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Direito de ser criança

Por Gabriel Chalita

No mundo competitivo em que vivemos, as crianças são cobradas, o tempo todo. Há muita expectativa dos pais para que os filhos tenham sucesso. Há todo tipo de projeção: pais querendo que o filho seja um campeão no futebol ou na natação ou na moda. Quem sabe uma miss! Ou, ainda, nas agências de modelo infantil, ganhar dinheiro com a beleza. Ser um artista mirim de televisão. Há casos em que a mãe ou o pai ficam, de fila em fila, em testes de publicidade. E a criança é carregada, de um lado a outro, como um objeto. No quesito beleza, tem mãe que chega a pintar o cabelo ou a aplicar botox na filha de 7 ou 8 anos.

Em matéria de sucesso escolar, a cobrança segue a mesma neurose. Pais querem que os filhos sejam os primeiros em tudo. Querem que sejam melhores que os outros. É este o caminho do sucesso, julgam erroneamente. Criança tem que ser criança. Tem que brincar. Tem que ter sonhos. Tem que ter pausas.

Antigamente, era comum ver as crianças brincando no quintal, convivendo com animais, lambuzando-se na terra. Os pais ficavam nas calçadas, conversando, e as crianças brincando. Até a hora de dormir. Hoje em dia, o cenário é outro. O medo do fracasso dos filhos estabelece uma relação contínua de cobrança. Evidentemente, os pais querem o melhor para os filhos. Mas precisam tomar cuidado com os excessos.

Fico feliz quando vejo, nas Igrejas que frequento, pais com seus filhos. Algumas crianças mais quietas, outras andando de um lado a outro. Não importa. O que importa é a convivência em um espaço sagrado. E a oração. E o aprendizado correto com valores que permanecerão a vida toda.

Mês de outubro, além de ser o mês das crianças é também o mês do professor. Professam o amor aqueles que fazem da prática, em sala de aula, uma extensão dos valores de generosidade e competência. São, depois dos pais, as maiores referências para as crianças. Os professores precisam ser respeitados e precisam se fazer respeitar. É um ofício nobre, digno. Em nossa memória afetiva, certamente, moram muitos professores que nos conduziram pelas sendas do conhecimento e da ternura.

Que Nossa Senhora Aparecida, nossa intercessora junto ao Mediador, possa nos inspirar a viver uma vida de valores. A mulher escolhida para ser a mãe de Jesus é exemplo de simplicidade e de entrega ao projeto de Deus.

O projeto de Deus, para pais e filhos, não é uma disputa insana pelo primeiro lugar, mas um lugar pleno de amor para que as sementes possam crescer e enfeitar o jardim da existência.

Antes de querer que seu filho seja o primeiro, o campeão em alguma coisa na vida, queira que ele seja feliz. E que seja equilibrado. E que esteja longe de tudo o que rouba a vida em plenitude com que Deus nos presenteou. E, mais do que palavras, nunca se esqueça: são os exemplos que forjam o caráter e que preparam para uma vida equilibrada com respeito e muito amor.

Inclusão e crescimento econômico

No último artigo, mostrei que a educação estimula o crescimento econômico por meio de mecanismos como a elevação da produtividade do trabalho e a criação e adoção de novas tecnologias.

Para que isso ocorra, é fundamental elevar a qualidade da educação, medida pelo nível de aprendizagem dos alunos. A educação também afeta o crescimento por meio de outro canal: a inclusão econômica e social.

Como argumenta Michael Spence no recém-lançado “The Next Convergence: The Future of Economic Growth in a Multispeed World”, a inclusão é essencial para o crescimento sustentado, por dois motivos.

A primeira razão é que o crescimento econômico é um processo de aprendizado, no qual novas tecnologias e produtos são continuamente descobertos e tornam os processos anteriores obsoletos.

Para que essa dinâmica funcione, ela deve ser inclusiva -tanto para incorporar consumidores que demandarão novos produtos como para criar condições para que surjam empreendedores que satisfaçam essa demanda.

Nesse processo, a educação eleva o nível de renda e favorece a inclusão de amplos segmentos da população no mercado consumidor. Além disso, uma educação de qualidade cria condições para que os empreendedores sejam capazes de identificar novas oportunidades e os trabalhadores tenham flexibilidade para se adaptar diante das mudanças.

