No programa Quarta Viva deste dia 28 de novembro, Gabriel Chalita recebe uma visita especial. Paulo Bomfim, príncipe dos poetas brasileiros, lança o livro Cancioneiro, com desenhos, projeto gráfico e edição da artista Adriana Florence. Este ano ele comemora 60 anos de poesia desde a publicação do seu livro de estréia Antonio Triste, prefaciado por Guilherme de Almeida, com desenhos de Tarsila do Amaral. Cancioneiro reúne 25 poemas recentes e inéditos de Paulo Bomfim.
O encontro de Paulo Bomfim e Adriana Florence aconteceu há cinco anos, num evento sobre o Rio Tietê, comemorando o Dia da Água. Adriana Florence é tetraneta do francês Hercule Florence, artista que retratou a flora e a fauna na célebre Expedição Langsdorff, de 1821 a 1829, e que é considerado o pai da fotografia. A expedição partiu do rio Tietê até o Amazonas, totalizando 6.000 km de rios (Paraguai, Arinos, Juruena e Tapajós). Estabeleceu-se uma grande amizade entre o poeta e a artista, que descobriram uma série de afinidades.
Eleito para a Academia Paulista de Letras em 1963, o poeta teve o privilégio de conviver com Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. Conversar com Paulo Bomfim é compartilhar da história fascinante da geração da Semana de 22 e do Grupo Santa Helena. Descendente direto de João Ramalho, inspirou-se nesses homens que desbravaram o interior do Brasil, para a sua poesia de tom trovadoresco.
Paulo Bomfim nasceu no dia 30 de setembro de 1926 em São Paulo (SP). Diz que recebeu suas principais influências do poeta Guilherme de Almeida. Os livros que considera mais importantes para a sua formação: “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima, “Invenção do Mar”, de Gerardo de Mello Mourão, e “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa.
Seu primeiro livro, “Antônio Triste”, lançado em 1946, recebeu o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, no ano seguinte. Atuou como relações públicas da “Fundação Cásper Líbero” e fundou, com Clóvis Graciano, a Galeria Atrium. Produziu “Universidade na TV”, com Heraldo Barbuy e Oswald de Andrade Filho; “Crônica da Cidade” e “Mappin Movietone”. Apresentou na Rádio Gazeta, “Hora do Livro” e “Gazeta é Notícia”. Entre 1971 e 1973 foi curador da Fundação Padre Anchieta, diretor técnico do Conselho Estadual de Cultura de São Paulo e representante do Brasil nas comemorações do cinqüentenário da Semana de Arte Moderna, em Portugal.
Publicou, em 1951, “Transfiguração”. Em 1952, “Relógio de Sol”. Lança as primeiras cantigas, musicadas por Dinorah de Carvalho, Camargo Guarnieri, Theodoro Nogueira, Sérgio Vasconcelos, Oswaldo Lacerda e outros.
Publica, em 1954, “Cantiga de Desencontro”, “Poema do Silêncio”, “Sinfonia Branca” e depois, em 1956, “Armorial”, ilustrado por Clóvis Graciano. Em 1958, lança “Quinze Anos de Poesia” e “Poema da Descoberta”. Publica a seguir “Sonetos” (1959), “O Colecionador de Minutos”, “Ramo de Rumos” (1961), “Antologia Poética” (1962), “Sonetos da Vida e da Morte” (1963). “Tempo Reverso” (1964), “Canções” (1966), “Calendário” (1968), “Poemas Escolhidos” (1974), “Praia de Sonetos” (1981), com ilustrações de Celina Lima Verde, “Sonetos do Caminho” (1983), “Súdito da Noite” (1992), “50 Anos de Poesia” e “Sonetos” pela Universitária Editora de Lisboa. Em 2000 e 2001 publicou os livros de contos e crônicas “Aquele Menino” e “O Caminheiro”. Publicou, em 2004, “Tecido de lembranças” e, em 2006, quando o poeta completou 80 anos de idade, “Janeiros de meu São Paulo” e “O Colecionador de Contos”.
Suas obras foram traduzidas para o alemão, o francês, o inglês, o italiano e o espanhol.
Adriana Florence, 39, dedica-se à pintura há 25 anos. Protagonizou o documentário “No Caminho da Expedição Langsdorff”, da Discovery Channel, que percorreu 6 mil km dos rios brasileiros, refazendo a viagem do tetravô Hercule Florence. Durante as filmagens a artista produziu textos e pinturas inspirados nas paisagens. O documentário foi exibido em 200 países, em 19 idiomas. Adriana selecionou parte das obras, cadernos de aquarelas e seu diário pessoal e publicou o livro de arte “No Caminho da Expedição Langsdorff – Memórias das águas”. O livro foi indicado para o Prêmio Jabuti (2002)
Adriana Florence dedica-se à pintura, aos documentários e aos livros como autora, editora, ilustradora e produtora. Recentemente foram publicados “Cem Sonetos” de Ives Gandra da Silva Martins e “Mitos” de Betty Mindlin. Sua editora de arte especializou-se em livros sob um conceito artístico. O mais recente trabalho é “Cancioneiro” em parceria com o poeta Paulo Bomfim. É membro de diversos Institutos ligados à história e a cultura. Criou a filosofia do Instituto Cultural Capobianco.
Adriana dá continuidade à sua produção artística e literária expondo seu trabalho em galerias pelo país, ministrando palestras sobre arte, educação, meio ambiente e cultura indígena.
