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Segurança nas escolas

Por Gabriel Chalita

Garantir a segurança nas escolas é uma medida imprescindível para proporcionar tranqüilidade aos professores, alunos e pais. A urgência em estabelecer medidas que contenham a violência – que toma proporções gigantescas em todas as esferas sociais e que se reflete também nos estabelecimentos de ensino – exige um trabalho sério, rápido e eficaz. A implantação de câmeras de vídeo nas dependências escolares, que já vem sendo feita desde o ano passado, é apenas um dos itens que compõem o plano de segurança desenvolvido pela Secretaria de Educação em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. 

O aumento do efetivo policial nos prédios da Rede Estadual de Ensino e nos seus arredores, a instalação de alarmes e sistemas de comunicação, como rádios e interfones, a construção de zeladorias nas unidades com maiores índices de violência, a elevação de muros e, principalmente, a capacitação do professor – figura principal do ambiente educacional – constituem os pontos principais do plano que visa reduzir a violência nos colégios. A realização dessas ações conjuntas é uma prioridade no governo Geraldo Alckmin.

Em maio, mil educadores participarão de um programa cujo objetivo é fazer com que possam adquirir novos instrumentos para desenvolver em seus alunos a consciência de cidadania. Durante o programa, os professores participarão de debates e discussões fundamentais sobre os mecanismos capazes de auxiliá-los na redução da violência existente na comunidade. Todos receberão material pedagógico de modo que possam trabalhar a construção da cidadania, inclusive de forma transversal, em suas escolas de origem. A ideia é transformá-los em agentes multiplicadores que vão atuar em todo o Estado de São Paulo.

Isso prova ser totalmente equivocado o raciocínio de alguns setores sociais cuja crença é que estamos apenas militarizando a escola. Nosso projeto vai muito além. Acreditamos na viabilidade de um ensino escolar integrado à comunidade favorecendo a troca de conhecimento e estimulando a aprendizagem.

Alguns projetos, como o Parceiros do Futuro – que prevê a abertura dos estabelecimentos de ensino durante os finais de semana, proporcionando à comunidade diversas atividades esportivas e culturais -, já sinalizam mudanças positivas no sentido de reconduzir a escola à sua condição original: ser um centro de conhecimento e transmissão de saber.

A escola é um lugar sagrado. Um templo onde se deve abrigar as sementes responsáveis por um futuro fértil e verdejante (tal qual a cor da esperança). Colocá-la em risco ou permitir que ela sofra violências de qualquer espécie é ir de encontro aos princípios básicos da civilização e de seu avanço na história da humanidade. Por isso, nosso trabalho, a médio e longo prazo, dará ênfase à preparação constante do professor, cuja tarefa é edificar em cada aprendiz os princípios morais responsáveis pelo amadurecimento dos valores que deverão nortear suas vidas heterogêneas, múltiplas, diversas.

Cabe ao educador servir de bússola e oferecer a todos os educandos um norte. Um caminho. Um novo horizonte. A missão do professor é conduzi-los pelo concreto e pelo abstrato que compõem o rico universo da vida. Eles têm de ser, ao mesmo tempo, filósofos, psicólogos, arquitetos, engenheiros. Têm de fazer o máximo para ser, tal qual São Lucas, médicos de homens e de almas.

Têm de educar seus aprendizes para o mundo e ainda profissionalizá-los para o mercado de trabalho. Têm de prepará-los para que obtenham o pão do corpo e do espírito. É um missão árdua mas gratificante. Afinal, todo esse afeto é, a longo prazo, a única ferramenta capaz de construir e/ou resgatar em cada aluno os valores essenciais para a formação de um caráter de alicerces sólidos como a dignidade, o amor à família, ao trabalho e, é claro, o respeito aos seus semelhantes. Só lembrando o mestre Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”.

A construção de um novo Brasil

Por Gabriel Chalita

Educar é conceder ao outro a possibilidade de sonhar, transcender, superar limites e desbravar novos horizontes em direção à sua própria história e à cidadania plena. Quem realmente educa colabora para a formação de uma sociedade culturalmente mais preparada, mais consciente, mais capacitada para criar e vivenciar experiências positivas e, por vezes, revolucionárias. A boa educação deve vir acompanhada de doses maciças de afeto, de compreensão e, sobretudo, do entendimento de que o educando é um indivíduo único, peculiar, dono de um universo rico e, por vezes, pouco explorado.