Ou seja, a importância da educação -de qualidade- aumenta na medida em que a economia fica mais complexa e as tecnologias tornam-se mais sofisticadas.

A segunda dimensão da inclusão para o crescimento está relacionada à noção de justiça social. Uma sociedade em que há igualdade de oportunidades estará mais disposta a fazer os sacrifícios necessários para viabilizar investimentos que geram crescimento econômico.

Por outro lado, a percepção de que os benefícios do crescimento ou os custos de crises econômicas não estão sendo distribuídos de forma justa pode gerar dissenso ou mesmo conflitos sociais, como tem ocorrido em vários países do mundo nos últimos meses.

Essa percepção é muito prejudicial para o crescimento. Além do aumento da incerteza, que reduz o investimento, as tensões sociais muitas vezes inviabilizam um consenso mínimo em torno do apoio a políticas que favoreçam a superação de crises e o crescimento sustentado.

Educação de qualidade para todos é a melhor forma de assegurar igualdade de oportunidades. Ela estimula o dinamismo econômico. Portanto, melhorar a qualidade da educação é componente fundamental de qualquer estratégia de crescimento com justiça social.

Fonte: Folha de S. Paulo (por Fernando Veloso)

Drummond: legado e memória

Fonte: assessoria de imprensa

Carlos Drummond de Andrade já dizia: “Lutar com palavras é a luta mais vã”. Hoje, data em que o escritor completaria 109 anos, travamos – embora reconheçamos a força do oponente – uma nova batalha com as letras, a fim de homenagear o poeta.

Dono de apenas duas mãos, mas do sentimento do mundo, o mineiro de Itabira faleceu em 1987. Deixou um legado que, por si, já bastaria para que sentíssemos orgulho de ser brasileiros. Uma obra de gêneros e de temática diversos, das questões mais íntimas do indivíduo às de reflexão social.

Rememorar o poeta, hoje e sempre, é ato que valoriza nossa cultura e, consequentemente, a identidade nacional. Neste “Dia D” (denominação cunhada pelo Instituto Moreira Salles, para que, a partir de 2011, Drummond seja homenageado anualmente), o autor representa não apenas os grandes nomes da literatura do nosso país, mas também a capacidade de uma nação que busca a poesia nas esquinas do cotidiano. “Se procurar bem você acaba encontrando/Não a explicação (duvidosa) da vida/Mas a poesia (inexplicável) da vida.”

Nessa trajetória habitual, assemelhamo-nos todos, por mais diferentes que sejamos. “Minha vida, nossas vidas/Formam um só diamante.” Daí, a importância de um resgate como o promovido neste 31 de outubro; Drummond, um dos símbolos da nossa realidade, lembra-nos de que temos muito a valorizar na cultura brasileira – seja a das expressões artísticas, seja a da arte diária de viver.

Fica, assim, este texto em consideração à efeméride cá descrita – e, como extensão, a todos os talentos de nosso país. Uma singela manifestação do apreço por um literato gauche, de ombros que suportaram, como tantas vezes suportam os nossos, o peso do mundo (ainda que este corresponda à mão de uma criança). Honrados pelo prazer de devorá-lo a cada leitura, reproduzimos versos drummonianos que podem ser facilmente relacionados a toda a herança criativa transmitida pelo autor: “As coisas findas/muito mais que lindas/essas ficarão”.

Abertura para o mundo

Conhecida internacionalmente por suas ações de apoio à leitura, a Colômbia apresenta números expressivos no que diz respeito à sua rede de bibliotecas públicas. A teia nacional é formada por 19 bibliotecas, cinco centros de documentação e quatro áreas de gestão cultural, cobrindo 28 cidades. Na capital Bogotá, são 20 unidades fixas e uma móvel, o Bibliobús, que compõem a Red Capital de Bibliotecas Públicas de Bogotá (Bibliorede). Bibliotecária e educadora, a colombiana Silvia Castrillón participou ativamente do processo que instituiu esse sistema nacional de bibliotecas públicas. Presidente da Associação Colombiana de Leitura e Escrita (Asolectura), Silvia acaba de lançar no Brasil o livro O direito de ler e de escrever (Editora Pulo do Gato). Em entrevista à repórter Ligia Sanchez, a autora levanta os pontos fracos do sistema de bibliotecas colombiano e afirma: “incentivar a leitura, por si só, não faz sentido”.

