ano, para que o aluno tivesse um acúmulo de notas. Não se pode exagerar nos pesos das avaliações senão o Enem pode se transformar no que era o vestibular. As escolas deixam de ensinar aquilo que é essencial e passam a ensinar só aquilo que cai no Enem. Isso é muito ruim. Por isso, é preciso melhorar a qualidade do Enem e a sociedade brasileira sente isso.

Como o sr. pretende viabilizar sua candidatura a prefeito de São Paulo?

Acho que é muito cedo para falar de candidatura a prefeito. Estou com muita empolgação para assumir a minha cadeira de deputado. Estou cheio de projetos na cabeça para atuar. Ser eleito com meio milhão de votos dá uma responsabilidade imensa. A eleição para prefeito é só daqui a dois anos. Deixa as pessoas falarem. Agora vou trabalhar como deputado.

Dizem que o governador Geraldo Alckmin articula desde já um quadro partidário para a eleição de 2012 que lhe beneficiaria no caso de o senhor ir para o segundo turno. Isso é verdade?

Nunca conversei com o governador Geraldo Alckmin sobre isso. Tenho uma relação de muito respeito com ele, mas fui para uma outra ala política. Resolvi apoiar a candidatura de Dilma Rousseff e, evidentemente, aqui em São Paulo me mantive neutro na campanha estadual, até pela relação de amizade que tenho com ele. Estou disposto a dialogar com ele. Acho que ele é um grande gestor. Para São Paulo foi um ganho a presença dele como governador, mas hoje estou como base de apoio da presidente da República, tentando fazer uma reflexão mais nacional. A gente nunca falou sobre eleição municipal.

O sr. perdeu a disputa pela liderança da bancada do PSB?

Não. Estou chegando agora no Congresso. Houve uma discussão da bancada para eventuais nomes e o meu foi levantado, mas há quase um consenso com o nome da deputada Ana Arraes. É um bom nome, já que ela é deputada mais de uma vez. Embora não tenha tido uma reunião com todos os deputados para discutir isso, a tendência do partido é apoiar a deputada Ana Arraes.

Mas o sr não acredita que o nome dela vai deixar o partido mais concentrado no Nordeste? A ideia não era ter um nome do Sul ou Sudeste?

O governador Cid Gomes defendia isso, que o partido se abrisse mais para essas regiões. Temos ótimos nomes. Se olharmos para São Paulo, por exemplo, o PSB tem nos seus quadros a deputada Luiza Erundina, que é deputada há vários mandatos e tem uma larga experiência para isso. Há nomes no Sul também, no Rio Grande do Sul elegemos três deputados. No Rio de Janeiro e em Minas também temos nomes. Mas o Rodrigo Rollemberg, que era o líder, e agora é senador, foi conduzindo o processo e colocando a deputada Ana Arraes. A bancada tem aceitado isso com tranquilidade.

Gabriel Chalita participa de votação na Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 08/02, a Medida Provisória 502/10, que cria a Bolsa-Atleta, com voto favorável do deputado federal Gabriel Chalita (PSB/SP). O projeto cria dois tipos de bolsas: para as categorias de base (no valor de R$ 370) e para os atletas que estejam entre os 20 melhores de suas modalidades nos rankings mundiais (até R$ 15 mil).

Para candidatar-se à bolsa, é necessário ser esportista, com idade entre 14 e 19 anos, e ter obtido até a terceira colocação nas modalidades individuais, ou ser esportista de modalidades coletivas , tendo se posicionado entre os dez melhores. Já o benefício para os atletas de alta performance está vinculado à sua participação no Programa Atleta Pódio.

“É muito importante investir nos nossos atletas. O Brasil possui inúmeros talentos que precisam de mais recursos para treinar, dedicar-se exclusivamente ao esporte e ter acesso ao que há de mais moderno. Teremos Olimpíadas e Copa do Mundo em breve. Investir nos nossos atletas é contribuir para que o Brasil continue se destacando mundialmente nas mais diversas modalidades desportivas”, afirmou o deputado.

Ontem o deputado Chalita também participou, em Brasília, da reunião da bancada do PSB, onde foi debatido o aumento no valor do salário-mínimo. A Medida Provisória que trata do novo valor do salário-mínimo poderá ser votada na próxima semana.

