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Balanço da Educação

Maria Cristina Siqueira O governo encerra o segundo ano de mandato sem cumprir as metas sociais anunciadas na campanha presidencial de seu partido, o PT. No campo educacional, o Fundeb ainda é uma esperança para o ensino básico, e a expectativa de mais vagas no ensino superior – que está sendo atendida – veio pelo atalho inesperado da iniciativa privada, contrariando as expectativas de amplos setores da população, que conservavam a crença de que caberia a um governo trabalhista se mobilizar pelo aumento da oferta nas universidades públicas. Para que passassem suas impressões sobre o ano educacional, FOLHA DIRIGIDA ouviu alguns representantes deste segmento.

O professor e deputado petista Carlos Abicalil destacou que o ano de 2004 foi marcado pelo aprofundamento do debate sobre questões relevantes; o ex-ministro Cristovam Buarque lamentou a falta de ações dirigidas ao ensino básico e o ex-ministro Paulo Renato, embora tenha comemorado a manutenção do Enem, disse que foi um ano de frustração. O ex-ministro da Educação destacou a descaracterização do Provão como uma das principais causas de sua decepção. Na avaliação externa, no entanto, a educação não se comportou tão mal. Jorge Werthein, da Unesco, embora tenha sustentado que ela ainda não é prioridade no país, destacou as mobilizações sociais e governamentais pelo Fundeb e Prouni. Para ele, o Fundeb contribuirá para aumentar o acesso e melhorar a qualidade.

Pensamento compartilhado pelo credor Vinod Thomas, do Banco Mundial. Vinod destacou que a inclusão da educação infantil no Fundeb, argumentando que isso terá um grande impacto no desenvolvimento das crianças. O tucano e presidente do Consed, Gabriel Chalita, optou por falar das medidas internas de sua gestão na Secretaria de Educação do estado de São Paulo. Nicolas Davies poupou críticas ao Fundeb, embora sua área de especialidade seja investimentos em educação. Ele preferiu destacar o Congresso Nacional de Educação (Coned), realizado em maio, em Recife, como o grande evento de 2004. Veja, na seqüência, os depoimentos colhidos pela FOLHA DIRIGIDA. Gabriel Chalita Presidente do Consed e secretário de Educação do Estado de São Paulo “Na capacitação de professores, que é a primeira urgência da rede estadual paulista, foram investidos em 2004 mais de R$ 111 milhões em instrumentos como a Rede do Saber, Teia do Saber, vídeo e teleconferências. Mais de 2 mil professores estão recebendo bolsas de mestrado, no valor de R$ 720 por mês e quase 100 mil professores receberam ajuda financeira, no valor de R$ 1 mil, para compra de computador para preparo de aulas em casa.

O restante do valor de cada computador foi financiado pela Nossa Caixa, a juros subsidiados. O governo do estado de São Paulo também fez um concurso histórico e estamos contratando 49 mil professores. Mas a realização de maior impacto social foi a consolidação do Programa Escola da Família, que abre todas as escolas estaduais nos fins de semna para os alunos e para a comunidade. Em 2004, mais de 70 milhões de pessoas participaram de atividades educacionais, esportivas, artísticas e profissionalizantes nas escolas de São Paulo. Jorge Werthein Representante da Unesco no Brasil “Em 2004, foram várias as iniciativas dos governos e da sociedade civil, promovidas para apoiar e melhorar a qualidade da educação brasileira.

Entre as realizações mais importantes, destaco a proposta do MEC de criação do Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Trabalhadores na Educação (Fundeb), que contribuirá para assegurar o acesso à educação básica, reduzir as desigualdades e melhorar a qualidade do ensino. O Programa Universidade para Todos (Prouni), também do MEC, de concessão de bolsas de estudo para cursos de universidades privadas, é outra importante medida, por permitir o ingresso no ensino superior de estudantes de camadas mais desfavorecidas da população. Também citaria o Programa Diversidade na Universidade, que promove a inclusão social e combate a exclusão social, étnica e racial, ao possibilitar que jovens das populações afro-descendentes e indígenas também tenham acesso à universidade.

