No dia 15 de novembro de 1889, uma sexta-feira quente, a cidade do Rio de Janeiro assistiu a uma cena histórica. No Campo da Aclamação, um grupo de jovens militares, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, depunha o gabinete ministerial do Visconde de Ouro Preto e declarava proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil.
Além de Deodoro, outras duas pessoas mereceram homenagens, pelo esforço que despendiam havia muito tempo para que se chegasse ao evento daquele dia 15 de novembro. Um deles era Quintino Bocaiúva, redator-chefe do jornal O País. O outro era o tenente-coronel Benjamin Constant. A principal intenção do grupo, com o novo regime de governo, era convocar uma Assembléia Nacional Constituinte e elaborar uma nova constituição para o país – o que acabou acontecendo em 1891. A principal mudança constitucional foi declarar a divisão entre Igreja e Estado, porque, até aquele momento, o imperador chefiava o governo e também a igreja. Foi uma manifestação ordeira, apoiada pela população. A simpatia popular pelo regime da República se devia ao fato de que Dom Pedro II, então com 63 anos, era considerado um governante fraco e insensível a reformas. E também à esperança de que o Brasil ganhasse maior envergadura política para estabelecer novas e mais produtivas relações internacionais. A república brasileira nasceu num momento marcado por outra efeméride: o mundo celebrava o centenário da Revolução Francesa, o maior marco moderno da democracia.