Chalita apresenta requerimento para homenagear a Campanha da Fraternidade

O deputado federal Gabriel Chalita (PSB/SP) apresentou, no dia 08/02, junto com o deputado Nelson Pellegrino (PT/BA), requerimento para a realização de uma Sessão Solene em homenagem à Campanha da Fraternidade de 2011, de iniciativa da CNBB. A ideia é realizar o evento no período que corresponde à quaresma.

A campanha deste ano tem como tema “fraternidade e  vida no planeta” e,  como lema,  “a criação geme em dores de parto (Rm 8,22)”. O principal objetivo da campanha é contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta.

“Consideramos essencial esta Casa abraçar mais essa causa, como já foi feita em anos anteriores com outros temas, trazendo através dessa Sessão Solene uma discussão mais ampliada sobre o tema”, justificam os deputados autores do requerimento.

Gabriel Chalita toma posse como deputado federal

O deputado federal Gabriel Chalita (PSB/SP)  tomou posse,  ontem, dia 01/02, na Câmara dos Deputados, em Brasília, integrando a 54ª Legislatura, vigente de 2011 a 2014. Na cerimônia de posse, realizada no Plenário Ulysses Guimarães, estiveram presentes todos os deputados federais eleitos, entre diversas autoridades, amigos e familiares que vieram prestigiar os parlamentares.

Chalita é professor e escritor. Foi vereador pela Câmara Municipal de São Paulo, Secretário da Educação do Estado de São Paulo, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação e, agora, assume o seu primeiro mandato como deputado federal.

Eleito com 560.022 mil votos, a segunda maior votação de São Paulo e terceira do País, o deputado federal tem a melhoria da qualidade da educação brasileira como uma de suas principais bandeiras.

“Vou honrar meu compromisso com a defesa da vida, a educação e uma política feita com ética, respeito e amor. Precisamos cuidar da nossa Constituição, nossa Carta Maior, e trabalhar aguerridamente para que o Brasil tenha um salto na qualidade da educação oferecida às nossas crianças, jovens e adultos”, afirmou o parlamentar, após a solenidade.

O exagero que não educa

Por Gabriel Chalita (Revista Profissão Mestre)

As pessoas mais estudadas ou aquelas que não tiveram oportunidade de muito estudo sabem que o exagero não educa. Pais explicam aos filhos que não exagerem na comida. Faz mal. Que não exagerem no banho. É contra o meio ambiente. Que não exagerem no tempo gasto na internet. Precisamos de relações reais. Não somos máquinas. Que não exagerem nas brincadeiras ou na bebida ou nas baladas e assim por diante. 

Filhos poderiam também dizer aos pais que não exagerem nas cobranças. Criança precisa ser criança. Precisa brincar como criança. Correr como criança. Errar como criança. É um exagero exigir que uma criança tenha agenda lotada com todo o tipo de atividade que, muitas vezes, o pai ou a mãe não conseguiram ter.

O pai obeso quer que o filho seja um atleta e lamenta o fato de o seu pai não ter feito o mesmo com ele. Aulas de judô, tênis, natação, alongamento, yoga, musculação adaptada para criança, entre outros.

A mãe com dificuldade em outro idioma quer que o filho aprenda ao mesmo tempo inglês, espanhol, francês e, se possível, alemão e mandarim. E justifica dizendo que nessa fase há mais facilidade para o aprendizado de outro idioma.

O pai quer que o filho aprenda a tocar um ou mais instrumento musical. A arte é muito importante. Piano e violão são o básico. Quem sabe aprenda esses dois e mais violino e harpa. Harpa é bem interessante.

A mãe acha que para o filho se desinibir desde cedo é bom ter aulas de teatro e canto. Isso ajuda a conviver melhor e a conseguir desenvolver a oratória, tão essencial para os nossos dias.

E com todas essas atividades, é preciso encontrar tempo para terapias, as tradicionais e as alternativas para que os filhos vençam o estresse.

Enquanto isso, os pais brigam exageradamente, trabalham exageradamente, reclamam exageradamente da vida, da sorte, da condição de casado, dos filhos que dão trabalho. E o tempo passa.

O tempo da convivência vai se perdendo em exageros tantos. A infância vira uma fase de preparação para o sucesso, a adolescência também, e a juventude nem se fala. As cobranças vão trazendo uma carga absolutamente desnecessária.

