Aplausos para o cinema nacional

Ao longo de sua história, o cinema brasileiro experimentou períodos de glória e declínio. Cenário de interessantes produções – como do belo Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, ou do pungente Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha –, ele foi, por algum tempo, solenemente desprezado pelo grande público. O problema nunca se referiu à falta de capacidade de roteiristas, diretores, atores e todos os outros profissionais envolvidos na produção dos filmes. A questão era outra: a insuficiência de recursos.

Felizmente, no entanto, a gradual elevação dos investimentos no setor rompeu esse difícil ciclo, fazendo com que as produções crescessem em número e em qualidade. Profissionais como Guel Arraes, Walter Salles e Fernando Meirelles contribuíram para o renascimento do cinema nacional, coroado aqui e no exterior. As listas dos filmes mais vistos no País, antes dominadas pelas superproduções estrangeiras, passaram a trazer, lado a lado, títulos brasileiros.

No último fim de semana, pude comprovar esse fato ao assistir ao filme Minha Mãe É uma Peça. A comédia de Paulo Gustavo, baseada em um monólogo que ele mesmo levara ao teatro, é sensacional. A aceitação do público foi tamanha que, numa cena pouco comum, os espectadores aplaudiram a produção de pé.

O filme conta a história de uma típica família brasileira. Dona Hermínia, interpretada pelo próprio diretor, resolve sair de casa após o divórcio e uma vida de devoção aos filhos. Está criada a confusão. 

Com obras de forte caráter experimental, ou engajadas em questões sociais, ou despretensiosas e divertidas, o cinema brasileiro vive uma fase de ouro – gerando cultura, empregos e desenvolvimento para o País. Minha Mãe É uma Peça comprova essa rica diversidade de temas e estilos, capazes de agradar às mais diversas plateias. Que o cinema nacional tenha vida longa e próspera. Nós, espectadores, agradecemos.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)

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