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As crianças que não voltaram

Não conheço as crianças mortas em uma escola no Paquistão. Não sei sequer os seus nomes. Não conheço suas famílias, suas casas. Como não conheço os professores também mortos nesse horrendo atentado. Mas sei de algumas coisas. Vivemos em um mesmo mundo, em uma mesma época. O Sol que aquece esse lado é o mesmo que aquece o outro lado. A Lua que nos inspira a escrever, a namorar, certamente inspirou os seus pais, em algum momento, mas não inspirará essas crianças que, em um dia comum, saíram de casa para aprender algo bom e não voltaram.

A dor dessas famílias não se descreve em pedaços de papel. Os quartos com os ausentes. As lembranças de ontem, quando eles ainda estavam ali, alimentando de vida os seus, prometendo cumprir o ofício de crescer e de prosseguir, mesmo diante de alguns percalços em uma região tão triturada pelo desamor. Crianças, apenas. É o que eram. Vítimas de radicalismos, de ódios que segregam, de bestialidade humana. Não há religião que justifique ações dessa natureza.

Imagino os professores em suas salas de aula. Cada qual ensinando o que lhe competia. Dizendo sobre histórias, geografias, letras, números, gentes. Olhando para os seus alunos e oferecendo a eles o conhecimento como passaporte para dias melhores. Escolheram ser professores por fazerem uma opção pela vida, por acreditarem na generosidade dos saberes e dos encontros. Foram-se eles também. Prematuramente, partiram sem entender as razões. Razão não há para atitudes assim. Nem lá. Nem aqui. Nem em qualquer tempo ou espaço. É de vida que precisamos. E a vida se plenifica na paz. A paz que nasce no coração dos homens e que harmoniza a convivência.

Que as crianças que não voltaram nos alimentem de intenções e de ações de amor. Ou isso ou a barbárie.

Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 19/12/2014
 

 

 

 

Aprendendo com as crianças

Erra quem imagina que uma criança é uma tábula rasa ou um depositório de verdades construídas pelos adultos. Erra quem julga que uma criança pouco entende. E erra, mais ainda, quem pensa que uma criança nada tem para ensinar.

A criança recebe dos adultos uma série de informações, por isso os afetos, a atenção, os estímulos são tão importantes. Entretanto, esse fluxo de informações vai ganhando significado, a partir das reações que as crianças vão tendo com o mundo.

Um vídeo, publicado no Youtube há alguns meses, já chegou a mais de 3 milhões de visualizações e exemplifica, com propriedade, esse conceito. O garotinho Luiz Antônio, de apenas 4 anos, diz à mãe que não quer que matem os animais. Que precisamos protegê-los. A conversa começa de forma simples, com a mãe falando sobre o nhoque, o arroz e o polvo. A criança quer saber se o polvo que está em seu prato morreu. O vídeo é muito singelo e significativo.

Sem entrar em detalhes sobre a crueldade contra os animais, há algo profundamente relevante que nos deve servir de ensinamento. Por que, com o tempo, vamos perdendo a sensibilidade da infância, vamos perdendo a capacidade de indignação diante do erro, vamos nos acostumando com o malfeito?

Se não tivermos sensibilidade com os animais, não teremos com os nossos irmãos. E é isso o que vem acontecendo. As misérias humanas não nos surpreendem mais. Acostumamo-nos com a maldade, com a mentira, com a injustiça, o que é triste e demonstra que estamos negando nossa própria essência. 

Valores como generosidade, companheirismo, respeito e compaixão é que nos trazem a felicidade. Por que falamos tão pouco sobre eles? Por que nos vestimos de arrogância e saímos a julgar os outros ou, simplesmente, a desprezar aqueles que não nos interessam?

Voltemos à criança. À beleza de ter um mundo de esperança. De confiar. De revelar os sentimentos. De chorar e rir sem o incômodo das máscaras.

Acerta quem quer permanecer com os bons sentimentos de uma criança. Que a inocência, apesar das dores e dos anos vividos, não nos abandone. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 14/2/2014

“O livro dos valores para crianças” em destaque

O jornal “Hoje em Dia”, em uma de suas edições do mês de novembro,  destacou a beleza das mensagens que podem ser encontradas na mais nova obra de Gabriel Chalita, O livro dos valores para crianças.

A matéria, de Beth Barra, mostra como o livro pode agradar “gente grande e pequena”. Além da reflexão sobre valores essenciais como amizade, respeito, generosidade, humildade, responsabilidade, coragem e amor, a jornalista ressalta como, para ilustrar cada tema, o autor foi feliz na escolha de poetas, dramaturgos e pensadores clássicos.

Clique aqui para ler a reportagem completa.

 

Fonte: Assessoria de imprensa | Data: 28/11/2013