E o lazer? E o entretenimento? E as conversas sem finalidade? E as brincadeiras em família? E a contação de histórias?

Brincar o dia inteiro e não estudar é tão exagerado quanto estudar o dia inteiro e não brincar.

Ficar ao computador ou em frente à televisão o dia inteiro comendo é tão exagerado quanto não sair da academia ou do clube.

É preciso encontrar o tão sonhado meio termo ensinado por Aristóteles. Sem exageros, e com serenidade, as escolhas podem ser decididas conjuntamente. As habilidades vão se desenvolvendo a partir de estudos e de brincadeiras, de cursos e de ócio. Tudo em família.

A vida tem que ser vivida intensamente em cada instante. Não viver o hoje porque o hoje é apenas uma preparação para o amanhã, um amanhã que nem sei se vai existir, é um grande exagero!

Revista Época entrevista Chalita

Chalita no ataque

O deputado federal eleito Gabriel Chalita (PSB-SP) costuma ser lembrado como um fenomenal produtor de livros. Aos 41 anos, ele é autor de 52 títulos sobre os mais diversos temas, como religião, filosofia e educação.

Nos últimos dois anos, Chalita comprovou que também pode ser considerado um fenômeno nas urnas. Em 2008, pelo PSDB, ele foi eleito o vereador mais votado de São Paulo com mais de 100 mil sufrágios. Neste ano, na sua primeira disputa para a Câmara Federal, recebeu 560.022 votos, a terceira maior votação nominal do país, atrás apenas de Tiririca (PR-SP) e Anthony Garotinho (PR-RJ).

Ao contrário de Tiririca e Garotinho, porém, a participação de Chalita na eleição continuou crescendo mesmo depois da apuração de seus votos. No segundo turno da disputa presidencial, suas aparições ao lado da então candidata Dilma Rousseff (PT) cresceram consideravelmente. Com fortes ligações no meio católico, Chalita atuou para neutralizar os ataques que a petista recebia por parte de José Serra (PSDB) e algumas lideranças religiosas. A movimentação foi tão intensa, que em determinado momento seu nome chegou a ser citado no meio político como possível ministro da Educação ou da Secretaria de Direitos Humanos no governo Dilma.

Chalita ficou conhecido na política como secretário de Educação de São Paulo na gestão Geraldo Alckmin (PSDB), de quem diz ser muito amigo. Além de escritor e vereador, ele também é professor universitário, palestrante e apresentador de programa de TV. Na Câmara, diz que pretende atuar em duas frentes: na Comissão de Constituição e Justiça e na defesa de uma Lei de Responsabilidade Educacional nos mesmos moldes da Lei de Responsabilidade Fiscal. Nesta entrevista, Chalita analisa a supervalorização do tema aborto na campanha; fala sobre sua articulação junto à cúpula da Igreja Católica a favor da candidatura Dilma; e critica o ex-correligionário José Serra, tanto pela exploração do tema aborto na campanha, quanto pelas políticas educacionais do Estado de São Paulo no período em que foi governador.

ÉPOCA – O senhor teve mais de 560.000 votos. Em São Paulo, só perdeu para o Tiririca. Como conseguiu uma votação tão grande?

Chalita – Eu tenho um trabalho muito grande com educação, né? E esse é um segmento muito leal. Os professores têm um reconhecimento pelo trabalho que desenvolvi na Secretaria (estadual de Educação, durante o governo de Geraldo Alckmin). Tive votos em todos os municípios de São Paulo.. 

ÉPOCA – E as relações religiosas, o programa de TV na Canção Nova?

Chalita – Também ajuda muito, é forte. Mas isso é mais forte fora de São Paulo. Na cidade de São Paulo mesmo não pega a Canção Nova. E tem ainda muitos votos de universitários, por causa das aulas e porque dou muita palestra em universidades. 

ÉPOCA – E como deve ser o perfil de seu mandato de deputado?

Chalita – Na Câmara Municipal, sou Caxias na questão jurídica. Estou na Comissão de Justiça. Outros vereadores dizem que eu montei um supremo tribunal da Câmara, por estudar os projetos, derrubar o que não é constitucional, tentar viabilizar sempre o que é possível, pois muitos projetos são interessantes no mérito, mas não são constitucionais. Então, com essa experiência, pretendo participar da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara também, quero ser um defensor da Constituição. Outra questão é a bandeira que eu mais defendo: se eu puder aprovar um projeto, será o da Lei de Responsabilidade Educacional. Eu vou enlouquecer as pessoas lá de tanto que vou falar nisso. 

