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Leitura

Levar a cultura para onde as pessoas estão ou por onde elas passam. É a base do projeto “Embarque na Leitura”, iniciativa do Metrô de São Paulo. A primeira biblioteca fica na estação Paraíso e, desde a sua inauguração, em setembro do ano passado, já conta com sete mil leitores cadastrados e 3,1 mil empréstimos mensais.

O espaço é privilegiado pois, além do grande fluxo de passageiros, conta com área para eventos próxima à biblioteca. Por ela, já passaram os escritores Fernando Bonassi e Ignácio de Loyola Brandão em sessões de autógrafos. O especialista em Marketing do Metrô, Aluizio Xavier Gibson Neto, diz que mais de 200 mil pessoas circulam na área diariamente.

O perfil dos usuários da biblioteca é majoritariamente de pessoas com o nível médio completo ou cursando o superior. Dois terços são mulheres. A escolha do acervo é de responsabilidade do Instituto Brasil Leitor.

Impacto – Desde a sua inauguração, a biblioteca tem atraído o interesse do público na estação Paraíso. Muitos dos atuais usuários do acervo não tinham o hábito de ler e foram movidos pela curiosidade.

É o caso de Soraia Ribeiro. Com 26 anos, ela conta que não costumava ler e preferia assistir TV. A funcionária da Secretaria da Saúde passou a ler uma média de 10 livros por ano. Ontem, ela escolheu “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes”. “É uma boa iniciativa e bem servida de livros atuais”, elogia.

Interessada no acervo e na praticidade da localização da biblioteca, Michelle Valeriano fez sua inscrição no início do mês e passou ontem pela unidade para retirar sua carteirinha e escolher o livro “Cazuza – Preciso Dizer que Te Amo”. Também em busca de praticidade, o estudante de Publicidade Douglas Ramos decidiu tornar-se sócio da biblioteca. Como faz muitos trabalhos externos, costuma ler nos trens do Metrô. Gosta de livros de conhecimentos gerais e de terror.

Interessada em títulos da sua área, a enfermagem, a estudante Aline Santos pretende ler livros sobre meio ambiente e evolução. “Leio apenas um livro por mês, às vezes sem relação com a área em que estudo”, diz. Sem tempo para se dedicar à leitura a estudante Elaine Cerqueira também aprova a biblioteca no Metrô. “Leio pouco, só cerca de cinco livros por ano. Gostaria de ler mais”, explica.

Benedita Maria Aparecida Veloso retirou ontem sua carteirinha da biblioteca do Metrô e já escolheu um título relacionado ao curso de Letras, que está concluindo: “Removendo Barreiras para a Aprendizagem”. “A biblioteca no Metrô facilita a minha vida, pois moro no Jardim Anália Franco e estudo na Vila Mariana”, elogia.

A bibliotecária Cássia Cerqueira, responsável pela unidade, explica que atende um público muito diversificado. “As pessoas lêem de tudo porque nosso acervo é bastante variado”, diz.

Dança

Juventude de malha e sapatilha – O Projeto Joaninha do Ballet Stagium começou há cinco anos como um trabalho social: dar às crianças de bairros distantes e periféricos – todas selecionadas em escolas públicas – a oportunidade de conhecer um pouco sobre dança. Com o passar dos anos, o Joaninha cresceu, começou com 60 participantes e hoje conta com 130 jovens – e ainda tem espaço para mais 20 meninos.

Das aulas, eles passaram para os ensaios quase diários, além de cursos de história da dança e de noções básicas de cidadania. O resultado é uma companhia de adolescentes e outra mirim. Esta última já apresenta o primeiro espetáculo, Danças na Ilha de Santa Cruz, e os mais experientes já conhecem um repertório formado por diferentes estilos de coreografias. Uma nova já está engatilhada, ainda sem título, para estrear até o fim deste semestre.

