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PMDB convida Chalita para disputar a Prefeitura de SP

(Folha de S.Paulo)

Alçado à política paulista pelas mãos do governador Geraldo Alckmin, o deputado federal Gabriel Chalita (PSB-SP) foi convidado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, a concorrer à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB em 2012.

A articulação ampliaria o isolamento do PSDB de Alckmin, já que a expectativa é de que o PMDB e o PT componham uma chapa para disputar as eleições. Alckmin ainda tenta evitar o acordo de Chalita com os peemedebistas. Ciente da vontade do deputado de trocar de partido, o governador o incentiva a migrar para o PTB, comandado em São Paulo por Campos Machado, considerado “alckmista”.

O convite do PMDB, dirigido por Temer, foi divulgado pelo vice-presidente ontem após evento com empresários em Comandatuba (BA).

“O Chalita tem conversado muito conosco. Se vier é um fortíssimo candidato a prefeito”, disse Temer.

O PMDB corteja Chalita desde o ano passado. Procurado, o deputado não quis dar entrevista.

Temer aguardará uma posição sobre o destino do deputado até maio. Para concorrer à Prefeitura, ele teria que mudar de partido até setembro deste ano.

Chalita, que foi secretário estadual de Educação na gestão anterior de Alckmin, trocou o PSDB pelo PSB em 2009. Durante a última campanha presidencial, militou pela então candidata petista Dilma Rousseff, aproximando-se do PT e do PMDB do vice-presidente Michel Temer.

A avaliação é que, consolidada a migração para o PMDB, o PT buscará uma composição com a legenda, em acordo que envolveria a eleição na capital, em outros municípios e na sucessão ao governo do Estado em 2014.

 

Projeto Lê pra Mim? tem participação de Chalita

No rosto das crianças, curiosidade. Na leitura de Gabriel Chalita, a alegria de poder fazer parte do encantador universo infantil. O escritor e deputado federal participou hoje, dia 16, do Projeto Lê pra Mim? – que acontece durante os fins de semana de abril, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, depois de temporadas bem-sucedidas no Rio de Janeiro e em Salvador.

Promovida pela atriz e produtora teatral Sônia de Paula, a iniciativa consiste na leitura de obras infantis para meninos e meninas a partir de quatro anos de idade, gratuitamente. Personalidades são convidadas a protagonizar o evento, de modo a fazer com que os pequenos se interessem pelas letras.

Chalita narrou, para crianças e adultos acompanhantes, “A história da flor”, livro de sua autoria que trata de Ello – garoto que passa os dias em um jardim, contemplando a perfeição da natureza, até que surge Júlia, “clara como um lírio, de pele delicada como a pétala de uma rosa”. Durante a leitura, foi possível notar o contentamento da plateia.

“O projeto é muito interessante, na medida em que mobiliza artistas e autores para despertar a imaginação das crianças”, disse Chalita. “Enquanto a televisão e a internet trabalham com o visual, a contação de histórias mexe com o imaginário”, destacou.

A apresentadora Eliana também estava presente na ocasião – primeiramente, para ler a obra “A história da menina e o medo da menina” e, em seguida, como espectadora, durante a apresentação de Chalita. A edição paulistana do Lê pra Mim? conquistou, ainda, a adesão de Gabriela Duarte, de Marisa Orth, de Laura Cardoso, de Marcos Caruso, de Marília Gabriela e de Lu Alckmin, entre outras personalidades. Crianças que tenham deficiência auditiva também podem aproveitar o evento, já que todas as sessões contam com especialistas na linguagem dos sinais (LIBRAS).

Chalita quer lei de responsabilidade para a educação

No dia 15 de abril, Gabriel Chalita participou, como palestrante, do Fórum Sindical e Educacional do Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo (SINESP). Realizado no Teatro Gazeta, na capital paulista, o evento teve como tema central a aplicação do Plano Nacional de Educação (PNE) na cidade – discussão de fundamental importância para a construção da qualidade no ensino público.

Chalita destacou a necessidade da criação de uma lei de responsabilidade educacional, de modo a fazer com que o Brasil dê nessa área o mesmo salto que deu na economia. Segundo ele, a falta de sanções quando não são cumpridas metas certamente é um dos grandes males enfrentados pela educação em todo o País.