Cabe ao educador, primeiramente, orientá-lo na busca incessante de toda essa riqueza interior para, só então, libertá-lo para vôos mais altos. Mais precisamente, o vôo infinito do aprendizado. Podemos sustentar a educação sobre três pilares: as habilidades cognitiva, social e emocional. A primeira delas corresponde à seleção de informações técnicas relativas a determinados temas. Demanda aprimoramento constante e capacita o indivíduo para o exercício pleno de uma profissão, por exemplo. A segunda habilidade, a social, tem sido cada vez mais exigida no mundo em que vivemos. Ela implica saber relacionar-se da melhor forma possível. Falar, ouvir, expressar-se com competência, ter capacidade para entender os problemas e as dores alheias… Saber, como diria Che Guevara: “Endurecer sem perder a ternura”. Na habilidade social, o respeito pelo o outro é um requisito fundamental. Vivemos em uma sociedade plural, multicultural, divergente, marcada pelas diferenças sociais, políticas e, principalmente, econômicas. As relações são difíceis e complexas mas, mesmo assim, ninguém arrisca viver sem a presença do outro. Ser só é algo contrário à natureza humana. Por isso, transitar entre grupos variados e de realidades diversas de forma hábil é uma vantagem, um diferencial. No caso específico da educação e do universo que a compõe, podemos citar o comportamento do professor na sala de aula como exemplo de habilidade social. É preciso que ele esteja em total sintonia com os alunos e suas necessidades, evitando posturas autoritárias e repentes de superioridade. Tem de haver integração e um infinito respeito pela história pessoal de cada aprendiz. Já a habilidade emocional se constitui no principal elemento capaz de desenvolver o processo educativo. Ela visa à busca do nosso eu interior, do equilíbrio e do autoconhecimento. Por meio dela, as pessoas são capazes de acessar suas potencialidades, autoconfiança e energia para lutar sempre que for necessário. Não se intimidam frente às derrotas. Ao contrário, servem-se das experiências negativas para se fortalecerem e mudarem o rumo das coisas para melhor. A afetuosidade, apesar de ser condição imprescindível para uma boa educação, esbarra na necessidade de melhorarmos ainda mais o setor educacional no Brasil. O fato de sermos um país continental nos impõe desafios ininterruptos em diversas áreas, e a educação é uma delas. Temos colecionado avanços significativos nos últimos anos. Entre eles, destacam-se os programas de incentivo à leitura, a complementação de renda para as famílias carentes com filhos em idade escolar, a construção de novas escolas, o crescimento das taxas de escolarização, a redução dos índices de analfabetismo, a rápida expansão do ensino médio, a elaboração de diretrizes e parâmetros curriculares e a implantação de um sistema efetivo de informações, cujas avaliações e levantamentos estatísticos funcionam como instrumentos para planejar e monitorar as políticas públicas do setor, colaborando para melhoria da qualidade da educação. Mesmo assim, ainda temos muito a fazer. Afinal, a educação é um processo contínuo que transcende os lares e os muros das escolas. Educar é dar oportunidades para as crianças e jovens expressarem sua criatividade, brincarem, ousarem… Vivemos uma época ímpar. A era da informação, da tecnologia, da rapidez dos processos. Presenciamos mudanças e revoluções diárias. O novo invade nossos lares e nos faz aprender a cada dia. Como educar crianças e jovens nessa roda-viva? Qual a melhor maneira de fazê-lo? Como prender sua atenção? Conquistar seus olhares curiosos que demonstram sede de conhecimento? As salas de aula serão páreo para a rapidez e as cores do games virtuais, dos computadores, dos programas televisivos? Encontrar as respostas para todas essas questões não será tarefa fácil, mas, certamente, teremos uma busca menos árdua se tivermos em mãos o mapa que nos levará a elas. Um mapa precioso que indica com riqueza de detalhes o caminho do afeto. Só o conhecendo é possível sonhar e realizar uma educação mais eficaz e global. Todos ganharemos com isso, como sinalizou o educador brasileiro Paulo Freire em suas belas palavras: “A grande generosidade está em lutar para que, cada vez mais, essas mãos, sejam de homens ou de povos, se estendam menos, em gestos de súplica. Súplica de humildes a poderosos. E se vão fazendo, cada vez mais, mãos humanas, que trabalhem e transformem o mundo.”

Os jovens e a necessidade de integração social

Há muitos anos o desemprego tem atingido os jovens de forma arrebatadora. Os dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) comprovam: a faixa etária dos 15 aos 24 anos representa 41% de todos os desempregados do mundo. “O pior pecado contra nossos semelhantes não é o de odiá-los, mas de ser indiferentes para com eles”. (Bernard Shaw) Há muitos anos o desemprego tem atingido os jovens de forma arrebatadora.