Durante o ensaio de uma releitura de Batucada, tradicional coreografia do Ballet Stagium, e de um novo espetáculo inspirado em modinhas do século 19, os meninos contaram ao Estado um pouco sobre sua rotina e a experiência de participar do Joaninha. “Quando comecei a atuar no projeto, algumas pessoas torceram o nariz, acharam que dança é coisa de menina, de homossexual, mas a sexualidade não está em uma sapatilha ou em uma chuteira. Além do mais, aprendo muitas coisas, principalmente sobre o corpo, como a postura, o alongamento e o meu papel como cidadão. Ficar em casa sem ter o que fazer não ajuda ninguém”, diz Danilo Fagner, de 16 anos. Cícero Rafael Santana, de 14 anos, destaca a responsabilidade adquirida. “Aprendi a ter disciplina, porque temos horários fixos, uma rotina séria. Quando um falta, por exemplo, todos são prejudicados, porque o maestro (Décio Otero, o coreógrafo) precisa ensinar tudo de novo, falar várias vezes a mesma coisa e o trabalho não se desenvolve. Percebi que isso também vale para a escola e outros campos da vida.”

Como observa a diretora artística da companhia, Marika Gidali, eles seguem com rédea curta. De segunda a sábado, o grupo tem a agenda cheia – das 15 às 17 horas, eles fazem aulas de balé, e depois, até às 18h30, ensaiam as novas coreografias. Aos sábados, ficam na sede da companhia das 9 horas ao meio-dia, o que significa muita correria a semana toda. “Saio da escola, muitas vezes mal dá tempo de almoçar. Moro na zona leste e para chegar aqui levo um tempo, mas nem penso em desistir. No início, achei que não daria para conciliar a dança com a escola, mas, sabendo dividir o tempo, tudo flui bem. Acho que nesses cinco anos amadureci e mudei minha maneira de ver o mundo, de encarar a vida”, conta Daniele Guimarães, de 16 anos.

Marika lembra que, no início do projeto, a intenção era apenas dar aulas de dança às crianças. “Passamos a cobrar faltas tanto na companhia como na escola, acompanhamos os boletins com as notas e ainda realizamos reuniões periódicas com os pais, para que eles compreendam o que estamos fazendo aqui, que não é só entretenimento, e participem também.” Hoje os meninos e meninas do Joaninha compartilham de uma série de atividades da companhia. Como matinês antes dos espetáculos do Ballet Stagium e apresentações em escolas públicas, numa parceria com a Secretaria Estadual de Educação. “Nesse projeto levamos arte para dentro das escolas.”

Danilo Fagner lembra de um dos dias mais difíceis que enfrentou com o Joaninha. “Dançaríamos para uma série de pessoas dentro de um Congresso de Educação, que ocorreu em outubro do ano passado. Quando entrei no palco do Teatro Municipal e vi a platéia lotada, meu coração disparou. A emoção é indescritível. Superei um obstáculo.” O animado Danilo também destaca as dificuldades que os meninos do Joaninha enfrentam quando entram nas escolas. “Os garotos ficam tirando um barato da malha, dão risada, fazem isso porque não sabem do que se trata, são pessoas preconceituosas, mas, por falta de informação, não têm acesso aos teatros, nem mesmo pela mídia. Mas aprendi a ignorar essas coisas, quando o espetáculo termina todos aplaudem muito e aprendem a respeitar nosso trabalho, percebem a seriedade daquilo fazemos.”

Mais do que formar bailarinos ou bons professores – quatro meninas já atuam como assistentes nas aulas e um menino já aprende os detalhes das partes técnica e de manutenção – o Stagium quer formar cabeças pensantes. “Não posso pensar que dançar é só o movimento do corpo, é preciso ter visão crítica e consciência de seu papel na sociedade”, ressalta Marika. “Outro aspecto que nos interessa muito é o processo de trabalho, algo muito mais valioso do que o espetáculo pronto. Cada etapa, cada vitória, cada momento são muito preciosos.” O Joaninha conta com patrocínio da Petrobrás, da Fundação Camargo Corrêa e apoio da Secretaria Estadual de Educação.

Congresso

Congresso em SP reúne educadores de todo o mundo – A cidade de São Paulo é sede mais uma vez, neste ano, do Educador – Congresso Internacional de Educação. Em sua 12ª edição, o evento ocorre paralelamente com a 12ª Educar – Feira Internacional de Educação, entre os dias 18 a 21 de maio, no Expo Center Norte, zona norte da capital paulista.

