Os jovens e a necessidade de integração social

Há muitos anos o desemprego tem atingido os jovens de forma arrebatadora. Os dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) comprovam: a faixa etária dos 15 aos 24 anos representa 41% de todos os desempregados do mundo. “O pior pecado contra nossos semelhantes não é o de odiá-los, mas de ser indiferentes para com eles”. (Bernard Shaw) Há muitos anos o desemprego tem atingido os jovens de forma arrebatadora.

Os dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) comprovam: a faixa etária dos 15 aos 24 anos representa 41% de todos os desempregados do mundo. Essa realidade está, justamente, na contramão das expectativas da população jovem – ansiosa em provar seu valor por meio de uma boa colocação no mercado de trabalho. É natural e, ao mesmo tempo, imprescindível que queiram dar início a sua carreira e deslanchar seu futuro profissional. O problema é que o Brasil e o mundo ainda engatinham quando o tema recai sobre a discussão relativa às políticas públicas específicas para esse enorme contigente populacional. Afinal, os jovens representam 18% da população mundial. Essa falta de incentivo, entretanto, não os impede de agir e adotar uma postura pró-ativa. Hoje, no Brasil, milhões de jovens constituem um poderoso esquadrão quando o assunto é o trabalho voluntário e a participação em diversas ONG, bem como em movimentos sociais de grande, médio e pequeno porte. A busca incessante pela experiência e pela possibilidade de contribuir efetivamente para a mudança tem feito o jovem procurar maneiras alternativas de inserir-se socialmente. Levantamento realizado em 2001, o Ano Internacional do Voluntariado, revelou que o Brasil possui um verdadeiro exército de trabalhadores voluntários. São 14 milhões de pessoas doando em média um dia e meio por semana às atividades voluntárias. Os trabalhos voltados para educação correspondem a 16%. Já as atividades relacionadas a direitos humanos e saúde, representam, respectivamente, 9% e 8%. A participação dos jovens nesse tipo de trabalho cresceu de 7% para 34%. Dados como esse revelam o quanto a juventude brasileira tem, literalmente, arregaçado às mangas para transformar nossa realidade em algo melhor. Um exemplo de discussão em torno da participação do jovem na sociedade foi o debate ”Autonomizar os jovens para agir” realizado no quarto Fórum Mundial da Juventude, ocorrido em 2001, em Dacar, no Senegal. O evento contou com a presença de 300 delegados de organizações de juventude de todo o mundo visando atrair a atenção mundial para a participação ativa dos jovens na sociedade, seus direitos e deveres, projetos para formação de capacidades e integração social. Esse tipo de iniciativa é extremamente válida pois demonstra o quanto a juventude deseja tomar parte das decisões que afetam não só o seu meio e sua comunidade de modo geral, mas o mundo todo. Kierkegaard nos lembra que “a vida só pode ser entendida olhando-se para trás. Mas só pode ser vivida olhando-se para frente”. Sendo assim, não nos esqueçamos, por exemplo, dos exemplos do nosso passado recente quando milhões de jovens brasileiros pintaram seus rostos e saíram às ruas reivindicando o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo. Lembremos também, da enorme participação da juventude durante os anos de chumbo do regime ditatorial brasileiro. Muitos, inclusive, tiveram suas vidas ceifadas na defesa árdua de um ideal. Não nos permitamos esquecer, também, das barricadas dos estudantes parisienses na histórica primavera de 1968. O Brasil é um país em desenvolvimento e vivemos, constantemente, verdadeiras reviravoltas políticas, econômicas, sociais e culturais. Nada mais justo para o jovem do que vivenciar esse processo de transição em sua plenitude, contribuindo e apresentando propostas para elevar o país a uma condição mais digna de figurar entre as grandes potências que compõem o cenário mundial. É preciso esclarecer, antes, que um maior apoio ao jovem não significa a apologia do descaso em relação as pessoas mais experientes e de mais idade, ao contrário, queremos ressaltar a importância de valorizar o respeito ao indivíduo, independentemente de sua idade, raça, sexo, credo ou classe. A integração social deve se dar em todos os níveis sob pena de, em plena era da tecnologia e da informação, vivermos alheios às diversas realidades que nos cercam, nos rebaixando à condição de meros fantoches robotizados e individualistas. Cabe à sociedade, representada pelo poder público, iniciativa privada, ONG e demais movimentos buscar mecanismos e estabelecer parcerias que propiciem a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Uma nova geração de talentos, certamente, saberá corresponder a altura da confiança depositada. Desperdiçar o brilhantismo e a força do jovem é condená-lo à desmotivação gradativa. Afinal, como diria Balzac: “O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo”.

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