 

Qual a importância do incentivo à leitura na sociedade atual?

Pensar que é preciso incentivar a leitura é um lugar-comum. A maioria das pessoas que dizem isso não faz uma reflexão sobre o porquê e o para quê é preciso incentivá-la. O incentivo propicia possibilidades para o ser humano, como pessoa que está no mundo e intervém nele. Por exemplo, há quem defenda que as pessoas devem consumir mais livros. Esse não é meu interesse para incentivar a leitura. Há governantes que estão interessados na promoção da leitura porque, supostamente, ela forma cidadãos melhores. Mas quando analiso o que eles entendem por cidadania, não é o mesmo conceito que eu tenho. Eles querem cidadãos que não questionem e não coloquem em perigo a ordem estabelecida. Estou interessada no contrário: em pessoas que exerçam juízo crítico frente à ordem estabelecida. Que tenham condições, capacidade, que usem a escrita como uma ferramenta que lhes permita conhecer melhor essa ordem para poder intervir nela. Há outras pessoas que atribuem à leitura o poder de incrementar o rendimento escolar, o que as colocaria em melhores posições em rankings de avaliações internacionais. É preciso olhar, antes, como se mede esse rendimento escolar, quais são os fins de incrementá-lo. Incentivar a leitura, por si só, não tem sentido.

É possível medir o impacto da promoção da leitura? 

Isso não se mede com número de livros lidos, nem com provas acadêmicas internacionais. Tampouco é possível medir a cidadania. Poderíamos ver se as taxas de violência diminuem, ou se aumentam as possibilidades de convivência entre os seres humanos, mas isso é muito difícil de mensurar. Acredito que essas transformações só se dão em longo prazo e com uma observação do tipo qualitativo sobre as práticas de leitura e, sobretudo, do imaginário sobre a leitura e a escrita.

Como está a situação da Colômbia em relação ao sistema de bibliotecas públicas e leitura?

O tema da formulação de políticas públicas de leitura vem sendo trabalhado há mais ou menos 15 anos por lá. A sociedade civil se organizou ao redor dele. Antes que muitos países pensassem em grandes bibliotecas escolares, a Colômbia investiu nelas. Mas não avançamos muito no que eu entendo por acesso à cultura escrita. É difícil ver os impactos em termos gerais. Vemos resultados em pequenos grupos, em turmas de jovens, em grupos de professores, que vão transformando suas práticas e seus imaginários sobre a leitura e a escrita. É muito difícil, porque esse trabalho vai na contramão do que a sociedade propõe (que o livro seja um objeto de consumo, que a leitura seja uma prática para a recreação). A sociedade pensa a leitura não para a emancipação dos seres humanos, mas para que eles se esqueçam dos problemas.

Como foi a participação da sociedade civil no processo de instituição do sistema de bibliotecas?

Nós, da Asolectura, iniciamos um processo nacional e local de organização de espaços para o debate sobre a necessidade da formulação das políticas públicas. Criaram-se conselhos municipais de leitura e escrita em algumas cidades do país, tanto pequenos povoados como grandes centros, em que se reuniam professores, bibliotecários, pessoas interessadas em pensar além. Fizemos cinco grandes encontros que produziram um documento, difundido amplamente, sobre a necessidade da formulação de políticas e sobre a necessidade da intervenção da sociedade civil neste processo. Não se tratava somente do que o Estado queria como leitura, mas também do que a sociedade acreditava que era necessário. Esses processos foram muito difíceis. Às vezes, aconteciam apenas em alguns locais, os grupos se formavam e logo se dissipavam e daí se perdia o trabalho.

A senhora diria que o sistema colombiano é bem-sucedido?

As bibliotecas são estupendas. Além disso, estão em todo o país, você chega a um município pequeno e tem biblioteca. Mas o fato é que a construção de tais bibliotecas, em edifícios grandes e belos, que fazem os prefeitos ganharem prêmios de arquitetura, não muda as coisas. Por exemplo, em algumas cidades, há bibliotecas maravilhosas, que quase não possuem livros. Lá, o mais importante são os computadores, você vê crianças jogando ou usando a internet, ou seja, são excelentes lan houses.