Os dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) comprovam: a faixa etária dos 15 aos 24 anos representa 41% de todos os desempregados do mundo. Essa realidade está, justamente, na contramão das expectativas da população jovem – ansiosa em provar seu valor por meio de uma boa colocação no mercado de trabalho. É natural e, ao mesmo tempo, imprescindível que queiram dar início a sua carreira e deslanchar seu futuro profissional. O problema é que o Brasil e o mundo ainda engatinham quando o tema recai sobre a discussão relativa às políticas públicas específicas para esse enorme contigente populacional. Afinal, os jovens representam 18% da população mundial. Essa falta de incentivo, entretanto, não os impede de agir e adotar uma postura pró-ativa. Hoje, no Brasil, milhões de jovens constituem um poderoso esquadrão quando o assunto é o trabalho voluntário e a participação em diversas ONG, bem como em movimentos sociais de grande, médio e pequeno porte. A busca incessante pela experiência e pela possibilidade de contribuir efetivamente para a mudança tem feito o jovem procurar maneiras alternativas de inserir-se socialmente. Levantamento realizado em 2001, o Ano Internacional do Voluntariado, revelou que o Brasil possui um verdadeiro exército de trabalhadores voluntários. São 14 milhões de pessoas doando em média um dia e meio por semana às atividades voluntárias. Os trabalhos voltados para educação correspondem a 16%. Já as atividades relacionadas a direitos humanos e saúde, representam, respectivamente, 9% e 8%. A participação dos jovens nesse tipo de trabalho cresceu de 7% para 34%. Dados como esse revelam o quanto a juventude brasileira tem, literalmente, arregaçado às mangas para transformar nossa realidade em algo melhor. Um exemplo de discussão em torno da participação do jovem na sociedade foi o debate ”Autonomizar os jovens para agir” realizado no quarto Fórum Mundial da Juventude, ocorrido em 2001, em Dacar, no Senegal. O evento contou com a presença de 300 delegados de organizações de juventude de todo o mundo visando atrair a atenção mundial para a participação ativa dos jovens na sociedade, seus direitos e deveres, projetos para formação de capacidades e integração social. Esse tipo de iniciativa é extremamente válida pois demonstra o quanto a juventude deseja tomar parte das decisões que afetam não só o seu meio e sua comunidade de modo geral, mas o mundo todo. Kierkegaard nos lembra que “a vida só pode ser entendida olhando-se para trás. Mas só pode ser vivida olhando-se para frente”. Sendo assim, não nos esqueçamos, por exemplo, dos exemplos do nosso passado recente quando milhões de jovens brasileiros pintaram seus rostos e saíram às ruas reivindicando o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo. Lembremos também, da enorme participação da juventude durante os anos de chumbo do regime ditatorial brasileiro. Muitos, inclusive, tiveram suas vidas ceifadas na defesa árdua de um ideal. Não nos permitamos esquecer, também, das barricadas dos estudantes parisienses na histórica primavera de 1968. O Brasil é um país em desenvolvimento e vivemos, constantemente, verdadeiras reviravoltas políticas, econômicas, sociais e culturais. Nada mais justo para o jovem do que vivenciar esse processo de transição em sua plenitude, contribuindo e apresentando propostas para elevar o país a uma condição mais digna de figurar entre as grandes potências que compõem o cenário mundial. É preciso esclarecer, antes, que um maior apoio ao jovem não significa a apologia do descaso em relação as pessoas mais experientes e de mais idade, ao contrário, queremos ressaltar a importância de valorizar o respeito ao indivíduo, independentemente de sua idade, raça, sexo, credo ou classe. A integração social deve se dar em todos os níveis sob pena de, em plena era da tecnologia e da informação, vivermos alheios às diversas realidades que nos cercam, nos rebaixando à condição de meros fantoches robotizados e individualistas. Cabe à sociedade, representada pelo poder público, iniciativa privada, ONG e demais movimentos buscar mecanismos e estabelecer parcerias que propiciem a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Uma nova geração de talentos, certamente, saberá corresponder a altura da confiança depositada. Desperdiçar o brilhantismo e a força do jovem é condená-lo à desmotivação gradativa. Afinal, como diria Balzac: “O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo”.

Prática esportiva como metáfora para a vida

Por Gabriel Chalita

O filósofo Sócrates, na Grécia antiga, já afirmava: “As duas grandes habilidades necessárias ao desenvolvimento e à formação do ser humano são a arte e o esporte”…

A glória é tanto mais tardia quanto mais duradoura há de ser, porque todo fruto delicioso amadurece lentamente.