O governo federal, em parceria com a Unesco, também lançou o programa nacional Escola Aberta que consiste na abertura de escolas públicas nos finais de semana para atividades esportivas, recreativas e culturais, o que ajuda a combater a violência escolar e a promover a cidadania de milhares de jovens e suas comunidades. Tais esforços são muito importantes, mas ainda estão longe de fazer da educação uma área verdadeiramente prioritária no Brasil, isto é, uma política de Estado” Paulo Renato Souza Ex-ministro da Educação “Este ano para mim é de frustração, porque o ensino básico perdeu prioridade e muitas coisas importantes foram abandonadas, como o Provão. Basicamente minha impressão do ano é esta.

O Provão se descaracterizou completamente, perdeu o sentido. A amostragem não garante a mesma confiabilidade da informação e, além disso, ocorrerá somente a cada três anos. Então, o Provão foi abandonado. Sobre o Fundeb não tenho nada a dizer. Dois anos de governo e ainda não se chegou a uma proposta. Ainda é uma discussão interna no governo. O Prouni ataca um problema importante, que é o acesso, mas de uma maneira errada, através da inserção, que é uma maneira velha, ultrapassada, que no passado levou à corrupção, à fraude. O governo não assurniu diretamente que precisava criar o programa, passar a dar bolsa e remunerar a instituição pelo seu esforço. Não há comemorações a fazer, além da manutenção do Enem, que foi algo positivo.”

Alfabetização e inclusão

O Programa de Alfabetização e Inclusão (PAI), da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, abre novas inscrições a partir do 9 de janeiro em todas as escolas estaduais.

O PAI é destinado a todos os jovens e adultos que nunca estudaram ou que ainda não concluíram o Ensino Fundamental. Serão mais de 400 salas espalhadas pelo Estado disponíveis para as aulas. Todos os cursos atendem aos parâmetros curriculares nacionais do Educação de Jovens e Adultos (EJA) para a alfabetização de 1ª a 4ª séries. O interessado deve procurar a Escola Estadual mais próxima para efetuar o cadastro, munido de documento da Cédula de Identidade (RG) e um comprovante de endereço.

Os conteúdos estão focados na alfabetização em Língua Portuguesa com o objetivo de ensinar o domínio de habilidades de leitura e escrita centradas na função social da língua. Em Matemática, os alunos aprendem o domínio das operações fundamentais e resolução de problemas simples.

Vagas de bolsas na região

O Governo do Estado vai disponibilizar este ano, em conjunto com 14 universidades da região, 104 bolsas do programa Escola da Família. As inscrições, que começaram na última segunda-feira, podem ser feitas até o próximo dia 16.

A Diretoria de Ensino de Santos abrange 76 escolas estaduais, distribuídas entre os municípios de Santos, Guarujá, Bertioga e Cubatão e tem 31 bolsas universitárias disponíveis para o programa. As 73 vagas restantes serão distribuídas para a Diretoria de Ensino de São Vicente.

Os universitários que participam do programa desenvolvem atividades voltadas à comunidade, em escolas estaduais, nos finais de semana, em troca da bolsa de estudos.

A inscrição deve ser feita pela internet no endereço www.escoladafamilia.sp.gov.br. O resultado será divulgado pelo site no próximo dia 26.

Para se candidatar à vaga de educador universitário, o estudante precisa estar regularmente matriculado em curso de graduação de instituição privada de Ensino Superior, conveniada com o programa. O candidato tem acesso a essa informação no site do Escola da Família. O universitário também precisa ter frequentado os três anos do Ensino Médio em escola pública e ter disponibilidade para participar de atividades do programa, totalizando 16 horas reservadas para o desenvolvimento das atividades aos finais de semana.

Caso seja classificado, o candidato no processo seletivo deverá comprovar, junto à Diretoria de Ensino, as informações fornecidas na inscrição por meio de documentos pessoais. Os candidatos precisam apresentar os documentos originais mais uma cópia de CPF, RG, título de eleitor e último comprovante de votação, certificado de reservista (se homem com 18 anos ou mais), certidão de casamento e certidão de nascimento dos filhos menores de 21 anos.

Além disso, será necessária a apresentação de comprovação de renda familiar mediante demonstrativo de pagamento, histórico escolar do Ensino Médio, atestado de matrícula ou outro documento que contenha o nome da instituição de Ensino Superior, o número do registro de matrícula, curso, ano ou semestre letivo e período, comprovantes de residência, recibo de pagamento do último aluguel, ou recibo de financiamento do imóvel.

Conveniadas

As instituições conveniadas em Santos são o Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação de Santos (Esamc), Universidade Católica de Santos (UniSantos), Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Universidade Santa Cecília (Unisanta) e Centro Universitário Lusíada (Unilus).

