Violência X inteligência

A violência é o fracasso da inteligência, é a negação do que temos de melhor que é a capacidade de conviver.

O ser humano é um animal social. O nosso desenvolvimento depende do grupo, das teias que vão se formando desde sempre. O filho em formação depende da mãe. A criança recebe influências que vão construindo a sua história. Sem o grupo, nem a linguagem desenvolveríamos. Isso é o básico para dizer que precisamos uns dos outros.

Pois bem, se precisamos uns dos outros, somos limitados. Se somos limitados, cometemos erros. Somos cheios de imperfeições e, também por isso, temos o dever de compreender as imperfeições alheias.

A violência mora na casa da incompreensão. Agride-se o outro porque, de alguma forma, o seu comportamento incomoda. Quando possível, chega-se ao ponto de praticar – em ocasiões diversas – a violência física. Quando não se pode – pela distância talvez, ou pelo conforto do anonimato -, utilizam-se as mídias sociais para violentar o outro. É quase que uma catarse. É preciso ser violento com alguém. É preciso descontar o ódio ou a frustração pelo fracasso tentando destruir o sucesso de alguém.

A inteligência navega em mares bem mais tranquilos. Briga-se por boas causas, com elegância. Discute-se sem querer destruir o interlocutor. Ensina-se com competência e delicadeza. Isso vale para as relações entre casais, entre pais e filhos, entre amigos, entre conhecidos ou desconhecidos. Isso vale para quem não abre mão da inteligência nem da paz.

Octavio Paz, escritor mexicano, dizia que se os líderes lessem poesia, seriam mais sábios. Cada ser humano é um líder. Cada ser humano é protagonista de sua história. Cada ser humano é único e responsável pelo que faz a si e ao outro.

Leiamos, pois, poesia, nos livros e nas pessoas.

Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)  | Data: 6/9/2013

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