Sob o tema “Do aprender passivo ao saber que transforma: a educação na era da informação”, o Educador 2005, que ocorre sempre das 9h30 às 19h30, reunirá 56 palestrantes —professores e especialistas brasileiros e do exterior. Eles apresentarão aos participantes propostas desde a educação infantil até o ensino superior.

No evento, que terá como abertura uma palestra do secretário estadual de Educação, Gabriel Chalita, e do professor português João Barroso, estarão presentes, entre outros, os educadores Augusto Cury, Emília Cipriano Sanchez, Paulo Gaudencio, Sérgio Becker, Juan Delval (Espanha), Ziraldo, Madalena Freire, Olga Franco Garcia (Cuba), Cecília Warschauer, Rejane Maia, Lucilia Panisset Travassos, José Pacheco e Maria do Céu Roldão (Portugal), Frank Cody (EUA).

Para participar do congresso, há uma taxa de R$ 585 —dá direito a assistir as 22 palestras. Caso haja interesse por apenas uma palestra, os valores unitários são de R$ 38 e R$ 50 para palestraas nacionais e internacionais, respectivamente. As vagas são limitadas, sendo que as inscrições devem ser feitas pelo site www.feiraeducar.com.br, endereço em que também está disponível a programação.

Além das palestras gerais, o Educador 2005 promoverá o Educador Management, seção do evento destinada especialmente a mantenedores de instituições de ensino, e também atividades (oficinas e palestras) gratuitas.

Para essas últimas, não haverá inscrição. O cadastramento para as oficinas deve ser feito no estande de cada escola (a grade pode ser vista no site do Educador), e as inscrições para as palestras (300 lugares cada), na entrada do evento.

Paralelamente aos quatro dias de congresso, acontecerá a feira Educar, com empresas fornecedoras de produtos e serviços para instituições de ensino. A Educar funciona das 10h às 20h, com entrada gratuita.

O Expo Center Norte fica na rua José Bernardo Pinto, 333, na Vila Guilherme.

Sobre solidariedade

Gabriel Chalita e a ex-primeira-dama Lu Alckmin lançam “Seis Lições de Solidariedade com Lu Alckmin” no salão do livro do estado do Tocantins, em Palmas, no dia 20 de maio.

O evento está na sua segunda edição e será realizado no centro de convenções da cidade. A abertura ocorre no dia 12 de maio e o encerramento no dia 21. “Seis Lições de Solidariedade com Lu Alckmin” será lançado no stand do café literário durante a tarde do dia 20. O livro, escrito por Chalita, traz histórias da vida e obra social de Lu Alckmin à frente do Fundo Social de Solidariedade. Não se trata de uma biografia, e sim de uma reflexão sobre a ética.

O Fundo de Solidariedade atua em favelas e em mil e novecentas entidades de São Paulo e seiscentas e quarenta e cinco no interior. O objetivo do livro é mostrar como o exercício da solidariedade ajuda o ser humano a se tornar cada vez mais íntegro e cidadão.

Incentivo

Livros transformam vidas na periferia e também no Metrô – Para convencer crianças e adolescentes de que “o homem que lê vale mais”, diversas iniciativas de incentivo à leitura estão sendo colocadas em prática em São Paulo. Da inauguração de bibliotecas até no Metrô a oficinas de poesia, passando por editoras que doam livros, todas querem aumentar o número de leitores no Brasil, estimado em 26 milhões de pessoas que leram ao menos um livro nos últimos três meses.

Este dado alarmante, se for levada em conta a população brasileira, de 183,6 milhões de habitantes, é da Câmara Brasileira de Livros (CBL), no final de 2001. Para reverter este quadro tanto órgãos públicos (secretarias de cultura) quanto privados (editoras, entidades filantrópicas e ongs) criaram mecanismos para atrair adolescentes que, se não adquirirem o hábito de ler agora, passarão a fazer parte do lado triste da estatística da CBL.

Exemplo deste esforço é o programa voltado para jovens do bairro de Capão Redondo, na zona Sul da capital paulista. Ele está apresentando poetas como Vinícius de Moraes, Pablo Neruda, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Frederico García Lorca, Olavo Bilac, João Cabral de Mello Neto e canções de Tom Jobim e Chico Buarque aos jovens moradores do bairro.