“Nós precisamos avançar, por exemplo, no sonho de ter escolas de tempo integral e na possibilidade de professores e de diretores criarem vínculos com seus alunos, para estes estabelecerem um cotidiano de confiança com os educadores”, ressaltou Chalita. Ele citou a cidade de Pequim como um exemplo no que se refere a iniciativas públicas bem-sucedidas. Entre elas, merecem destaque a valorização do ensino integral e o investimento nos esportes – em especial, dentro das escolas. O país, que foi sede da Olimpíada de 2008, teve um desempenho extraordinário nessa edição dos Jogos; conquistou o maior número de medalhas de ouro, à frente dos Estados Unidos.

O educador também falou sobre sua incansável luta para melhorar o ensino público, lembrando a importância dos diretores escolares e dos professores como verdadeiros líderes. “O líder é aquele que incentiva seus alunos e preza pela qualidade do ensino em sua escola, por meio da construção coletiva”, afirmou. “Diretores e professores são verdadeiros gestores de pessoas e de condutas humanas.”

O fórum contou com a participação dos educadores João Alberto Rodrigues de Souza e Maria Benedita de Castro Andrade, presidente e vice-presidente do SINESP, além de outros professores, coordenadores pedagógicos, assistentes de direção e diretores escolares.

A dor e o aprendizado

As cenas dos adolescentes correndo pela escola, o pânico, o medo, a destruição, as mortes. Os velórios foram de grande comoção. É triste ver a partida antecipada de quem estava vocacionado para o futuro. Essas crianças não tinham que morrer, é essa a certeza que ficou em quem acompanhou o desfecho infeliz. Há muitas conclusões apressadas. Muitas tentativas de solucionar o problema. Há aqueles que agora querem transformar as escolas em fortalezas, com policiais armados e detectores de metal. Há outros que querem endurecer a legislação penal. Há os que falam em fundamentalismos religiosos e os seus perigos. Vamos com calma. Antes das certezas, é preciso aprender com as dúvidas. 

Por que Wellington Menezes de Oliveira – além da psicose, da esquizofrenia – entrou na escola em que estudou disposto a matar adolescentes? Por que não matar no ponto de ônibus, no bar, na rua, na praia, no clube? Em todos esses lugares, há grande concentração de pessoas. Não. Wellington escolheu a escola. A escola em que estudou. Evidentemente, Wellington sofria das doenças da mente, mas há algumas pistas para tentarmos aprender com esse episódio.

Há testemunhos de amigos da mesma escola em que o atirador sofreu bullying. Só tinha um amigo, que também sofria. Era discriminado. As meninas não davam a ele a atenção que tão bem faz aos adolescentes. Era muito fechado. Falava pouco. Sofria sozinho. A mãe, a única com quem tinha vínculos maiores, morreu. Perdeu o emprego. Resolveu viver sozinho. Ele e os seus monstros. E decidiu que o último ato de sua vida seria para chamar a atenção. Escreveu detalhes do seu sepultamento para se sentir alguém. Misturou angústias, desprezo pelo ser humano e respeito pelos animais. Esses, sim, valiam a pena.

Claro que nem todas as pessoas que sofrem de bullying entram em escolas atirando. Mas há que se aprender com esse episódio.

As escolas precisam trabalhar com as habilidades sociais e emocionais, além da cognitiva. Não é possível que o espaço sagrado em que se ensina e se aprende seja reduzido a um palco de preconceitos e de chacotas. Há quem diga que sempre foi assim. Há algumas diferenças. A falta de diálogo em casa e o cyberbullying ampliam o problema.

O bullying é uma covardia, uma agressão à alma. Os seus efeitos podem ser amenizados se os pais conversarem mais com os filhos. O grande problema do bullying é o silêncio. A vítima sofre em silêncio, não divide com ninguém a dor pelo sarcasmo de que foi vítima. Bullying é mais do que violência escolar. Bullying é violência continuada, repetida. É a humilhação moral ou física em que os mais “poderosos” subjugam os “diferentes”.

É preciso trabalhar essa temática em sala de aula nas diversas disciplinas. O aluno tem de perceber que as “brincadeiras” agridem, humilham. É a regra de ouro da ética: “Não fazer ao outro o que não gostaríamos que fizessem conosco”.

Escola que apenas ensina a decorar não é escola. Família em que não há conversa não é família. Escola e família precisam estar juntas nesse processo essencial de educar a pessoa humana para o seu equilíbrio e para a convivência harmoniosa com os diferentes. É assim que se previnem essas tragédias. Com inteligência, não com violência nem com soluções mágicas.

