Por Gabriel Chalita
Há um conto de Hans Christian Andersen, “A Menina dos Fósforos”, que narra a tristeza de uma menina pobre, em época natalina. O final é triste e é lindo. A reflexão também. O Natal é a celebração do nascimento de Cristo, o homem que marcou a história pregando a revolução do amor. Jesus cuidou dos que mais padeciam, dos que eram marginalizados: os leprosos, as mulheres adúlteras, os estrangeiros, os pecadores, as crianças.
No aniversário de seu nascimento, renasce o fazer voluntário. Há muitas pessoas que se mobilizam para ajudar uma creche, um orfanato, um asilo, uma clínica, entre outros. Há aqueles que saem a cuidar dos que vivem nas ruas. Ações louváveis, mas que não podem ficar restritas a esta época.
Uma pesquisa realizada em 2011, pelo Ibope, mostrou que um em cada quatro brasileiros fez algum tipo de trabalho voluntário ao longo do ano. Segundo outro estudo, da ONU, também divulgado em 2011, o número de voluntários no Brasil passou de 22 milhões para 42 milhões desde a instituição do Ano Internacional do Voluntariado, em 2001. Trata-se de um avanço. Mas é preciso mais.
Atento a essa realidade, apresentei à Câmara dos Deputados uma proposta para que as instituições de ensino superior sejam agentes indutoras da participação dos universitários em atividades solidárias. O Projeto de Lei 1838/2011 prevê o registro do serviço voluntário no histórico do aluno, como acontece em muitos outros países. A intenção é a de levar mais e mais jovens a participarem ativamente da construção de um país mais justo, humano e mais respeitoso diante do sofrimento e da privação do próximo.
Afinal, educar não é apenas ensinar números, fórmulas e regras. É ajudar, como dizia Sócrates, a desenvolver o que cada um tem de melhor. E o melhor é fazer o bem, para que, um dia, as histórias tristes recheiem apenas as lindas páginas da literatura. Já a vida real, que seja mais justa.
Fonte: Diário de S. Paulo