Como enfrentar o desafio de chegar às pessoas iletradas e, consequentemente,  excluídas?

Fizemos um trabalho muito grande com pessoas excluídas que, antes de tudo, são excluídas pela pobreza. Está na moda falar de diversidade, grupos étnicos, mas creio que a primeira forma de exclusão é a pobreza. Claro que isso não quer dizer que não se reconhecem as lutas das minorias. Para chegar aos excluídos, é preciso desenvolver trabalhos muito pontuais, com grupos pequenos, e que devem ser feitos a partir da biblioteca e da escola, instituições que permitem chegar às famílias e trabalhar processos em longo prazo.

Quais estratégias a escola pode assumir no processo de incentivo à leitura?

A escola tem de lutar para que existam espaços de debate e de reflexão em seu interior sobre leitura. Acredito que a teoria precisa ser resgatada, para que a escola não use a leitura como moda, mas como instrumento de reflexão sobre a prática. Se eu fosse ministra da Educação, estipularia uma hora de leitura diária e de debates entre os professores, sobre textos teóricos e literários. Acredito que isso mudaria muito a visão que eles têm sobre a leitura. O problema é que os professores leem, e muito, mas em função de seu trabalho, não em função da vida. Então acabam não transmitindo um interesse pela leitura. Creio que é preciso introduzir, convidar os docentes a ler literatura e acompanhá-los nessas leituras.

Quais são os papéis das bibliotecas públicas, populares e escolares?

Deve haver diferenças. Entre as públicas e as populares, não necessariamente. Em geral, as bibliotecas populares surgem de uma iniciativa da comunidade. Qual é a ideia que o povo tem quando faz uma biblioteca? Não é a de que a biblioteca e a leitura são importantes, mas a de que se precisa de um lugar onde as crianças possam fazer suas tarefas escolares. As bibliotecas públicas costumam ser iniciativas do Estado. Mas como não há na sociedade uma ideia da necessidade e importância da leitura, elas acabam atuando como complemento da escola. Na Colômbia, cerca de 80% dessas bibliotecas são consultadas por estudantes, em função das tarefas escolares. Nos períodos de férias, não há o mesmo fluxo de frequentadores. Em geral, as bibliotecas estão abertas de acordo com os horários escolares e os bibliotecários estão adestrados para oferecer aos alunos o que os professores pedem de lição. Uma biblioteca pública deveria fazer uma programação de acordo com debates considerados importantes para a comunidade. Com isso, ir mostrando a importância que a leitura e a escrita podem ter para a comunidade, em função de seus interesses. Já a biblioteca escolar deve ser uma biblioteca no interior da escola, mas não uma biblioteca pública no interior da escola. Ela não pode ser um espaço diferente da sala de aula. A relação com a sala de aula é complementária e enlaçada.

Mas como garantir que essa relação se efetive na prática?

Em primeiro lugar, a biblioteca escolar deve ser um espaço onde as crianças que não têm livros em casa os encontrem ali. A biblioteca precisa ofertar livros de boa qualidade.  E deve trabalhar de mãos dadas com a aula na formação de leitores – que, mais uma vez, são leitores para a vida, não para a escola. Ou seja, pessoas que possam fazer uso da cultura escrita para diversos fins, com diferentes possibilidades. Na prática, o que se costuma fazer é o contrário: a biblioteca serve para buscar informações ou para a leitura recreativa. Nenhuma dessas duas coisas é ler. Procurar informações é importante, mas a leitura permite a busca de sentido do ser humano, de seu lugar no mundo, de relações com os outros. A leitura não serve só para pensar o mundo, mas para mudá-lo. Pode-se dizer que “ler é um direito”, mas não ler também é um direito. Nestas palavras, há uma coisa escondida: a maioria das pessoas não rejeita a leitura conscientemente, mas são rejeitadas pela leitura. Há muitas razões para que se sintam excluídas.

No Brasil, temos o Plano Nacional do Livro e da Leitura. Há algo semelhante na Colômbia?

Sim, mas os planos nacionais, para mim, são em geral muito instrumentais. São planos que não pensam realmente o porquê e o para quê. Ou se pensam, o fazem em termos muito limitados, muito pragmáticos, apenas associados ao rendimento escolar ou à inserção em uma ordem estabelecida, ou seja, que as pessoas saibam como se comportar e como conviver com os demais.

