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Escola da Juventude

Por Gabriel Chalita

“Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no País a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública.” A frase contundente do mestre Anísio Teixeira nos tem servido de norte para uma rede estadual de ensino de excelência. Nesse sentido, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo lança o Programa Escola da Juventude, para ensino de jovens e adultos.

É uma iniciativa fundamentada na educação de qualidade, na modernização de currículos e de metodologias. Esta é a síntese de mais um empreendimento educacional do governo do Estado de São Paulo. Um programa inovador e criativo, porque propõe caminho novo para que os jovens que estão fora da escola cursem o ensino médio. É um programa flexível o bastante para atrair quem necessita retomar os estudos e elevar a escolaridade, mas não vêem nas outras modalidades de ensino existentes o atendimento de suas expectativas. O Escola da Juventude prevê condução diferente para o processo ensino-aprendizagem, tendo em vista as mudanças das últimas décadas com relação às tecnologias disponíveis. A aprendizagem se dará em ambiente diferenciado, e algumas das tecnologias disponibilizadas são a informática e o uso de recursos audiovisuais como tevê, vídeo e DVD, acesso à internet, captação de sinais de satélite e sistemas de teleconferência e videoconferência. Os multimeios permitem novas abordagens dos conteúdos, atualizando enfoques e ampliando recursos pedagógicos. Materiais impressos, produzidos por especialistas, serão facilitadores da aprendizagem. E, para que os estudantes usem recursos de informática, serão desenvolvidas com eles atividades que ofereçam noções de sistema operacional, editor de texto e internet. Assim, o Escola da Juventude visará à inclusão digital e ao desenvolvimento de competências voltadas, também, para o trabalho. A escola será o espaço para receber, produzir, trocar e expressar informações científicas, culturais e artísticas. Inserido no Programa Escola da Família, o Escola da Juventude funcionará nos fins de semana, com essas características especiais, procurando resgatar, nos jovens, o que neles deveria ser natural: possibilidade de crescimento, de desenhar projetos de vida, de avançar na construção da autonomia. Essa é a grande meta do governo Geraldo Alckmin para uma educação de qualidade – fazer com que os alunos compreendam relações que se tecem entre as coisas e vejam que, pelo estudo, é possível não apenas entender a realidade em que estão inseridos, como também nela interferir. Além de ser gratuito, inclusive todo o material, os alunos que estiverem nos critérios estabelecidos pela Ação Jovem da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social receberão uma ajuda de R$ 60 por mês. O projeto-piloto do Escola da Juventude vai atender, inicialmente, cerca de 30 mil jovens na faixa etária entre 18 e 29 anos, preferencialmente, e se firmará na articulação da estrutura física, material e pedagógica das unidades escolares, na formação de profissionais que atuarão no projeto nos fins de semana, assim como no acompanhamento e avaliação permanentes do processo educativo na sala de aula, na sala de informática e nos espaços alternativos. Mais do que uma experiência curricular, o programa simboliza a escola cidadã, democrática, plural, alegre e moderna. Escola capaz de inserir o jovem no espaço em que ele deva ser protagonista. O Escola da Juventude – assim como os outros programas da Secretaria de Estado da Educação nesta gestão – contará com a liderança de seus gestores e com a participação da sociedade para ser bem-sucedido. Dessa forma, cumprirá seu maior objetivo: incluir os jovens no mundo da cultura, das artes, da ciência, das tecnologias do trabalho. Que tenhamos, nesse caminho, a medida exata de idealismo e de capacidade de realização. Que saibamos, enfim, contribuir para que o Brasil tenha a democracia tão sonhada por Anísio Teixeira e por todos os grandes sonhadores que viveram e lutaram por um país mais justo.

Informação para o bem

Por Gabriel Chalita

O século 21 traz em seu cerne uma dinâmica própria que reflete os avanços acelerados da ciência, da tecnologia e dos processos de comunicação. Nunca antes o homem conquistou novos saberes de maneira tão rápida e precisa. É certo que a Era da Informação e do Conhecimento traz inúmeras vantagens, mas também é sabido que ocasiona contratempos e obstáculos que exigem das pessoas novas posturas e ações.