Os efeitos já estão sendo detectados. A oficina de poesia, viabilizada pelo Rotary Club Novas Gerações, ofereceu a adolescentes carentes da região uma oportunidade de entrar em contato com a poesia e, também, se expressar através dela.

Transformação – Este é o caso de Vanessa Araújo Clemente. A estudante da sétima série do ensino fundamental conta que a participação na oficina realizada na sede da Associação Criança e Consciência no Capão Redondo transformou a sua vida. “Antes, tinha dificuldade em me expressar e agora gosto de escrever poesias e versos de amor”, explica, citando sua maior inspiração, o poema Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes.

Segundo Vanessa, a leitura mudou o seu dia-a-dia. Ela explica que antes ficava muito triste por não ter nada para fazer. “Agora, não fico mais resmungando pelos cantos. Estou lendo ‘Poema de Amor’, de Andrea Campos, a coordenadora da oficina.” Ela afirma que está gostando porque a autora conta o que aconteceu em sua vida e transformou estes fatos em poesia. A jovem já está escrevendo seus primeiros versos e também utilizou seus sentimentos, como a falta que sente do pai, e escreveu o poema “Saudades de Ti”.

Além disso, Vanessa também está contribuindo para alterar a realidade das pessoas à sua volta. Ela recomenda os livros que lê para as colegas da escola. Até agora, apenas uma pediu um emprestado. E também já está pensando na carreira profissional, que certamente terá que ter alguma relação com a arte. “Já pensei em ser professora, mas estou indecisa. Neste momento penso em ser atriz”, explica.

Segunda fase – Para multiplicar exemplos como este a criadora e coordenadora do programa, Andréa Campos, planeja uma segunda fase. Nela, as jovens passarão a escrever seus próprios poemas. Na opinião de Andréa, a possibilidade de escrever levou as meninas a um processo de conscientização sobre diversos temas como o meio ambiente na comunidade em que vivem. “Elas passaram a utilizar as palavras dos poemas que liam na oficina em seu dia-a-dia.”

Para Andréa, todo o processo teve um sentido mais amplo porque ele contribuiu para uma conscientização social e política das adolescentes. Com um mestrado em políticas públicas e a prática das aulas em ciências sociais, ela considera o projeto um meio de fazer com que suas participantes se transformem em transmissoras dos conhecimentos que adquiriram. “Na formatura, as meninas vestiram trajes de teatro grego e a imagem de transformação deve se reproduzir na comunidade.”

Veto às frituras

As cantinas das escolas estaduais têm até setembro deste ano para trocarem ou substituírem frituras por salgados e doces assados e oferecerem uma oferta maior de sucos naturais e bebidas lácteas e à base de soja. O Departamento de Suprimento Escolar (DSE), da Secretaria Estadual de Educação, já listou os alimentos que podem ser comercializados. Até o momento, não existe qualquer produto com venda proibida. “Mas, recomendamos, por exemplo, que não seja vendido refrigerante nas cantinas”, afirmou o diretor do DSE, Frederico Rozanski, de 34 anos.

Esta nova regra para o funcionamento das cantinas escolares provocou discussões entre pais, professores, nutricionistas, pediatras, donos de cantinas e estudantes – hoje ávidos por alimentos ricos em gorduras e açúcares. “É óbvio que ninguém vai comer um pé de alface no recreio”, disse, rindo, Rozanski. “Mas, temos de oferecer alternativas para estimular hábitos alimentares saudáveis nos alunos”, ponderou. A decisão é resultado de uma pesquisa com pais de alunos, professores e funcionários de 2.825 escolas em todo o Estado, que apontou pela não venda de produtos de “calorias vazias”.

Uma parcela expressiva dos alunos do Estado se alimenta da merenda escolar, que em Campinas é administrada pela Prefeitura. Mas, o que fazer para mudar o comportamento daqueles que optam por salgadinhos industrializados e refrigerantes? Sem contar que alguns estudantes trazem os alimentos de casa. “Precisamos trabalhar a conscientização dos alunos e de seus pais sobre os riscos desta alimentação inadequada, que pode gerar obesidade infantil e diabetes”, disse Rozanski.