Fonte: Revista Educação

O professor, o aluno e o futuro

Por Douglas Tufano

O professor é alguém que trabalha muito, mas quase nunca tem a oportunidade de ver plenamente o fruto do seu trabalho. Plantamos para que, mais tarde, alguém possa colher. Por isso, ao longo de meus quarenta anos de magistério, vi muitos professores desanimados porque têm a impressão de que seu trabalho não é importante, não contribui para nada significativo. Acho que pensar assim é um equívoco.

Poder participar do projeto de vida de um aluno, nem que seja apenas por um ano, é algo importante. Geralmente, não é aquilo que se ensinou que vai marcar um aluno, mas sim o modo como se deu o seu relacionamento com o professor. A troca de experiências, as palavras de entusiasmo e de ânimo que ele escutou, a convivência quotidiana – tudo isso pode ter um peso extraordinário na vida de uma criança ou de um jovem. Depois de tantos anos, ainda me lembro de alguns professores do Ensino Fundamental e Médio que me marcaram, que me ajudaram, sem saber, a fazer escolhas importantes na vida. Lembro-me de suas palavras, de conselhos, de exemplos. E isso ficou incorporado em mim, passou a fazer parte do meu modo de pensar e agir. Gosto de pensar que, ao longo desses anos todos, também pude ajudar muitos alunos a tomar decisões que mudaram suas vidas.

Hoje em dia, num mundo que se transforma tão rapidamente, a principal contribuição do professor deve ser criar nos alunos o gosto pelo conhecimento, o desejo de aprender sempre mais. O professor deve esforçar-se por manter acesa a chama da curiosidade intelectual. Num mundo que não para de mudar, ter essa disposição mental é importantíssimo.

Fala-se muito em motivar o aluno, em apresentar aulas interessantes, movimentadas, em facilitar a aprendizagem etc.É claro que tudo isso é válido, sem dúvida, mas é preciso entender que nem sempre aprender é divertido. Nem sempre é possível converter um determinado assunto em atividades lúdicas, em que se aprende brincando. Há momentos em que é necessário haver concentração, leitura atenta, raciocínio. E isso cansa. Mas esse tipo de esforço é importante para formar um aluno crítico, para desenvolver sua autonomia intelectual.

Se esforço pessoal, nada se aprende, em qualquer atividade. Quem quiser ser um bom pianista, vai ter que praticar bastante; quem quiser ser um bom nadador, deverá treinar muito. O professor deve conscientizar os alunos sobre a importância da persistência, da dedicação, da perseverança. É preciso fazer o aluno desenvolver uma postura diante do conhecimento. Que ele saiba, desde o início, que aprender requer esforço. Não se pode enganá-lo dizendo que tudo é fácil, que ele sempre vai ter aulas divertidas. Não foi brincando que a humanidade conquistou conhecimentos, que a ciência avançou, que as artes se desenvolveram. Mas todo esse trabalho é recompensado com a aquisição de habilidades que ele poderá utilizar pelo resto da vida.

Por outro lado, isso é um desafio para nós, professores. A atividade docente pressupõe sempre uma postura humilde, a postura de quem está consciente de suas limitações e, por isso, deve estar preparado para aprender cada vez mais sobre a difícil arte de ensinar. Com o tempo, vamos identificando as atividades que mais entusiasmam os alunos, que facilitam a aprendizagem, que desenvolvem melhor certas habilidades. Por isso, a experiência de sala de aula conta muito para o bom desempenho do professor. Mas não é garantia de que funcione sempre. Pode ser que, em certas circunstâncias, o professor seja obrigado a repensar completamente sua didática para torná-la mais adequada a uma determinada classe, a determinados alunos. E é justamente por ser mais experiente que cabe ao professor mudar seu comportamento, e não, ao contrário, esperar que os alunos se adaptem a seu modo de ensinar.

Por isso, somos educadores. Por isso, vibramos quando vemos nossos alunos brilharem. E ficamos tristes quando eles não se saem bem. Mas não queremos vê-los desanimados, procuramos renovar o entusiasmo, mostrar-lhes que são capazes de superar as dificuldades e os obstáculos. E ao compartilharmos emoções e sentimentos, nos damos conta de que eles são mais do que alunos, são pessoas que entraram em nossas vidas, por isso, queremos o melhor para eles.