ÉPOCA – Como é essa lei?

Chalita – É uma regra nos moldes da Lei de Responsabilidade Fiscal. Você estabelece alguns critérios que são impeditivos de modificação pelo administrador, seja municipal, estadual ou federal. Exemplo: você põe uma meta para melhorar o ensino infantil. Essa meta diz que prefeitos precisam fazer tantas creches num determinado período. Se mudar a prefeitura, o novo prefeito não pode mudar a prioridade. Ele continua com aquela meta, de X creches em tantos anos. Outro problema: salário de professor. Em todos os casos, se o sujeito não cumprir, fica inelegível. Tem de ter punição. 

ÉPOCA – O senhor é novo no PSB. Como foi parar nesse partido?

Chalita – Tem pessoas que eu admiro muito no PSB, como a (deputada Luiza) Erundina. A Erundina foi a mulher que colocou o Paulo Freire na Secretaria de Educação. Eu comecei a conversar com as pessoas do PSB, como o Márcio França (deputado), e quis conhecer o Eduardo Campos (governador de Pernambuco), que é o presidente do partido. No nosso primeiro encontro, em Brasília, toda nossa conversa foi sobre educação. Eu estava conversando com outros partidos também, com a Micarla (prefeita de Natal, pelo PV), com a Marina (Silva). Mas tudo que ele (Campos) falava sobre educação, o Roberto Amaral também, me empolgava cada vez mais. 

ÉPOCA – Por que você saiu do PSDB? O que determinou?

Chalita – Fiquei 20 anos lá, desde o Montoro. Entrei quando tinha 19 anos. Olha, a minha vida é uma vida de educador: sou professor, educador, trabalhei fora do Brasil, dentro do Brasil, fui secretário de Educação, presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) por dois mandatos, o que foi inédito, inclusive com o apoio de secretários do PT. No Consed, defendemos a permanência do ministro Fernando Haddad quando o Tarso Genro saiu e tudo mais. Então eu sempre tive uma visão muito técnica dessa questão. E minha presença na política é a presença de quem defende um sonho ligado à educação. Quando o Serra assumiu o governo de São Paulo, todo esse sonho da educação foi ruindo. A gente teve uma gestão marcada pela relação harmoniosa com a rede. Não tivemos problemas com os professores. O que a gente fez do ponto de vista da técnica da aprendizagem, de pagar mestrado, de formação de professores, de levar para cinema, teatro. Um foco era formar professor, valorizar professor. Outro foco era abrir as escolas nos finais de semana, na visão de que o processo para redução da violência passa pela educação. E isso deu resultado, São Paulo recebeu prêmios internacionais. Então ele (Serra) mexeu na parte de formação dos professores, ele foi fechando as escolas nos finais de semana, foi fechando as escolas de tempo integral… 

ÉPOCA – Mexeu na formação de professores?

Chalita – Ele parou de investir, parou com a bolsa mestrado, parou de dar formação para os professores em faculdade e diminuiu substancialmente o que se investia. A gente gastava R$ 140 a R$ 150 milhões por ano com formação e ele passou a gastar R$ 40 milhões. Programa a programa foi se desfazendo. Eu não conseguia entender. Eu estava no PSDB e tentava mostrar que isso estava estragando a educação em São Paulo. Ele teve que trocar três vezes de secretário da Educação, né? E uma guerra com professores, que eu não entendia a justificativa. Eu tentava discutir isso dentro do PSDB. Mas como o Alckmin estava enfraquecido naquele momento, eu não tinha nem fórum para essa discussão. Antigamente eu era convidado para participar de todos os congressos do PSDB sobre educação, a partir disso eu não falava em espaço nenhum. Eu era convidado até por outros partidos para discutir educação, mas dentro do PSDB eu não era mais ouvido. 

ÉPOCA – Na campanha desde ano, Serra citou a educação na propaganda. Ele dizia que colocou dois professores por sala.