“Eu não gosto de fruta e não estou acostumado a comê-las”, disse Rodrigo Leite Destro, de 8 anos, aluno da Escola Estadual Dom Barreto. “Não como a merenda porque prefiro o lanche na cantina.” Se não tiver outra alternativa, disse que irá comer os alimentos mais saudáveis. Mas, avisou: “Prefiro chocolate à maçã de sobremesa.” O DSE, segundo Rozanski, deve realizar uma nova pesquisa de campo para adequar os novos contratos das cantinas, administradas direta ou indiretamente (processo licitatório) pela Associação de Pais e Mestres (APM) de cada escola.

O DSE não descartou a possibilidade de formular uma lista de alimentos a serem proibidos de comercialização na rede. O que será vendido nas cantinas deverá ser autorizado pela APM. As cantinas serão fiscalizadas pelo DSE e, se estiverem vendendo produtos que não constam no contrato, poderão ser multadas e até terem seus contratos rescindido. Hoje, a única proibição expressa é a venda de bebida alcoólica, tabaco e medicamento ou produto químico-farmacêutico.

Com cantinas em três escolas estaduais, sendo duas em Campinas (EE Norberto de Souza Pinto e EE Vitor Meirelles) e uma em Sumaré (EE Dom Jayme de Barros Câmara), Robson Lauro Vicale da Silva, de 31 anos, ainda tem dúvidas quanto ao que não poderá vender. “Aguardo as instruções do DSE para saber o que não posso vender”, disse. “A proibição da venda do refrigerante vai ser complicada porque trabalhamos com alunos de várias faixas etárias.” As cantinas não podem competir com a merenda escolar. “A venda de frutas é inviável porque, além da merenda oferecer, muitos alunos não gostam. Com certeza, a clientela deve continuar, mas o faturamento cair.”

 

Diálogo em casa é o melhor caminho

O diálogo combinado com as imposições de limites é a tática usada pela dona de casa Maria Crisóstomos Tiago, de 58 anos, com os seus netos para evitar os alimentos com alto teor calórico. “Eu brigo muito com os meus netos para que evitem os salgadinhos industrializados e os refrigerantes”, disse. Um dos netos de Maria estuda na Escola Estadual (EE) Prof. Norberto de Souza Pinto, onde a cantina já iniciou a venda de alimentos saudáveis. “Eu levo suco para o Gabriel (7 anos) tomar durante a merenda escolar.”

Na maioria das vezes, segundo Maria, Gabriel opta pela merenda. “A criançada come hoje muita ‘porcariada’”, observa. Gabriel, apesar de tomar o suco que a avó prepara, disse preferir refrigerante. “É muito mais gostoso.” A vice-diretora da escola, Maria de Fátima Silva Santana, de 41 anos, disse que 99% dos alunos se alimentam da merenda. “Já trabalhávamos com a reeducação alimentar em sala de aula”, disse a coordenadora pedagógica da escola, Sandra Alves Coelho, de 38 anos.

A caseira Zilma de Oliveira Rolim, de 24 anos, mãe de Joyce, de 9 anos, vê a medida anunciada pelo Estado com ceticismo. “Não acredito que só a mudança na cantina da escola vai resolver.” Zilma orienta a filha a comer a merenda escolar e não dá dinheiro a ela para que compre na cantina. O estudante Raphael Sampaio Perluiz, de 8 anos, como a maioria das crianças, prefere o salgadinho à merenda escolar. “É mais gostoso e, se proibirem de vender salgadinho na cantina, trago de casa.”

Muitas escolas particulares já têm focado o trabalho pedagógico na alimentação mais saudável. Uma deles é o Colégio Rio Branco, em Campinas. A nutricionista da cantina, Adriana Quaiotti, que também é responsável pelo cardápio do kit lanche da Escola Balão Mágico, disse que o apelo visual dos produtos saudáveis é fundamental nas prateleiras da cantina. Na Escola Curumim, a cantina da escola não vende refrigerantes nem salgados industrializados. O cardápio inclui sucos naturais, leite de soja e salgados assados. “Isto garante que os estudantes tenham a opção de uma alimentação mais saudável”, disse a diretora Gláucia de Mello Ferreira.

