O poder da tolerância e da união

Diferentemente das notícias que nos chegam por meio dos diversos veículos de comunicação, espalham-se, pelo País, iniciativas grandiosas de combate ao bullying, com resultados surpreendentes. Sustentadas pela tolerância e pela união dos atores envolvidos no universo escolar, elas são, em sua maioria, lideradas por professores. Profissionais que alicerçam, incansavelmente, a convivência harmoniosa numa sociedade plural.

Concebidas intramuros, as ações antibullying objetivam a conscientização da importância de uma convivência harmoniosa no ambiente escolar, a partir das situações de conflito experimentadas pelos alunos e pelos professores. Desse modo, a observação e a análise dos conflitos são material precioso na busca por soluções diante dos desafios de se conviver, pacificamente, com as diferenças. É o poder das pequenas revoluções empenhadas nos diversos rincões deste país.

E o professor é, assim, figura fundamental nesse contexto, haja vista que ele é a alma do processo formativo, o intercessor das situações educativas, o líder dessas pequenas revoluções. Mediar conflitos é educar por meio do afeto, disseminando bons valores, como a amizade, a união e a tolerância. O professor mediador é vital para o sucesso social, emocional e cognitivo dos alunos. Sem sua intervenção, a já difícil compreensão do mundo se torna ainda mais complexa e intricada.

Um mestre é capaz de fazer com que os alunos percebam que podem contar com alguém dentro da escola. E essa percepção tem grande valor, pois um dos problemas do bullying é o fato de a maioria das vítimas permanecer calada, com medo de não ser ouvida ou de sofrer retaliações. Ao sentir-se segura e acolhida para narrar sua dor e, assim, aliviá-la, é provável que a vítima o faça. Isso vale também para o convívio familiar – pais devem estar presentes no dia a dia dos filhos, mostrando-lhes a importância de compartilharem aquilo que os incomoda, que os torna infelizes.

É certo que não há como separar o ser humano profissional do ser humano pessoal. O professor também tem problemas, mas, como parceiro mais experiente, deve ser capaz de romper barreiras e de trabalhar suas limitações, a fim de transmitir uma sensação de tranquilidade, de ajuste, de equilíbrio aos aprendizes. O professor é referência para esses alunos, que vivem em um mundo tão sem referências como o de hoje. E aí reside o seu poder de transformar duras realidades em espaços de paz.

Não se trata de estender mais uma responsabilidade ao professor – profissional já sobrecarregado por dificuldades de todo tipo que se impõem ao seu ofício –, mas, sim, de resgatar o encantamento de uma profissão que cuida, que orienta pessoas e que constrói possibilidades. Paulo Freire afirmava que professor precisa gostar de gente. Caso não goste, não pode ser professor. Dar afeto, vibrar com a conquista do outro, acolher, transformar dores em alegrias são privilégios humanos. Que capacidade infinda de dar e de receber afeto, de sorrir, de chorar, de abraçar, de vibrar com o sucesso do outro tem um professor! Que poderes de atar laços humanos, de promover a união e de semear a tolerância tem um professor! Que privilégio ser um professor!

Fonte: revista Profissão Mestre por Gabriel Chalita

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