As crianças e os jovens voltam para a escola, depois de um descanso – descanso que também é parte do processo de aprendizado. Os pais voltam às aulas também, junto com os filhos. Este é o tema do programa Papo Aberto desta semana.
O programa vai ao ar diariamente, das 12 às 13 horas, pela Rádio Canção Nova (AM, 860 kHz).
Ao longo desta semana, Gabriel Chalita estará conversando com os ouvintes sobre as preocupações dos pais com os filhos que, na escola, estão aprendendo a viver.
Aprender é compartilhar. E a maior parte dos pais esclarecidos sabe disso. Compartilhar o diálogo, o saber, o prazer, o querer. Por isso é fundamental estimular a vivência em grupo. Não para competir, no entanto, mas para cooperar.
Há diferenças fundamentais entre a competição e a cooperação.
Na nossa civilização aprende-se desde cedo a competir. Compete-se na escola pela melhor nota, no esporte pela melhor marca, no vestibular pela melhor universidade. Fala-se em comparativos e em superlativos. O melhor emprego. O melhor funcionário. Em mais dinheiro, mais prestigio, mais poder. Em fama global. Em notoriedade absoluta. A competição vai exigindo mais e mais, e a impossibilidade de alcançar tudo leva a uma angústia insuportável. Admita-se que é difícil negar a competição na estrutura social em que vivemos, porque fomos tornados escravos da sua teia. Mas o afã de competir, entretanto, parece coisificar um elemento essencial para toda pessoa: a felicidade.
A razão deste aparente contra-senso é que a felicidade está na cooperação.
A cooperação tem de ser aprendida, vivida em casa, na escola, na empresa, nos diversos ambientes sociais. A cooperação vem do intento amoroso de crescer junto, de vencer junto, de construir pontes que ligam e não de abrir buracos que afastem.
O ser humano só se desenvolve em grupo. Só no grupo aprende o conjunto de regras básicas de convivência que chamamos ética. E a partir desse aprendizado consegue trabalhar em equipe. Eis um desafio para empresas que buscam excelência. Se, no tocante à tecnologia, todas vão aos poucos se equivalendo, o diferencial que podem apresentar está nas pessoas, na gestão das pessoas. É aí que a competição sem a cooperação torna-se danosa. A ambição pessoal não pode se sobrepor ao interesse de grupo. Imaginem uma organização tradicional, pela qual já passaram centenas ou milhares de profissionais. Sua solidez não depende da busca solitária pelo poder, mas de uma construção coletiva.
O mercado contemporâneo busca profissionais com o perfil de cooperar e é por isso que as escolas precisam quebrar o paradigma da competição na preparação dos seus alunos.
Trabalhar em equipe, resolver problemas, saber ensinar e aprender a ser solidário. Eis o que é a ética! E que levará a felicidade a ser muito mais concreta. O mundo da competitividade é o mundo da heterogeneidade. Comparar pessoas diferentes – e não há pessoas iguais – é desestimular a criatividade e a autonomia.
Com a cooperação, a competição fica menos irascível e mais saborosa. Saber e sabor têm a mesma origem. Eis o diapasão do sábio.
