A virtude no processo educacional

Virtudes são qualidades de quem é correto. Toda pessoa de boa índole é dotada de boas virtudes. O aluno virtuoso é aquele que estuda corretamente, ajuda o outro e permite ser ajudado. Que respeita o professor e compreende suas limitações. Que ama e é amado.

O professor virtuoso é aquele que se lembra o tempo todo do poder transformador que tem, das qualidades de ajudar o aluno a encontrar seu caminho. O professor virtuoso ama e permite ser amado. Ao mesmo tempo, é competente e cuidadoso.
 
Por outro lado, há alunos cuja postura difere daquela de quem busca aprender. Ignoram, esses estudantes, valores que fazem do ambiente escolar o espaço ideal para que explorem, coletivamente, as veredas do conhecimento. Do mesmo modo, há professores que se entregam ao marasmo ou à burocracia de nada mais inventar na relação com o aluno. São arrogantes, às vezes; ausentes, outras.
 
Dificilmente, porém, há de se encontrar um professor que seja integralmente virtuoso ou um aluno que não tenha virtude alguma. Não existe esse maniqueísmo. As pessoas vivem de fracassos e de vitórias. De quedas e de sonhos. De ódio e de amor.
 
Uma condição imprescindível para a boa relação na sala de aula é a compreensão de que a perfeição não existe. Existe a vontade de superar. Existe a determinação para recomeçar quando tudo parece perdido.
 
A relação entre professores e alunos necessita privilegiar esse campo das imperfeições. O professor é imperfeito, como o aluno também é. O professor erra e acerta. Da mesma forma, o aluno. São seres que se encontram para entender que é possível desenvolver o que cada um tem de melhor. E isso é uma grande virtude.
 
Aprender com os aprendizes compõe uma interação necessária. O aluno não tem de ser passivo nessa relação. Ele aprende. Mas ele também ensina.
 
O estudante precisa de incentivo e de espaço para o desenvolvimento de sua autonomia. Tem de aprender a dizer “não” e a dizer “sim”. A debater. A refletir. E como isso enriquece a relação na sala de aula!
 
O aluno não é objeto. É tão sujeito quanto o professor. A troca é profundamente instigante. E isso faz bem ao educador, porque o livra da rotina de dizer sempre as mesmas coisas para uma plateia que apenas cumpre o papel de assistir, passivamente, às explanações. O desafio de conviver e a humildade de ser convencido por outra ideia, por outro olhar… Tudo isso a serviço da construção de uma postura pessoal e profissional mais adequada.
 
Virtudes e adversidades hão de existir conjuntamente, mas os valores, quando bem trabalhados no processo educacional, servem como bússola, pois não permitem que os navegadores se percam. Não é possível prever na sala de aula tudo o que há de acontecer na vida. Mas é possível, sim, preparar para a vida. Preparar para dizer não à desonestidade, ao ultraje, à arrogância. E preparar para dizer sim. Sim à tolerância, ao amor compartilhado, à vida correta de quem faz o bem como missão e hábito.
 
Na escola, aprende-se, habitua-se a fazer o que é correto. Das coisas mais simples às mais complexas. De deixar limpo o banheiro a encarar com respeito todas as pessoas. Dos cumprimentos corriqueiros ao conceito de um mundo que precisa de intervenções sérias para que a dignidade humana não seja uma utopia. A virtude, quando presente no ambiente escolar, contribui imensamente para a formação de cidadãos conscienciosos e responsáveis.

Por Gabriel Chalita (fonte: Revista Profissão Mestre)

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