Nesse contexto, educadores e educandos precisam estar em constante estado de atenção para que o exercício do binômio ensino-aprendizagem ocorra de forma bem-sucedida nessa época caracterizada por freqüentes transformações. Muito mais do que estimular os estudantes para o aprendizado das matérias do currículo tradicional, para o hábito de leitura, para os conhecimentos relativos às profissões e ao crescimento pessoal é necessário transmitir aos alunos conceitos e valores essenciais à vida em sociedade. As disciplinas que compõem os temas transversais – “ética”, “meio ambiente”, “saúde”, “orientação sexual”, “pluralidade cultural” e “trabalho e consumo” – são, nesse sentido, uma iniciativa tão louvável quanto indispensável. Nas salas de aula do mundo, a abordagem de assuntos essenciais como esses possibilitam aos mestres e aprendizes um conhecimento bem mais amplo sobre o particular e o universal – pontes que acabam por nos levar a uma percepção mais apurada sobre nós mesmos e sobre os que estão à nossa volta. A verdade é que, nesse início de terceiro milênio, há que se ter um compromisso com a formação de novas gerações que compreendam que, acima da tecnologia ou das ciências, está o respeito pelo outro – base que fundamenta um mundo mais fraterno e igualitário. Crianças, jovens e adultos têm de aprender a conciliar a necessidade de se adaptar às pequenas e às grandes mudanças ao mesmo tempo em que têm de desenvolver a capacidade de enxergar para além de si mesmas, para além do individualismo. Assim, o altruísmo, a doação e o compartilhar serão, mais do que uma possibilidade, uma certeza rumo aos novos tempos. Isso sim é saber usar “informações” em prol de “formações”. O amor para com a família, os amigos, o afeto nas relações pessoais, a ética, a cooperação no ambiente profissional e os trabalhos sociais têm de dar o tom dessa jornada que empreendemos na direção de uma educação de excelência. Por isso mesmo, nas escolas da rede estadual de ensino temos procurado dar aos nossos alunos não apenas informações, mas, sobretudo, formações sólidas. Formações pautadas, por exemplo, no incentivo ao voluntariado, nas experiências de auxílio às comunidades, nas discussões, debates e reflexões sobre os problemas que afligem a sociedade. Que um número cada vez maior de pessoas possa fazer parte desse sonho de contribuir para a “formação” de cidadãos mais conscientes de seus direitos e deveres. Cidadãos capazes de transformar as informações que recebam em matérias vivas que gerem, de preferência, a tão desejada felicidade para o bem comum.

Jovem empreendedor

Por Gabriel Chalita

A juventude traz consigo uma rebeldia natural. Uma força de espírito que se caracteriza pelo inconformismo e pela contestação das tradições que não condizem com as exigências dos novos tempos. Muitas vezes, o coro da platéia social acusa o jovem de inconstante e alienado, e até de irresponsável. Talvez por esse motivo, convencionou-se dizer que “jovem é um problema”.

Mas trata-se de afirmação já rebatida pela História, edificada também por numerosos heróis e heroínas que registraram feitos em tenra idade. Protagonistas que colaboraram para fazer do mundo lugar mais propício ao idealismo ao empreendimento de processos capazes de quebrar paradigmas, mudar rotas equivocadas, converter expectativas pessimistas em realizações bem-sucedidas. Jovem não constitui problema e, sim, solução! Basta instigá-lo a produzir, dando espaço para que seus sonhos tenham vez na atmosfera geralmente restrita e repressiva que paira sobre corações e mentes dos que perderam os positivos ímpetos juvenis. São fartos os exemplos de jovens que mudaram a História antes mesmo de completarem 20 anos. É o caso de Joana D’Arc e de Alexandre da Macedônia. Ela estimulava com belíssimos discursos os seus patrícios à realização dos sonhos. Ele foi estrategista e líder indispensável à conquista de boa parte da Europa e do Oriente antigos. Em outros tempos e frentes, jovens brasileiros subiram aos palcos da vida para mostrar novos conceitos artísticos e a força criativa da cultura verde-amarela. Foi assim na Semana de 22, evento divisor de águas no cenário nacional graças à atuação inovadora do grupo composto de jovens como Sérgio Milliet, Guiomar Novaes, Heitor Villa-Lobos, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Anita Malfatti, entre outros. Impacto semelhante também pôde ser sentido na década de 60 com precoces arrebatadores como Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa. Libertários que cantavam e compunham as trilhas sonoras da renovação. Eram os representantes da rebeldia do bem. E há aquele jovem em especial, cujo carisma, inteligência e altruísmo lançaram luzes sobre uma nova forma de ver e de vivenciar o amor entre as pessoas. Morto aos 33 anos, Jesus Cristo nos ensinou, sobretudo, a importância da solidariedade, da fraternidade e da justiça. Jovens são empreendedores. Mulheres e homens que ousam e que deixam marcas. As marcas do verdadeiro talento que nem sempre exige longos períodos para ser manifestado. Caso contrário, não teríamos Clarice Lispector escrevendo Perto do coração selvagem, aos 17 anos. Ou Rachel de Queiroz redigindo O quinze, sob a precária luz das lamparinas, aos 19. Em todos os campos do conhecimento, a criatividade do jovem é indispensável para que o novo aconteça. Nesse sentido, empresas e organizações que não dão espaço ao olhar fremente dos jovens felinos que saem pela primeira vez da caverna – como poetizava Mário Quintana – erram duas vezes. Primeiro, porque demonstram falta de generosidade, e não estão abertas para ensinar novos navegadores a conduzir a nau. Segundo, porque correm o risco de envelhecer, embotadas em padrões que se esgotam por escassez de ousadia, da paixão, e do olhar de entusiasmo dos errantes marinheiros de primeira viagem. É preciso fazer a apologia do erro. Da contribuição fantástica, mágica de todos os erros – como dizia Oswald de Andrade. Quem não erra não aprende. Não faz. Entre a omissão dos que enterram os talentos e a audácia bem-vinda dos que se lançam a multiplicá-los, fiquemos com o legado dos audaciosos. Esses, sim, são empreendedores que dão início ao esboço de um futuro de traços dinâmicos e belos. Que o Brasil, jovem país, dê espaço a esses gigantes em potencial. E que eles possam perceber sua importância e sua responsabilidade. Até porque o futuro começa a ser desenhado agora. Futuro que é obra de fôlego assinada, sem sombra de dúvida, pela potencialidade da juventude.