Outras informações podem ser obtidas por meio do telefone 0800-770-0012.

Personagem

Silvio Luis Marques

É graças ao Programa Escola da Família que o estudante de Letras faz a universidade. ‘‘O programa veio para fazer o sonho dos jovens que querem estudar em uma universidade se tornar realidade’’. O rapaz, de 26 anos, já havia prestado vestibular — e foi aprovado — em quatro exames, mas não fez matrícula porque não tinha condições. ‘‘Além disso, tem o trabalho social que fazemos com as crianças carentes, que é uma troca muito grande’’. No programa, ele dá aulas de português pela manhã e no período da tarde faz recreação.

Inscrições para bolsas

O Programa Escola da Família, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, aumentou de 25 mil para 30 mil o número de bolsas universitárias. Destas, 9.476 estão em aberto, sendo as 5 mil novas vagas e 4.476 remanescentes da seleção anterior —em função do término de curso dos bolsistas antigos.

Os interessados em pleitear uma bolsa já podem fazer sua inscrição. Basta acessar o site www.escoladafamília.sp.gov.br e se cadastrar. O prazo se encerra no dia 16 de janeiro.Para se candidatar a uma das bolsas é necessário: ter concluído o Ensino Médio na rede estadual paulista (em que o aluno deve ter estudado no mínimo os três anos); estar regularmente matriculado em curso de graduação de Instituição Privada de Ensino Superior (conveniada com o Programa); não estar recebendo outro benefício para custeio da mensalidade do curso superior; ter interesse e disponibilidade para participar de atividades do Programa.

Pelo Escola da Família, a Secretaria de Educação paga 50% da mensalidade, até o limite de R$ 267, enquanto a universidade/faculdade parceira cobre o restante —313 estabelecimentos de educação fazem parte do projeto. Em contrapartida, o bolsista atua aos finais de semana nas escolas estaduais, desenvolvendo atividades e monitorando as oficinas abertas à população da região. O resultado da classificação dos candidatos está previsto para sair no dia 26 de janeiro. O site do Programa explica passo a passo como se cadastrar e depois, no caso de selecionado, quais os documentos a serem apresentados.

Mais informações sobre a escola mais próxima da sua residência ou sobre o Programa também podem ser obtidas pela Central de Atendimento da Secretaria de Educação, pelo número 0800-7700012.

Estado cede imóveis

O Governo do estado irá ceder à Prefeitura os imóveis de 10 escolas de sua rede para ajudar o município a acabar com as “escolas de lata” e também atender a demanda por vagas em creches. A falta de creches é um dos maiores problemas da Capital.

Das 10 unidades, oito fazem parte da lista de colégios que o estado anunciou que desativaria neste ano por falta de demanda. A Prefeitura tem 50 escolas em prédios de aço pré-moldado, sem isolamento térmico e acústico, conhecidas como “escolas de lata”. A transferência dos imóveis do estado ao município deve ocorrer no prazo de um mês.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, também devem ser passadas para a Prefeitura algumas salas de aula de escolas estaduais que estão ociosas. “Há uma vergonha no município que é criança fora da educação infantil”, afIrmou. A idéia é de que com mais escolas na rede, a Prefeitura também consiga acabar com o turno das llh às 15h que existe na maioria das escolas municipais, A parceria entre estado e município é uma das medidas de uma resolução que será publicada hoje no Diário Oficial do Município e do estado e que cria a Comissão Intersecretarial de Educação Estado/Municípiode São Paulo. Escola da Família Chalita e José Aristodemo Pinotti, secretário municipal da Educação, se reuniram na manhã de ontem. A comissão estudará ainda a ampliação para a rede municipal do programa “Escola da Família”, que abre as escolas estaduais nos finais de semana. Também serão unificados os cadastros dos alunos das duas redes de ensino. Segundo Chalita, a unificação dos cadastros de ensino fundamental e médio estará pronta em 30 dias. Já os dados da educação infantil podem demorar um pouco mais para serem integrados.

Parceria na Educação

Na primeira reunião oficial entre os secretários de Educação municipal, José Aristodemo Pinotti, e estadual, Gabriel Chalita, foi firmada uma parceria que promete solucionar um antigo problema educacional de São Paulo: as escolas de lata.

