Palestra no Ceará

Nesta sexta-feira, 25 de janeiro, Gabriel Chalita dá palestra no Ceará, na Semana Pedagógica de Icapuí. O evento tem como tema “Educação de Icapuí: uma ação de todos, construída a cada passo, por cada um!” 

Gabriel Chalita fala às 19 horas sobre a construção de relações de essência e convivência, na Escola de Ensino Fundamental Profª Raimunda Lacerda. Serão 300 educadores no auditório da escola, numa promoção da Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

Em resumo, a palestra de Gabriel Chalita aborda a grandeza que existe nas coisas singelas, que nos indica o caminho do que é realmente importante à existência humana. Uma visão apurada da vida é entender que a felicidade é composta pelas ações e sensações presentes nas coisas mais corriqueiras. Esse aprendizado deve ser um dos objetivos primeiros da educação

Nas disciplinas do currículo regular, na abordagem dos temas transversais, nas numerosas atividades que devem configurar o ano letivo das escolas – semanas culturais, gincanas, passeios, comemorações cívicas -, é necessário que os educadores propiciem aos seus aprendizes a consciência do que é o bem, o bom e o belo. Até porque essa tríade, capaz de dotar o espírito e a mente humana do viço e da energia essenciais à edificação de ideais nobres, cria um círculo virtuoso fundamental à convivência social pacífica, ao desenvolvimento do caráter ético e ao fortalecimento de valores como: honestidade, lealdade, respeito, civilidade, fraternidade, solidariedade e senso de justiça. Essas e tantas outras percepções e virtudes provêm do aprendizado adquirido na família e também das influências recebidas pelo meio. Ou seja, é a pedagogia baseada no amor.

Mas há outra família envolvida nesse processo pedagógico. É a família dos educadores, elementos fundamentais da escola, com seu trabalho sensível. Mestres são também maestros. Regentes cuja missão é ensinar aos músicos/aprendizes a ler as partituras da vida equilibrando razão e emoção, competência técnica e amor. Para isso, há que se despertar os educandos para o singelo, para a verdade e para a beleza essencial de todas as coisas. Em seus versos irretocáveis, Manuel Bandeira sintetiza parte dos conceitos filosóficos descritos por Platão a respeito do belo, tanto em seu texto Fedro, quanto em República. No primeiro, o filósofo nos diz: ” (…) na beleza e no amor que ela suscita, o homem encontra o ponto de partida para a recordação ou a contemplação das substâncias ideais”. Já em sua República, Platão compara o bem ao Sol, que dá aos objetos não apenas a possibilidade de serem vistos, como também a de serem gerados, de crescerem e de nutrir-se. O pensamento filosófico e a poesia não oferecem mapas ou guias para a felicidade. Muito melhor do que isso, apontam caminhos para que possamos ter o prazer de encontrá-la pelos nossos próprios esforços.

Assim deve ocorrer também com a educação, cujo compromisso maior precisa ser o de proporcionar escolhas, opções de rota, além de fornecer aos seres em formação os instrumentos básicos para as suas jornadas pessoais. Mestres e aprendizes têm de compartilhar a fascinante aventura da troca e da descoberta, de modo que, juntos, ampliem a capacidade de olhar as paisagens da vida com os olhos de ver… Carlos Drummond de Andrade – outro mestre sagrado da poesia – já falava sobre isso em seu belíssimo poema “A flor e a náusea”, do livro A rosa do povo:

Uma flor nasceu na rua!

(…) Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

(…) É feia. Mas é uma flor.

Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

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