Nas escolas municipais é a proibida a venda de alimentos dentro das unidades. A proposta da Secretaria de Educação, segundo a assessoria de imprensa, é propor a reeducação alimentar, com dieta equilibrada e orientação para mastigar devagar, comer sem exageros e combinando as várias categorias de alimentos. O programa de alimentação escolar já privilegia a oferta de alimentos saudáveis, in natura, e balanceados. (NB/AAN)

Envolvimento dos pais é fundamental

A pediatra Sílvia Castilho, de 49 anos, professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), afirma que é a medida do Estado é extremamente positiva, mas precisa vir acompanhada de um trabalho em paralelo com os pais, buscando a reeducação alimentar. “O envolvimento dos pais é essencial porque, senão, os alunos vão levar de casa os salgadinhos industrializados ou fritos para a escola”, afirmou. Os pais precisam ter pulso firme, segundo a pediatra.

Para Sílvia, o grande problema é que os pais perderam hoje a autoridade sobre os filhos com relação à alimentação. “Alimentar uma criança gasta tempo e precisa ter muito paciência”, disse. “A sociedade está estruturada para não constituir um hábito saudável de alimentação”, afirmou. “As crianças não têm tanto espaço para se exercitarem, sendo que o sofá na frente à televisão ou a cadeira em frente ao computador se tornaram os lugares preferidos delas na casa, e não querem trocar a bolacha recheada pela maçã”, observou.

Segundo ela, os pais têm de impor mais. “Se o filho não quer tomar banho, os pais o ordenam e ele obedece. Com a alimentação, precisam ter a mesma postura. Se não comprarem os alimentos industrializados, os filhos irão comer o que tem em casa. Não adianta aparecerem no consultório pediátrico pedindo remédio para anemia quando o que precisam é fazer com que os filhos comam alimentos saudáveis.” (NB/AAN)

Especialistas em nutrição apóiam a medida

Os alunos precisam aprender a selecionar seus alimentos e esta aprendizagem tem de começar dentro da escola na sala de aula, segundo Maria da Conceição Pereira da Fonseca, doutora na área de Alimentação e Nutrição e pesquisadora da Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (Nepa), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Os professores e, principalmente, os pais precisam ter um maior envolvimento para mudar o hábito alimentar destas crianças, que adoram fast-food.” Isso porque, segundo Maria da Conceição, também não adianta o aluno trocar um salgado frito por um assado se comer três ou quatro unidades.

Para a nutricionista Fabíola Poli, de 29 anos, a nova regra para o funcionamento das cantinas nas escolas estaduais, trará benefícios às crianças atendidas. “A medida é um grande incentivo para formação de um hábito alimentar saudável. Neste período, os alunos serão obrigados de forma positiva a se alimentarem com mais qualidade”, avaliou. Fabíola é também da opinião de que os pais precisam estar envolvidos no projeto. Um estudo publicado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) indica que 15% das crianças no País são obesas. “O aluno permanece na escola apenas cinco ou seis horas do seu dia e, este lanche representa, então, uma pequena parte da alimentação diária dele.” Segundo ela, uma boa alimentação evita a entrada de crianças doentes nos postos de saúde. (NB/AAN)

O QUE PODE SER VENDIDO

1 – Frutas, legumes e verduras;

2 – Sanduíches, pães, bolos, tortas e salgados e doces assados ou naturais: esfiha aberta ou fechada, coxinha e risoles assados, pão de batata, enroladinho, torta, quiche, fogazza assada, entre outros produtos similares;

3 – Produtos à base de fibras: barras de cereais, cereais matinais, arroz integral, pães, bolos, tortas e biscoitos;

4 – Barras de chocolate menores de 30g ou mista com frutas ou fibras;

5 – Suco de polpa de fruta ou natural;

6 – Bebidas lácteas: sabor chocolate, morango, coco, capuccino, aveia, vitamina de frutas, entre outros produtos similares;

7 – Bebidas ou alimentos à base de extratos ou fermentados (soja, leite, entre outros).

Fonte: Departamento de Suprimento Escolar (DSE), da Secretaria Estadual de Educação

Novas escolas

 

Quinze mil alunos da Capital e região metropolitana terão novas escolas no segundo semestre. Dez escolas estaduais com 129 salas de aula e capacidade para 15 mil estudantes serão inauguradas na primeira quinzena de junho em bairros da Zona Sul da Capital e em municípios da região metropolitana. O decreto do governador Geraldo Alckmin que criou as novas escolas foi publicado no Diário Oficial no início deste mês, com as obras já em conclusão.