Em um encontro na manhã de ontem, que durou aproximadamente uma hora, os secretários estabeleceram a criação de uma comissão que, entre outras atribuições, tem como função identificar as escolas ociosas no Estado e passá-las para a prefeitura.

O prazo para esse processo, de acordo com Chalita, é de 30 dias. ”Queremos ajudar a prefeitura a atender plenamente a demanda de creches, ensino infantil e acabar com as escolas de lata. É uma medida mais econômica”, disse o secretário estadual. Cerca de 24 mil crianças ainda estudam em escolas de latinha em São Paulo. Além da transferência de escolas, a parceria prevê a unificação dos cadastros do Estado e do município para uma integração do histórico dos alunos, a participação da rede municipal no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) e a ampliação para o município de programas como o Escola da Família e a capacitação de professores da rede pública.

Integração na Educação

As secretarias municipal e estadual de Educação vão criar uma comissão para integrar as ações das duas pastas. O primeiro passo para o projeto será dado numa reunião hoje entre José Aristodemo Pinotti, titular da pasta municipal, e Gabriel Chalita, secretário do Estado.

A comissão vai tratar da criação de ações conjuntas para capacitação de professores, ampliação do Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar) para a rede municipal, demanda de escolas e cadastro unificado de alunos. O encontro entre os secretários vai ocorrer na sede da Secretaria Municipal da Educação, na Vila Mariana (zona sul de SP). É a primeira ação concreta de integração entre os governos municipal e estadual desde que José Serra (PSDB) assumiu a prefeitura no último sábado. (SR)

Internos na faculdade

”Vai, me belisca. Belisca que eu devo tá sonhando”. Anderson*, 18, mal podia acreditar que, depois de abandonar os estudos antes de completar o ensino médio, cair de cabeça no crime, ser preso, levar “sova” da polícia e ir parar na Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor), havia sido aprovado em uma universidade – algo com o que não sonhara nem nos tempos de bom moço.

A partir de fevereiro, Anderson deixará a unidade Tatuapé da Febem para se misturar aos estudantes do curso de pedagogia de uma instituição de São Paulo. De criminoso a universitário. Ele e outros 26 internos da Febem também aprovados nos vestibulares de universidades paulistanas integrantes do programa Escola da Família – iniciativa do governo do Estado que troca a mão-de-obra de jovens aos finais de semana por bolsas de estudo de nível superior em instituições privadas.

A Febem tem 6.500 internos de 12 a 21 anos. Neste ano, 117 concluíram o ensino médio e poderiam prestar o vestibular. Só 40 se inscreveram para as provas e 27 foram aprovados (em 2003 foram 15 inscritos e sete aprovados).

Há jovens aprovados nas unidades de Marília, Iaras, Bauru (todas no interior), Vila Maria e Tatuapé (capital) em cursos como direito, veterinária, administração de empresas, ciências da computação e educação física. Alguns deles cursaram a maior parte do ensino médio dentro da própria Febem.

É o caso de João*, 19, interno há mais de dois anos, aprovado no curso de webdesign. “Nem pensava em vestibular. Já tinha adotado o crime como meio de vida”, lembra. “Quando vim parar na Febem, vi as conseqüências dos meus atos e percebi que aquilo não valia a pena. Não tem dinheiro que pague minha liberdade”.

João conta que, quando chegou à fundação, uma professora lhe disse que aquele era um lugar de formação e que ele teria de decidir o que queria da vida. “Aquilo mexeu comigo. Levava uma vida de submundo, à margem da sociedade. Não queria aquilo pra mim”. Foi o ponto de mutação. Paulo*, 18, aprovado em educação física, também via a universidade como algo distante. “Achava que estudar não valia a pena. De onde venho, essa história de faculdade é coisa para burguesinho, boa pinta”, diz. “Universidade, para quem vem da periferia, é coisa de primeiro mundo. Vou agarrar essa chance com unhas e dentes”, brinca Sérgio*, 18, outro futuro aluno de educação física.

João e Anderson dizem que, entre alguns funcionários, o esforço em busca da faculdade era motivo de piada. “Falavam assim: ‘você é ladrão, o que está querendo fazer na faculdade?’. Mas fomos incentivados por pessoas que acreditaram em nós quando todos haviam nos virado as costas”. Boa parte dos aprovados está concluindo medidas sócio-educativas e terá a ficha avaliada por juízes para ganhar ou não a liberdade. Caso permaneçam como internos do sistema, a Febem fornecerá o transporte até a universidade e um funcionário acompanhará o jovem durante as aulas. Para João, isso sim é dar a volta por cima. “Aqueles que aplaudiram a nossa derrota vão ter de assistir à nossa vitória agora.” Por Fernanda Mena *Os nomes dos internos são fictícios

Estado convoca professores

O Diário publica hoje a relação dos 18.644 professores estaduais classificados em concurso público que estão sendo nomeados para atuar em salas de aula das escolas paulistas já no início do próximo ano letivo.

