07Maio |
|
07Maio |
|
O Brasil chora. Qual num intenso samba-canção, lamenta, com poesia e pesar, a perda de um de seus mais ilustres filhos. Quis o destino que Paulo Emílio Vanzolini fosse internado no dia 25 de abril, data em que completou 89 anos. Com um quadro grave de pneumonia, o compositor e zoólogo não resistiu. Faleceu três dias depois, no último domingo.
Avesso aos holofotes e às homenagens, o poeta não se via como celebridade. Gostava mesmo era da boemia das rodas de samba. Nelas, os amores achados e perdidos viravam inspiração para músicas capazes de tocar a alma. Humilde, discordava de muita gente ao declarar não ver motivo para a aclamação dos versos de um de seus maiores sucessos: “De noite, eu rondo a cidade, a te procurar, sem encontrar; no meio de olhares espio, em todos os bares, você não está”. Para ele, “Ronda” era um samba igual aos outros.
Vanzolini também se destacou por uma laureada produção científica. Formado em medicina, fez doutorado em zoologia na Universidade de Harvard. Nutria grande paixão pelo Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, no bairro do Ipiranga, que ajudou a ampliar, tanto em quantidade de espécies quanto em qualidade. Um dos idealizadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico e até premiado pela Fundação Guggenheim, em Nova Iorque.
Diz uma de suas obras-primas: “Quando eu for, eu vou sem pena; pena vai ter quem ficar”. Vanzolini deixou-nos, ao partir, não apenas tristeza e dor, mas também o sentimento e a força inerentes a suas composições. “Volta por Cima”, “Na Boca da Noite” e tantas outras canções marcarão para sempre a música popular brasileira. Um legado que aquece a alma e o coração, num momento em que só os versos têm o poder de confortar; uma trajetória que nem o tempo, companheiro e algoz, poderá silenciar.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)
Esta obra, de autoria de Gabriel Chalita e Mauricio de Sousa, conta as desventuras de um cãozinho que não tem dono, moradia, memória nem bando. Mas o que mais o incomoda é a ausência de um nome.
Como encontrar seu lugar no mundo se ele nem ao menos sabe quem é? Como se aproximar dos demais cães e vencer os preconceitos de seus donos, que enxergam nele apenas um animal de rua?
O cãozinho sem nome aborda temas como a solidariedade, a amizade e a persistência diante das dificuldades. Conduz, ainda, a reflexões sobre a importância de assumir novos pontos de vista e sobre as surpresas que podem contrariar algumas impressões acumuladas durante a vida.
Editora Globo, 2012.
Diferentemente das notícias que nos chegam por meio dos diversos veículos de comunicação, espalham-se, pelo País, iniciativas grandiosas de combate ao bullying, com resultados surpreendentes. Sustentadas pela tolerância e pela união dos atores envolvidos no universo escolar, elas são, em sua maioria, lideradas por professores. Profissionais que alicerçam, incansavelmente, a convivência harmoniosa numa sociedade plural.
Concebidas intramuros, as ações antibullying objetivam a conscientização da importância de uma convivência harmoniosa no ambiente escolar, a partir das situações de conflito experimentadas pelos alunos e pelos professores. Desse modo, a observação e a análise dos conflitos são material precioso na busca por soluções diante dos desafios de se conviver, pacificamente, com as diferenças. É o poder das pequenas revoluções empenhadas nos diversos rincões deste País.
E o professor é, assim, figura fundamental nesse contexto, haja vista que ele é a alma do processo formativo, o intercessor das situações educativas, o líder dessas pequenas revoluções. Mediar conflitos é educar por meio do afeto, disseminando bons valores, como a amizade, a união e a tolerância. O professor mediador é vital para o sucesso social, emocional e cognitivo dos alunos. Sem sua intervenção, a já difícil compreensão do mundo se torna ainda mais complexa e intricada.
Um mestre é capaz de fazer com que os alunos percebam que podem contar com alguém dentro da escola. E essa percepção tem grande valor, pois um dos problemas do bullying é o fato de a maioria das vítimas permanecer calada, com medo de não ser ouvida ou de sofrer retaliações. Ao sentir-se segura e acolhida para narrar sua dor e, assim, aliviá-la, é provável que a vítima o faça. Isso vale também para o convívio familiar – pais devem estar presentes no dia a dia dos filhos, mostrando-lhes a importância de compartilharem aquilo que os incomoda, que os torna infelizes.
É certo que não há como separar o ser humano profissional do ser humano pessoal. O professor também tem problemas, mas, como parceiro mais experiente, deve ser capaz de romper barreiras e de trabalhar suas limitações, a fim de transmitir uma sensação de tranquilidade, de ajuste, de equilíbrio aos aprendizes. O professor é referência para esses alunos que vivem em um mundo tão sem referências como o de hoje. E aí reside o seu poder de transformar duras realidades em espaços de paz.
Não se trata de estender mais uma responsabilidade ao professor – profissional já sobrecarregado por dificuldades de todo tipo que se impõem ao seu ofício –, mas, sim, de resgatar o encantamento de uma profissão que cuida, que orienta pessoas e que constrói possibilidades. Paulo Freire afirmava que professor precisa gostar de gente. Caso não goste, não pode ser professor. Dar afeto, vibrar com a conquista do outro, acolher, transformar dores em alegrias são privilégios humanos. Que capacidade infinda de dar e de receber afeto, de sorrir, de chorar, de abraçar, de vibrar com o sucesso do outro tem um professor! Que poderes de atar laços humanos, de promover a união e de semear a tolerância tem um professor! Que privilégio ser professor!
Por Gabriel Chalita(fonte: Revista Profissão Mestre)
A educação é uma prática libertadora. E o conhecimento, o passaporte para a autonomia. Um país mais justo só é possível com a formação, desde cedo, de indivíduos preparados para a vida e para o exercício da cidadania. E, nesse cenário, o poder público tem papel fundamental.
Participei, nesta semana, como presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, da iniciativa “Liderando Reformas Educacionais: Fortalecendo o Brasil para o Século 21”, na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Trata-se de uma oportunidade para educadores e autoridades políticas discutirem estratégias que elevem a qualidade da educação no Brasil. O evento é organizado pela Fundação Lemann.
Durante quatro dias, abordaram-se questões como currículo, escola de tempo integral, valorização dos professores, participação da família no processo educacional e relação da escola com a comunidade. Um dos pontos mais debatidos foi o acesso de todas as crianças à educação, a partir de metas e diretrizes viáveis.
Conseguimos, nos últimos anos, abrir as escolas públicas para mais e mais crianças e jovens. Oferecer um ensino de qualidade, no entanto, é um desafio que ainda temos de enfrentar. E a política educacional norte-americana pode nos auxiliar na busca desse objetivo.
Não devemos desistir de nenhuma criança e de nenhum jovem. O problema não é a falta de vontade ou de competência desses cidadãos, mas sim a ausência de oportunidades. Com a escola de tempo integral, métodos pedagógicos apropriados, professores preparados e a participação dos pais no dia a dia dos alunos, revolucionaremos a educação no Brasil. Como disse Paulo Freire, “quando o homem compreende a sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções”. É esse o caminho que nos levará a uma política educacional capaz de formar mulheres e homens conscientes, livres e felizes.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)
24Abril |
|
23Abril |
|
23Abril |
|
23Abril |
|
