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Respeito a diferenças e direitos

(Jornal Fundação Cargill)

Entrevista – Gabriel Chalita

Qual a importância da inclusão escolar para crianças e jovens portadores de deficiência?

É essencial respeitar as diferenças individuais, ao mesmo tempo em que é essencial que se respeite a igualdade de direitos entre todas as pessoas. É por isso que a legislação manda que seja assegurada às crianças, jovens e adultos com deficiência a formação educacional básica indispensável, desde a educação infantil até o ensino médio. É uma forma que a lei encontrou de fazer com que o desenvolvimento dessas pessoas seja garantido em atividades produtivas, para que tenham progresso no trabalho e até nos estudos posteriores.

Para que essas pessoas sejam integralmente respeitadas, elas precisam ser incluídas em classes regulares, para conviver, compartilhar, compreender e ser compreendida, e assim crescer. É preciso tirar vantagem das diferenças e ampliar positivamente as experiências de todos os educandos, dentro do princípio de educar na diversidade.

Qual o estágio da inclusão escolar no Brasil? E em outros países?

O Brasil tem cerca de 650.000 alunos com deficiência matriculados na educação básica e no ensino superior, de acordo com a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação. Destes, 40,95% estão incluídos em classes comuns de ensino regular, sendo: 17,6%, na educação infantil e pré-escola; 65,4%, no ensino fundamental e 1,7%, no ensino médio.

Na educação superior, estão matriculados 5.392 alunos com deficiência.

Outros países adotam a mesma linha de inclusão educacional proposta pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, que coloca a inclusão em classes regulares como alternativa preferencial.

A maior dificuldade de inclusão acontece com as crianças com Síndrome de Down. Uma vez que todo o processo de inclusão tem que respeitar as características individuais de cada ser humano, as escolas têm que se aparelhar para respeitar o quadro evolutivo dessas crianças.

É possível que essas crianças freqüentem salas de crianças que não apresentam problemas de locomoção, fala, raciocínio etc.?

Todos os alunos com deficiência têm desempenho melhor, evoluem mais rapidamente, quando incluídos em classes regulares. Essa inclusão é também positiva para os demais estudantes, que passam a encarar a diversidade com mais naturalidade, tornam-se solidários e aprendem a conviver com as diferenças, posto que a sociedade é plural.

Como a inclusão deve ser trabalhada pela escola? Por dirigentes e responsáveis pelos métodos pedagógicos? O que cabe ao professor?

A inclusão deve ser trabalhada por todas as pessoas envolvidas no processo educacional. Em conjunto, a equipe escolar, composta pela direção, professores, coordenadores pedagógicos, pais de alunos e alunos, devem elaborar o projeto pedagógico voltado para a inclusão do aluno com deficiência em classes regulares. A escola, para isso, deve oferecer um serviço de apoio com professor especializado, em horário diverso ao da classe regular, para atender a peculiaridade da clientela de educação especial, se necessário.

Quanto ao professor da classe, cabe a ele desenvolver um trabalho pedagógico na sala de aula, com utilização de materiais didáticos auxiliares, acompanhamento e reforço contínuo, em perfeita sintonia com o trabalho suplementar realizado pelo professor especialista, quando for o caso.

Escolas e profissionais estão preparados para a educação inclusiva?

Nem todos. É preciso capacitar o professor para que ele seja capaz de desenvolver bem o seu trabalho, em qualquer modalidade de ensino. Ainda há preconceitos e dificuldades para que o professor consiga desenvolver a inclusão dos alunos com deficiência em classes regulares. Porque não basta garantir somente o acesso do aluno com deficiência à escola. Incluí-lo em classes regulares significa assegurar, com qualidade, o seu pleno desenvolvimento educacional. Mas, em alguns casos, é melhor para a criança estudar em uma classe ou escola especializada no atendimento adequado ao seu tipo de deficiência.

O senhor conhece experiências de educação inclusiva com bons resultados?

Há escolas públicas e privadas que realizam trabalhos de inclusão do aluno pedagogicamente consideráveis, em que a maioria dos educandos incluídos têm boa receptividade dos colegas e apresentam evolução no processo educacional. Escolas da rede particular ainda oferecem resistência ao processo de inclusão do aluno, dependendo, sobretudo, do grau e da modalidade da deficiência, por não contarem com professores capacitados para a integração desses alunos nas classes comuns.

A dificuldade estará superada com a realização de um trabalho de equipe por toda a comunidade escolar.

