A vaidade é um tema recorrente para muitos estudiosos do comportamento humano.

É um termo bíblico, também, “vaidade das vaidades”. Tudo, quando é vaidade, traz enormes riscos. Montaigne adverte que a vaidade nos leva à precarização de nós mesmos. Nos exageros, nós nos perdemos.

O que é a vaidade?Vaidade vem de vazio, vem do que é vão, do que é ilusório. A vaidade é a supervalorização da aparência em detrimento da essência.

O vaidoso busca um aplauso constante. Ele precisa ser admirado pelo outro o tempo todo. Pelo seu físico. Pela sua eloquência. Pela sua perfórmance intelectual.

O vaidoso tem dificuldade em ver alguém elogiando outra pessoa. É como se algo cortante o incomodasse: “O que o outro tem que eu não tenho?”. O vaidoso tem uma tendência a errar mais, porque fica cego diante de si mesmo.

O artista vaidoso não tem a generosidade de compreender que nem sempre ele será o mais aplaudido do grupo.

O político vaidoso é incapaz de enxergar outros políticos ou outras pessoas. Pensa que o mundo gira em torno do seu umbigo. Um amante vaidoso não percebe os desejos do seu amor. Preocupa-se apenas consigo mesmo.

Um amigo vaidoso tem dificuldade de prosseguir na amizade. Abraçar-se a si mesmo é como não abraçar.

Evidentemente, estamos falando sobre a vaidade – vício. Sobre a doença. Sobre a ausência de humildade, de comedimento. Há aqueles que se envaidecem na medida certa pelas conquistas que exigiram muita dedicação. Não há mal algum nisso. O que se lamenta é o exagero. É a incompreensão diante do tempo e do envelhecimento, por exemplo.

Há beleza em todas as idades. Cuidados ajudam. Escravidões atrapalham.

Quem quer experimentar a liberdade precisa entender um pouco mais da vaidade, para dela se defender.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 11/11/2016

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