A dignidade humana é das conquistas mais preciosas de uma sociedade. No entanto, esse bem está longe de ser uma prática constante. Embora a Declaração Universal dos Direitos Humanos contemple, já no primeiro artigo, o espírito de fraternidade entre as pessoas, falta muito para que o atinjamos em sua plenitude.
Nos últimos meses, o mundo direcionou sua atenção para a Índia, mas não de modo a atestar a coragem de figuras como Mahatma Gandhi ou Madre Teresa de Calcutá, defensores incansáveis dos direitos humanos. Desta vez, nossos olhos se voltaram para o que os olhos não querem ver: a covardia, a crueldade, a barbárie.
O fato é que uma onda de estupro coletivo parece assolar o país. O primeiro caso a ser noticiado ostensivamente foi o de uma universitária indiana, vítima desse crime dentro de um ônibus, em Nova Déli. A jovem, após três meses, morreu.
Nesta semana, uma turista britânica foi hospitalizada depois de pular da janela de seu quarto de hotel. Em depoimento à polícia, ela explicou que arriscou a vida para impedir que o filho do dono do local a estuprasse. O caso aconteceu em Agra, no norte da Índia, região onde uma suíça, também turista, havia sido vítima de um estupro coletivo dias antes.
Obviamente, as agressões sexuais não são uma exclusividade da Índia. No entanto, a visibilidade que ganharam os casos de estupro – em particular, os coletivos – naquele país não deve ser ignorada. É necessário um olhar ainda mais atento, consciente e indignado sobre a gravidade do problema. Precisamos nos mobilizar contra essa prática ignóbil, além de outras que banalizem a vida.
Disse, certa vez, Madre Teresa, religiosa que se naturalizou indiana: “A falta de amor é a maior de todas as pobrezas”. Esperamos que, um dia, esse pensamento seja exercitado por todos, para que a fraternidade e a dignidade humana se tornem, de fato, uma realidade universal.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)