Plantando a árvore

Por Gabriel Chalita

“Onde haja uma árvore para plantar, planta-a tu. Onde haja um erro para emendar, emenda-o tu. Sê aquele que afasta a pedra do caminho, O ódio dos corações e as dificuldades do caminho.” As metáforas da autora são preciosas para nós, educadores. Plantar a árvore, idéia sonante da trilogia clássica, que se soma a ter um filho e a escrever um livro, tem a limpidez perifrástica do despertar de consciência.

Plantar a árvore tem toda a simbologia da construção do bem, de deitar semente à terra ou de aninhar uma idéia num cérebro, oferecendo terra tépida, água fresca, sopros de candura e diálogo constante. Envolve acompanhamento da germinação, proteção contra os ventos e contra as intempéries, o aconchego da tateante criatura. Significa desvelar-se em conduzir a solidificação do tronco, para que cresça ereto e justo, rumo ao céu, mas com a flexibilidade da fábula, para que resista à tormenta vergando- se apenas o necessário para não quebrar. Significa podar as folhas que o mau tempo secou, pensar as feridas causadas pelas pedras dos meninos desavisados e travessos, espantar os passarinhos danosos, ervas parasitas e outros intrusos. E significa enfim ensinar que a sombra não lhe pertence, mas pertence aos outros, que dela podem e devem fruir, como quem recebe bênçãos. Emendar erros não é das tarefas a mais fácil. A primeira exigência é que se reconheça exatamente o que é erro. Erro e acerto não são pilares cimentados, pintados de uma só cor. Há nuanças na avaliação. Por isso, há que primeiro avaliar as circunstâncias em que ocorreu o erro. Como dizia Bertold Brecht: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Em segundo lugar, há que se avaliar a intenção que produziu o erro. Um menino que praticou uma ofensa involuntária, movido pelo mais nobre desejo de ajudar, não pode ser condenado sem que se conheça o que passava pelo seu pensamento e pelo seu coração. E afastar pedras do caminho não quer dizer poupar de todas as dificuldades, mas poupar das dificuldades desnecessárias, que não acrescentam à pessoa qualquer soma pedagógica. Afastar pedras do caminho também não significa eliminar dificuldades, mas tomá-las menos desproporcionais à força, ao tamanho e ao preparo da pessoa que estamos ensinando. Talvez, mesmo depois de afastada a pedra, o aluno precise saltar uma outra, ou bater nela com a marreta até que se esboroe e ceda passagem. Talvez o aluno precise retroceder, esperar que chova e que o terreno ceda, que a pedra se acomode no fundo do lodo e assim seja possível seguir avante, apenas usando a pedra como tapete. Neste dia 15 de Outubro, a verve de Gabriela Mistral nos clama a afastar o ódio dos corações e as dificuldades do caminho. Ela sabia, ao compor o poema, como é difícil – e ao mesmo tempo belo! – educar. Fê-lo por toda a vida, inclusive entre nós, brasileiros, quando viveu em Petrópolis, na serra fluminense, atuando como cônsul do Chile. A educadora Gabriela Mistral conhecia todos os desafios. Por isso mesmo sua mensagem não é banal. Ao contrário, é profunda em sua simplicidade. Assim gostaríamos de cumprimentar os educadores paulistas, na data de hoje. Com simplicidade. E com muita ternura. Parabéns!