A vida de Padre Jonas em livro

A biografia do Padre Jonas Abib, fundador da comunidade Canção Nova, está sendo lançada, em homenagem aos 70 anos desse religioso que idealizou e concretizou a comunidade Canção Nova. O livro, escrito por Gabriel Chalita, é fruto de longas conversas entre os dois, ao longo do ano de 2006.

Apoiado pelas lembranças da velha amizade (Chalita era menino ainda quando conheceu o Padre Jonas), o autor narra em ordem cronológica os momentos marcantes da vida de um homem que teimou em acreditar em milagres. Gabriel Chalita faz, na apresentação do livro, a síntese da publicação. Ele conta que o Padre Jonas nasceu de um milagre, quase ficou cego aos dois anos de idade, enfrentou as dificuldades da pobreza e, por causa de um mal entendido a respeito de dois sacos de roupa usada, quase não foi para o seminário. “Esteve doente muitas vezes, viveu alguns meses num sanatório em Campos do Jordão e, mesmo lá, foi um revolucionário do amor. Sua missão foi ganhando força e os milagres foram acontecendo em sua vida. A cada novo milagre ele sentia ainda mais a presença de Deus.” Uma marca da trajetória do religioso é a generosidade. Queria sempre que outros jovens tivessem a oportunidade de vivenciar toda a sua experiência de fé. Tudo que vivia era para ser compartilhado. Não havia apego a nada, somente à sua santidade, ao seu jeito novo de ser sacerdote. Gabriel Chalita distribuiu a narrativa em duas partes. A primeira conta a trajetória pessoal do padre Jonas, desde a infância até o momento em que inicia a Comunidade Canção Nova. A segunda parte ainda não foi escrita, mas está em preparação para lançamento em breve, e vai se ocupar da sua história dessa Comunidade, que não pára de crescer e que continua fiel ao propósito inicial de formar mulheres e homens novos para um mundo novo.

Bibi dramatiza poemas de Gabriel Chalita

O diretor Jorge Takla montou um espetáculo baseado em textos dos dois novos livros que Gabriel Chalita lançou no Hotel Renaissance, no dia 5 de dezembro. Bibi Ferreira fez um monólogo com poemas selecionados dos dois livros, e com alguns textos em prosa poética que Chalita escreveu especialmente para o espetáculo.

Toda a renda dos mais de 1.000 livros vendidos no evento foi destinada ao Projeto Felicidade, uma iniciativa que cuida de crianças com câncer.

Saiba um pouco mais sobre os livros.

De tudo que mora em mim

Este é o título do livro produzido pela Editora Ibep-Nacional. O ser humano, com seus anseios e receios, é a matéria-prima do autor Gabriel Chalita. As ilustrações, inspiradíssimas, são de Luiz Maia.

Em De tudo que mora em mim, Gabriel Chalita excursiona pela poética, pela primeira vez. É um livro corajoso, que revolve as entranhas do sentimento. Com uma abordagem poético-filosófica, De tudo que mora em mim é um registro de vivências, aventuras, desventuras, amores e desamores e, por que não? até mesmo os rancores que fazem parte da alma humana.

Toda a perenidade da poesia é descrita pelo autor com retratos fugazes do cotidiano, pois, para ele,

Se não fosse a capacidade de êxtase
diante da singeleza da paisagem,
a poesia viveria em luto.


Os poemas revelam o que há de mais sublime nas inseguranças e nos anseios do ser humano. É o que evidencia o poema “Um novo amor”:

Está com medo? / Eu também.

Estações

Este é o título do livro produzido pela Editora Alegoria, de Porto Alegre, dentro da coleção “Palavra e Arte”.

São 36 poemas, ilustrados pelo artista Arturo.

“Estações” é uma coletânea de pensamentos em verso e em prosa poética que Gabriel Chalita vem acalentando há algum tempo, e que agora decidiu reunir em um livro. Diz ele que hesitou um pouco antes de se lançar à poesia. “Quando entreguei alguns poemas para serem lidos por amigos como Lygia Fagundes Telles e Paulo Bomfim, ouvi sugestões e ponderações que me levaram ao trabalho da transpiração, à poiésis dos gregos revisitada por Heidegger – que enfim é tekné transformada em ação, se quisermos pensar no modelo aristotélico. E que, portanto, tem todo o sentido com a relação ensino-aprendizagem. Eu compartilho sentimentos, com minha poesia, e aprendo com quem aprende com o que escrevo.”

Espanha já lê Chalita

Educadores e intelectuais de Madrid receberam de braços abertos o lançamento da edição em espanhol do livro “Pedagogia do Amor”. A edição é do Editorial PPC, ramo do Grupo SM. Javier Cortés, diretor geral do Grupo SM, abriu o evento, em nome do presidente do grupo, ressaltando a importância do lançamento para o cenário editorial espanhol.

