Por Gabriel Chalita
Eis o grande agente do processo educacional: o professor. Como afirma Cecília Meireles, na obra Crônicas de Educação 3 (Editora Nova Fronteira), “se há uma criatura que tenha necessidade de formar e manter constantemente firme uma personalidade segura e complexa, essa é o professor”.
Há quem diga que o computador substituirá o professor; que, nesta era, em que a informação chega de muitas maneiras, esse profissional perderá sua importância.
O computador nunca substituirá o professor. Por mais modernos que sejam os aparatos tecnológicos, por mais que a robótica profetize evoluções fantásticas, a máquina não reflete e não é capaz de dar afeto, de passar emoção, de vibrar com a conquista de cada aluno. Isso é um privilégio humano.
O professor tem luz própria. Não é possível que ele pregue a autonomia sem ser autônomo; que fale de liberdade sem experimentar a conquista da independência que é o saber; que queira que seu aluno seja feliz sem demonstrar afeto. E, para que possa transmitir afeto, é necessário que ele viva o afeto. O mestre precisa ser o referencial, o líder, o interventor seguro, capaz de auxiliar o aluno em seus sonhos, em seus projetos.
A formação é um fator fundamental para o professor. Não apenas a graduação universitária ou a pós-graduação, mas também a formação continuada, as atualizações, o aperfeiçoamento. Para que um professor desempenhe com maestria as aulas na matéria de sua especialidade, deve conhecer as demais matérias, os temas transversais que perpassam todas elas e, acima de tudo, conhecer o aluno. Ninguém ama o que não conhece, e o aluno precisa ser amado! Para quem teve uma formação rígida, é difícil expressar os sentimentos. Há pessoas que não conseguem elogiar, abraçar, sorrir. O professor tem de quebrar essas barreiras e trabalhar suas limitações, assim como as de seus alunos.
É essencial que o mestre acredite no que diz, que tenha convicção em seus ensinamentos, para que os alunos também acreditem neles e se sintam envolvidos. O mestre necessita de preparo para alcançar os objetivos que almeja. Aquele que não prepara as aulas desrespeita os alunos e o próprio ofício. É como um médico que entra no centro cirúrgico sem saber o que vai fazer, sem a instrumentação adequada. Uma aula preparada, organizada, com o conteúdo refletido, muito provavelmente será bem-sucedida. No entanto, aula previamente preparada não significa aula engessada; o professor não deve deixar de discutir outros temas que surjam apenas porque deseja cumprir o roteiro que preparou. Pode até acontecer de ele dar uma aula diferente da planejada, mas isso acaba sendo enriquecedor.
Mas não há professores perfeitos. A imperfeição é algo inerente ao ser humano. Aliás, aquele que pensa que nada mais tem a aprender acaba se transformando em um grande risco para a comunidade educativa, pois é incapaz de rever seus métodos, de ouvir ideias, de tentar ser melhor.
O professor precisa tornar-se, de fato, um educador que conheça o universo do educando, que tenha bom senso, que proporcione o desenvolvimento da autonomia de seus alunos. Que demonstre entusiasmo, paixão. Que não discrimine ninguém. Que se mostre politicamente participativo, para que suas opiniões possam fazer sentido para os alunos, sabendo sempre que tem nas mãos a responsabilidade de conduzir um processo de crescimento humano. Que seja um profissional, enfim, capaz de ajudar a construir uma educação verdadeiramente cidadã.
Fonte: revista Profissão Mestre
