(Portal iG)
Assim que pisar em Brasília e tomar posse como deputado, Gabriel Chalita (PSB) atenderá a convite da presidenta Dilma Rousseff para tomar um café no Palácio do Planalto. Na montagem do governo, seu nome foi cotado para a pasta da Cultura.
Ele nega. Ex-secretário de Educação, essa área será seu foco de atuação na Câmara. Chalita tem acompanhado de perto os problemas da pasta e, nesta entrevista ao Poder Online, fez algumas sugestões ao ministro da Educação, Fernando Haddad.
O sr. é da área da educação. O que está achando da atuação do ministro Fernando Haddad?
O trabalho com a educação não depende só de um ministro, depende de uma série de ações conjuntas que o país tem que fazer em termos de educação. Eu espero que o Fernando Haddad consiga, a partir de agora, unir governadores e secretários estaduais de educação. Ele tem dito isso, inclusive: que é preciso um pacto pela educação. O ministro é o grande articulador da educação no país.
Como o sr., na Câmara, vai atuar nessa área?
Durante toda a minha campanha, eu disse que um dos meus primeiros projetos seria criar uma lei de responsabilidade educacional. E o ministro já mandou a lei. Fiquei até feliz de ele mesmo ter enviado uma lei de responsabilidade educacional. E eu vou fazer de tudo para emendar essa lei, para ajudar e para dar sugestões porque acho que isso é fundamental. Até hoje, cada prefeito faz o que quer em termos de educação, cada governador faz o que quer, e o ministro sozinho não melhora a educação. É preciso conseguir empolgar prefeitos e governadores para que todos trilhem o mesmo caminho na melhoria educacional. E há questões que são simples. A questão da valorização dos professores, por exemplo, é algo fundamental. Aliás, fiquei emocionado ao ouvir o discurso da presidenta em sua posse, no Congresso Nacional, quando ela falou textualmente dos professores. Não me lembrou de ter tido isso em nenhum outro discurso de presidente.
Como o sr. viu a atuação do ministro em relação aos problemas que aconteceram na Educação?
Acho que ele está tentando resolver esses problemas. À medida que ele troca o presidente do Inep, colocando alguém que tem experiência como reitora de universidade no Rio de Janeiro, ele não está negando que os problemas existem. E isso é fundamental para quem está no Ministério. É muito ruim quando um gestor público diz “magina, isso não existe, não está acontecendo”. Ele percebe que os problemas existem e está tentando solucionar esses problemas. Mas tem que solucionar. A ideia do Enem, por exemplo, é muito boa. Ela não pode se transformar em um outro vestibular. Não pode ser um Enem só por ano. É preciso tirar essa grande força do Enem, o aluno estudando um ano inteiro só para o Enem e aí acontece algum problema. A solução seria ter, por exemplo, três versões do Enem durante o ano, para que o aluno tivesse um acúmulo de notas. Não se pode exagerar nos pesos das avaliações senão o Enem pode se transformar no que era o vestibular. As escolas deixam de ensinar aquilo que é essencial e passam a ensinar só aquilo que cai no Enem. Isso é muito ruim. Por isso, é preciso melhorar a qualidade do Enem e a sociedade brasileira sente isso.
Como o sr. pretende viabilizar sua candidatura a prefeito de São Paulo?
Acho que é muito cedo para falar de candidatura a prefeito. Estou com muita empolgação para assumir a minha cadeira de deputado. Estou cheio de projetos na cabeça para atuar. Ser eleito com meio milhão de votos dá uma responsabilidade imensa. A eleição para prefeito é só daqui a dois anos. Deixa as pessoas falarem. Agora vou trabalhar como deputado.
Dizem que o governador Geraldo Alckmin articula desde já um quadro partidário para a eleição de 2012 que lhe beneficiaria no caso de o senhor ir para o segundo turno. Isso é verdade?
Nunca conversei com o governador Geraldo Alckmin sobre isso. Tenho uma relação de muito respeito com ele, mas fui para uma outra ala política. Resolvi apoiar a candidatura de Dilma Rousseff e, evidentemente, aqui em São Paulo me mantive neutro na campanha estadual, até pela relação de amizade que tenho com ele. Estou disposto a dialogar com ele. Acho que ele é um grande gestor. Para São Paulo foi um ganho a presença dele como governador, mas hoje estou como base de apoio da presidente da República, tentando fazer uma reflexão mais nacional. A gente nunca falou sobre eleição municipal.
O sr. perdeu a disputa pela liderança da bancada do PSB?
Não. Estou chegando agora no Congresso. Houve uma discussão da bancada para eventuais nomes e o meu foi levantado, mas há quase um consenso com o nome da deputada Ana Arraes. É um bom nome, já que ela é deputada mais de uma vez. Embora não tenha tido uma reunião com todos os deputados para discutir isso, a tendência do partido é apoiar a deputada Ana Arraes.
Mas o sr não acredita que o nome dela vai deixar o partido mais concentrado no Nordeste? A ideia não era ter um nome do Sul ou Sudeste?
O governador Cid Gomes defendia isso, que o partido se abrisse mais para essas regiões. Temos ótimos nomes. Se olharmos para São Paulo, por exemplo, o PSB tem nos seus quadros a deputada Luiza Erundina, que é deputada há vários mandatos e tem uma larga experiência para isso. Há nomes no Sul também, no Rio Grande do Sul elegemos três deputados. No Rio de Janeiro e em Minas também temos nomes. Mas o Rodrigo Rollemberg, que era o líder, e agora é senador, foi conduzindo o processo e colocando a deputada Ana Arraes. A bancada tem aceitado isso com tranquilidade.