Lembrou que o autor brasileiro já havia lançado anteriormente o livro “Os dez mandamentos da ética” na Espanha.

Álvaro Marchesi, atual diretor internacional do Instituto Idea, do Grupo SM, e ex-secretário nacional de Educação da Espanha (posto equivalente ao de ministro da Educação, no Brasil), foi o segundo a falar, comentando para a platéia o livro de Chalita, que em espanhol se chama “Pedagogía del Amor”. Marchesi também é catedrático de Psicologia da Universidade Complutense de Madrid.

Depois que Gabriel Chalita se dirigiu aos presentes, numa fala muito aplaudida, a palavra foi aberta à platéia, e foram feitas várias perguntas, que demonstraram vivo interesse do público pelo trabalho do brasileiro. No dia seguinte ao lançamento, Chalita visitou as instalações editoriais do Grupo SM.

Chalita foi entrevistado, no dia 19 de junho, pela TVE, uma das mais importantes emissoras públicas de televisão da Europa. A sua participação no programa “Casa das Américas”, teve cerca de 10 minutos de duração. (A TVE pode ser vista, no Brasil, por assinantes de redes de TV por assinatura, como a Sky).

Segundo notícias publicadas em revistas educacionais de Madrid, Gabriel Chalita é um “dos mais promissores representantes da política brasileira atual. Reconhecido como grande orador, ele é capaz de mobilizar e emocionar um público numeroso em suas conferências, especialmente no campo da educação”.

Jogos, brinquedos e brincadeiras no CPC

O Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP, promove a Exposição Retratos e Auto-Retratos – jogos, brinquedos e brincadeiras, até 29 de outubro. A exposição é promovida pela Divisão Técnico-científica de Educação e Arte do MAC USP. É uma atividade educativa dedicada ao público infantil e ajuda na melhoria da formação de professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental em arte.

A exposição “Retratos e Auto-Retratos – jogos, brinquedos e brincadeiras” é composta por 13 reproduções de obras do acervo do MAC USP na dimensão dos originais, sendo obras referentes à curadoria do Programa MEL, além de reproduções de obras que apresentam o tema retratos e auto-retratos, destacando o tema por meio da deformação da figura, ou pela ausência dela, como obras de Pablo Picasso, Carlos Zílio, Francis Bacon e Alex Fleming. A exposição ainda conta com um Espaço Lúdico que abriga jogos tradicionais de regra e de construção desenvolvidos para a exposição, que poderão ser explorados mediante orientação de educador ou assistente de educação formado pela equipe do Programa MEL, como jogo da memória, dominó, mico e retrato-a-retrato.

Horário: 10h às 16h Local: Rua Major Diogo, 353 – bairro Bela Vista, São Paulo

Vá conhecer a cultura grega clássica

Até o dia 26 de novembro, São Paulo será a sede temporária de um dos mais importantes acervos mundiais sobre a cultura grega. A exposição “Deuses Gregos – Coleção do Museu Pergamon de Berlim” está, pela primeira vez no Brasil, em exibição no Museu de Arte Brasileira da FAAP.

Desde o dia 21 de agosto de 2006, a civilização grega, a mais importante da antigüidade e certamente a mais influente de toda a história, é tema da exposição, que reúne 200 peças de arte greco-romana. Este acervo, um dos mais importantes do mundo, faz parte da coleção do Museu Pergamon de Berlim, o mais conhecido dos 17 museus pertencentes à Fundação Prussiana de Cultura (SPK).

 

Endereço: Rua Alagoas, 903 – Higienópolis

Horário: 3ª a 6ª feira, das 10h às 20h

(Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h) Entrada Gratuita

Conversando sobre valores em Goiânia

Às 18 horas deste dia 5 de outubro, Gabriel Chalita fará a palestra de abertura da 7ª edição do Congresso de Educação – Pensar, na cidade de Goiânia, falando sobre amor, ética e outros valores.

O tema geral do Congresso Pensar é “Qualidade na educação – desafios e alternativas”. A intenção dos organizadores foi reunir educadores, pesquisadores e cientistas para se debruçarem sobre o tema, porque, embora seja motivo de comemoração o crescimento quantitativo do ensino brasileiro, como o número de crianças e adolescentes matriculados nas escolas, é hora de encarar o principal desafio da educação, que é a qualidade.

Palestrantes

Ao lado de Gabriel Chalita, estarão se apresentando outros sete palestrantes, debatendo temas importantíssimos para o universo da educação brasileira.