Revolução sob impasse

Por Gabriel

Chalita Discute-se, neste momento, em Brasília, um novo plano de financiamento para a educação no Brasil, para substituir o plano em vigor, que é o Fundef, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. E se apregoa uma revolução que corre o risco de ser digna de um exército de Brancaleone. O governo Fernando Henrique Cardoso criou o Fundef com o objetivo primordial de universalizar o acesso ao ensino fundamental.

E conseguiu avanço gigantesco: das crianças brasileiras de 7 a 14 anos que freqüentam a escola, passamos de um porcentual de 88% no ano de 1994 para 97% no ano de 2004. O segundo desafio que o Fundef ajudaria – como efetivamente ajuda – a enfrentar era o aumento da qualidade do ensino. Para aferir a qualidade do ensino e, assim, promover correções e reforços onde fosse necessário, o mesmo governo criou mecanismos de avaliação.O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Provão, para o ensino superior, são instrumentos que permitem diagnóstico válido para o conhecimento e para a ação, e para alocação de recursos em programas certos, nos lugares certos. Como tem sido a ação do governador Geraldo Alckmin, ao aplicar, por exemplo, mais de R$ 100 milhões por ano em capacitação de professores, desde programas à distância com tele e videoconferência até a bolsa-mestrado, passando pela inclusão digital. O governo do Estado de São Paulo paga R$ 720 mensais a professores que querem fazer mestrado e também investe para que todos os professores tenham computador em casa. E a inclusão digital não é dirigida apenas a professores: até o início de 2005, 100% das escolas da rede pública estadual terão laboratório de informática. O esforço da melhoria da qualidade de ensino, em São Paulo, envolve também as comunidades. Todas as 5.700 escolas estaduais estão abertas nos fins de semana – é o Programa Escola da Família, em parceria com a Unesco, o Faça Parte e o Instituto Ayrton Senna, que já levou, em um ano, quase 80 milhões de pessoas para as escolas, com pais, mães, avós, famílias inteiras aprendendo a complexa e salutar arte de conviver. Conviver pela arte, conviver pelo esporte, conviver pelo aprendizado recíproco. Esses são exemplos de ações governamentais que resolvem. E o ganho social é mais do que evidente: o Estado de São Paulo tem evasão escolar da primeira à quarta séries de apenas 1%, segundo indicadores do Saeb, o Sistema de Avaliação do Ensino Básico do próprio governo federal. Há uma explicação para esta conquista: quando a escola é acolhedora, os alunos não a abandonam. No âmbito da avaliação, além de participarmos dos exames nacionais, São Paulo também promove o Saresp, sistema que avalia a qualidade de quase 5 milhões de alunos, todos os anos, para aplicar recursos em programas certos, nos lugar certos. Mas a perspectiva de mudança dos instrumentos de avaliação da educação fará com que se perca o histórico e tudo terá de ser recomeçado do zero. Qual é a prioridade do governo Lula em termos educacionais? O ensino fundamental? O ensino médio? O ensino superior? A educação de jovens e adultos? Ou a creche? Não há recursos para tudo, por isso é preciso escolher. O que não significa optar apenas por um recorte do processo e abandonar os outros, mas separar o que é prioridade do que é importante, envidando mais esforços na prioridade. Atualmente, dos R$ 22,8 bilhões de recursos do Fundef, menos de 2% vêm da União. A grande parcela do recurso federal sustenta universidades. O Fundeb, proposto para substituir o Fundef, pode ser tanto uma evolução do financiamento da educação como um grande perigo. E só dará certo se houver significativo aporte de recursos do governo federal e se forem bem engendrados os mecanismos de composição e distribuição do fundo. É preciso eleger prioridades! A prioridade defendida pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) junto ao MEC, na semana passada, é o ensino médio. O jovem precisa ter uma educação de qualidade que o prepare para a vida, para o exercício da cidadania e para o mercado de trabalho. Os Estados não têm conseguido financiamento para atender a toda a demanda crescente desses jovens. O Consed reconhece, também, a importância da educação universitária e da educação infantil. Não se admite que uma criança entre 4 e 6 anos de idade fique fora da escola. O Brasil pode tomar como exemplo a Coréia do Sul, que elevou para 95% o porcentual de cidadãos com idade entre 25 e 34 anos que contam com o ensino médio completo, graças ao investimento de 7,1% do PIB no ano 2000, mais que os EUA, que no mesmo ano investiram 7% do PIB – a média mundial é de 5,9% e a do Brasil, de 4,2%. O levantamento, feito pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico da ONU, aponta que a Coréia do Sul saltou do 24.º para o 1.º lugar em volume de investimento na educação. Esse resultado sulcoreano levou uma geração para ser alcançado e vem sendo aplaudido como exemplo de política pública. E política pública é o que o MEC deve fazer, assumindo uma posição firme e de médio prazo em relação à ordem das prioridades. O governo federal precisa investir mais do que os parcos R$ 400 milhões de complementação que vem encaminhando ao Fundef. O Fundeb precisa claramente mostrar a opção do governo federal, dando prioridade à educação. Mudar de Fundef para Fundeb para dizer que agora a prioridade é tudo não vai resolver o problema da educação no País. O que se espera é um conceito claro de prioridade. E, mais que isso, bons gestores. Menos discurso, mais ação!

