(Portal Net Educação)
Dia a dia, nossos filhos convivem com vários tipos de violência dentro das escolas, seja ela física ou moral Bullying é violência física ou moral, continuada, a que são submetidos principalmente adolescentes das diversas camadas sociais. Seu estudo se deveu ao crescente número de suicídios em países desenvolvidos decorrentes de traumas gerados em atitudes inadequadas e impertinentes.
No Brasil, os dados são recentes, mas revelam que quase 50% da comunidade escolar vivem esse problema. As chamadas brincadeiras que se utilizam do preconceito para ridicularizar o aluno, que diariamente recebe a mesma chacota, acarreta um sério comprometimento em sua bagagem emocional.
O aluno, geralmente, não revela o que sente e o quanto sofre a ninguém. Nem à sua família, o que agrava o problema. Piadas racistas ainda frequentam o ambiente escolar. Intolerância frente ao diferente: obesidade, estatura, deficiência, inaptidão física ou intelectual e até mesmo o excesso de sucesso que configura uma diferença aviltante. Tudo isso gera um estranhamento e uma agressão. Se os alunos aprendessem desde sempre – inclusive em casa – a conviver com as diferenças, o trabalho dos professores seria muito menos penoso. O fato é que esse preconceito vem da família, vem dos encontros sociais e dos meios de comunicação de massa. Diante desse fato, urge que os educadores trabalhem em algumas frentes para proteger e formar os alunos; afinal, é essa a função da escola.
A primeira tarefa é a preventiva. O convívio com os diferentes se aprende por meio de textos literários, pesquisas históricas, análises jornalísticas, entre outros. Ler os contos Negrinha, de Monteiro Lobato, ou Pai contra Mãe, de Machado de Assis, abre os horizontes para entender a dor gerada pelo preconceito. Estudar a geografia do Oriente e a humilhação a que são submetidas ainda hoje mulheres e crianças ajuda a não optar pelo radicalismo na manutenção de pseudoverdades. O caminho do estudo é mais eficaz do que o caminho dos conselhos. Outra frente, ainda na prevenção, é a formação dos professores e dos pais para a compreensão e a solução do problema.
Não se pode banalizar essa prática horrenda, permitindo que ela resida no discurso da ludicidade. O bullying é cruel e precisa ser abolido dos espaços escolares. Os pais, se bem informados, poderão perceber os primeiros sintomas do bullying. A tristeza, a timidez exagerada, a falta de assunto quando se trata da escola, o trancafiamento. Por vezes, o filho pede para mudar de escola ou inventa razões para não ir. A tendência do aluno é a de não contar a humilhação por vergonha. Famílias que dialogam com os filhos terão maior possibilidade em rapidamente compreender o processo. No caso dos agressores, os riscos são parecidos. São adolescentes que se tornam perturbados, tentando mostrar o quanto são valentões. Usam da força física ou da força financeira. Usam da ardilosidade ao criar, no universo virtual, caminhos para destruir a imagem da vítima. É o chamado cyberbullying. A rede se transformou em um espaço complexo em que todo tipo de calúnia pode ser compartilhado visando a achincalhamento moral da vítima. São vitimas, também, os agressores e precisam ser tratados.
Apresentei um projeto de lei na Câmara Municipal de São Paulo, visando à proteção a essas crianças e adolescentes. Esse projeto já aprovado e sancionado pelo prefeito. Acredito que esse seja um caminho para começarmos a combater o problema. Indiquei ainda a contratação de psicopedagogos para as escolas. O professor sozinho terá dificuldade em remediar o bullying, embora seja um elemento poderoso em sua prevenção. Enfim, a educação não pode negligenciar os fatores da essência e da convivência entre os aprendizes sob pena de se perder em discussões excessivamente teóricas que pouca relação tenham com o cotidiano. Utilizar o repertório cognitivo a serviço da dignidade humana é um desafio constante de quem educa. Façamos a nossa parte.
