São José dos Campos tem um “exército” de 641 pessoas que, durante todos os finais de semana, trabalham voluntariamente nas escolas estaduais desenvolvendo atividades esportivas, culturais ou de qualificação para o trabalho destinadas à comunidade.
São os voluntários do Programa Escola da Família, que acontece em 83 escolas estaduais da cidade, oferecendo a oportunidade para que a comunidade carente possa ter acesso à atividades que, de outra forma, estariam fora do alcance da maioria.
Aulas de pintura em tela, balé, informática, dança do ventre, culinária e tapeçaria são alguns exemplos. Há ainda aqueles que ministram aulas de futebol para crianças da periferia ou de idiomas para quem não pode pagar um curso particular, mas querem conhecer uma outra língua.
OPÇÕES – As opções são as mais variadas e atendem cerca de 100 mil pessoas por mês. “Mas, toda a variedade de opções só é possível graças ao trabalho dos voluntários. Eles são a lenha que alimenta o programa”, disse Aparecido Antonio de Almeida, 39 anos, que coordena o programa em São José.
Além dos voluntários, as atividades também contam com o trabalho de estagiários. São universitários contratados pelo Estado que recebem, em troca, a bolsa de estudos.
No entanto, os voluntários são maioria —o programa conta com 500 estagiários, em São José, além de 84 educadores profissionais que orientam os trabalhos desenvolvidos.
As atividades acontecem em todas as escolas da rede estadual de ensino da cidade, aos sábados e domingos, das 9h às 17h.
O aposentado Jair de Ramos, 76 anos, é um dos voluntários. Ele ministra aulas de música e de pintura em tela em duas escolas da rede. “Vou para a uma escola no sábado e em outra no domingo. Eu me sinto realizado com o trabalho que estou desenvolvendo”, disse.
Ramos, que nunca tinha ministrado aulas antes da experiência no Programa Escola da Família, disse que se sente vigorado com o trabalho. “Quando estou com os alunos, me sinto em casa. Há tempos não me sentia tão feliz e satisfeito”, disse o aposentado.
SATISFAÇÃO – As alunas reconhecem o trabalho e elogiam a dedicação de Ramos nas aulas.
“Fazer aula de pintura em tela era meu sonho. Mas, é um curso caro e nunca tive condições financeiras. Por isso, aproveito as aulas para tirar do professor tudo o que ele sabe. A paciência dele é um exemplo para todo mundo”, disse a dona-de-casa Sônia Moreira Venâncio, 40 anos, que mora no Jardim da Granja, bairro da região leste da cidade.
Milva Cândida do Nascimento Rodrigues, 23 anos, é outra voluntária que escolheu passar seus finais de semana na escola Olímpio Catão, no centro da cidade, dando aulas de informática para alunos carentes.
”Eu estou desempregada e, no momento, só estou estudando. Como estou fazendo curso de informática, decidi vir aqui nos finais de semana para dividir um pouco do que estou aprendendo com as crianças que não têm a mesma oportunidade que eu”, disse.