A relação dos nomeados está publicada também no “Diário Oficial do Estado”. Os casos de homônimos devem ser conferidos na lista publicada no Diário Oficial, que traz ainda o número do RG dos professores classificados.

As nomeações fazem parte dos 35 mil cargos criados pelo Governo do Estado, com base na lei 11.812, de 16 de dezembro de 2004, sancionada pelo governador Geraldo Alckmin.

Os 18.644 professores concursados que poderão lecionar em 2005, segundo a secretaria, são aqueles que já efetuaram a escolha de aulas nas cadeiras de biologia, ciências física e biológica, educação artística, física, geografia, história, inglês, matemática, português e química.

O concurso público para a escolha de professores foi realizado em 2003. Ao todo, os candidatos disputaram 49 mil vagas. A partir de julho deste ano, os primeiros 14 mil classificados foram convocados para a escolha de vagas. Mas, em razão das desistências, apenas 11.348 professores fizeram suas opções de aulas e, já no segundo semestre, começaram a atuar nas escolas.

Segunda etapa

Nesta segunda etapa da convocação, dos 28 mil professores chamados para o preenchimento de 23 mil cargos, apenas os 18.644 nomeados hoje pelo governador fizeram a escolha de aulas. Segundo a Secretaria da Educação, os candidatos restantes serão convocados para a escolha de vagas dentro do prazo legal de validade do concurso, que é de dois anos, prorrogáveis por mais dois.

O “Diário Oficial do Estado” de hoje publica todas as orientações necessárias de procedimentos para a posse dos professores nomeados.

Não se faz educação com picuinha

Além de cuidar de uma rede de ensino com cerca de seis milhões de alunos, o secretário da Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, tem trabalhado sua projeção nacional. Desde 2003, preside o Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), cuja maior preocupação é fazer entrar em vigor o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), uma promessa de campanha do presidente Lula que ainda não vingou.

É autor de 36 livros, um deles – Os dez mandamentos da ética –vendeu 50 mil exemplares no Brasil em um ano e foi lançado recentemente na Argentina e na Espanha. Nos últimos meses, tornou-se um autêntico multimídia.

Tem um programa diário na Rádio Canção Nova (AM 1020), antiga Rádio Gazeta, no qual conversa com os ouvintes, e está presente também na telinha, na emissora do mesmo grupo, como apresentador de gincanas educativas e entrevistas. A ISTOÉ, ele nega que tenha projetos políticos individuais. Diz que é um colaborador do governador Geraldo Alckmin (PSDB), com quem tem grande ligação. De qualquer forma, admite que não seria ruim ser ministro da Educação ou governador de São Paulo. Na entrevista abaixo, ele relata suas realizações deste ano e os planos para 2005:

ISTOÉ – Quais foram as maiores lutas do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed)durante esses dois anos de sua gestão (2003/2004)?

Gabriel Chalita – O ano de 2003 foi ruim. Estados e municípios perderam 10% da cota estadual do salário-educação. O governo federal centralizou o que estava descentralizado.Já em 2004, esse dinheiro foi colocado em transporte escolar,o que minimizou a perda. Mas ela existe. Continuamos reivindicando que esses 10% voltem para a sala de aula. Avançamos nas discussões,mas o desafio é fazer valer o Fundo da Educação Básica (Fundeb). Na última reunião com o ministro da Educação,Tarso Genro, ouvimos o compromisso de que o Fundeb é fundamental para viabilizar o ensino médio. Houve o rumor de que o fundo englobaria tudo: creche, educação de jovens e adultos, universidades, alfabetização, educação rural e até indígena. Mas agora ficou acertado que serão três anos de educação infantil, o ensino fundamental e o médio. Além disso, o ministro prometeu um aporte de recursos que virá da revinculação de verbas.

ISTOÉ – De que forma?