Nossa solidariedade às famílias das vítimas e aos educadores de Realengo e de todo este país, tão carente de uma educação que forme a pessoa, que desenvolva a cidadania e que prepare para a vida e para o trabalho.

Fonte: site Brasil 247 por Gabriel Chalita

Timidez não é defeito

Toda criança tem o direito de ficar sozinha e quieta. Toda criança tem o direito de não ser extrovertida, de gostar de brincar com poucos colegas e de não responder a todas as perguntas que os adultos lhe fazem, inclusive — e principalmente — pais e professores.

A criança tem o direito de ser tímida!

Mas, pelo jeito, estamos roubando esse direito dela.

Já faz um tempo que “participar” das aulas na escola, mesmo que seja falando qualquer bobagem, tem sido uma atitude exaltada e incentivada pela maioria dos educadores.

Receber muitos telefonemas, convites para festas, para brincar na casa de colegas da escola ou mesmo para viajar no final de semana tem sido tratado como índice de boa socialização.

Os pais, em geral, se preocupam quando os filhos, mesmo os menores de seis anos, não são “populares” entre seus pares.

Mas o problema é que, agora, estamos exagerando. Não basta considerar a timidez um defeito: queremos transformar essa característica em patologia, tratar.

Isso já é demais.

A mãe de um menino de dez anos me escreveu contando que a escola que seu filho frequenta promoveu uma palestra para os pais com o título “Como tratar as crianças tímidas”. Ela foi, ouviu tudo e voltou preocupada.

Agora, essa mãe acredita que precisa levar o filho para um tratamento psicológico porque, segundo aquilo que ouviu na escola, ou pelo menos o que interpretou do que lá foi dito, o futuro do filho não será lá muito promissor caso ele não consiga superar a timidez que hoje apresenta.

No mundo da diversidade, não suportamos as diferenças, é isso?

Queremos que nossos filhos tenham todos os brinquedos que os colegas têm. Queremos que viajem para os mesmos lugares que seus pares contam ter visitado, que usem as roupas e os calçados das mesmas marcas que a maioria dos colegas e que se comportem de modo semelhante ao da maioria.

Acreditamos que crianças padronizadas e uniformes formam um grupo, e que os diferentes são excluídos dele.

Isso é uma grande violência que nós praticamos contra os mais novos.

Afinal, será que desconhecemos que o mundo tem lugar para todo tipo de pessoa?

Será que ninguém conhece adultos bem-sucedidos em sua profissão e que são extremamente tímidos na vida social?

Conheço pessoalmente vários casos assim e, por leitura de biografias, muitos outros. Escritores, cientistas com renome internacional, artistas, professores etc.

E adultos muito extrovertidos, com uma vida social intensa e uma rede de conhecidos enorme, mas que apesar disso são infelizes e não realizados na vida: será que ninguém conhece?

Temos tratado as crianças de uma maneira muito pouco respeitosa. Não suportamos que elas sejam muito ativas, rebeldes, que fiquem tristes, que reclamem, que desobedeçam, que queiram ficar quietas, que não parem, que sejam tímidas.

Ora, queremos formar uma massa de crianças medianas ou medíocres?

Vamos deixar as crianças tímidas em paz. Elas podem mudar na adolescência. Aliás, as muito extrovertidas também podem se transformar em tímidas nessa mesma época da vida.

Timidez não é defeito, tampouco doença. É apenas uma característica e, se a criança tiver oportunidades de ser aceita e reconhecida da maneira como ela é no momento e aprender a não permitir que esse seu traço impeça a sua vida de acontecer, ela crescerá de acordo com seu potencial e conseguirá, sim, encontrar meios de viver de acordo com esse seu jeito de ser.

Se, ao contrário, insistirmos para que ela altere essa sua característica, aí sim, nós poderemos atrapalhar o seu desenvolvimento e prejudicar o seu autoconhecimento, o que é fundamental para qualquer pessoa viver melhor.

Fonte: jornal Folha de S.Paulo (por Rosely Sayão)

Todo jovem estuda na Febem

Eles vivem no Facebook e SMS. Os adultos querem que saiam do celular ou do game para prestarem atenção aos estudos. E as escolas proíbem tudo que é divertido. Quanto desperdício de humanidade.

O slogan das escolas — “Cala a boca” e “Decora aí”— presta um profundo desserviço aos meninos e meninas. O que os adolescentes fazem enquanto ficam com aquela cara de UTI nas aulas é estudar a matéria mais importante para o resto de suas vidas: sociologia.

