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A janela pela qual o futuro entra no mundo

Jovens de todo o mundo circulam pelo Rio de Janeiro. Trazem na bagagem sonhos e angústias. Falam línguas distintas. Pertencem a grupos diversos. São motivados por diferentes formações e informações. E representam um pouco do muito que o Papa Francisco tem proclamado ao povo, por todo canto: “A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo”.

Essa frase, dita no primeiro pronunciamento de Francisco em solo brasileiro, reflete sua certeza de que a Igreja pode ser um importante canal para a união das forças vivas dos governos e da sociedade em prol do jovem. Do jovem que precisa de formação, de emprego, de chances para que seja protagonista de sua história. Do jovem que precisa de um tema para viver, lembrando o príncipe dos poetas, Paulo Bomfim.

Ainda no avião, o Papa falou de sua preocupação com uma geração de jovens desempregados que têm os talentos desperdiçados por falta de oportunidades para manifestá-los.

Andar nestes dias da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), pelas ruas do Rio de Janeiro, é sentir a beleza e o entusiasmo vivo desses jovens. Há, por todo canto, rodas de moças e moços cantando, rezando, sorrindo, namorando. Uma juventude que tem a consciência de que a violência, as drogas, os exageros acabam por fechar essa janela de futuro a que são vocacionados. Quantas vidas desperdiçadas em acidentes que interrompem o caminho! Uma arma de fogo, um racha, um acidente provocado por embriaguez, uma seringa com substâncias tóxicas. Tudo que vai contra a vida e contra a liberdade é rechaçado por essa geração que “bota fé” no futuro.

Que a JMJ persista, despertando responsabilidade para que cuidemos da janela de garantia do futuro. E para que cuidemos desses jovens plenos de possibilidades, mas carentes de formação.

É a atualidade do que escreveu São Paulo a Timóteo, jovem cheio de coragem que anunciava o amor de Deus: “Ninguém te despreze por seres jovem. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis”. Esse é o sonho do Papa. É o nosso sonho.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 26/7/2013

O difícil encontro do meio-termo

A educação começa em casa. Esse conceito está pacificado. Os pais são os educadores por excelência. São as primeiras referências na vida de uma criança. Depois, vem a escola. E a vida em sociedade. É essa a definição clássica. Só que, agora, há outro grupo de influência poderoso: a sociedade virtual.

Dia desses, uma mãe me perguntou o que fazer com o filho, que perde boa parte do tempo diante do computador: “Ele não conversa, não gosta de almoçar comigo, não sai de casa. Quando eu cobro, ele diz: ‘Enquanto as mães ficam preocupadas com os filhos porque não voltam para casa, você briga comigo porque não saio de casa’”.

O que fazer para chegar ao meio-termo, conceito filosófico defendido por Aristóteles, que, dentre outras razões, dizia ser esse o caminho para a felicidade? Nada de exageros, afirmaria o filósofo. Nem a falta. Nem o excesso.

Proibir os filhos de usarem o computador não é o caminho do meio-termo. Deixá-los o dia todo diante dele também não. Há um fator que precisa ser resgatado: o diálogo. Os pais conversam pouco com os filhos. A razão pode ser a falta de tempo ou, pior, de assunto. Os mundos são diferentes e, como não há muita disposição para compreender o desconhecido, a prosa fica empobrecida: “Tudo bem, filho?”, “Tudo”; “Tudo bem na escola?”, “Tudo”;  “Almoçou?”, “Já”.

O diálogo começa na infância, quando os pais contam histórias para os filhos, quando brincam com eles. É desde cedo que se educa para o “sim” e para o “não”. É desde cedo que os limites são recebidos. Mesmo contrariada, a criança vai aprendendo. E a presença dos pais é fundamental. Muitas vezes, a família acha que é a escola que tem a obrigação de ensinar os valores essenciais para a criança. Por melhor que seja uma escola, ela nunca preencherá a lacuna de uma família ausente.

