O papa Francisco vem surpreendendo desde o início de seu pontificado. Sua simplicidade e seu sorriso – expressão de bondade – têm conquistado católicos e não católicos do mundo todo. Seu discurso e suas ações transbordam ternura, acolhimento, amor.
Nesta semana, o papa esteve na ilha de Lampedusa, na Itália, uma porta de entrada para imigrantes ilegais na Europa. Na arriscada travessia pelo mar, em frágeis embarcações, muitos morrem em busca do sonho de viver numa pátria por eles considerada melhor. Quantas tristes histórias de imigração clandestina são conhecidas de todos – muitas delas, convertidas na desumana escravização da pobreza.
O papa lamentou essas mortes, de vida ou de liberdade. E lamentou, também, a falta de responsabilidade, de fraternidade, pela desgraça de um irmão, a ausência do choro pela dor alheia. Lamentou, enfim, a indiferença humana: “Caímos na globalização da indiferença. Nós nos habituamos ao sofrimento do outro. ‘Não nos diz respeito, não nos interessa, não é tarefa nossa!’”.
Francisco está certo! Este é um dos mais graves problemas contemporâneos: a indiferença. Somos “seres de convivência” e, portanto, a indiferença é a negação da nossa essência. Nós, seres humanos, precisamos uns dos outros. É na solidariedade, na fraternidade, que nos realizamos.
“A globalização da indiferença nos torna anônimos, responsáveis sem nome e sem face.” Quem só se interessa por si mesmo desperdiça a felicidade que vem do servir. Outro Francisco, o santo de Assis, ensinou que o servir traz mais felicidade do que o ser servido. Basta experimentar. Há muitas mulheres e muitos homens que realizam trabalhos voluntários e tentam melhorar o mundo. Há profissionais que fazem de seu ofício uma construção de pontes, para que, na engenharia da vida, ninguém seja deixado para trás. Toda vez que enxergamos o outro, diminuímos a indiferença e ajudamos a globalizar o respeito e a fraternidade.
Seja bem-vindo ao Brasil, papa Francisco.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)