Nas redes sociais, aprendem Shakespeare: amor, ódio, inveja, estratégias de adaptação e rejeição tribal. Por que ela não quer sair comigo? Como é que ele deu um beijo e nunca mais ligou? Será que eu vou levar uma porrada daqueles grandões se eu responder à pergunta da professora?

Tudo de importante na humanidade —guerras, arte, empresas— tem na sua origem questões emocionais ou afetivas, a vasta maioria aprendida —ou não— na adolescência. Vigotsky sabia disto. Estamos distraindo o esforço sério com bobagens como trigonometria e a diferença entre mesosfera e litosfera.

Que escola dita forte ou de elite teria a coragem de reaplicar uma prova de, digamos, biologia, um ano depois, para o mesmo grupo de alunos? Sabe que vai ver nota 2 onde havia uma nota 9 um ano antes.

A Universidade de Chicago fez o estudo e concluiu: 96,7% de tudo que é passado como matéria na escola é esquecido por completo. Se tiver dúvida, cite três elementos da tabela periódica em ordem, explique o uso do verbo dicendi ou diferencie uma grande sesmaria de uma capitania hereditária. Você sabia tudo isso, de cor.

Estudos do cérebro mostram que há uma área, o córtex cingulado anterior rostral (RCZ em inglês), que é um desconfiômetro sofisticado. Ele avisa quando você não está agradando ou se identificando com a tribo. Durante quase toda a história do homem, não ser aceito significava a morte e hoje ainda é relevante, seja Abercrombie & Fitch ou Abre a Kombi e Fecha. Este RCZ se apura enormemente na adolescência e quem dá aula é o Twitter e o recreio.

Contrariar a necessidade antropológica dos adolescentes é o que os torna aborrecidos. (…)

O ensino médio é uma tragédia. Ora, não há porque eliminar aprendizado de conteúdo, e é fácil ensinar a partir do interesse real da meninada. Mas via cartilha, simulado e provinha —com as respostas na web— é muito obscurantismo. Hoje, é difícil saber, de fora, se um prédio abriga uma escola ou uma Febem [atual Fundação Casa]. Os adultos, portanto, estão tirando zero nessa matéria.

Fonte: jornal Folha de S.Paulo (por Ricardo Semler)

Gabriel Chalita concede entrevista ao Jornal da CBN

“O caminho não é transformar a escola numa fortaleza.” Ao falar a Mílton Jung, apresentador do Jornal da CBN, sobre a tragédia que aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira – em Realengo, no Rio de Janeiro –, Gabriel Chalita afirmou que ideias como a de colocar detetores de metal e policiais armados dentro das escolas não são soluções adequadas para combater ações violentas.

“É uma tragédia, uma tristeza, que a escola – um espaço para onde os pais deveriam mandar seus filhos com muita tranquilidade, um espaço de educação, de paz, de convivência – tenha se transformado no que nós vimos”, lamentou o deputado. “Isso nos ajuda a refletir sobre como a escola está formando seus alunos.”

Chalita também tratou da questão do bullying, “humilhação continuada”, “destruição das emoções que o aluno sofre na escola”. Ele disse que essa prática sempre existiu, mas que, hoje, é agravada pelo cyberbullying e pela falta de diálogo em casa. “O pai e a mãe mandam o filho para a escola e delegam a ela todo o processo de educação”, apontou. “É um problema quando o jovem está sofrendo na escola, volta para casa e fica trancado no quarto; se ele conta para o pai e para a mãe, já começam a diminuir os efeitos do bullying.”

Embora, em muitos casos, a família deixe de cumprir seu papel, não se deve atribuir a ela toda a responsabilidade. Segundo Chalita, é necessário que o professor conduza a sala de aula de acordo com o novo papel da escola, que não é mais o de apenas auxiliar os jovens a memorizar informações. O deputado sugere que se multipliquem as formas de avaliar e de educar, com dinâmicas de grupo, por exemplo – de modo a desenvolver, além da habilidade cognitiva, as habilidades social e emocional. Ele defende que as escolas se abram para a comunidade, de modo, inclusive, a fazer com que os pais participem mais da vida dos filhos.

“O processo educativo, hoje, precisa ajudar as pessoas a conviver, a cooperar, a solucionar problemas, a resolver questões.” Chalita também fez um alerta: “Não é que, agora, você vai achar que todo aluno tímido será um futuro atirador”.

Para Chalita, o importante é identificar os estudantes que sofrem bullying e ajudar os outros, inclusive os agressores, a perceber que não se trata de uma brincadeira. “Parece um bom momento para as escolas discutirem isso.”