Fabiana Maria de Oliveira, coordenadora Nacional de Educação e Ação Pedagógica da Federação Nacional das APAEs, além de membro do Conselho Estadual da Pessoa Portadora de Deficiência do MS, fala sobre o tema “Diversidade – Viva a diferença!”.

Vitor Henrique Paro, professor titular na Faculdade de Educação da USP e autor de vários livros na área de Administração Escolar, fala sobre “Compromisso Social e Ético do Profissional da Educação na Gestão da Escola”.

Carlos Carrilho, coordenador do curso de pedagogia da Universidade Estácio de Sá e autor de vários livros, fala de “Aprendizagem, Currículo e Avaliação”.

Luiz Carlos de Freitas, professor titular da Faculdade de Educação da Unicamp, fala sobre “Relação professor e aluno e a questão da disciplina”.

Léa Tiriba, professora do Departamento de Educação da PUC-Rio e consultora do Programa SESC-Rio para Crianças e Jovens, fala de “Construção da Cidadania – relações entre os seres humanos e a natureza: questões para a educação”.

Alípio Casali, filósofo e consultor do Banco Mundial e do PNUD, fala de “Disciplina e persuasão versus violência e coação”.

Clarisse Leal, palestrante em Recursos Humanos e membro da Academia de Filosofia de Santa Catarina, fala de “Alegria de ser e pertencer – acendendo as próprias luzes”.

Professor, alma da educação

Gabriel Chalita tem defendido em seus livros e em suas palestras que ser professor é ser formador. Ele professa a crença na pessoa humana, auxiliando no seu desenvolvimento integral: cognitivo, social e emocional. Ser professor é ser instigador. O professor, como dizia Sócrates, ajuda o conhecimento a nascer. Sócrates falava de sua mãe, que era parteira mas que não fazia a criança. A criança estava pronta – só era preciso ajudá-la a vir ao mundo. Assim é o mestre: respeita o universo do seu aluno e quer ajudá-lo a caminhar com pés próprios, a ter autonomia.

 

Palestra para professores

No roteiro de palestras de Gabriel Chalita, nesta semana, destaca-se Minas Gerais. Desta vez, o compromisso é com cerca de 500 professores de Divinópolis e região. O tema é “Amor, ética e outros valores”. A palestra versará sobre as inquietações que acometem educadores em todas as situações de contato com alunos, colegas e superiores.

Serão abordadas também as principais dúvidas de professores em relação ao trato com alunos, e que em geral envolvem posicionamentos morais e afetivos, como as predileções e rejeições, tolerâncias e intolerâncias, aberturas e preconceitos, entendimentos e mal entendidos, compreensão do que são as características dos jovens, disciplina e indisciplina e outros. Há questões que, em síntese, dizem respeito às coisas essenciais para as pessoas. Sobre isto, Gabriel Chalita discorreu em alguns de seus livros, como, por exemplo, em Educação: a solução está no afeto, onde diz: “O essencial é aquilo que não é efêmero; é o que marca toda uma existência, que deixa cicatriz, que fica na memória. Pelo essencial vale a pena lutar, vale a pena sofrer. O acidental é o passageiro. Ao contrário do essencial, aparece e vai embora com muita facilidade e acontece muitas vezes no dia. Uma fila que precisa ser enfrentada, uma avaliação malfeita, uma viagem cancelada. São acidentes passageiros e superáveis.” O essencial são os valores, como a amizade, a solidariedade, a partilha, a dedicação, a tolerância, a razoabilidade, a compreensão. E sobre essas questões versará a palestra.

Falando sobre o saber e a liberdade

O Congresso Educacional Saber é promovido pelo SIEEESP – Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo, uma entidade que representa aproximadamente 10 mil escolas em todo o Estado de São Paulo. É considerado um dos maiores eventos educacionais do país e são esperados aproximadamente 25 mil educadores para participar de palestras, mesas de debate e workshops, e mais de 30 mil pessoas para visitar a feira de produtos e serviços ligados a área educacional.

O Congresso Saber pretende ser um espaço que ajude a reflexão sobre a educação brasileira. Neste ano de 2006 o tema em destaque é a gestão das escolas, a partir da constatação de que muitas escolas insistem em continuar aplicando metodologias do século passado. A organização do evento conta que, já no século XVII, o filósofo e humanista Jan Amos Comenius (1592-1670), o pai da escola moderna, dizia: “A proa e a popa da nossa didática será investigar e descobrir o método segundo o qual os professores ensinem menos e os alunos aprendam mais; nas escolas haja menos barulho, menos enfado, menos trabalho inútil, e, ao contrário, haja mais recolhimento, mais atrativo e mais sólido progresso.” O nome original desse educador nascido na Morávia, hoje República Tcheca, era Jan Amos Komenský, depois latinizado para Iohannes Comenius, e enfim universalizado para Jan Comenius.