Chalita – É… ai… Eu acho que não resolveu, né? A educação foi um dos pontos mais críticos na campanha dele e na campanha do Alckmin para governador. Se você olhar o último Datafolha do Alckmin, a área melhor avaliada foi educação. Naquela eleição, o tema era pedágio, outras coisas, nem se falava em educação. E agora voltou com carga total, por essa dificuldade de dar continuidade em políticas públicas. Olha, eu não tenho raiva de ninguém, tenho relações excelentes com o PSDB, meu dou muito bem com o Alckmin, me dou bem com o Aécio, com o Perillo, com o Anastasia, que é um gestor público de primeira grandeza, tenho a melhor das impressões do Beto Richa, uma relação muito boa com deputados do PSDB. 

ÉPOCA – Como foi sua participação na campanha de Dilma? Sua presença cresceu no segundo turno, né? Quem chamou?

Chalita – A Dilma chamou, o Gilberto Carvalho chamou, o Palocci. Mas a gente conversava desde antes do primeiro turno sobre temas: temas que são relevantes para a educação, os direitos humanos, a igreja. 

ÉPOCA – Mas intensificou.

Chalita – Intensificou. No final do primeiro turno teve uma reunião com várias lideranças religiosas. Eles (os organizadores da campanha) tinham uma preocupação maior com os evangélicos. As pesquisas mostravam que era o voto evangélico que estava migrando de uma forma muito forte. Aí me convidaram para discutir sobre esses temas, como aborto, ver o posicionamento que a Dilma tinha, fazer uma ponte com grupos religiosos. Mas de uma forma tranqüila: o que a gente pode fazer para levar a verdade a essas pessoas? Não eram reuniões para maquiar o que ela pensava. Era para que ela dissesse assim: “olha, isso que as pessoas estão dizendo não é real, eu não vou mudar a legislação, aliás, isso (aborto) é uma discussão do Congresso; a minha discussão é cuidar da mulher que fez, melhorar a saúde pública do Brasil”. Ai eu comecei a participar mais intensamente. Eu falava com alguns bispos assim: “O que você quer que a Dilma esclareça? O que você acha importante?”. 

ÉPOCA – Falou com muitos bispos nesse período?

Chalita – Eu tenho uma relação grande com muitos bispos o tempo todo, né? Ontem mesmo, no meu programa de televisão, entrevistei um bispo da Pastoral da Sobriedade, Dom Irineu Danelon, sobre um dos temas que preocupam muito a Dilma, o crack. Esse é um tema que ela quer ouvir o tempo todo. Então eu apresentei esse bispo a ela. Olha, antes do primeiro turno, a gente levou a Dilma numa reunião em Brasília que tinha uns 30 bispos. Ela conversou com alguns, bateu papo. Ela também falou com o arcebispo do Rio de Janeiro no começo do segundo turno. E muitas outras pessoas faziam essa ponte, né? Bispos, inclusive. O Dom Demétrio, aqui em São Paulo, teve um trabalho fundamental. 

ÉPOCA – E dava para desarmar os bispos?

Chalita – Alguns bispos desarmavam outros bispos. 

ÉPOCA – O tema que preocupava era sempre o aborto?

Chalita – Sempre aborto. Para os bispos, o mais forte era aborto. Para os evangélicos, entrava a questão da união civil de pessoas do mesmo sexo. Os católicos não falavam muito nisso. Para eles (os bispos), era liberdade religiosa, liberdade de imprensa e aborto. 

ÉPOCA – O Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, se envolveu muito na campanha contra a Dilma. O senhor falou com ele também?

Chalita – Ele foi o que mais se envolveu. Eu falei com ele por telefone. Ele estava muito nervoso, assim… Eu tenho muito respeito por ele, mas… Ele disse que eu não deveria apoiar a Dilma; e eu disse que não estava apoiando a Dilma naquele momento, não comecei naquele momento. Aí citou um boato, que eu estava apoiando em troca de um ministério. Eu falei “não, não, eu apóio a Dilma desde quando ela estava com 8% nas intenções de voto, não tem nenhuma promessa de ministério, nada disso”. 

ÉPOCA – No saldo final, entre os bispos, deu mais Dilma ou mais Serra?

Chalita – Mais neutro. É impossível saber. Entre os que se manifestaram no final, mais Dilma. 

ÉPOCA – O senhor acha que essa discussão sobre aborto e saúde da mulher deve continuar?

Chalita – Não. Repare como essa rede de boataria era ruim: era uma rede para fazer alguém perder a eleição. Agora, neste momento, ninguém está tratando disso. Até porque ela (Dilma) não vai tratar disso, é o Congresso. Isso mostra o artificialismo do que ocorreu na campanha. 