Confira a entrevista completa: http://migre.me/4e4kF

Deputados se solidarizam com famílias das vítimas de atirador no Rio

Diversos deputados lamentaram em plenário o assassinato de dez meninas e um menino em uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro, por um ex-aluno nesta quinta-feira (7). Conforme notícias veiculadas pela imprensa, um rapaz de 23 anos, identificado como Wellington Menezes de Oliveira, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, atirou contra os alunos e se matou. Além dos mortos, 17 pessoas teriam ficado feridas.

Em entrevista no Salão Verde, o presidente da Câmara, Marco Maia, disse que o clima é de consternação e ressaltou a necessidade de medidas para contornar a situação. Ele acredita, no entanto, tratar-se de um caso isolado. “Isso é mais comum nos Estados Unidos”, disse Maia.

O deputado Hugo Leal (PSC-RJ) anunciou a tragédia ao Plenário. Ele disse que nada justifica o ato e manifestou solidariedade às famílias em luto.

Na opinião do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), o ato foi “um desatino humano absoluto”. Ele recomendou à sociedade brasileira que reaja contra essa cultura da violência, que estaria sendo importada dos Estados Unidos e do Canadá. “Temos de reagir e pensar nas causas: o armamentismo desenfreado, o contrabando e a visão cultural de que a violência resolve tudo”, declarou.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) recomendou às autoridades que se pronunciem para que fatos como esse não se repitam. “Esses fatos, que não são de criminalidade, são de violência, acabam se disseminando. Uma palavra do poder público, do Ministério da Justiça, da Câmara dos Deputados, dos senhores deputados, das senhoras deputadas, pode ajudar para que nos seus estados as pessoas fiquem alertas para que esse fato não se repita”, afirmou.

Ações do Congresso

O O presidente da Comissão de Segurança Pública e combate ao crime organizado, deputado Mendonça Prado (DEM-SE), nomeou os deputados Alessandro Molon (PT), Dr Carlos Alberto (PMN) e Stepan Nercessian (PPS), todos do Rio, para acompanhar a situação na cidade.

Os parlamentares vão reunir informações e realizar pesquisas com a Secretaria de Segurança Pública do Rio para discutir o assunto e elaborar leis de combate a esse tipo de crime. Alessandro Molon lembrou já ter proposto à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado a realização de uma audiência para discutir o controle de armas e munições. O pedido foi aprovado ontem.

“O Congresso e a Comissão de Segurança Pública têm o dever de se debruçar sobre o assunto e ver quais medidas podemos tomar preventivamente para que tragédias como essa não voltem a ocorrer no País”, disse Molon.

Escolas

O deputado Ricardo Quirino (PRB-DF) reclamou da vulnerabilidade das escolas brasileiras. “Precisamos dar mais atenção à segurança nas escolas. Essa vulnerabilidade em que se encontram as escolas, os professores e os alunos vem de encontro a tudo aquilo que nós lutamos: a qualidade do ensino.”

Para o deputado Gabriel Chalita (PSB-SP), a escola brasileira pode estar perdendo seu sentido, quando deveria ser um “centro de luz” em uma comunidade.

Já os deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Anthony Garotinho (PR-RJ) ressaltaram a importância da religião para evitar a violência. Garotinho recomendou a oferta de aulas de ensino religioso nas escolas. Ele lembrou que, quando governador do Rio (1999-2002), aprovou a lei do ensino religioso nas escolas do estado, recentemente revogada.

O Plenário fez um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da chacina e a Mesa Diretora divulgou moção de solidariedade. Assinado pela 1ª vice-presidente da Câmara, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), o texto lamenta “esta tragédia que enluta não apenas os familiares, o município e o estado do Rio de Janeiro, mas todo o País”.

Projeto de Gabriel Chalita contempla educação inclusiva

O deputado Gabriel Chalita apresentou, no dia 5 de abril, um projeto de lei na Câmara Federal.  O documento trata de questões referentes a alunos com distúrbios, com transtornos e/ou com  dificuldades de aprendizagem, de modo a garantir que a rede pública de ensino receba e  forme  esses estudantes de maneira adequada.

Dentre os aspectos contemplados, estão a formação específica e continuada de professores; o  desenvolvimento de processos diagnósticos que permitam a avaliação correta do  desempenho das crianças e dos adolescentes; a conscientização da necessidade de combate  contínuo à exclusão e à estigmatização dos alunos; o envolvimento dos familiares e a ampliação do atendimento especializado disponível.

