A bela cena de um pai ou mãe lendo para os filhos vai além da poética do aconchego, dos afetos. Entra no campo da inteligência, do desenvolvimento do raciocínio, da criatividade e da ampliação da linguagem.
Pais que leem para os filhos ampliam seus horizontes cognitivos e emocionais. Ao contrário das imagens prontas na TV e no computador, a criança ouve a história e imagina as personagens. As imagens no papel estimulam mais a imaginação do que nas telas. Exigem mais da criatividade e da atenção.
Recente estudo da American Academy of Pediatrics atesta a importância da leitura para crianças, inclusive para as que possuem alguns meses de vida. Mesmo os bebês, que não compreendem a história, terão mais estímulos ao ouvirem a voz dos pais e ao terem intimidade com o livro. Segundo a pesquisa, crianças com pouco mais de um ano, familiarizadas com essa prática, percebem, por exemplo, quando o livro está de cabeça para baixo.
Erram os pais que entregam o processo educativo dos filhos apenas às escolas. Elas complementam o que a família faz. Por melhor que seja, a escola nunca minimizará as carências provocadas por uma família ausente. É no centro das primeiras relações que a personalidade vai se formando, que as influências positivas ou negativas dão o tom do futuro. Não há desculpas para a ausência. Pais que trabalham o dia todo podem ter momentos preciosos com os filhos, lendo para eles antes de dormir. Podem usar finais de semana para conviver mais. Podem compensar a ausência de quantidade pela qualidade da presença.
Famílias ausentes trancam as janelas do futuro para os filhos. Tudo será mais difícil se não for estimulado na infância. As chaves poderão ser obtidas de outra forma, mas as ausências cobrarão seu preço.
Apresentemos às crianças o mundo mágico dos livros. Com os afetos da presença que máquina alguma substitui. No virar das páginas, no dizer das histórias, no olhar e sorrir, talentos vão nascendo.
Por: Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo) | Data: 04/7/2014