Para a construção dos novos prédios que abrigarão alunos do ensino fundamental, médio e educação de jovens e adultos e que já entram em funcionamento em agosto, a Secretaria Estadual de Educação investiu R$ 15,8 milhões. “Todo ano, as coordenadorias de educação nos encaminham relatórios com a demanda futura de vagas”, explica Tirone Chahad, diretor executivo da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, órgão da Secretaria Estadual de Educação.“Essas novas vagas eram demandas dos anos anteriores que agora poderão ser supridas.” Atualmente,22 obras de novas escolas estão em andamento na Capital, ainda sem previsão de término.

Alunos e professores serão remanejados de outras escolas próximas para os novos prédios. “Não temos alunos fora da escola. As crianças que irão para as novas escolas estudam em colégios fora de seu bairro e, agora, poderão estudar mais perto de casa”, afirmou Chahad. Não haverá novo concurso para a contratação de professores. “No último edital já contávamos com a inauguração das novas salas de aula e, agora, eles serão reorganizados.”

A maior das novas escolas fica em Guarulhos, com capacidade para 2.016 alunos. A Escola Parque Jurema III terá 16 salas de 5ª a 8ª série e ensino médio e funcionará em três períodos. Assim como a escola de Embu, ela começou a ser construída em 2003 e só agora será inaugurada.

 

Região ganhar 55 padarias

O Grande ABC ganhará 55 kits de padarias artesanais. O material, avaliado em cerca de R$ 50 mil, foi doado na manhã de ontem por um grupo de empresários da região para o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo. Os kits serão distribuídos em parte das 138 escolas estaduais que têm profissionais treinados pelo Fundo para iniciar a produção de pães caseiros. Hoje, o Grande ABC possui 164 padarias artesanais, 134 dentro de colégios do Estado.

Todas as escolas que possuem os equipamentos e aquelas que irão receber os novos kits participam do Programa Escola da Família e abrem as portas nos fins de semana para a comunidade. Nesses dias, as padarias artesanais se tornam salas de aula. Qualquer interessado pode se inscrever e participar dos cursos profissionalizantes para aprender a fazer pães caseiros. As aulas são gratuitas e os alunos podem vender os produtos.

O projeto estadual é carro-chefe entre os programas de geração de renda do Fundo Social de Solidariedade. E se nos fins de semana as padarias artesanais funcionam como salas de aula nas escolas estaduais do Grande ABC, nos dias úteis os kits são utilizados para reforçar a merenda dos alunos. “Isso gera uma economia tremenda para o governo do Estado. Com um só quilo de farinha, é possível fazer uma fornada com 50, 60 pães”, afirma a primeira-dama do Estado, Lu Alckmin.

Presidente do Fundo de Solidariedade, a mulher do governador Geraldo Alckmin esteve ontem em visita no Grande ABC. Antes de se encontrar com os empresários da região na Petroquímica União, empresa do Pólo Petroquímico do Grande ABC, a primeira-dama visitou o Clube de Mães da favela do Jardim Irene II, em Santo André, onde inaugurou uma padaria artesanal. O local atende 1,3 mil das cerca de 2,5 famílias do morro, oferecendo cursos gratuitos de informática a crianças e adultos de baixa renda.

“Além dos cursos para o pessoal da comunidade, também queremos distribuir os pães que fizermos nos mercadinhos do bairro. Mais para frente, vamos preparar salgadinhos para vender em festas, num esquema parecido com os de bufês”, afirma a coordenadora do Clube das Mães, Valdinéia Santos Cruz, que mora há oito anos no Jardim Irene II.

A Apae de São Caetano recebeu o kit em maio do ano passado. Hoje, a entidade começa a pensar em colocar à venda os pães que produz, cerca de 16 quilos ao dia. Até agora, as fornadas abastecem somente o refeitório da associação.

Os pães são preparados pelos próprios estudantes. Na oficina, como é considerada a padaria artesanal da Apae, eles aprendem a lidar com números, ao mensurar as quantias de ingredientes da receita, e seqüências de tarefas, como sovar a massa, untar a forma.

