Sem medo de caminhar nas ruas

Por Gabriel Chalita

Dar segurança à população é obrigação do poder público. É a garantia da vida e da liberdade. É inconcebível ter medo de caminhar nas ruas, medo de o filho sair à noite e não voltar.

Olhar a crise de segurança sob uma ótica mais humana é fundamental para enfrentar a violência. Tenho defendido algumas ideias para auxiliar nesse debate: iluminar mais as cidades, criar a Central Olho Vivo de videomonitoramento, investir em equipamentos esportivos e culturais para os jovens etc. Mas é na educação que me vem a melhor analogia para gerir esse problema. Costumo dizer que um bom sistema de ensino público tem de ter professores valorizados na cabeça, no coração e no bolso. O mesmo critério vale para a segurança pública.

Valorizar um policial é oferecer-lhe formação continuada, treinamento com equipamentos de boa qualidade, programas de capacitação no uso das ferramentas tecnológicas contra o crime. E oportunidade de crescimento, levando-o a vislumbrar um futuro de maior qualidade no exercício de sua função e na vida.

A profissão de quem coloca a própria vida em risco tem de ser desempenhada por alguém apaixonado e respeitado pelo que faz. Sentir-se valorizado, estimado e ouvido é basilar no exercício de qualquer função.

Um policial mal remunerado vê-se ferido em sua dignidade, em sua autoestima. Enfrenta dificuldades em manter sua família. Sente-se desestimulado no enfrentamento dos problemas de seu ofício.

Essa tríade cabeça, coração e bolso é um norte, uma atitude, uma marca de gestão responsável e responsiva às angústias da população e desses profissionais. Cuidar da pessoa toda e de todas as pessoas, humanizando as cidades. Assim, avançaremos, com eficiência e rigor, no combate à violência. E não teremos medo de caminhar nas ruas.

Fonte: Diário de S.Paulo

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