Entrevistei para o meu programa de TV, “Mundo Melhor”, na Rede Vida, o médico e cientista Paulo Saldiva. Falamos sobre diversos assuntos, ele é um dos maiores especialistas do mundo em meio ambiente e em doenças advindas da poluição.
Falamos sobre o amor pela cidade de São Paulo e pelas veias de dor que percorrem essa cidade. Da violência à ausência de calçadas. Do pouco verde ao abandono do centro. Da saúde precária. Dos invisíveis. Mas falamos também de esperança.
Quando perguntei a ele quais eram as principais qualidades que um médico deveria ter para realizar com dignidade o seu ofício, ele foi preciso. Um médico precisa ter compaixão e generosidade.
Compaixão é se colocar no lugar do outro. É sofrer o sofrimento do outro. Paixão é sofrimento. Compaixão é compreender, compartir esse sofrimento. Um médico não pode ser insensível. Não pode se tornar distante de seu paciente. Cada paciente é único. Tem uma história, uma família, medos, sonhos, aspirações. E, aí, vem a segunda qualidade, a generosidade. Se um médico tem a compaixão de compreender o que passa o seu paciente, ele deve ter a generosidade de dar o melhor de si para aliviar essa dor. De se fazer inteiro em cada consulta, em cada cirurgia, a cada momento em que tenha o poder de acalmar as angústias de quem sofre.
Dar o melhor de si significa ser competente na ciência e humano na vida. O paciente precisa do remédio certo, da intervenção correta. Mas precisa, também, de afeto, de consolo, de presença. Como é bom ir a um médico que nos olhe nos olhos, que nos ouça com atenção, que nos explique nossos problemas e que nos apresente alternativas. Que gaste tempo conosco. Como é um bom ir a um médico que goste de ser médico e que compreenda a responsabilidade e o poder da sua profissão.
Compaixão e generosidade. Essencial para os médicos. E, também, para os professores. Para os juízes. Para os taxistas. Para os artistas. Para os jornalistas. Para todos nós, os viventes.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 14/3/2014

Dentro de quatro a seis anos, cerca de um milhão de educadores vão se aposentar nos Estados Unidos, segundo projeções. O governo americano lançou, em parceria com o sindicato dos professores e outras entidades, a campanha “Make more – Teach” (Faça mais – Ensine). O objetivo não é apenas preencher as vagas que serão criadas, mas atrair talentos da nova geração. Nos vídeos, a figura do professor é comparada à de presidentes de empresas privadas e à de técnicos de futebol, que assim como ele, precisam de forte capacidade de liderança para conquistar resultados em grupo. Também é enfatizada a forte influência que os mestres exercem sobre os alunos, o que pode fazer deles inesquecíveis, algo mais importante que a fama, segundo a campanha.
Em meio a pressões para modificar o dispositivo da lei que determina que o valor do piso salarial nacional dos professores da educação básica pública seja atualizado anualmente, a Comissão de Educação, presidida pelo deputado federal Gabriel Chalita, publicou um manifesto em defesa do professor e de alternativas que não representem um retrocesso à Lei do Piso, aprovada em 2008. Estados e municípios apontam limitações fiscais para o cumprimento da lei, porém, a manutenção do piso salarial é um passo fundamental na valorização do magistério. Por esse motivo, a Comissão de Educação considera como inaceitável qualquer proposta que restrinja os avanços promovidos pela lei. Para debater sobre essa questão, os parlamentares sugerem que sejam buscadas alternativas que não gerem prejuízos ao professor.