ÉPOCA – Na sua opinião, qual foi a influência da questão religiosa na decisão do eleitor?

Chalita – O debate religioso forçou o segundo turno. Foi um dos elementos que ajudaram nisso. Acho legítimo a igreja participar da discussão política, tem temas caros a ela. Mas que o ruim foi a forma como esses temas entraram, com essa rede de boataria e a tentativa de desqualificação das pessoas. Não era a discussão de um tema, mas a tentativa de desqualificar uma candidatura ligada a um tema. E de uma forma inapropriada. No início, eu via muitos e-mails de entidades religiosas que não existiam. Depois, outras entidades religiosas reais replicavam essas mensagens. Foi aí que começou a pegar. 

ÉPOCA – Foi um movimento espontâneo?

Chalita – Não, isso não nasce espontaneamente. Algum grupo articulou para utilizar o tema. Há outros temas que eles utilizaram, mas não pegaram. Este pegou. 

ÉPOCA – O que mais te impressionou?

Chalita – Tinha imagens de crianças mortas, restos de corpos que estavam em gestação, e a pergunta: “é isso que você quer para o Brasil?”. Ou “o país do futuro é o país que mata criança?”. Cada dia eu recebia um diferente. Chegava um momento em que parecia que era uma proibição do nascituro no Brasil. Não era uma discussão de saúde pública. Virou um ódio. Era difícil dialogar com essas pessoas. Empobreceu um tema que tem de ser discutido. 

ÉPOCA – Qual é a sua posição sobre o tema?

Chalita – Sou contra o aborto. Mas sou uma pessoa muito preocupada com essas mulheres que são vitimadas por fazer aborto de uma forma totalmente inapropriada. Sou contra, mas e depois que a mulher faz o aborto? Você socorre ou não socorre? Olha só: se um cara participa de um tiroteio, comete um homicídio, mas cai ferido, você cuida dessa pessoa. O Estado cuida. E essa mulher que fez aborto, você não cuida? Então você poderia discutir isso de forma muito mais racional, inteligente, ouvindo todos os lados. O ruim foi tentar colocar ódio nas pessoas. 

ÉPOCA – O senhor responsabiliza alguém por ter conduzido o debate dessa forma?

Chalita – Seria muito irresponsável atribuir a alguém que você não sabe quem é. Mas, olhando ali, era alguém que estava dentro do processo eleitoral. Eu acho que a Marina não foi, né? E a forma como usava? A forma como o Serra usou isso na campanha eleitoral não combina nem com a biografia dele.

Fonte: Revista ÉPOCA

Comissão analisa projetos

O vereador Gabriel Chalita participou, nesta quarta-feira (08/12), da reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa, da Câmara Municipal de São Paulo. Na ocasião, foram analisados os pareceres de 34 projetos.

Desse total, foram aprovados os pareceres de legalidade e constitucionalidade de 8, enquanto 26 tiveram votação adiada para próxima reunião.

Foram aprovados os pareceres de legalidade ou constitucionalidade dos seguintes projetos:

PL 659/09, do vereador Ricardo Teixeira (PSDB);

PL 405/10, do vereador Chico Macena (PT);

PL 428/10, do vereador Aurélio Miguel (PR);

PL 431/10, do vereador Souza Santos (PSDB);

PL 339/10, do Executivo;

PL 450/10, de autoria do vereador Marcelo Aguiar (PSC),

PL 286/10, do vereador Marcelo Aguiar (PSC),

PL 327/10, do vereador Jamil Murad (PCdoB).

Participaram da reunião os seguintes vereadores: Ítalo Cardoso (PT), Aurélio Miguel (PR), Floriano Pesaro (PSDB), Celso Jatene (PTB), Netinho de Paula (PCdoB), Gabriel Chalita (PSB), Abou Anni (PV) e Ushitaro Kamia (DEM).

A construção do conhecimento

Por Gabriel Chalita (Revista Profissão Mestre)

Tenho vivido lindas experiências de construção de conhecimento a partir das vivências dos meus alunos. Acredito que todo professor deva se preparar para as aulas. Deva ter um caminho previamente refletido para caminhar com seus alunos. Por outro lado, todo professor deve ter a abertura para o novo. No caminho, surgem paisagens inesperadas. E não há por que ter medo delas.