O projeto de lei traz à discussão um tema de extrema relevância para a sociedade, uma vez que a educação inclusiva – conceito amplamente debatido no âmbito político – tem como papel estabelecer a intercomunicação entre a educação básica e a educação especial. Vale considerar, nesse sentido, a diferenciação dos conceitos abordados, a análise da prática pedagógica e a compreensão de fatores históricos, sociais e econômicos.

Ao definir apropriadamente o problema e estabelecer soluções adequadas à realidade brasileira, o documento, uma vez aprovado e convertido em lei, estimulará ainda mais a valorização da dignidade da pessoa humana, um dos pontos cruciais da Constituição Federal.

A Escola da Ponte

Os olhos são órgãos marotos. Mesmo perfeitos, não são dignos de confiança. “Não vemos o que vemos; vemos o que somos”, escreveu Bernardo Soares. A gente pensa que os olhos põem dentro o que está longe, lá fora, quando o que os olhos fazem é por lá longe o que está dentro.

É o caso dos olhos do pai e os olhos do apaixonado por sua filha… Olho de pai é olho que se educou com a vida. Conhece a menina, viu-a nascer, crescer, voar, cair… Alegrou-se nos dias de sol, entristeceu-se nos dias de sombras e escuridão.

Os olhos do apaixonado são diferentes. Neles mora uma pitada da loucura que se chama fantasia. O apaixonado vê como realidade aquilo que existe dentro dele como sonho. Versinho enorme de Fernando Pessoa: “Quando te vi, amei-te já muito antes”. Traduzindo: vejo no seu rosto o rosto que já morava dentro de mim, adormecido… O apaixonado é um porta-sonhos.

Vocês, meu leitores, não devem estar percebendo a propósito de que é essa meditação sobre os olhares. É que eu escrevo por meio de parábolas, e o que está em jogo é um pai de olhar claro, uma donzela linda, sua filha, e um apaixonado que vê com olhos de poeta. Respectivamente, o professor José Pacheco, a Escola da Ponte e eu, Rubem Alves.

Visitei Portugal, acho que no ano 2000, e lá conheci uma escola diferente: a Escola da Ponte. Para mim, foi um espanto. Fiquei apaixonado e escrevi um livrinho sobre ela: “A Escola com que Sempre Sonhei Sem Imaginar que Pudesse Existir”. Amei a Escola da Ponte, amor à primeira vista.

Sou um educador. Escrevi muitas coisas sobre a educação no transcorrer da minha vida. Mas, de tudo o que escrevi, acho que minha contribuição mais significativa para a educação foi esse relato espantado e apaixonado.

A Folha publicou uma entrevista com o título “O lado escuro da Escola da Ponte” (7 de março de 2011). Nessa entrevista, o professor José Pacheco manifestou a sua preocupação com esse livro, exatamente por ele ter saído de um olhar apaixonado. A paixão obscurece os olhos que se põem então a construir mitos. E os mitos podem ser enganadores. O meu livrinho poderia levar os leitores a fantasiar coisas maravilhosas sobre a escola que não correspondem à realidade.

O que são mitos? Mitos são sonhos transformados em poesia. E a poesia tem poderes mágicos de transformar e dar vida. Quem explica o mito é Fernando Pessoa:

“O mytho é o nada que é tudo;/ Sem existir, bastou./ Por não ter vindo foi vindo e nos creou./ Assim a lenda se escorre a entrar na realidade/ E a fecundá-la decorre”.

A visão mítica, que não é intencional, acendeu sonhos que dormiam em mim. Aí me vieram ao pensamento estes três textos que dizem o que penso.

Primeiro, Miguel de Unamuno: “Recuerda, pues, o sueña tú, alma mia -la fantasia es tu sustancia eterna lo que no fué; com tus figuraciones hazte fuerte, que eso es vivir, y lo demás es muerte”.

Depois, as palavras de Tolstói, que Guimarães Rosa cita com aprovação: “Se descreves o mundo tal como é, não haverá em tuas palavras senão muitas mentiras e nenhuma verdade”.

Finalmente, esse delicioso poeminha de Mário Quintana sobre as utopias: “Se as coisas são inatingíveis, ora… não é motivo para não querê-las. Que tristes os caminhos se não fora a presença distantes das estrelas”.

Continuarei a apontar para as estrelas…

Fonte: jornal Folha de S.Paulo (por Rubem Alves)