Definir prioridades

Por Gabriel Chalita

Não há partido político ou administrador público que negue em discurso a educação como prioridade para o desenvolvimento da cidadania. Mas, na prática, vemos medidas tomadas apenas para visibilidade, como inaugurar prédios e promover foguetórios. Prédios – mesmo que sejam palácios – não resolvem a relação entre mestres e aprendizes. Como processo, a educação requer continuidade.

E há muito que continuar fazendo pela educação. A começar por eleger o essencial. O governo Fernando Henrique Cardoso criou o Fundef para universalizar o acesso ao ensino fundamental. E conseguiu avanço gigantesco: das crianças de 7 a 14 anos que freqüentavam a escola, passamos de 88% em 1994 para 97% em 2004. O segundo desafio era a qualidade. Para aferir a qualidade do ensino, criou mecanismos de avaliação. O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e o Provão, para o ensino superior, são instrumentos que permitem diagnóstico válido para o conhecimento e a ação, e para alocação de recursos em programas certos, nos lugares certos. Mudar esses instrumentos fará com que se perca o histórico e tudo terá de ser recomeçado do zero. Pergunta-se qual a prioridade do governo Lula em termos educacionais. O ensino fundamental? O médio? O superior? A creche? A alfabetização de adultos? Não há recursos para tudo, por isso é preciso escolher. O que não significa optar apenas por um recorte do processo e abandonar os outros, mas separar o que é prioridade do que é importante, envidando mais esforços na prioridade. Atualmente, dos R$ 22,8 bilhões de recursos do Fundef, menos de 2% vêm da União. A grande parcela do recurso federal sustenta universidades. Debate-se a elaboração do Fundeb, que pode ser uma evolução do financiamento da educação ou um grande perigo. O Fundeb dará certo se houver significativo aporte de recursos do governo federal e se forem bem engendrados mecanismos de arrecadação e distribuição. É preciso eleger prioridades! O Brasil pode tomar como exemplo a Coréia do Sul, que elevou para 95% o percentual de cidadãos com idade entre 25 e 34 anos que contam com o ensino médio completo, graças ao investimento de 7,1% do PIB no ano 2000, mais que os EUA, que no mesmo ano investiram 7,% do PIB – a média mundial é de 5,9%, e a do Brasil de 4,2%. O resultado sul-coreano levou uma geração para ser alcançado, e vem sendo aplaudido como exemplo de política pública. Em São Paulo, vencemos a batalha da quantidade: o ensino fundamental está universalizado. Para vencer a batalha da qualidade, o governo de São Paulo investe, por ano, R$ 100 milhões em formação de professores e equipamentos. No início de 2005, 100% das escolas terão laboratório de informática. E todas as escolas já estão abertas nos fins de semana. São Paulo tem evasão escolar da 1 à 4 série de apenas 1%. Quando a escola é acolhedora, os alunos não a abandonam. Os indicadores nacionais vêm mostrando governadores e prefeitos comprometidos com a educação, caminhando na direção da gestão para a qualidade. Que os novos prefeitos eleitos saibam investir recursos no que é essencial e não queiram apenas destruir o que construíram os antecessores. A bandeira da educação deve tremular acima das bandeiras partidárias.

Carta aos funcionários e poetas

Por Gabriel Chalita

A lista de notáveis é extensa: Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Aluísio de Azevedo, Guimarães Rosa, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Lima Barreto, João Cabral de Melo Neto… Grandes referências literárias nacionais. Homens capazes de exercer atividades diversas com a mesma integridade e dedicação. Escritores brilhantes que, durante boa parte de suas vidas, também exerceram cargos no funcionalismo público.