Em tempos de tecnologia, vale lembrar a boa imagem de quando a criança dormia no colo do pai ou da mãe ouvindo histórias. Isso faz bem para os afetos e para a inteligência. 

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)

Gabriel Chalita apresenta programa na rádio Mix FM

Desde o dia 8 de julho, Gabriel Chalita apresenta um programa na rádio Mix: o Geração Cidadania. São dois boletins diários, com histórias reais de solidariedade. Projetos inspiradores de quem contribui para um país mais justo e humano. 

Veiculado nacionalmente, o programa é uma iniciativa para divulgar essas realizações e incentivar outras pessoas a realizar trabalhos voluntários. Na cidade de São Paulo, a frequência da Mix é 106,3 FM.

Para enviar sua história de solidariedade – ou a de alguém que você conheça –, acesse facebook.com/programageracaocidadania. Ou, se preferir, mande um e-mail para [email protected].

 

 

 

 

Ficha técnica

O quê: programa Geração Cidadania

Onde: rádio Mix FM (em São Paulo, 106,3 FM; para a frequência em outras cidades, acesse mixfm.com.br)

Quando: duas vezes por dia, ao longo da programação

 

Fonte: assessoria de imprensa 

A busca da verdade no processo educacional

Desde os gregos, discute-se muito a existência da verdade. Sócrates e os sofistas navegaram em mares distintos. O primeiro tinha o compromisso com a verdade; os sofistas, não. Sócrates acreditava que todo mundo possuía condições de desenvolver o conhecimento. Os sofistas, em nome de uma tentativa de pacificar esforços, achavam que não se devia buscar algo tão doloroso como o parto do conhecimento; os que o tivessem poderiam repassá-lo aos outros na medida de sua necessidade. Sócrates discordava. Para ele, a aventura do conhecer era bastante pessoal. Assim, os parteiros apenas tinham de auxiliar a nova criança a nascer.

Se a verdade, por um lado, tem a beleza proposta por Sócrates, por outro, corre o risco de ser abraçada de forma radical e ignorante. Os que se assumem donos da verdade estão muito distantes dela. A verdade é como um sol que ilumina e aquece. Não tem dono. É de todos e não é de ninguém.

Verdades absolutas transformam-se em dogmas, o que em educação é um perigo. Verdades absolutas são paradigmas que impedem o professor de conseguir enxergar de outra forma.

Paulo Freire insistia em salientar que o professor deve educar para o essencial. Enxergar as possibilidades. Sair do convencional. Ter criatividade para ousar. O comodismo encerra, enclausura uma força nova.

É preciso acreditar no aluno. Quem não confia na possibilidade de transformação do ser humano, em sua capacidade de superação, não pode ser educador. O professor deve notar o que une os alunos, enxergar além da indisciplina ou da apatia. Ser capaz de não desanimar quando o jardim não estiver florido. Ser capaz de enxergar sementes por debaixo da terra.

O primeiro passo não é descobrir o que o aluno não sabe, mas o que ele sabe. Cada um tem uma história de vida que merece ser conhecida.

Estudantes tímidos não perderão a timidez com a braveza do professor. É com jeito que se faz. Com uma conversa aqui. Com um trabalho em dupla. Com um espaço para que ele diga pouca coisa, mas algo que lhe dê conforto. À força, nada funciona em matéria educacional. Isso não significa que o educador não deva ser exigente. Exigente, sim; ríspido, não. Exigente, sim; desequilibrado, nunca.

O professor precisa compreender que sua relação com o aluno é de natural generosidade. Uma troca em que tanto a ausência quanto a insolência são intoleráveis. A ausência faz com que o aluno não espere nada do professor nem de si mesmo, o que é um desperdício. E o professor só aceitará caminhar com seu aluno se ele próprio tiver consciência de que é também um ser humano, sujeito às vicissitudes da vida. É preciso ter o desejo de melhorar o mundo e acreditar na educação como o principal caminho para fazê-lo.