Narração de histórias

O Centro de Cultura Judaica e a Secretaria de Estado da Educação abriram inscrições para os professores da rede estadual que queiram participar da oficina de narração de histórias “A Hora da História”. O curso será direcionado pela atriz e escritora Ana Luísa Lacombe.

O público alvo são os professores da disciplina de Artes do ciclo 1, do ensino fundamental, mas demais interessados também podem se inscrever. As inscrições devem ser feitas por telefone até o dia 3 de maio —há 40 vagas disponíveis.

O curso, que começa no dia 4 de maio e vai até dia 22 de junho, será realizado todas as quartas-feiras, das 19h às 22h, na sede do Centro de Cultura Judaica, em São Paulo.

O objetivo da capacitação é treinar os professores a contar histórias de maneira lúdica e criativa através do uso de técnicas, jogos teatrais, colocação de voz e exercícios de aquecimento. Além disso, pretende ensiná-los a dramatizar os contos utilizando, inclusive, objetos de cena para incrementar o ambiente.

Para mais informações, o interessado deve entrar em contato com a equipe da Casa de Cultura de Israel (Centro de Cultura Judaica) pelos telefones 0/xx/11/3065-4347/4344. O endereço é rua Oscar Freire, 2.500, São Paulo.

Melhorias no colégio

Alunos, professores, empresários e mórmons deixaram de lado suas atividades rotineiras para trabalharem como jardineiros, pedreiros, eletricistas e pintores ontem, durante mais uma atividade do Programa Mãos que Ajudam, promovido na Escola Estadual Professor Primo Ferreira.

A iniciativa da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, realizada há 10 anos em todo o País no feriado de Tiradentes, reuniu mais de 400 pessoas durante todo o dia na unidade da Vila Belmiro.

A idéia é envolver a comunidade na realização de reparos e melhorias em uma escola pública da região.

‘‘Matriculei minha filha, e quando vi o estado da escola, achei que deveríamos recuperá-la’’, justificou o presidente da Estaca de Santos, Givaldo do Nascimento.

Além dos cerca de 300 mórmons, a escola santista também contou com a ‘‘mão-de-obra’’ de membros do Rotary Club Santos Porto — que custeou todo o material utilizado —, estudantes e professores da escola.

A Prefeitura também colaborou com os trabalhos, disponibilizando funcionários da Terracom para a lavagem do muro, pintado pela última vez em 2000. ‘‘Os alunos é que fariam isso, mas o muro é imenso e foi lavado por dentro e por fora’’, comemorou a diretora-substituta da unidade, Solange Junqueira Franco.

Funcionários do Horto Municipal de Santos realizaram a poda das árvores centenárias que estavam comprometendo o telhado do prédio de dois andares.

Os voluntários deram um novo aspecto à entrada da escola com os cuidados dispensados ao jardim. ‘‘Estava um matagal só, um horror, e eles capinaram tudo’’, disse ela.

Enquanto empresários renomados se sujavam com tintas, outras voluntárias se apressavam no preparo do almoço servido a um verdadeiro exército. ‘‘Isso só foi possível graças às doações feitas por supermercados do bairro e demais comerciantes, além dos próprios moradores’’.

O anfiteatro também foi alvo do mutirão e ganhou uma nova pintura, enquanto as salas de aula que atualmente são ocupadas passaram por revisão da parte elétrica e foram limpas.

Apesar da dedicação da equipe, o último andar da escola permanecerá desativado em função de vazamentos que ocorrem com frequência. ‘‘Temos laboratórios de fazer inveja e que não podem ser utilizados por causa dos problemas no telhado’’, lamentou ela.

Ao final dos serviços, o cansaço era minimizado pela sensação de dever cumprido, evidenciando que cada vez mais a sociedade organizada procura suprir as lacunas da ação do Estado.

‘‘Não adianta nada falarmos em amor ao próximo se não colocarmos isso em prática. Saímos cansados, mas muito felizes’’, confessou o responsável pela igreja.

Para a diretora, muito mais do que a demonstração da solidariedade entre as pessoas, a atividade de ontem serviu para despertar o sentimento de cidadania entre os alunos.

‘‘Nessas horas, a religião é o que menos importa. Nossos estudantes passarão a zelar pelo patrimônio e serão os nossos fiscais’’, completou ela.