Os verdadeiros professores tornam a humanidade melhor. Por isso, são pessoas especiais.

 

Projeto de lei contra discriminação recebe voto favorável de Gabriel Chalita

Fonte: assessoria de imprensa

Foi aprovado, nesta quarta-feira, 26 de outubro, o Projeto de Lei 6.393/09, que estabelece multa para o empregador que pagar salários menores às mulheres que exercerem a mesma atividade profissional dos homens. A proposta recebeu o voto favorável do relator da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, deputado federal Gabriel Chalita (PMDB/SP).

Segundo a propositura, a multa imposta ao empregador no caso de discriminação corresponderá a cinco vezes o valor da diferença verificada durante todo o período de contratação. Ressaltando que o projeto está em concordância com a Constituição Federal, Chalita destacou que “a nossa Carta Magna (…) determina a proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil”.

Nesta semana, também foi aprovada, pelo plenário da Câmara dos Deputados, a Medida Provisória 540/2011, que concede incentivos fiscais para a indústria nacional, a fim de aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Já a Comissão de Educação e Cultura, da qual Chalita é titular, recebeu profissionais da educação que reivindicavam mais recursos para a área.

Os grandes males pedem grandes remédios

Por Gabriel Chalita

O título deste artigo remete ao Sermão de São Roque, de Padre Vieira, proferido em 1659. Serve-nos de inspiração para ver, julgar e agir sobre um dos maiores males de nosso tempo, a corrupção. Infelizmente, o Brasil frequenta, desde que se mede a corrupção mundial, há 16 anos, a incômoda faixa da 60ª à 80ª posição no ranking da percepção da corrupção entre as nações (no ano passado, o País ocupou a 69ª, entre os 178 países, devendo estar próximo disso no relatório que, provavelmente, será apresentado em outubro pela TransparencyInternational).

A nota que o Brasil vem tirando anda, sistematicamente, perto de 3,5 (3,7 no ano passado) – numa escala de 0 a 10 -, o que nos deixa muito longe dos países nórdicos, com suas invejáveis notas ao redor de 9,5.

Esse índice é bem conhecido e amplamente divulgado e discutido a cada ano, quando a Transparency lança seu novo relatório. O que se discute menos é outro índice, o que mede a percepção da corrupção nacional pelos próprios cidadãos. No último levantamento, de 2010, apenas 4% dos mil brasileiros entrevistados pelo Ibope para a TransparencyInternational reportaram que já pagaram propina a algum dos prestadores de serviço elencados na entrevista – funcionários públicos, policiais, políticos, etc. – para a obtenção ou aceleração de algum favor ou serviço. Isso nos deixaria na seleta lista dos países menos corruptos do mundo.

Ou então, mais preocupante, essa discrepância entre a corrupção medida e a sua percepção pela população poderia estar demonstrando o despreparo com que o cidadão brasileiro encara a corrupção e a necessidade de combatê-la.

Teríamos, então, um problema de raiz, tão profundo, que todas as intenções governamentais e o impressionante instrumental hoje colocado à disposição do cidadão – tal como portais da transparência, contas públicas abertas, jornalismo investigativo, procuradores independentes e dinâmicos – não bastariam para nos tirar desse patamar.

A Presidente Dilma Rousseff, por ocasião de sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas, reafirmou seu compromisso com a transparência e o combate aos “malfeitos” – entenda-se, à corrupção. Trata-se de atitude admirável, principalmente vinda da líder maior da nação, eleita com mais de 55 milhões de votos e que deve, portanto, servir de exemplo para o seu País.

Ver e julgar. Não há como desconsiderar que a corrupção corrói setores públicos e privados. Vamos ao agir. No mesmo “Sermão de São Roque”, afirma Vieira, “o maior perigo não é quando se teme o perigo, é quando se teme o remédio”. E o remédio é o agir.

É preciso incutir em cada um dos brasileiros a consciência de que o comportamento ético começa em casa, no exemplo que os pais dão aos filhos. Segue na escola, onde professores preparados e valorizados devem ensinar e discutir os valores com os alunos desde as primeiras incursões nesse espaço de paz. É assunto de responsabilidade de todas as esferas da administração – municipal, estadual e federal, de todos os poderes e de toda a sociedade organizada.