Portadores de espíritos inquietos, essas figuras geniais conseguiram dividir seu tempo entre poemas, romances, contos, crônicas, ofícios, relatórios, protocolos, guias, formulários. Papéis diversos que mesclavam sonho e realidade, ações e projetos diferenciados que necessitavam da contribuição desses homens para serem viabilizados. Se analisarmos de forma detida, a maioria dos profissionais desta Secretaria de Estado da Educação é composta também por artistas da palavra, mestres e mestras no ofício de ensinar e, ao mesmo tempo, de aprender. São professores, coordenadores, diretores, supervisores… Toda a gigantesca e indispensável equipe que compõe o quadro de apoio de funcionários das escolas, das diretorias regionais de ensino, dos diversos setores internos desta Casa Caetano de Campos… Homens e mulheres que, a exemplo dos escritores citados, trabalham no limiar entre a criação, a imaginação, o sonho e a realidade. A realidade formada por pequenas e grandes tarefas cotidianas. Tarefas que necessitam de estratégias, planejamentos e objetivos operacionalizados por milhares de mãos, corações e mentes. Nesse sentido, todos os funcionários desta Secretaria são educadores. Agentes sociais capazes de transformar qualquer indício de burocracia em uma ponte para a concretização de ideais grandiosos. Quando observamos a paixão e a dedicação com que trabalham, adquirimos a certeza de estarmos no caminho certo. O caminho que irá proporcionar um futuro melhor para milhões de aprendizes. Parabéns a todos vocês, artistas da palavra, líderes que sonham e executam, idealistas e realizadores que compartilham o amor pela arte de educar. A arte de formar cidadãos críticos e conscientes. A arte de colaborar para a implementação de uma educação de excelência em todo o Estado de São Paulo. Por tudo que vocês simbolizam, por tudo que propiciam às novas gerações, o nosso mais sincero obrigado e um excelente Dia do Funcionário Público.

Encontro com a palavra

Por Gabriel Chalita

“Aqui jaz Fernando Sabino. Nasceu homem, morreu menino”. A frase poética escolhida pelo autor de “O Encontro Marcado” para a sua lápide expõe de maneira sucinta, mas explícita, um pouco da personalidade, dos desejos e anseios de um protagonista da palavra. Um autor cuja pena produziu, desde a mais tenra juventude, textos fundamentados na sensibilidade capaz de captar a angústia humana como poucos de sua geração souberam fazer.

Sobre ele, um dos maiores críticos literários brasileiros, Antonio Cândido, avalia: “Fernando tinha um olhar infalível para os pormenores expressivos e uma capacidade prodigiosa de invenção verbal”. Com a morte de Sabino, encerra-se um tempo singular que, por um desses desígnios inexplicáveis, teve o mérito de reunir, em uma mesma época e em um mesmo cenário – a cidade de Belo Horizonte -, o famoso quarteto de escritores mineiros composto por Sabino e pelos amigos Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos. Sabino foi o único dos quatro a chegar aos 80 anos. O único a sentir a ausência corrosiva provocada pela perda das grandes amizades. Suas dezenas de romances, crônicas, novelas, correspondências e relatos de viagem trazem em sua essência o cerne de um dom raro: o de fazer dessas histórias uma ponte entre a ficção e a reflexão. Um elo entre o eu e o outro. Entre o particular e o universal. A narrativa de Sabino instiga os leitores à realização de uma busca rumo ao autoconhecimento – virtude característica dos grandes mestres da palavra. Foi assim com o personagem Eduardo Marciano que, desde 1956, com a publicação de “O Encontro Marcado”, prossegue arrebatando corações e mentes. A escrita fluente e a leveza que dava a textos de temáticas muitas vezes angustiantes nasciam de um cuidado extremista de Sabino com a palavra. O mesmo que dedicou à música. Eclético, como todos que possuem espírito inquieto, Sabino era baterista de uma banda de jazz – estilo caracterizado pelo predomínio do improviso sobre a técnica. Assim também era Sabino na literatura: artista cujo compasso ritmado era marcado pela junção da técnica e da sensibilidade. A perda do escritor mineiro já seria motivo suficiente para que o reino das palavras ostentasse luto por prazo indefinido. Entretanto, dois dias antes, o mundo das letras, da filosofia, do pensamento dava adeus ao filósofo Jacques Derrida, famoso pela teoria da “desconstrução”, cujo princípio era desfazer o texto do modo que foi previamente organizado para revelar significados ocultos. Suas pesquisas apontavam que, tanto na literatura como nas demais formas de arte, é possível observar – por meio de análises detidas – numerosas camadas de significados não necessariamente planejados pelo criador da obra. Assim como Sabino, Derrida era o único sobrevivente de um grupo ímpar de personagens que ajudaram a compor a história de uma geração. Juntos, Althusser, Barthes, Deleuze, Foucault, Lacan e Derrida tornaram-se conhecidos como “os pensadores de 1968″. Desde então, o filósofo contribuiu sobremaneira para o entendimento de questões essenciais à compreensão do século 20. O autor de “Espectros de Marx” não se furtava, mesmo já muito doente, o direito de viajar pelos continentes lançando luzes sobre temas variados e polêmicos como a literatura, a política, a ética, os conflitos árabe-israelenses, a luta contra o aparthaid, os últimos atentados em solo americano, a rapidez dos processos tecnológicos. Derrida era um cidadão do mundo, um homem que viveu apaixonadamente e defendeu sua ideologia e seus propósitos de todos os modos. A justiça, os direitos humanos, a conquista da cidadania e a dignidade da pessoa humana eram, invariavelmente, bandeiras que empunhava em favor da edificação de um tempo mais pacífico e igualitário para povos e nações. Foi ele, também, o criador, em 1983, do Colégio Internacional de Filosofia, a que presidiu até 1985. Sem dúvida, as vidas de Sabino e de Derrida são exemplos de entusiasmo e de dedicação. Convites a uma existência mais pró-ativa, passional, conectada à nossa verdade interior e à procura da felicidade individual que se expande para o coletivo. Foram-se dois grandes homens. Ficam duas grandes lições. Que todos tenhamos sabedoria para apreender os ensinamentos que deixaram em seus livros e que os manterá, para sempre, vivos. Afinal, como afirmou Derrida em uma das tantas entrevistas que concedeu: “(…) a vida é sobrevida. Sobreviver no sentido corrente quer dizer continuar vivendo, mas também viver após a morte”.