Em uma aula para o curso de direito, uma aluna, logo no início, disse que estava muito triste. Eu ouvi o lamento, mas continuei o que havia preparado. Falava de Kelsen e de alguns aspectos do positivismo jurídico. A aluna, inconformada, protestou: 

– Poxa, Chalita! Você não se incomodou com a minha tristeza?
– Sim, vamos falar depois sobre isso.
– Depois, não. Eu quero falar agora!
– Agora?
Olhei para os quase 90 alunos que lotavam a sala.
– Agora!
Ela insistiu. E prosseguiu.
– Para de falar o que você está falando e fale o que todo mundo quer saber. O que todo mundo quer entender.
Perguntei:
– E o que todo mundo quer saber?
Ela foi taxativa:
– Por que é que homem não presta? Sim, por que homem não presta?
– Homem não presta?
– Não presta, professor! Posso contar o que o meu namorado fez comigo?
Sem que eu dissesse ‘sim’ ou ‘não’, ela se entusiasmou a falar e, ao final, exclamou:
– E o pior é que é o oitavo namorado que faz isso comigo. O oitavo!
– Sei.
Antes de qualquer reflexão, um aluno pediu a palavra e eu consenti.
– Tudo bem que tem homem que não presta. Mas tem mulher que não presta também. Posso falar da minha ex-namorada?

Àquela altura, só podia dizer que sim.
Passados esses desabafos, aproveitei para explicar a paixão. A aula era de filosofia do direito. E o tema da paixão interessa tanto à filosofia quanto ao direito. Dez mulheres são assassinadas por dia no Brasil em crimes passionais. São maridos, amantes, ex-maridos, ex-amantes, namorados, padrastos, tios, amigos que se acham no direito de “matar por amor”.

Convidei os alunos a fazer uma reflexão sobre o conceito de paixão na obra “O Banquete” de Platão. Falamos de Penia, deusa da penúria, e de Poros, deus do engenho. Da fragilidade e da fortaleza da paixão. Falamos de algumas histórias de paixão da literatura e da vida. O triste desfecho de Tristão e Isolda. O amor projetado de Dante em Beatriz. As cartas de dor e de amor de Soror Mariana do Alcoforado. Trouxemos exemplos recentes amplamente divulgados pela mídia para compreender o que dá a alguém o direito de destruir o outro ou os sentimentos do outro. E, ainda, o que faz com que alguém insista em repetir os erros do amor, sem amor.

Brinquei com minha aluna. Seriam os homens que não prestam ou suas escolhas que não prestam? Por que insistir nos mesmos erros? Por que mendigar afeto?

Falamos de Sartre e da genial obra “Entre quatro paredes”. “O inferno são os outros”, porque projetamos nos outros a nossa realização. E isso é injusto conosco mesmos.

E voltamos para Kelsen. Para o conceito de justo e de injusto. Para o diálogo tão necessário entre o saber e o viver.

Os professores não têm de temer essa fascinante experiência de construir o conteúdo a partir da vida. Evidentemente, não se pode vulgarizar o conhecimento. Não teria sentido se eu colocasse em votação as questões iniciais: homem não presta? mulher não presta? O conteúdo ajuda a percorrer com mais pertinência esses tênues caminhos da vida.

É preciso usar o conhecimento para iluminar a vida!

A fé e a saudade convivem

Por Gabriel Chalita (Revista Canção Nova)

Dias desses, fui ao velório da mãe de um amigo. Ela morreu apos meses de internação. Tinha mais de 90 anos. Meu amigo abraçou-me demoradamente e chorou em meu ombro a saudade. Disse, entre prantos: “Meu pai já foi, meus dois irmãos morreram e, agora minha mãe”. Ouvi seu lamento sem praticamente nada dizer. Apenas a linguagem do abraço e do olhar. “Nos momentos mais difíceis da minha vida, era no colo dela que eu deitava. E ela calmamente brincava com os meus poucos cabelos.” E prosseguiu: “Será difícil voltar para casa e arrumar as suas coisas”.

Meu amigo é padre. Logo depois chegou o bispo e mais alguns padres. E rezaram juntos. E cantaram. E, cheios de fé, entregaram aquela mulher aos braços do Pai. Meu amigo padre tem muita fé. E tem saudade também. A fé e a saudade convivem. A experiência da despedida é sempre dolorosa. A riste consciência de que os abraços, os olhares, as conversas, a convivência, enfim, acabaram.

