Dia 13 de maio, como acontece todos os anos, foi o dia em que cristãos de várias partes do mundo celebraram a festa de Nossa Senhora de Fátima. Ocorre que, em 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceu a três crianças que pastoreavam um rebanho – Lúcia, Francisco e Jacinta -, na Cova da Iria, um bairro da freguesia de Fátima, em Portugal. E continuou a aparecer nos meses seguintes. Sempre no dia 13, com exceção do mês de agosto porque as crianças estavam presas. Nesse mês, ela apareceu no dia 19. Os homens da época desconfiaram das crianças. Por que Nossa Senhora escolheria crianças para trazer sua mensagem? E crianças pobres? Por que não revelaria seus segredos aos doutos das leis? Por que não falaria diretamente àqueles que tinham o poder de acabar com a guerra? A guerra que, em qualquer tempo, dilacera pessoas e sentimentos. A guerra que demonstra a incapacidade de solucionar conflitos com a inteligência. A guerra que apresenta nossa covardia. Quantas guerras se sucedem nas violentas relações entre as pessoas, inclusive dentro dos lares? Somos nós, adultos, que toleramos menos os nossos semelhantes. Nós, preenchidos por preconceitos e por pouca compaixão.
Maria escolheu os pequenos. As crianças, puras e verdadeiras. Os que não estavam viciados pelo poder. Os que tinham olhos de ver e mentes abertas para a luz que os iluminou. O clarão talvez cegasse os olhos céticos dos que se sentem acima do bem e do mal, senhores da razão. Os pequenos brincavam na terra. Riam. Corriam. E preenchiam-se uns dos outros, sem nenhuma preocupação em nada receber. Receberam a linda mensagem. Entraram para a história. Simples. Anunciadores de um anúncio.
É preciso rezar mais e guerrear menos. Amar mais, compreender mais, para experimentar, já aqui, as delícias do Céu. Que é abertura e não fechamento. Abertos pela simplicidade, as crianças acolheram Nossa Senhora e sua mensagem. Os pequenos têm muito a nos ensinar.
Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 15/05/2015