Mensagem para o magistério

Por Gabriel Chalita

A função mais importante do professor é gerenciar sonhos. Mas nesse mister a amplitude da tarefa é maior que isso: instigar obreiros, fazedores, estimular a inspiração que leva ao domínio do sonhar e do realizar. Iniciativas em torno desse conceito é que constituem os elementos essenciais para o aprendizado, e que levam a criança e o jovem a aprender a ser, a conviver, a conhecer, a fazer. São atitudes que permeiam todas as tradicionais disciplinas, porque o aluno não pode ser um repetidor de fórmulas decoradas.

Tem que ser um cidadão, um humanista. Por isso, o ato de ensinar requer um grande respeito pelos jovens, pelos seus desejos e pelas suas expectativas. Até porque essas crianças e adolescentes não são nossos filhos, como pontificou o grande poeta Khalil Gibran, mas são “os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma”. Para concretizar essa compreensão do universo do magistério, os professores têm, de seu lado, a vocação e a dedicação, e pelo lado da instituição estadual, o apoio que merecem para serem os viabilizadores da vivência ensino-aprendizagem. A capacitação é prioridade. Porque o professor quer e precisa estar atualizado para levar a efeito a nobre tarefa do magistério. Ferramentas importantíssimas para a capacitação de professores foram disponibilizadas. Entre os professores efetivos, não há um sequer sem diploma universitário ou em vias de obtê-lo. Os quase 7.000 que ainda não tinham cursado universidade já receberam esse benefício do Estado, que agora auxilia também as Prefeituras municipais a darem a mesma formação aos seus professores. Dando mais um passo, o governador Geraldo Alckmin autorizou a concessão de bolsa mestrado para inicialmente 2.000 professores da rede pública estadual. É a concretização do sonho da evolução na carreira acadêmica. A Rede do Saber, pólo de divulgação de conhecimento em total sintonia com a era informacional, tem em funcionamento 104 centros de capacitação de videoconferência, e impressiona por sua produtividade e modernidade. A Teia do Saber e os cursos presenciais asseguram o direito indistinto e democrático de todos os professores de se capacitarem. E além disso, já é grande o grupo de professores estudando em outros países, em universidades parceiras. Só o Banco Santander Banespa está enviando mais de 100 professores para um estágio orientado na Universidade de Salamanca. São iniciativas que propiciam a professores que jamais saíram de sua microrregião natal a oportunidade de vivenciar outras realidades, experienciar outras culturas, tomar contato com avanços tecnológicos e didáticos que serão úteis no seu cotidiano profissional e na sua vida pessoal. E que professor não se tornará melhor quando aprimora o seu conhecimento, a sua sensibilidade para as coisas do mundo e a sua capacidade de compreender? O concurso público para quase 50.000 cargos foi mais um progresso na melhoria da carreira pública. E, recentemente, a aprovação de alterações da Lei Complementar 836, que instituiu o plano de carreira, vencimentos e salários para os integrantes do Quadro do Magistério da Secretaria da Educação, reajustando o salário de todos os professores e funcionários. Nesse universo estão incluídos os aposentados, um grupo de profissionais que hoje repousa da faina diária, mas que durante anos e anos prestou à sociedade o imprescindível serviço de estimular sonhos e de promover realizações. Já que o futuro começa hoje, o professor também quer e precisa ter qualidade de vida. Que se traduz em mais segurança nas escolas, com o programa de segurança escolar. E que se traduz na grande revolução educacional desta gestão, que é o Programa Escola da Família. Locais onde antes nada existia contam agora com a escola como grande centro comunitário de atividades sociais, artísticas e culturais. A comunidade foi para a escola, para todas as 5.306 escolas, como deve ser, e passou a acompanhar os seus filhos e filhas, e a fazer parte do dia-a-dia pedagógico dessas crianças e desses jovens, praticando e exercendo a cidadania nos espaços escolares, transformados em centros de convivência. Esse conjunto de iniciativas mostra o que podemos celebrar neste dia 15 de outubro. Mas, certamente, quem tem mais a celebrar são os alunos, filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma, e que através de nós, professores, se lançam como flechas rumo ao infinito. Com certeza toda a comunidade está agradecendo aos professores pelo respeito e pela dedicação que seus filhos recebem, e cujos frutos serão colhidos ao longo de toda a vida. A vocês, queridos professores, mestres na arte de amar, regentes de orquestras em busca de afinação, condutores de sonhos, está endereçada esta mensagem. Vocês são os realizadores. Merecem, portanto, todo o nosso carinho, nesse dia em que o milagre do aprendizado resplandece nas milhares de salas de aula, como em cada manhã.