Se a educação demora a surtir efeitos, usemos, imediatamente, a tecnologia. Aí está a solução mais rápida – transparência, eficiência de sistemas, vigilância de ações e punição justa aos responsáveis.

É preciso usar os remédios sem medo. Os que temem os remédios preferem conviver com os “malfeitos” e desperdiçam a oportunidade de exercício do poder, seja público ou privado, para fazer o bem.

A ética se constrói tijolo a tijolo no cotidiano, no hábito. E o seu exercício é o grande remédio para este grande mal: a corrupção

Professores: senadores da esperança

Por Gabriel Chalita

Semeadores são aqueles que se dedicam a fomentar a vida. Semeiam porque acreditam na dádiva futura de cada semente. Semeiam porque sabem que os frutos da existência dependem da fertilidade dos campos. No cultivo da vida, como no amanhar da terra, é preciso permanente cuidado. Antes, durante e depois. O prêmio é a boa colheita que alimenta. Os professores são semeadores. Semeadores da esperança. São mulheres e homens que fazem da vida uma lição de amor. Escolher ser professor é assumir um compromisso com a formação do ser humano.

Quem ensina alguma coisa a alguém experimenta a generosidade, o prazer da entrega, a alegria do florescer humano. Essa é a esperança a ser semeada. O início de uma relação deve ser sempre sedutor. Em uma sala de aula, só o amor pode inspirar as relações de ensino, de forma a permitir a transformação pelo conhecimento. É preciso que o estudante se encante pela postura do professor, assim como pelas informações que forem transmitidas. É preciso semear o respeito mútuo, o deleite do convívio. Paulo Freire, no livro Pedagogia da Autonomia, apresenta uma visão inspiradora a respeito de seu papel de educador: “Sou professor a favor da esperança que me anima, apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza. Sou professor a favor da boniteza da minha própria prática (…)”. Na mesma obra, nosso andarilho da esperança afirma que, tão importante quanto o ensino dos conteúdos, é seu testemunho ético ao ensiná-los, a decência com que o faz, a preparação científica revelada com humildade, o respeito jamais negado ao educando. Faz-se mister que nós, professores, não nos acomodemos, que sempre busquemos a motivação que, inicialmente, nos conduziu ao ofício de educar. Se olharmos para trás e imaginarmos o que ainda há por vir, conseguiremos manter o prazer de ensinar, reinventando – a cada dia – a mágica ansiedade da primeira vez em sala de aula. Um prazer vivido e revivido na consciência do dever cumprido. Independentemente do quanto já caminhamos, ainda resta um longo caminho pela frente, e os caminhantes valorosos não permanecerão parados por muito tempo. É, também, preciso sonhar. Se não, a esperança se esvai. Sonhar que todos os alunos aprendam sem tropeços, que todos sejam educados, que não haja dificuldade de relacionamento com os outros professores, que os pais acompanhem em casa tudo o que a escola sugerir, que governos e patrões entendam a importância do professor e o valorizem. Valorizar o professor é fundamental, porque o professor é a alma, o pilar da educação. Os sonhos contemporâneos dos educadores precisam estar fortalecidos o suficiente para vencerem as numerosas barreiras que impedem que a aprendizagem se construa com a força que lhe é necessária. Quem não sonha não semeia nem educa. Confesso-me apaixonado pela profissão que escolhi, porque faço parte de uma plêiade de realizadores que não desistem, que não se entregam. Aprendo com professores que me ensinam no momento em que me indagam. Aprendo com alunos. Aprendo com relatos de experiências ousadas que conseguiram desmistificar dogmas educacionais. Gosto de ser semeador. A semeadura é o meu ofício. É o meu prazer. É por isso que, se me perguntarem como me vejo daqui a 50 anos, eu, sem dúvida, responderei: dando aulas. Ou, se preferirem, semeando esperança.
Aos semeadores, minha homenagem!

Professores: semeadores da esperança

Por Gabriel Chalita

Semeadores são aqueles que se dedicam a fomentar a vida. Semeiam porque acreditam na dádiva futura de cada semente. Semeiam porque sabem que os frutos da existência dependem da fertilidade dos campos. No cultivo da vida, como no amanhar da terra, é preciso permanente cuidado. Antes, durante e depois. O prêmio é a boa colheita que alimenta. Os professores são semeadores. Semeadores da esperança. São mulheres e homens que fazem da vida uma lição de amor.