Para a edição 2006, a palestra de abertura está a cargo do jornalista Arnaldo Jabor. Haverá palestras e mesas-redondas sobre temas variados, que incluem assuntos como empreendedorismo, gestão de carreira, bullying, psicogenética, novas tecnologias para a sala de aula, como imagens cartográficas e imagens de satélite, e a inteligência artificial como aliada no planejamento escolar. Em tempos de inclusão, a linguagem de sinais (libra) está disponível, oferecida pelo Centro Educacional de Cultura Surda.

Estará sendo realizada, em paralelo, a XV Jornada Latino Americana de Educação. Uma das entidades representadas é a Faepla (Federação das Associações Educativas da América Latina), que inscreveu educadores de toda a América Latina para participar do evento.

Saber e Liberdade: aprendendo e ensinando

Gabriel Chalita faz palestra sobre o tema “Saber e Liberdade: aprendendo e ensinando”.

Sua abordagem é baseada no conceito educacional de estimular o desenvolvimento de valores na relação ensino-aprendizagem.Entre esses valores estão o respeito e a consciência da heterogeneidade, porque nem todas as pessoas podem ser educadas da mesma maneira. Para ele, o afeto está ligado diretamente à dignidade, o que remete imediatamente à questão do vínculo. “O professor, que é o elemento central do processo ensino-aprendizagem, deve conhecer os alunos, saber motivá-los, compreender as características individuais, enfim saber ouvir, e estar aberto ao que é novo”.

Na dimensão educacional, há três campos: cognitivo, social e emocional. O professor precisa ser capacitado para desbloquear, motivar, ajudar, vincular. “Sem bons professores, a educação não acontece.”

Você já leu Paulo Bomfim?

Neste dia 30 de setembro, Paulo Bomfim completa 80 anos, 59 deles dedicados à poesia. É considerado um dos pioneiros do neotrovadorismo brasileiro. O primeiro livro de Paulo Bomfim, Antonio Triste, foi publicado em 1947. 

“Lembrava-me um balão que, multicor,
Se vê no firmamento:
Não se sabe donde veio.
Não se sabe aonde vai.
Não era velho.
Não era moço,
Não tinha idade
Antônio Triste.”

Aos 80 anos, cumpre religiosa rotina na Academia Paulista de Letras, para onde vai toda semana, dentro da sua elegância clássica de paulista descendente de bandeirantes. Cumpre o seu destino de desbravar, com palavras e rimas, o sentimentos das coisas, como o grego Píndaro.

Um exemplo é essa beleza de soneto, do livro Transfiguração:

Soneto XIII

Pastor já fui desse rebanho alado

Pastor já fui desse rebanho alado,
Que pelos céus caminha, pensativo, 
A ruminar a grama azul do prado 
E a desmanchar-se em pensamento vivo.

Pastor já fui de olhar perdido e calmo, 
Guardando as reses pelo campo etéreo, 
Entoei sobre a campina cada salmo 
De um livro que perdi sobre o mistério.

Já fui pastor fora de certo espaço, 
Das loucas dimensões em que me banho, 
Não sei se é no futuro em que me abraço

Ou no passado desse meu rebanho! 
Pastor já fui, hoje arrebanho a mágoa 
Do meu rebanho a desfazer-se em água.


Foi o principal responsável pela inclusão, no calendário cívico, do Dia dos Bandeirantes, celebrado pela primeira vez em 14 de novembro de 1961.

Tem história importante no jornalismo. Levado por Assis Chateaubriand para o jornal Diário de São Paulo, manteve durante dez anos a coluna “Luz e Sombra”. Ao mesmo tempo, escrevia a coluna “Notas Paulistas” para o jornal Diário de Notícias do Rio de Janeiro. Na televisão, produziu o programa Universidade na TV.

Paulo Bomfim recebeu o título de Príncipe dos Poetas Brasileiros, em 1991, outorgado pela Revista Brasília. Um título que já pertencera a Guilherme de Almeida

Não recebeu a homenagem sem razão. O poema a seguir dá uma mostra de sua alma de poeta:

“Algo me veste
O existir
Algo cobre com um sorriso
A idéia de sorrir
Algo inventa palavras
Em lavras de vento
Algo arde
Nos passos em que sou tarde
Algo ama em meu amor
Algo alga em praia além
Algo alma
Em meu ninguém.”