Educar é gerenciar sonhos

Por Gabriel Chalita

Dia do professor. Hoje é dia do professor. Mas todos os dias são dias de professoras e professores que encantam na arte de gerenciar sonhos. Porque alimentam, a cada dia, na magia da sala de aula, a esperança. Porque a cada dia ensinam crianças e jovens a fantasiar e a realizar. A fantasia aparece como componente pedagógico fundamental das brincadeiras infantis, desde as parlendas, cantigas, histórias, pinturas, modelagens, até as teatrais construções de personagens.

A fantasia aparece no âmago do adolescente. E se reflete nas lágrimas em salas de cinema, na emoção do primeiro encontro, do primeiro namoro. E não morre na maturidade, ou melhor idade. É a fascinante capacidade de sonhar. De se lançar a novos projetos. De recomeçar. Quantos professores começaram a faculdade ou o curso de mestrado com anos de profissão? Quantos mestres se lançaram ao novo, aprimorando a forma de ensinar e não temendo o conceito de aprender sempre? A realização também é componente da educação. E pode ser percebida na emoção do mestre que vê as letras sem significado ganhando forma. Nos números fazendo sentido. Nos conceitos sendo enraizados. Na observação do aluno a percorrer firmemente as sendas fascinantes do saber. E como os nossos mestres são competentes! O Estado de São Paulo tem muito do que se orgulhar de seus educadores. Na última edição do SAEB – Sistema de Avaliação do Ensino Básico, feito pelo Ministério da Educação, além de toda melhoria detectada na qualidade do ensino público da rede estadual de São Paulo, um dado saltou aos nossos olhos. A evasão escolar de primeira a quarta séries do Ensino Fundamental é de apenas 1% (um por cento). Esse é o melhor índice do país. E é importante que se diga que a evasão é o principal indicador de escola acolhedora. O aluno, quando não gosta da escola, quando se sente discriminado, acaba abandonando. E criança fora da escola é vergonha para qualquer país que sonha em ser cidadão. Fantasias, sonhos. Realizações, cotidiano. Só se melhora a educação investindo nos educadores. O governador Geraldo Alckmin vem acolhendo todos os pleitos do magistério paulista. Formação universitária para quem não tinha. Bolsa mestrado – nunca se ouviu dizer que alguma rede pública desse país custeou o curso de mestrado para seus educadores. Concursos para o preenchimento de mais de 50 mil cargos. Valorização dos profissionais de arte e educação física. Aumento salarial. Bônus. Programas de inclusão digital que possibilitaram a compra de computador para professores. E o principal: respeito e carinho para com esses mestres da emoção e da ação. Que os professores se sintam acolhidos e valorizados e que nunca se esqueçam da imensa responsabilidade que têm como líderes. O professor é um referencial que fica para a vida inteira. Na lembrança de cada aluno está o exemplo, o cuidado, os detalhes que embalaram fantasias e realidades. Lembro-me das minhas primeiras professoras – até do penteado, do jeito de andar, e da arte de contar histórias, herdada de milenares tradições. Uma dessas mestras, em todas as sextas-feiras, contava histórias de amor. Talvez ela tenha aprendido com Goethe que só se ensina uma criança a amar, amando, e que no mundo nada nos torna necessários, a não ser o amor. Quem planta amor não poderá ver florescer outra coisa no jardim da vida. Feliz dia dos professores.