Chalita – Os Estados e municípios entram com 25% de sua receita em educação. O governo federal,com 18% das receitas do Tesouro (R$ 598 bilhões). Só que as contribuições que surgiram depois da Constituição de 1988, como, por exemplo, a CPMF, não entram para o cálculo. Esse montante dá R$ 5 bilhões por ano. Negociamos para que essa soma venha para a educação básica, e não para a universidade. Seriam injetados R$ 1,7 bilhão no ano que vem, R$ 3 milhões em 2006 e assim por diante.

ISTOÉ – Garantir esses recursos foi o maior desafio do Consed?

Chalita – Estamos falando de um fundo de R$ 50 bilhões, que pode determinar o futuro da educação. Houve muitas outras questões, como os fóruns de gestão. O Consed está formando diretores de escolas no Brasil inteiro. O gestor faz uma grande diferença. Mas o Fundeb foi a discussão mais importante.

ISTOÉ – Só que até hoje não foi aprovado no Congresso?

Chalita – Depende da vontade política do governo que, até hoje não mandou o projeto para o Congresso. Sentimos que o ministro está convencido de que não dá para falar em Fundeb sem recursos da União. O Fundeb é uma emenda constitucional, mas que precisa de uma legislação ordinária que garanta pelo menos 10% de verba federal. O ministro Tarso Genro concorda, mas ele precisa convencer a equipe econômica. Essa era uma proposta da campanha do presidente Lula e faria o governo dele dar um salto real na educação.

ISTOÉ – Como o Consed atende à realidades educacionais tão diferentes?

Chalita – Este ano, nove estados do Nordeste mais o Pará não tinham como pagar a conta do ensino médio. Pedi ao ministro um fundo emergencial para esses Estados. Foram R$ 200 milhões. Temos uma relação muito boa com os secretários, uma discussão técnica. Aplaudo algumas iniciativas do governo Lula e critico outras, independentemente de partido. O ministro reconhece isso. Não se faz educação com picuinha política. A educação é um processo. Se você quebra, volta ao zero.

ISTOÉ Há pouco tempo,ISTOÉ mostrou que em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro há alunos da quarta série que não sabem escrever. E a avaliação do MEC aponta que a qualidade do ensino em todo o Brasil é baixa. Como resolver isso?

Chalita – Concordamos com a avaliação, mas a educação melhorou.Só que não há milagre. É um processo. O Brasil botou todas as crianças na escola, agora vem a melhoria da qualidade, que não acontece em dois ou três anos. Temos no País cerca de 50% de professores sem nível superior.

ISTOÉ – Fazer com que todos os professores sejam alfabetizadores seria uma saída?

Chalita – O professor tem que saber alfabetizar em qualquer série.Esse é o desafio. Ele não pode dizer: “Isso não é comigo!” Fui professor numa faculdade de direito e os alunos não sabiam escrever. Eu dava aulas aos domingos para ajudálos. Se o professor tratar o aluno como número, ele não vai aprender. Os professores antigamente eram mais afetuosos. O professor tem de olhar para o rosto do aluno, chamar pelo nome, perguntar o que ele tem. Se o professor começar a reparar no aluno, ele vai mudar. Temos que seduzi-lo para a leitura, para o letramento.

ISTOÉ – O que é o letramento,que tanto falam atualmente?

Chalita – É a capacidade de fazer um texto coeso e entender o que se lê. Isso não depende só da escola. Os pais têm que contar histórias mesmo sendo analfabetos, a criança tem que treinar a imaginação. Os maiores problemas de educação no Brasil estão na região metropolitana dos grandes centros. Os pais ficam muito tempo fora e existem as drogas, a bebida. Antes, falávamos de drogas no ensino médio. Hoje, temos crianças de sete anos que antes de ir para a aula tomam o tal do bombeirinho, pinga com groselha, vendida na porta das escolas. Isso é no Brasil inteiro.

ISTOÉ – Quais seus planos para 2005?

Chalita – A política é uma fotografia do momento. Muita coisa pode acontecer. Tenho uma ligação muito grande e antiga com o governador Geraldo Alckmin. Ele tem um projeto político e faço parte do projeto dele. Se ele sai candidato a alguma coisa, posso trabalhar com ele.

ISTOÉ – O sr. não pensa em disputar o governo de São Paulo?Ou prefere ser ministro? (risos)

Chalita – Estar na campanha do Geraldo para a Presidência e depois ajudá-lo na educação seria fantástico. Mas o governo também seria bom.