A presença do educador tem de ser completa. Um professor, ao entrar na sala de aula, precisa acontecer. Encantar, motivar, instigar. O aluno tem de sair dali com fome de saber. E, para isso, emoção e razão devem conversar.

No processo educacional, a busca da verdade é um caminho que se percorre conjuntamente. Mestres e alunos ensinam e aprendem de forma contínua, colaborativa, uma vez que aquela busca, se bem conduzida, não se esgota. A consciência de que nada sabemos nos permite construir uma rica trajetória, em que o conhecimento cumpre seu papel libertador. E esse é um aprendizado para a vida inteira.

Por Gabriel Chalita (fonte: Revista Profissão Mestre)

Globalização da indiferença

O papa Francisco vem surpreendendo desde o início de seu pontificado. Sua simplicidade e seu sorriso – expressão de bondade – têm conquistado católicos e não católicos do mundo todo. Seu discurso e suas ações transbordam ternura, acolhimento, amor.

Nesta semana, o papa esteve na ilha de Lampedusa, na Itália, uma porta de entrada para imigrantes ilegais na Europa. Na arriscada travessia pelo mar, em frágeis embarcações, muitos morrem em busca do sonho de viver numa pátria por eles considerada melhor. Quantas tristes histórias de imigração clandestina são conhecidas de todos – muitas delas, convertidas na desumana escravização da pobreza.

O papa lamentou essas mortes, de vida ou de liberdade. E lamentou, também, a falta de responsabilidade, de fraternidade, pela desgraça de um irmão, a ausência do choro pela dor alheia. Lamentou, enfim, a indiferença humana: “Caímos na globalização da indiferença. Nós nos habituamos ao sofrimento do outro. ‘Não nos diz respeito, não nos interessa, não é tarefa nossa!’”.

Francisco está certo! Este é um dos mais graves problemas contemporâneos: a indiferença. Somos “seres de convivência” e, portanto, a indiferença é a negação da nossa essência. Nós, seres humanos, precisamos uns dos outros. É na solidariedade, na fraternidade, que nos realizamos.

“A globalização da indiferença nos torna anônimos, responsáveis sem nome e sem face.” Quem só se interessa por si mesmo desperdiça a felicidade que vem do servir. Outro Francisco, o santo de Assis, ensinou que o servir traz mais felicidade do que o ser servido. Basta experimentar. Há muitas mulheres e muitos homens que realizam trabalhos voluntários e tentam melhorar o mundo. Há profissionais que fazem de seu ofício uma construção de pontes, para que, na engenharia da vida, ninguém seja deixado para trás. Toda vez que enxergamos o outro, diminuímos a indiferença e ajudamos a globalizar o respeito e a fraternidade.

Seja bem-vindo ao Brasil, papa Francisco.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)

Comissão de Educação aprova psicólogos e assistentes sociais na educação básica

A Comissão de Educação da Câmara Federal, presidida pelo deputado Gabriel Chalita, aprovou por unanimidade o Projeto de Lei 3.688/2000, que dispõe sobre a prestação de serviços de psicologia e de serviço social nas redes públicas de educação básica. De acordo com o documento, esses serviços serão prestados por equipes multiprofissionais, de maneira a desenvolver ações voltadas à melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Os sistemas de educação, de saúde e de assistência social terão o prazo de um ano para se adequar ao cumprimento do projeto.

Em reunião realizada no dia 3/7, houve um impasse durante a votação nominal da propositura. Como o projeto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados e ganhou um substitutivo no Senado Federal, coube aos parlamentares debaterem qual texto seria melhor para a educação brasileira. No entanto, durante a votação, foi registrado um empate; assim, Chalita fez uma consulta à Presidência da Câmara quanto ao critério a ser adotado. Tanto a Presidência da Casa quanto a Secretaria-Geral da Mesa recomendaram a anulação da votação anterior e a participação da relatora em um novo processo de votação.

Fonte: assessoria de imprensa | Data: 10/7/2013