Arthur Schöpenhauer 

O filósofo Sócrates, na Grécia antiga, já afirmava: “As duas grandes habilidades necessárias ao desenvolvimento e à formação do ser humano são a arte e o esporte”. Os gregos sabiam da importância da boa forma física para uma saúde perfeita. Era a filosofia mens sana in corpore sano. O bem-estar físico era um dos caminhos para que o intelecto pudesse fluir livremente, ultrapassando fronteiras limitantes para qualquer aprendizado. Os ginásios – edifícios monumentais destinados não só ao desenvolvimento do corpo, mas ao cultivo da inteligência – tornavam-se centros de pesquisas, debates e discussões. A própria metodologia do ensino nas academias atenienses já compactuava com essa mentalidade na medida em que os professores davam suas aulas em bosques, ao ar livre, fazendo caminhadas com os alunos enquanto transmitiam informações sobre botânica, matemática, zoologia e toda a série de disciplinas que formaram os grandes filósofos e gênios da época. A criação das Olimpíadas, em 776 a.C., é a prova máxima da importância que os antigos conferiam à prática esportiva. Vencer significava a glória, os louros, o reconhecimento por parte dos imperadores. Era um ritual mágico que simbolizava a conquista, a superação de obstáculos, a transposição de limites. Hoje, a mentalidade grega, no que diz respeito às práticas esportivas, encontra ecos em poucos países que, sabiamente, ainda incentivam seus jovens a praticar atividades físicas desde tenra idade. Procedimentos como esse facilitam o surgimento de campeões que se superam a cada geração, batendo recordes e entrando para a História. Tem sido assim a cada quatro anos, quando assistimos, boquiabertos, às delegações dos EUA, Canadá, China, Rússia e Coréia conquistarem a maioria das medalhas de ouro nos jogos olímpicos. No Brasil, em contrapartida, o apoio ao esporte ainda é insuficiente para resultados mais assertivos em competições ou mesmo para o desenvolvimento educacional completo dos jovens. Muitas empresas de grande porte ainda não acordaram para os benefícios de ter sua marca associada ao esporte. Já o Governo, apesar da boa vontade demonstrada nos últimos anos, ainda engatinha quando o assunto é a política pública de ponta para o setor. Muitos de nossos atletas, por exemplo, optam por viver fora do país, graças aos incentivos técnicos e financeiros que recebem no exterior. Bolsa de estudos nas grandes universidades, moradia gratuita, treinamento com equipamentos de última geração e acompanhamento médico adequado compõem um rol de ofertas tentadoras para os jovens competidores. Enquanto isso, em nosso País, mesmo os esportistas de primeira linha enfrentam, constantemente, inúmeras adversidades pela falta de patrocínio. Em casos extremos, muitos desistem do sonho por não dispor, muitas vezes, do dinheiro para a condução que os levaria ao treino. Todas as grandes vitórias olímpicas dos atletas brasileiros se devem, salvo exceções, ao empenho e à dedicação solitária do atleta, de sua família e do seu treinador. Em São Paulo, essa história já está sendo modificada, pelo menos para cinco mil jovens que passaram a praticar esportes nos principais clubes da cidade por meio do Projeto Clube Cidadão. Os adolescentes recebem uma bolsa no valor de R$ 120,00 por mês, desde que comprovem que freqüentam a escola. Quando a sociedade não valoriza o esporte, acaba se tornando vulnerável em vários aspectos. A prática esportiva distancia o jovem da violência, do individualismo exacerbado, do comodismo e da baixa auto-estima. Por outro lado, o esporte desenvolve as potencialidades dos seus praticantes na medida em que os torna confiantes, decididos, equilibrados, emocionalmente estáveis e preparados para os desafios impostos pela vida. A vitória e a derrota passam a fazer parte do seu dia-a-dia, capacitando-os para o mundo complexo em que vivemos. Saber ganhar e saber perder são elementos fundamentais, sobretudo, para quem vive na civilização ocidental a qual, ao mesmo tempo que respira competitividade por todos os poros, não prepara seus “atletas” da forma como deveria. Ao contrário, nessa arena pós-moderna, conquista o pódio quem digladia pela busca do sucesso fácil e rápido. Obtê-lo a qualquer custo transformou-se em lei. De nada vale a grandeza de competir, por si só. É a inversão completa dos valores básicos do esporte. Embora as atividades esportivas, cada vez mais, despertem o interesse do grande público, pouco tem sido feito para melhorar a prática da educação física nas escolas, no ensino superior e na comunidade. Faz-se necessário garantir a educação física e os esportes para todos como uma política prioritária para o desenvolvimento físico, intelectual e moral de milhões de jovens. Mais do que nunca, devemos trabalhar para reduzir a distância entre os esportes competitivos de elite e o esporte para todos. Nunca é demais repetir a frase “o importante não é vencer, é competir”, atribuída ao responsável pelo resgate dos jogos olímpicos para os dia de hoje, o parisiense Pierre de Fredy, conhecido como Barão de Coubertin (1863-1937). Para ele, a tradição olímpica tinha como objetivo principal incentivar o esporte e, quem sabe, ajudar na união dos povos. Que essa meta seja de todos nós.