Vivi isso nas tantas despedidas de minha vida. Meu pai, meus irmãos, meus avos, tios, amigos. Chorei com os meus. Consolei os meus e, por eles, fui consolado. Muitas vezes, ofereci o colo para que minha mãe chorasse. E depois revezamos. E depois levantamos. E, apesar da dor prosseguimos.

A dor é uma experiência humana. É necessária. Ela tem um poder impressionante de melhorar algo em nós se nos abrirmos para esse aprendizado. Quando saí do velório, liguei para minha mãe e renovei todo carinho e amor que tenho por ela. Fiquei imaginando que as palavras não ditas se perdem em algum lugar difícil de encontrar.

Quantas historias de remorso, arrependimento tardio das despedidas que não aconteceram! Brigas tolas. Problemas acidentais. Emoções travadas. E desperdiçamos o tempo de delicadezas.

Faço um convite a você que tem pai e mãe, que tem irmãos e amigos, que tem filhos. Não economize nos sentimentos de afeto. Convide o perdão a morar em sua casa. Peça à vingança, ao egoísmo e a raiva que se retirem. Aproveite o tempo precioso para dizer “eu te amo” a quem você realmente ama.

Meu amigo padre voltou para sua casa. Com certeza, rezou para que Deus acolhesse sua mãe. Talvez tenha sentado no sofá em que tantas vezes ela o acolheu e chorou a saudade incômoda. É assim mesmo! Até a eternidade.

Chalita escreve mensagem de final de ano em artigo

Por Gabriel Chalita

Coração Novo

Estamos acostumados aos rituais, às comemorações, às celebrações. Quando um ano se encerra e outro se inicia, celebramos o dia da paz, a confraternização entre os povos. Quando um novo ciclo se inicia, somos convidados a renovar algo em nós. Quem sabe, neste novo ano, possamos ter um coração novo.

O coração é a metáfora dos sentimentos, das intenções. Um coração envelhecido é aquele que desistiu de amar, que não acredita na humanidade e que, consequentemente, se fecha. E é, por isso, solitário. A solidão pela ausência do amor envelhece o coração.

As desculpas para um coração envelhecido recaem nas decepções com as pessoas que amamos. Reclamamos dos erros dos outros, lamentamos as atitudes incorretas dos nossos irmãos e, assim, optamos pelo fechamento. Vivemos condenando nossa triste situação. Pais, filhos, amigos, parece que não há ninguém de valor ao nosso lado. Pensamos como seria bom se eles mudassem, se eles melhorassem.

No ano que passou, vivi momentos de muita emoção. Um deles ao lado do meu querido irmão Dunga. Eu fazia uma pregação em um grupo de oração em Presidente Prudente. Enquanto isso, ele compunha o refrão de uma música. A reflexão era sobre as mudanças que temos de fazer para que nosso irmão seja mais feliz.

E o refrão diz exatamente isso: Quem tem que mudar sou eu para que você seja mais feliz.

Eu escrevi o restante da música que fala em aprendizado, em perdão, em saber ouvir, em lembrar que não há ninguém perfeito. E que, talvez, precisemos do tempo da boa ingenuidade de volta, do sorriso leve, dos sonhos dos primeiros encontros.

O tempo pode ser uma boa escola. A tolerância, o respeito às limitações do outro e às nossas próprias limitações, a bondade no julgar. É uma lição de vida a reflexão de Madre Teresa de Calcutá: Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.

Às vezes, os pais exigem dos filhos algo que não podem dar. O inverso é verdadeiro. E na relação entre o casal também. Cada ser é único. E talvez grande parte dos erros, dos equívocos, não sejam intencionais. Meu irmão, não espere que o outro mude. Mude você. Diga à pessoa que você ama:
Quem tem que mudar sou eu para que você seja mais feliz.

E se precisar, complete com Madre Teresa: não vou perder tempo te julgando, quero gastar esse tempo te amando. E é esse o convite para o novo ano. A consciência de que a sua família será melhor se você for melhor. Que o seu trabalho será melhor se você for melhor. Que o mundo, esse grande coração que pulsa, será renovado se o seu coração for renovado.

Feliz ano novo, feliz coração novo.