Escolher ser professor é assumir um compromisso com a formação do ser humano. Quem ensina alguma coisa a alguém experimenta a generosidade, o prazer da entrega, a alegria do florescer humano. Essa é a esperança a ser semeada.

O início de uma relação deve ser sempre sedutor. Em uma sala de aula, só o amor pode inspirar as relações de ensino, de forma a permitir a transformação pelo conhecimento. É preciso que o estudante se encante pela postura do professor, assim como pelas informações que forem transmitidas. É preciso semear o respeito mútuo, o deleite do convívio.

Paulo Freire, no livro Pedagogia da Autonomia, apresenta uma visão inspiradora a respeito de seu papel de educador: “Sou professor a favor da esperança que me anima, apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza. Sou professor a favor da boniteza da minha própria prática (…)”. Na mesma obra, nosso andarilho da esperança afirma que, tão importante quanto o ensino dos conteúdos, é seu testemunho ético ao ensiná-los, a decência com que o faz, a preparação científica revelada com humildade, o respeito jamais negado ao educando.

Faz-se mister que nós, professores, não nos acomodemos, que sempre busquemos a motivação que, inicialmente, nos conduziu ao ofício de educar. Se olharmos para trás e imaginarmos o que ainda há por vir, conseguiremos manter o prazer de ensinar, reinventando – a cada dia – a mágica ansiedade da primeira vez em sala de aula. Um prazer vivido e revivido na consciência do dever cumprido. Independentemente do quanto já caminhamos, ainda resta um longo caminho pela frente, e os caminhantes valorosos não permanecerão parados por muito tempo.

É, também, preciso sonhar. Se não, a esperança se esvai. Sonhar que todos os alunos aprendam sem tropeços, que todos sejam educados, que não haja dificuldade de relacionamento com os outros professores, que os pais acompanhem em casa tudo o que a escola sugerir, que governos e patrões entendam a importância do professor e o valorizem. Valorizar o professor é fundamental, porque o professor é a alma, o pilar da educação. Os sonhos contemporâneos dos educadores precisam estar fortalecidos o suficiente para vencerem as numerosas barreiras que impedem que a aprendizagem se construa com a força que lhe é necessária. Quem não sonha não semeia nem educa.

Confesso-me apaixonado pela profissão que escolhi, porque faço parte de uma plêiade de realizadores que não desistem, que não se entregam. Aprendo com professores que me ensinam no momento em que me indagam. Aprendo com alunos. Aprendo com relatos de experiências ousadas que conseguiram desmistificar dogmas educacionais.

Gosto de ser semeador. A semeadura é o meu ofício. É o meu prazer. É por isso que, se me perguntarem como me vejo daqui a 50 anos, eu, sem dúvida, responderei: dando aulas. Ou, se preferirem, semeando esperança.

Aos semeadores, minha homenagem!

Contador de histórias ajuda a alfabetizar crianças em hospitais

Crianças que passam por tratamentos médicos recebem ajuda de voluntários na alfabetização. Em alguns casos, as crianças não frequentam a escola e aprendem cada letra com a ajuda de enfermeiros, médicos e, principalmente, dos contadores de histórias que visitam os pequenos no hospital.

A voluntária Irene Tanabe, 36, que faz parte da ONG Viva e Deixe Viver desde 2004, foi quem levou os primeiros livros para Vitor logo que ele começou o tratamento contra insuficiência renal, aos oito meses de idade. Sete anos depois, ela continua carregando livros para o instituto, mas hoje é Vitor quem os lê.

Ela também conta histórias para outras crianças no Hospital das Clínicas, mas admite que tem uma relação mais próxima com Vitor. Para fazer o tratamento, ele vai ao hospital um dia sim, um não, enquanto espera por um transplante de rim.

Criada há 15 anos, a ONG tem cerca de 1.200 voluntários em nove Estados, que dedicam duas horas semanais ao trabalho. A seleção de contadores de história é feita uma vez por ano –o treinamento dura nove meses. Para 2012, as inscrições começam em fevereiro. Informações no site www.vivaedeixeviver.org.br

Fonte: Folha de S. Paulo (por Marisa Cauduro)