Um novo tempo

Por Gabriel Chalita

Estamos no início do ano letivo. Nas universidades, milhares de jovens darão início a uma nova fase em suas vidas. Quem não se recorda da imensa expectativa existente no primeiro dia de aula na faculdade? As dúvidas, os medos, os anseios em relação a profissão escolhida, os novos amigos e professores, as incertezas sobre a futura profissão e o sonhado reconhecimento no cada vez mais competitivo mercado de trabalho? É uma realidade cheia de apreensão e de temores e o jovem, nessa hora, assemelha-se a um vulcão pronto para entrar em erupção e espalhar sua lava incandescente ao seu redor.

Tudo isso, logo depois de ter sobrevivido (sim, é essa a palavra) a um outro momento de turbulência sem igual: o vestibular. Para a maioria, a grande prova de fogo da juventude. A grande concorrência, a expectativa da família, o drama em escolher a profissão certa em uma idade ainda carente de maturidade e experiência de vida suficientes para uma decisão tão delicada… É como um rito de passagem cercado de desafios envolvendo coragem, perseverança, paciência, técnica, rapidez de raciocínio lógico e abstrato, fluência verbal e tantas outras habilidades essenciais a um guerreiro. Cabe aos pais, mais uma vez, servir de fortaleza e amparar seus filhos em época tão importante para o seu futuro. Pressões e cobranças só tendem a piorar o estado de espírito desses novos desbravadores que sonham em conquistar o mundo e trazem em si uma força e uma garra sem tamanho. São eles, os jovens, os respiradouros do mundo. Neles se concentram todos os raios de luz dos milhares de amanheceres que ainda temos pelo frente. Muitos encontrarão seu caminho de forma mais suave e menos traumática, porque tiveram na infância e na adolescência todas as oportunidades possíveis. Outros, pelo contrário, precisarão ser os arquitetos responsáveis por todos os traçados que delineiam seus projetos de vida, sem incentivo, apoio ou orientação de mais ninguém. Ambos, no entanto, têm em comum a capacidade de mudar as coisas e de transformá-las, sempre, para melhor. Afinal, eles têm como aliado, aquele que é o grande senhor de todos os dias de nossas vidas: o tempo. Poder olhar para frente e saber-se muito jovem é, sem dúvida, um grande antídoto contra a apatia e o desânimo para lutar. Além disso, há também o vigor físico e toda a energia proveniente dele. Por tudo isso, devemos respeitá-lo ao máximo e colaborar com nossa experiência de vida no momento único que é o ingresso na universidade. Afinal, ele é o primeiro passo para uma longa jornada. Uma jornada repleta de alegrias, conquistas e descobertas. É claro que há, também, algumas frustrações, mas todas elas, sem dúvida, fundamentais para a aquisição de autoconhecimento e crescimento interior. Como seria bom se todos os dias pudéssemos novamente despertar em nós essa sensação original e renovadora. A juventude determina, de maneira veemente, o ritmo da história. Desde sempre os jovens estão na vanguarda apontando novos caminhos e traçando rumos muito mais ousados e originais para as mais diversas épocas. Os primeiros movimentos de juventude seriam datados de 100 a.C., quando Marco Túlio Cícero foi obrigado a lidar com os protestos organizados pelos jovens que, na verdade, retratavam as visões da sociedade em geral. Vários governantes, muitos deles, de forma cruel, utilizaram-se dos jovens na tentativa de adquirir uma frente de batalha poderosa para implantar e disseminar os seus pensamentos e doutrinas de toda a ordem. Foi assim com Adolf Hitler, por exemplo. Tem sido assim com inúmeros movimentos sociais, não importando a linha a que pertencem. É sempre o jovem que está exposto na dianteira, para o bem ou para o mal. É relativamente fácil seduzi-los pois buscam de forma constante o novo e têm verdadeira aversão pelos padrões previamente estabelecidos. Amam a possibilidade de contestar, reivindicar, lutar e sonhar. E é na universidade que eles possivelmente desenvolverão muitas de suas inúmeras potencialidades para a batalha da vida. Os bancos escolares, como sabemos, não oferecem as respostas, mas apontam os caminhos para que possamos descobri-las. Por isso, a todos os jovens novos universitários: sejam bem-vindos a um novo tempo.